• @richardsongaarcia

Laços - Capitulo 6 – Aquele com o pressentimento

#Marcos

Na corporação, estava de frente meu armário, colocando as algemas, arma, no cinto, e o Fausto chega;

- Bom dia.

- Bom dia.

Ele faz o mesmo, se trocando, e se preparando;

- Dormiu aqui foi?

- Não, mas cheguei mais cedo.

Ele para e olha;

- Aconteceu algo?

- Não, porque?

- Você não está bem!

- Como assim?

Ele fica me olhando, tipo no fundo dos olhos, sem me responder;

- Eu não sei ao certo, mas as coisas não se resolvem se não houver conversa, se recusar a ouvir não é a saída.

- Que história é essa Fausto? Porque está me dizendo isso?

- Eu só achei que precisava ouvir, só isso. Está tudo bem mesmo em casa?

- Aham! – Respondo deixando ele desconfiado.

Mas confesso ficar assustado, com sua atitude, de saber ou ser sensível a esse ponto.

Saímos para trabalho, seguindo a ronda, normalmente, fazendo algumas abordagens.

Próximo ao fim do dia, já voltando para a corporação, passando por um dos bairros meio perigosos da capital. Um suspeito ao ver as motos sai correndo, eu perdi a visão, mas avisei Fausto;

- Camisa branca, bermuda azul correu para a direita, fica atento.

Virei a esquina tinha dois garotos, disfarçando, andando normalmente;

- Mão na cabeça. – Aponto a arma. – Se correr eu atiro. – Falo pelo garoto já ter feito antes.

Fausto desce atrás enquadrando o segundo garoto;

- Deita no chão devagar. – Falo ainda na moto.

Fausto desce e se aproxima, só então eu desço;

- Faz o limpa aí, que eles podem ter jogado fora. – Falo me referindo a droga.

- Limpos.

- Beleza.

Falo me afastando e olhando pela rua, e calçadas, onde eles passaram, procurando algo.

Voltei e o Fausto estava falando com eles;

- Quantos anos você tem? – Falo ao garoto mais novo.

- Quinze.

- Está vendendo quanto tempo?

- Não vendo nada não senhor.

- Quanto tempo?

- Comecei hoje.

- Que sorte em, diz ai onde escondeu a maconha?

- Não tem maconha não.

- Cocaína?

- Não senhor. Tem nada não.

Então uso a tática da polícia, para tentar tirar informações deles;

- Fausto, pode grampear, mais dois para a conta.

- Calma! Calma senhor vamos negociar. – O garoto mais velho começa a se levantar.

- Quer negociar? Fica aí no chão, levanta não!

Ele mostra onde estava a cocaína. Debaixo de uns tijolos do outro lado da rua, havia também uma porção de maconha.

- Senhor, leva preso não! – Ele ficava repetindo.

- Segura aí, que vou dar uma procurada, tem mais. – Falo me afastando.

Acho mais uma porção de dinheiro, eram R$ 210,00 reais.

- Central solicito apoio, equipe no patrulhamento, apreensão de indivíduos com entorpecentes. – Falo no rádio.

- Copiado! Quantos suspeitos?

- Dois Central.

- A caminho.

- (...) começo a trabalhar amanhã senhor.

- Deveria ter começado hoje filho, pois agora é tarde. – Fausto conversava com ele. – Tem ficha, já foi parado, e detido. O menor também já foi abordado. – Ele me explica.

Até o apoio a gente conversava com eles, para informações e saber mais como funciona.

- Posso ir hoje, amanhã eu to na rua de novo senhor. – O de menor fala.

- Pode sair amanhã, mas nós te pegamos novamente! Assim até completar dezoito anos, ou até o crime te passar.

- Vamos se encontrar então senhor.

- Escuta, pode ser de menor, mas conversa igual a homem. E chega de papo para vocês dois, já resolvemos o que tinha que resolver, calado os dois.

A viatura chegou e colocamos eles no veículo.

- Parabéns para nós aí Fausto. – Cumprimento ele.

A viatura vai saindo, e ele coloca o capacete;

- Ainda não me acostumei com isso.

- Não somos nós que fazemos mal a eles, são eles mesmo, estamos cumprindo a lei, o nosso trabalho.

- Exatamente isso que tenho dificuldade.

- Vamos?

- Sim.

Seguimos dando apoio a viatura, e terminamos o dia com papelada.

E no caminho para casa, fui com o que o Fausto havia me dito, martelando na cabeça.

