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Laços - Capitulo 59

Na corporação tivemos que prestar esclarecimentos do que havia acontecido, pois até no jornal apareceu, eles gravaram tudo e a mídia regional que ama ter o que falar não perdoou.

Fui embora exausto, com o corpo como se tivesse deitado na estrada e um caminhão passou em cima.

Cheguei no condomínio com o céu já escuro, queria tomar um banho, jantar e cama.

Foi entrar pelos portões que me recordo da minha manhã, eu tinha um belo clima para enfrentar.

Foi virar a esquina da minha casa e meu dia piora só de ver o carro do Dimitri logo a frente.

Juro, pensei em ficar no carro até ele ir embora.

Mas fui lá, desci do carro bem devagar, entrei mais lentamente ainda.

Artur estava na sala, sentado com uma taça de vinho;

- Bebendo sem mim é? – Pergunto entrando.

- Chegou tarde hoje amor. – Ele olha de lado.

Eu procurando ouvir a conversa do Dimitri, e procurando ele na casa com meus ouvidos.

Beijei a boca de Artur, e estava com um hálito fortíssimo de vinho, ao me abaixar vejo próximo ao seu pé a garrafa com o liquido abaixo da metade;

- Artur bebeu a metade da garrafa?

- Sim.

- (...) Me fala, só manda o modelo que compro para você... – Dimitri aparece na ponta das escadas. – Boa noite Marcos. – Ele me olha.

- Boa noite. – Respondo olhando Wilker que aparece junto ao pai.

- Você e você, sentem aqui. – Artur aponta.

- Tenho um jantar Artur, não posso demorar. – Dimitri abre seu paletó sentando.

Wilker fica de pé ao lado do pai;

- Eu mandei sentar. – Artur encara ele.

Sem responder Wilker senta na poltrona de frente para nós, e encarando com aquela cara de arrogante.

- Que houve dessa vez? – Dimitri pergunta.

- Essa manhã Marcos confrontou Wilker para saber o porquê ele o tratava diferente... – Artur ia falando e Dimitri rindo.

- Rsrs ele não tem obrigação de gostar do seu marido Artur. É normal não gostarem do Padrasto. – Dimitri fala isso rindo.

Wilker não responde, fica com a mesma cara;

- Cala a boca Dimitri. Seu filho jogou na nossa cara e está nos culpando pelo fim do nosso casamento, ele sabe que eu conheci o Marcos antes de oficializarmos o fim.

- Mas é direito dele Artur.

- Não, não é, porque não é essa a verdade. – Artur se levanta apontando o dedo.

- Amor calma. – Falo segurando sua cintura.

- Você sabe que é Artur. – Dimitri se confirma.

- Pai para com isso, você nunca aceita que está errado. – Wilker grita.

- Fala alto comigo de novo que viro sua cara para as costas. Fala Dimitri. – Ele joga umas flores de decoração no cara.

- Não tem o que dizer. – Ele repetia.

- Que merda é essa? – Wilker se levanta.

- Seu pai tem um filho Wilker. Ele engravidou uma garota enquanto a gente era casado. Esse safado me enganou e enganou a outra mulher.

- Cala a boca Artur, você está bêbado, para de falar besteira. – Dimitri grita se levantando.

- Não grita comigo dentro da minha casa. – Artur pula nele, tentando bater em Dimitri.

Eu seguro ele tirando ele, e levando para cima, Artur estava alterado.

Subindo os degraus com ele bravo comigo, ainda escuto Wilker na sala;

- Pai... Pai... O que ele disse?

- É mentira, me escuta filho.

- PARA DE MENTIRA PORRA, não sou mais criança. – Wilker grita.

#Wilker

Minha cabeça estava a explodir de nervoso, eu tinha frente a mim um estranho;

- Wilker se acalma. – Dimitri tenta tocar em mim.

- Como? Me fala? Que história é essa?

- Aconteceu tem muito tempo, e cadê essa mulher?

Ele respira, dizendo;

- Senta... – Ele faz o mesmo, porem com uma distância. – Ela mora nos EUA.

- Porque?

- Eu não sei, ela se mudou a pouco tempo por causa...

- Do filho? – Interrompo.

- Da filha, você tem uma irmã.

Cheguei a engolir seco nesse momento, um nó se formava em minha garganta.

- Um dia pensava em me contar?

- Era a razão dos seus estudos serem na américa do norte.

- Elas sabem?

- Não.

- O senhor viveu todos esses anos, no Brasil, e nos Estados Unidos vivendo uma mentira. Colocando na minha cabeça que meu pai e Marcos eram os errados... O senhor sempre foi o errado.

- Wilker também não é assim!

- Como é então, me explica. – Volto a levantar.

- Quando seu pai descobriu, e decidimos separar ele já estava com o Marcos, e também...

- Pai, com ou sem Marcos, o senhor foi... Cara tem ideia do que fez?

- Wilker me desculpa filho...

- Não tenho que te desculpar, e sim o Artur, não me importo com o que fez, foda-se. Se ele um dia te perdoar porque se fosse comigo não olhava mais na sua cara.

- Temos você filho, a pessoa que mais amo nesse mundo.

