• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 60

No carro no caminho, Daniel comentando do jogo com o Bento e a Nicole que estava do meu lado no banco do carona, pergunta;

- (...) Wilker e você e Hugo? Estão namorando?

Eu olhei para ela de sobrancelha alta;

- Que pergunta é essa?

- Ué, curiosidade.

- Não vou te dar assunto para fofocar Nicole, e mais nem conversei com o Hugo sobre isso.

- Aí não fica bravo, foi curiosidade.

Olhei no retrovisor os dois me olhando, nem disse nada.

Quando chegamos no colégio, vi a melhor cena da minha vida, depois de entrar, e seguir com o Bento para a sala, no corredor dos armários, o Ícaro estava esvaziando suas coisas.

- A família pediu transferência. – Hugo chega do meu lado.

- Está zoando? – Falo feliz.

- Verdade, parece que receberam o processo e decidiram mudar.

- Nossa como eu precisava de ver isso.

Bem, seguimos para a classe, e o Mauricio estava mais de papo para o lado do Bento que o normal, afinal de contas ele estava arrumando Nicole para meu amigo;

- Já falei, arruma outra, aquela ali é dor de cabeça. – Olho para a mesa de trás.

- Não me quer na família? – Ele bate em minhas costas.

- Sabe que desce de nível da amizade quando começa a namorar minha irmã!

- É um risco a se correr, e te provar o contrário.

- Que acha mano? – Bento diz.

- Se ele for um pau no cu, Marcos te pega, sabe disso.

Ele sorri e o professor chama nossa atenção.

Voltamos a prestar atenção na aula e ficar na nossa. Bem o jogo foi alterado para depois do intervalo, então, aproveitei para escapar logo na terceira aula.

Indo para o ginásio o Bento me acompanhou, a gente foi conversando sobre Mauricio e tals, e se eu não me importava de ele e Nicole.

Ele me ajudou nos armários, eu me troquei para aquecer antes do time chegar. Ele me seguiu até a quadra, e me ajudou a alongar.

Sentado, e Bento puxando meu braço, como havia pedido;

- Mano, tem que resolver essa parada com o Hugo logo. – Ele diz.

- Qual é? – Paro e respiro. – Até você vai cair na pilha da Nicole?

- Não é pilha. Todo mundo já sabe e tals, sei lá, que custa tentar?

- Você tem razão.

- Sempre tenho, rsrs.

- Aqui, puxa desse jeito. – Mostro a ele. – Valeu.

Me levanto e pego uma bola;

- Sabe não conversamos.

- Quem? Você e o Hugo?

- Também.... Mas digo a gente. – Gesticulo com o dedo.

- Sobre?

- Aconteceu algo né Bento, e tipo...

- Wilker, foi uma vez, não foi nada demais, e conversamos sobre isso, aconteceu. Eu estava curioso, e você também.

- Sim, mas tudo bem para você?

- Sim, foi legal, mas não rola nada aqui. – Ele gesticula se referindo a gente.

- Fico feliz que as coisas não mudaram.

- E não mudaram. – Ele estica a mão.

Eu puxo e abraço o Bento;

- Ele então foi o seu primeiro? – Hugo pergunta parado ali na quadra.

Sim eu me assustei, mas ergui a cabeça respondendo;

- Foi sim, foi meu primo. – Falo sem ser arrogante, só confirmando.

Hugo com sua cara fechada de marrento, e sobrancelha cerrada vem devagar se aproximando;

- Algum problema? – Bento questiona.

- Não, de forma alguma. – Hugo responde rápido. – E ai, está de boa? – Ele me cutuca.

- Sim, ansioso pelo jogo. – Respondo com um sorriso no rosto.

- Vamos aquecer. – Hugo tira a camisa entrando no vestiário.

O time foi chegando e se preparando, eu já comecei meu aquecimento, e eles em seguida.

Escutamos a sirene do colégio e a galera chegando se acomodando nas cadeiras.

Então saímos da quadra seguindo até o vestiário, onde o outro time já estava chegando.

Os meninos se trocando, Hugo me olhando de lado, com aquela cara lerda dele, e então o treinador diz;

- Bem meninos, jogo importante, e quero que vocês estejam focados, para entrar naquela quadra e mostrarem quem manda... Capitão quer dizer umas palavras? – Ele aponta para mim.