Quando cheguei, parei o carro já vendo estar todos em casa. Entrei e o Daniel estava na TV, na sala;

- Ei garotão. – Beijo sua testa.

- Oi Pai.

- Está aí desde que horas em?

Ele não responde fica rindo;

- Fala seu safado!

- Depois do almoço.

- Quando terminar esse filme, para o banho em.

-Tabom.

Subi as escadas e vejo o quarto do Wilker de porta aberta, isso é quase impossível de se ver dentro dessa casa.

De frente fica o quarto do Daniel, o meu e de Artur e depois no final o de Nicole, com a porta ao lado da nossa.

Quando vou entrar vejo a porta do quarto dela entre aberta, e escuto a voz dele lá dentro;

- (...) foi muito mais feio que eu... Mas eles só ficaram bravos ontem, isso passa.

- Estou péssima Wilker, não passou pela minha cabeça que aconteceria tudo isso, e que eles ficariam tão mal. Eu fui muito idiota.

- Sim, muito rsrs.

- Cala a boca.

- Eu já falei com eles.

- Você?

- Sim, do meu jeito. Mas cabe a você pedir desculpas.

- Mas eu já pedi.

- Não, você pediu porque seu pai mandou, fala com um, depois fala com outro. Cara o que você passa com suas amigas eu nasci passando por isso. Eu não sou gay, mas sei o que eles passam, pois sempre ouvi isso. E acredite o mesmo que sente quando é chamada de sapatão pelas meninas da sua sala, é o sentimento que eles tiveram ontem.

- Eu vou falar com eles.

- Isso mesmo, e sobre as meninas eu não sabia.... Vou ver se consigo te ajudar.

- Rsrs, valeu!

- (...). Não, sai fora, ainda não estou para abraço.

- Seu fresco. – Ela fala enxugando lagrimas.

Percebo que ele estava saindo e entro, fechando a porta do meu quarto.

Nesse momento o Artur sai do banheiro, de toalha e cabelo molhado. Me encarando e não diz nada;

- Acho que fui muito severo com a Nicole. – Falo olhando ele.

- Só com ela? – Artur diz entrando no closset.

Deixei o celular, e as chaves;

- Eu errei, me desculpa.

- Ontem não reconheci o Marcos que eu me casei.

- Artur me perdoe, errei com minha filha, e com você. – Falo sentado na cama.

- Decidimos juntos adotar o Daniel. Decidimos juntos casar, e morar juntos. Sabe como fazemos isso? Conversando, eu não falei com você, passei por cima de sua palavra com sua mãe. Também errei.

Me levantei e abracei ele, Artur corresponde envolvendo os braços em minha cintura e dizendo;

- Eu te amo tanto que só uma discussão nossa acaba com meu dia.

- Desculpa amor. Desculpa.

Ufa!

Bem eu tomei um banho, o Artur desceu para adiantar o jantar, e depois eu.

Quando estava no fim das escadas a Nicole havia terminado de conversar com ele, aproveitaram estar a sós e conversar;

- Aqui. – Devolvo o celular dela.

- Mas... estou de castigo. – Ela fala segurando o aparelho.

Me sento do seu lado no banco frente a ilha da cozinha, Artur cozinhando em nossa frente;

- Não está mais!

- Pai desculpa, eu não sabia...

- Não precisa se desculpar mais, sei que está mal e pensando sobre. Escute o que fez, eu e Artur passamos quase que diariamente. Não somos reconhecidos pelo nosso trabalho e resultados, as pessoas olham e julgam, sempre taxados como casal gay. Os gays do condomínio, o gay da corporação, o gay do hospital. Minha filha a gente luta todo santo dia para provar o que não tem necessidade de mostrar. A maioria das vezes Nicole, mesmo depois de mostrar que é capaz de fazer o que o outro faz, ainda sim somos confrontados e questionados.

- Eu não sabia pai.

- Sim, estou te explicando.

- É uma luta diária e sem fim querida. – Artur diz.

- Mesmo sendo bem-sucedido ainda acontece com você? – Ela pergunta a ele.

- Sou Cirurgião Cardíaco, tenho muitos reconhecimentos e dizem ser o melhor do estado. Temos a nossa casa, na luta para abertura da minha clínica, entre outras conquistas. Mesmo assim, sou questionado pelas pessoas como consegui chegar aqui, e acredite, por ser negro, e não por ser gay.

- Entendi.

Conversamos bastante com ela, até o Daniel chegou e também entrou na conversa.

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