• @rgpatrickoficial

Louco Desejo - Capitulo 10

Que dia! Meu Deus.

Cheguei na loja muito aéreo, com a cabeça ruim, graças a Deus Dona Giza não quis ficar para acompanhar eles no café.

O Lucio que sempre tirava seu horário de intervalo uma hora antes de mim, fazia uma visita na loja depois de almoçar;

- Fala mulher. – Ele entra falando.

- Hey, como está? – Pergunto dentro do caixa.

- Gente que cara é essa? – Lucio passa a mão em umas peças, vindo até mim.

- Conhece uma tal de Debora? – Pergunto como se não quisesse nada.

- A namorada do Matheus?

Cheguei a arregalar os olhos;

- Como assim? De onde tirou isso?

- Facebook amigo.... Ela está toda apaixonadinha... Mal sabe ela né Pedro.

- Sabe o que? – Aproximo dele.

- Nossa está em outro planeta ne! Mal sabe ela que ele só quer tirar o cabaço da coitada.

- Ela é virgem?

- Sim.

- Olha eu estava na casa dele essa manhã, e pelo jeito que saíram do quarto, não sei não viu amigo, essa virgindade já era.

- Se foi rápida assim, já entra na lista de chutadas por ele.

- Lucio que história é essa? Lista?

- Amigo, esses heteros tóxicos só querem comer e tchau. Acha mesmo que cara como Matheus quer relacionamento? Se liga. Iludida se pensa assim.

- Não, só não pode generalizar.

- Pedro, tudo bem, não é todo mundo, mas esse aí, está no topo da lista. Pena sabe de quem gosta dele.

- É você está certo. – Eu concordo olhando a merda que tinha feito.

- Sim! Tem que ser como você, aproveita e tchau! Me conta tudo do beijasso!

- Não foi nada demais.

- Ficou excitado não?

- Fiquei desconfortável, tem um monte de gente te olhando e tu praticamente pelado.

- Ai Pedro! Pegação em público, adoro, rsrs.

- Seu nojento.... Não aconteceu nada, e tinha o Alexandre ali comandando tudo.

- Ah é mesmo, nossa, se eu namorasse com você não deixaria ficar de pegação ainda mais com um gato daqueles, apaixona no olhar.

Eu rindo pergunto;

- E se namorasse Matheus? Deixaria?

- Se eu namorasse o Matheus você estaria careca agora, pois eu rapo sua cabeça.... Mas olha, não tem uma foto do dia?

- Tenho, calma aí...

Abri o e-mail que Alexandre havia encaminhado, e mostrei as fotos, ele iria mudando e comentando;

- (...) Meu Deus, siga esse molde.... Crie mais homens com essas pernas... Amigo isso é a mala dele?

- Rsrs, sim.

- Vão usar essas fotos?

- Não, pois ele ficou excitado na hora.

- Ai que inveja de você que viu a.... JESUS.

- Que foi? – Puxei o celular rápido.

Até eu assustei, na hora;

- Pedro que pornô é esse? – Ele gruda em mim para ver as fotos.

- Lucio não teve nada.

- Olha a bunda do Matheus.... Nos desfiles não via nesse ângulo... Seu namorado mandou essas fotos?

- Sim.

- Gente ele deve ter o que? Uns dezenove centímetros?

- Por ai.

- Como assim? Já viu?

- Não, só... Só pelas fotos.

- Gente... AI! PEDRO é ele ligando! – Lucio praticamente joga meu celular no balcão.

- Que você fez? – Pergunto pegando o aparelho.

- Não liguei, estava olhando as fotos.

Meu celular chamando, era o Matheus, afastei do Lucio para atender;

- Oi.

- Oi... Pedro está na loja?

- Sim, porque?

A menina que trabalha com o Lucio bate no vidro, chamando a sua atenção, e ele sai todo apressado;

- Depois venho aqui amigo. – Ele fala baixo.

- Queria falar contigo, acho que.... Não tudo bem.

- Que foi?