Deixo o tênis no chão, e vou seguindo com os meninos rindo e batendo em minhas costas, eu comento até aproximar do treinador;

“- Ele está achando que sou o Gabriel”. – Hugo sorri me ouvindo, e então ele bate na cadeira, eu subo. – Bem não sou muito bom com palavras, mas... – Eles começaram a me vaiar, zoando com minha cara. – Calem porra, rsrs. Olha o time do Olimpo teve muita sorte de jogar todos os jogos aqui em nossa casa, e deixar os adversários com medo de entrar por aquela porta, e pisar em nossa quadra, pois só nós sabemos o peso dessa camiseta. – Digo batendo forte no peito. – Agora vamos mostrar o porquê estamos em primeiro no torneio e o porque somos os favoritos, vamos entrar e ganhar aquela porra de troféu CARALHO.

Todo mundo gritando muito, e a cena que lembro era do treinador batendo palmas atrás. Abracei e cumprimentei um por um do time.

Aqueles gritos duraram até a entrada em quadra, levando toda aquela energia pelos corredores. O time adversário estavam indo também, quando passamos chegamos a assustá-los. Pois saímos gritando para a porra e fazendo maior bagunça.

A arquibancada só entendeu o que estava acontecendo quando entramos em quadra gritando e pulando, levantando a galera.

Tocava uma música, acho que de Justin Bieber na hora, bem alta, até o momento do jogo.

Eu olhei para a plateia em alguns momentos, e mano! Mano!

Meu pai estava lá, mas não era só meu pai, estava ele, Dimitri, Marcos, Daniel, Bento e Nicole. Cada um segurando uma letra do meu nome.


W   I   L    K   E    R


Que vergonha da porra, o time inteiro, apontando para eles que estavam bem felizes;

- Mano sua família é a melhor da face da terra. – Mauricio chega do meu lado.

- É eu sei. CHEGA AI TIMEEE! – Grito batendo palmas e tentando tirar a atenção deles, rsrs.

Todo mundo se junta, e fazemos um breve agradecimento comandado pelo Hugo.

E então o início do jogo.

Arquibancada lotada, escola totalmente presenta, diretoria, corpo de professores, e familiares convidados. Era sim um jogo decisivo para nós.

A taça regional.

No basquete não é como no Futebol, que as pessoas ficam sentadas e quietinhas. Aqui elas podem ficar ao redor da quadra, com uma distância de segurança de três a quatro metros, mas ficam sentadas e de pé ao redor do chão de madeira.

Isso faz com que sentimos o calor deles, a excitação e animação, é palpável.

Que jogo FODA.

Hugo literalmente deu aula, driblando, bola por baixo das pernas, indo no mano a mano com os caras, o time estava excelente, jogadas ensaiadas e distantes. Fazendo a plateia vibrar com a gente.

Fui com o Mauricio em uma das ensaiadas, era para cesta de três pontos, ele passou a bola, fui bloqueado e segurado, e consegui jogar, mas marcamos ponto normal.

Hugo de longe, atacou mas sofreu uma puta falta, ele caiu no chão e machucou o joelho, tipo de ficar vermelho, meio que queimar, ajudei ele a levantar.

- Consegue jogar mano? – Puxo ele do chão.

- Sim, que filho da puta. – Ele se levanta.

O juiz chega e apita a falta;

- Wilker cobra. – Gritou o treinador de fora.

Peguei a bola, me posicionei. 3 pontos.

Tínhamos uma diferença de 85 para Visitantes e 87 Time da Casa, que éramos nós.

Aqueles gritos, e animação estavam tensos, roendo unhas puxando cabelos, com mãos tremulas. A galera estava bem sem paciência, e gritando muito. A maioria desceu para a quadra.

Últimos segundos, aqueles tênis deslizando e “derrapando” na quadra, gritos de desespero. Mauricio erra e manda a bola para mim, que estava marcado, meu movimento dei de cara com meu marcador, a trombada foi tão forte que cai fora da quadra, sai escorregando derrubando uns dois que assistiam;

- Mano! Mano. Tudo bem. – Escuto alguém me segurando.

Respirei fundo, pois bate com força as costas no chão e fiquei meio que sem ar.

Abro os olhos com muita gente ao redor, e os meninos ajudando a levantar.

Fico de pé e me abaixo com as mãos nos joelhos;

- Ele foi expulso cara. – Hugo diz me olhando.

Mauricio me entrega uma agua, eu tomo um gole e assim vou voltando, nessa bagunça eu só escuto a voz do Artur gritando;

- “Isso é basquete ou futebol americano? Luta livre é? É agressão...”

Voltei para a quadra, e o Juiz chega em mim;

- Consegue terminar? – Ele fala olhando o cronograma.

Eu olho, e respondo tomando mais agua; - Consigo.

Nos posicionamos e o Mauricio estava com a bola, eram sete segundos. O tempo de receber a bola e marcar, nada mais.

Escuto o narrador falar na quadra, e todo mundo tenso.