- Mais ama pai! Mas mentiu. – Sigo para as escadas.

- Calma Wilker, vamos conversar. – Ele segue nos degraus.

- Já ouvi o bastante, só me dá um tempo, por favor. – Digo olhando.

Dizem que quando somos adolescentes tudo é o fim do mundo, domos dramáticos, exagerados por estarmos sempre com os hormônios a flor da pele.

Mas como isso funciona quando o mundo, tudo a sua volta parece te atacar de alguma forma.

Foram poucos meses e minha vida virou de cabeça para baixo! Bento, Ana, Hugo, meus pais, restava meus irmãos, pois até a escola estava na lista.

Estava tudo errado, eu estava errado!

Naquela noite quando entrei no quarto, procurando por onde eu via algo que pudesse cortar essa dor, qualquer coisa. E quando digo qualquer coisa, era a ponto de minha vida ir junto.

Dentro da última gaveta eu tinha um estilete, do ano passado do colégio.

Peguei ele, e me sentei de costas contra a cômoda do meu quarto, eu abri a lamina ao máximo que consegui, minha mão direita estava tremendo muito.

Coloquei o outro braço com o pulso virado para cima, olhando as veias altas na pele.

Respirei fundo, e escuto a risada do Daniel ecoando na casa, ela era gostosa e muito sincera, ele soltava suas gargalhadas altas. Mas não foi ele quem veio em minha mente nesse momento, foi a Ana.

Não sei explicar o sentimento, mas deixei a lamina, e só deitei naquele chão, e chorei, chorei muito, muito, sem motivo, só estava esvaziando essas emoções que todos dizem que temos de sobra. Eu estava cansado, dormi de exausto que estava.

Na manhã seguinte, tomei um banho bem demorado, quando desci, somente meu irmão estava na cozinha;

- Bom dia. – Ele fala olhando para mim quando entro.

- Cadê todo mundo? – Pergunto aproximando da mesa.

Ela estava posta, mas a casa estava silenciosa;

- Papai deixou para você. – Ele fala entregando um papel.

Uma folha de caderno tirada às pressas, estava escrito: “Saímos mais cedo, eu para o trabalho e Marcos também, as chaves do carro estão com Daniel, leva seus irmão e Bento para o colégio em segurança, te amo”.

- Cadê a Nicole? – Olho para ele que mastigava seu cereal.

- Se maquiando.

- E Bento?

- Está lá fora falando com a tia Alzira no telefone. – Ele aponta para a janela.

Peguei meu leite, um pão e café, sentei preparando com mussarela e peito de peru, e o Daniel faz o seguinte.

Se levanta do seu lugar, puxa sua tigela e se senta do meu lado na mesa.

Eu parei o que estava fazendo, e perguntei com cara de mal;

- Que foi?

- Nada.

Ele me abraça de lado, tipo, me impossibilitando de mover os braços;

- Daniel! – Chamo ele, para ver se desconfiava.

- Ouvi você chorando ontem!

Fiquei meio sem graça, e não tive outra opção, deixei a faca e abraço ele;

- Obrigado, mas estou bem.

- Não entendo Wilker. – Ele se afasta me olhando.

- O que?

- Você tem o Dimitri, Artur e Marcos, três pais. – Ele mostra nos dedos. – E consegue brigar com todo mundo.

- Marcos não é meu pai!

- É sim, é meu pai, pai da Nicole e seu também!

- Porque está falando isso? – Ainda estava imóvel falando com ele.

- Porque tenho amigos que só queria um. E você tem três. E os três te ama.

- Daniel é diferente, eles mentiram e fizeram coisas erradas...

Ele simplesmente me corta;

- Mas não é isso que eles fazem?

- Mentir?

- Eu li uma vez que tudo que os pais fazem, de bom ou ruim é para o bem dos filhos. Não é?

- Bom dia.... Gente que casa silenciosa. – Nicole entra na cozinha.

- Não dá para conversar com você. – Falo para Daniel.

- Cadê todo mundo? – Ela aproxima olhando o bilhete. – Ai vamos faltar todo mundo de aula hoje?

- VAMO. – Daniel grita.

- Vai dando ideia, logo, logo o outro entra e concorda contigo. – Gesticulo para fora de casa. – Ei cadê a chave do carro? – Pergunto a Daniel.

- Não vou falar. – Ele sorri.

- Se não falar, vai andando para escola.

- A gente não vai estudar hoje.

Eu comecei a rir, serio, só comigo essas coisas;

- Bate aqui. – Nicole grita. – Vou convencer Bento e faremos um motim.

- Que?

- Motim Daniel, é nos voltarmos contra do Wilker.

- Ah, mas você quer ir na escola? – Ele me olha.

- Tem jogo hoje.

- Aqui. – Ele tira a chave debaixo da blusa.

- Seu traíra se vende rápido demais. – Ela resmunga.

- É que no dia de jogo o recreio é maior.

Eu e ele se levanta, colocando a louça na pia, e comento;

- Daniel é mais inteligente que você, rsrs.

- Fica na sua.

- Então, vamos para aula? – Bento volta para casa.

- Já comeu? – Pergunto lavando meu copo.

- Sim.

- Vamos então.

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