- Mano, falou algo para o Alexandre de Miami?

Mãos chegaram a soar na hora;

- Não, não falei para ninguém, porque? – Pergunto.

- Ele foi jogar verde com o Bruno, dizendo se ele tinha visto algo, desconfiou de algo, e tals...

- O Alexandre?

- Sim, ele falou com você sobre?

- Não.

- Porra.

- Não irei falar para ninguém não, relaxa. – Falo desinteressado.

- Valeu.

Eu desliguei o telefone, pensando, que bom, agora Alexandre já desconfia, e se eu for falar com ele, a merda só vai ser maior.

#MATHEUS

Fiquei com o que Bruno disse na cabeça, e nada melhor que sondar isso de perto. Na manhã seguinte, fui para a loja com minha mãe, que a abriu sozinha, e peguei umas roupas que estava comigo da agencia e levei para devolver.

Cumprimentei todos, como de costume, as coloquei na lavanderia, e conferi meu armário. Voltando no corredor, vejo ele no estúdio;

- E ai. – Digo entrando. – Tu está dormindo aqui? – Me aproximo.

- Que nada, vim mais cedo, temos trabalho hoje. – Ele pega em minha mão. – E você? Veio ver Rosangela?

- Não, minha mãe estava me enchendo o saco, trouxe as roupas de vocês para devolver.

- Ei te mostrar uma coisa. – Ele se vira na cadeira aproximando do computador.

- São as fotos? – Pergunto assim que ele abre a pasta.

- Sim, mudamos as edições, eles estão fazendo uns testes, que acha? – Alexandre mostra umas fotos minha.

- Ficou massa, eu curte mais essa preto e branco.

- Sim, ficou legal. – Ele abre o zoom.

Alexandre fecha a imagem e ao mudar, mostra Pedro, ele fica parado olhando uma das fotos e continua;

- As dele ficaram perfeitas. – Ele diz.

- Sim. – Eu concordo em um tom baixo.

Ele continua passando e então para na foto que estamos se pegando, ele passa e volta, passa e volta, e eu mega sem graça;

- Mano se eu não te conhecesse e conhecesse meu namorado, diria que já haviam feito isso antes.

Alexandre diz isso me olhando, que pressão do caralho;

- Ainda bem que me conhece ne, rsrs. – Eu cutuco ele.

Quando você faz algo errado sem pensar nas pessoas, sem pensar nas consequências, fica com uma ressaca moral. Ou você pensa, você analisa e mesmo assim escolhe fazer, escolhe mudar e afetar a vida das pessoas por um prazer rápido, um prazer imediato.

“Ah mas eu fiz por amor”, será que existe mesmo uma desculpa para alguns erros?

Sai daquela empresa com a cabeça longe, pensando sobre o que tinha feito. Fui para a loja, que nem me lembro o caminho na verdade, que eu fiz.

Quando cheguei, antes de entrar, parado ali na porta de vidro, vejo o Pedro, arrumando umas pelas nas araras, ele tem um jeito delicado, e ao mesmo tempo desastrado. Hoje ele estava de óculos, o que deixa sua aparência mais séria, e mais jovem também.

Entrei, deixando a mochila no caixa, e vou seguindo para os fundos;

- Minha mãe está aqui? – Pergunto seguindo.

- Não, foi no banco. – Ele diz.

A loja tinha arraras de ambos os lados, era até grande, no final havia o caixa, a esquerda dele os provadores, e a direita um pequeno corredor, para o banheiro e os fundos, no caso escritório e copa. A visão dessa entrada não era possível ver de fora, e dependendo do ângulo, complicado ver ao lado de dentro também.

Eu fiquei parado nessa porta, olhando, e então digo;

- Posso falar com você?

- Sim, vou terminar isso, calma. – Ele passa com uns cabides.

Vai ao fundo, guarda, pega outros e volta;

- É rápido. – Eu seguro o Pedro.

Pego em sua mão, ele para, olha e junta os lábios;

- Que foi Matheus.