O apito do juiz ecoou nos meus ouvidos. Mauricio jogou a bola e já foi derrubado, eu peguei e saltei jogando ela, quando tirei o pé do chão veio um cara para cima de mim, cai de novo.

No chão consigo ver que a bola não chegou na cesta, mas sim na mão de Hugo, ele pegou a bola, rodou o corpo desviando do seu marcador e sobe fazendo uma enterrada.

O painel apitou alto anunciando o ponto e o fim do jogo. Ganhamos.

No chão eu gritei;

- ACABOU PORRA.

Ao ficar de joelhos, o Daniel pula em mim, gritando igual um louco;

- Gaanhaaamos! A gente ganhou. – Ele gritava.

Hugo e Mauricio chegaram abraçando a gente, eu nem consegui levantar.

- Parabéns filho. – Artur outa me abraçando.

- Obrigado pai.

- Parabéns maninho. – Nicole me puxa.

Bento e Marcos me abraçam juntos, e então vem o time, me pegando e jogando para cima, o treinador, depois Hugo.

Para não perder mais tempo, organizamos para receber as medalhas, e fazer a cerimonia para o outro time.

O diretor pegou o microfone, e recebeu o troféu do ano;

- (...) Eu fico muito orgulhoso de mais um ano sermos a casa dessa taça. O time do terceiro ano aqui do Olimpo mostrou que não somos feitos somente de tradição, e sim de muito aprendizado e esforço de toda uma bela equipe e apoio da comunidade, um exemplo disso, peço que meu grande amigo venha fazer as honras. – Ele se direciona para a galera segurando o troféu em mãos. – Doutor Dimitri Franco faça o favor, eu sei o quanto isso é importante para você e sua família.

Puta merda.

Meu pai pegou o troféu, com dificuldade o microfone, nós estávamos no meio da quadra, uns ao lado dos outros, ele pegou falando;

- Obrigado Gonçalo... Ufa eu não estava preparado para isso... na verdade nem era para eu estar aqui esse dia. Mas é também um dia especial para um pedaço importante meu... na verdade a parte mais importante, meu filho. – Ele se vira para mim.

Dimitri estava a uns dez metros do time;

- O Capitão Wilker Shimmyth... – Ele fala e todo mundo solta um grito. – É vocês o conhecem bem.... Meu filho... – Ele começa a caminhar para minha direção. – Nossa isso deveria ser mais fácil.... Me perdoe todas as vezes que eu errei, foi para te proteger, um dia um grande sábio me disse que você precisa de mim... – Ele pisca para o Daniel.

Eu abro um sorriso, sem acreditar naquilo;

- Mas ele não sabia, que eu não vivo sem você.... Sou muito orgulhoso neste homem que você se tornou... – Ele para em minha frente limpando as lagrimas, e se vira para o time. – Desculpem esse momento, vocês são como uma máquina juntos, Dica aos professores é reprovar todos para estarem aqui novamente, rsrs. – Todos caem na risada e ele continua. – Estão de parabéns, dificilmente o Olimpo terá outra equipe aqui. Meus parabéns a todos. Capitão. – Ele entrega o troféu.

Galera, esse é o terceiro ano que eu pego aquele troféu, e levanto, naquela mesma posição, naquela mesma quadra. Mas hoje ele estava pesado, hoje ele pesava uma tonelada, uma tonelada de sentimentos.

Peguei o troféu e todo mundo esperando para levantar ele, eu fui para o meio do time, e todos no seu máximo segurou um pouco;

- 1... 2... 3....

Todos erguemos juntos nossa gloria, nosso troféu, nossa vitória.

Os meninos gritando e pulando, todos muito felizes, serio amo ver eles assim.

Abracei meu pai, com força;

- Te amo tanto meu filho, me desculpa.

- Tudo bem, eu também amo o senhor, muito. – Falo limpando as lagrimas.

Ele vai cumprimentando os meninos, por ser um dos principais integrantes do corpo de conselho do colégio.

Eu ainda na excitação com o time, Mauricio e todos. Me vejo em um momento com o Hugo;

- Cara está com clima de High School Musical, não é? – Falo segurando sua mão.

- Haha’ pensei exatamente a mesma coisa. – Ele diz rindo.

- Vai demorar? Beija logo caralho. – Mauricio fala em nossa frente.

Os dois abrem um sorriso. Juro que fechei os olhos respirando fundo para ter coragem.

Minha mão vai em sua nuca e aproximo para beijar ele, Hugo corresponde, segurando também atrás em meu cabelo e na cintura.

Não cheguei a sentir bem sua língua, mas foi um beijo romântico, e carinhoso.

Os olhos estavam fechados, mas os ouvidos sim ouviram quase que um coral puxado pela Nicole;


- ALELUIAAAAAA! Finalmente esses dois.

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