- Queria pedir desculpas. – Falo segurando seu dedinho mindinho.

- Desculpas pelo... – Ele gesticula com a cabeça.

- Por aquela noite em Miami. O que fizemos foi errado, e eu lhe devo desculpas, pois não pensei em você e seu relacionamento.

Ele olha para baixo, e diz;

- Também estou mal, isso me deixou mal. – Pedro fala meio que cabisbaixo.

Eu puxo ele e o abraço, apertando seu rosto em meu peito;

- Está se sentindo diferente? – Eu pergunto.

- Diferente como?

- Não, foi uma pergunta boba, esquece.

Ele se afasta, mas minha mão não o solta, Pedro fica preso pela cintura.

Desculpem, mas não sei explicar o tamanho da força que tive que segurar para não beijar ele... Era uma coisa muito estranha.

Eu me sentia bem com o cheiro dele, só isso me deixava feliz.

Ouvimos a porta abrir, eu o deixo ir, e vou aos fundos, no banheiro e depois fico no caixa, até minha mãe chegar.

Eu fiquei das dez da manhã, até por volta de meio dia e meia, olhando o Pedro, conversando coisas idiotas como sempre faço, mas fiquei por ele.

Naquela noite, eu fiquei em casa mesmo, Debora estava na casa de uma tia, e Bruno havia sumido. Minha mãe fez janta, e foi na igreja, por convite de uma amiga.

Então escuto buzinar frente em casa, era o louco do Bruno, abri o portão e ele colocou o carro em casa, com a garagem é pequena o portão ficou meio que aberto;

- Correndo de bandido é? – Pergunto.

- Nada, só escondendo das mulheres, rsrs.... Que cheiro é esse? Dona Giza? – Ele grita entrando.

- Ela foi na igreja.... Come aí. – Falo sentando a mesa.

- Vai me dar licença mano, mas vou recusar não. – Bruno diz pegando o prato.

Ele se serviu, e estávamos jantando, conversando e tals, até que ele comenta;

- Lembra que falei daquela garota que gostava e cheirar um pó? Até mandou foto para mim?

- Sim, sei sim.

- Fiquei com ela ontem.

- Mas mano...

- Sim. – Ele confirma já sabendo do que se tratava.

- Você cheirou cocaína Bruno? – Cheguei a largar o talher.

- Não chega a ser cocaína mano, é mais fraco, ela explicou lá. Mas Matheus dá uma onda muito louca.

- Parece até que não sabe o perigo disso ne irmão.

- Ei foi uma vez para não fazer veio na frente da mina.

- Sei como é.

- Mas mano, estou confiando em ti, não vai contar isso para ninguém, você é meu irmão.

- Relaxa porra!

Ficamos uns segundos em silencio, eu bebendo agua e olhando ele, então decido falar;

- Você confiou em mim, vou confiar em você.

- Eh qual é? Vai ser pai? – Bruno fala rindo.

- Não, ta louco, rsrs.

- Diz ai. – Ele empurra o prato já “limpo”.

- Eu fiquei com o Pedro.

Ele sem mudar a cara, questiona;

- Como assim ficou? Comeu?

- Sim, transamos na última noite da viagem.

- Não brinca comigo. – Ele coloca as duas mãos na mesa chegando perto.

- Sim.

- Puta merda, Matheus.... Não acredito. Serio mesmo?

- Estou dizendo.... Porque esse sorriso caralho? – Aponto para a cara dele.

- Como é, gostoso como dizem?

- É melhor.

- Está zoando com a minha cara.... Não acredito de jeito nenhum. Você chegou nele?

- Sim, foi eu.

- Matheus Ferraz tirou seu cabaço de comer um gay.... Rolou outro beijo? – Ele vai enchendo minha bola.

E eu entrando na onda;

- Se não beijasse não liberava né.

- Haha’ isso ai cara.

Ouvi um barulho ao lado de fora, cheguei a levantar, mas ignoro em seguida.

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