• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 54

#Artur

Minha mãe sempre dizia que me conhecia, que sabia o que eu faria e como faria, é assim com meus filhos.

Terminei o plantão e iria passar no colégio dos meninos para conversar sobre os processos em andamento.

Na metade do caminho meu celular chama, telefone particular do diretor.

Wilker novamente. Avisei estar próximo.

Eu virei a esquina e vejo um carro de polícia na porta do colégio, já fiquei preocupado. Estacionei o carro e entrei.

No portão dei de cara com o Matheus;

- Ei, doutor!

- Você, Marcos está aqui?

- Sim, estamos perto e veio chamado do colégio.... Estão lá dentro. – Ele aponta.

- Obrigado.

Sigo no corredor e vejo o Wilker sentado ao lado de fora da sala, Marcos saindo da sala do diretor.

Meu filho me olha e era perceptível seu olhar de “cansado”.

- Estão esperando vocês. Os pais de Ícaro também estão aí. – Marcos aparece na porta.

- Você está bem? – Eu abaixo frente ao Wilker.

Ele nem responde, só faz que sim com a cabeça.

Me levanto puxando sua mão, entramos os três na sala;

- Bom dia senhores, por favor podem se sentar. – O diretor aponta a sua esquerda, nossa direita.

Do outro lado os pais e Ícaro sentados.

- Eu posso saber o porquê fui chamado aqui? – Pergunto cruzando os braços.

Todo mundo me olha, o diretor tira os óculos;

- Porque não posso ter esses dois alunos juntos que se atracam, nunca tive tantas ocorrências de brigas em tão pouco tempo.

- Wilker o que você fez? – Pergunto.

- Nada.

Só olho para o diretor;

- Ele avançou para cima do Ícaro dentro de sala de aula.

- Tem testemunhas? – Indago.

- Não é assim doutor, não vamos chegar em lugar algum com atitudes assim. – O pai de Ícaro fala.

Gente eu olhei de lado assim;

- Escuta ainda não estou falando com o senhor, quando for o caso lhe direciono a palavra.... Tinha ou não tinha um professor na sala?

Ele me olha e faz a chamada do professor que estava em sala. Quando o homem chegou ele entra ficando atrás do diretor;

- O professor Michael estava em sala no momento...

- Ótimo, Michael conta para a gente o que aconteceu na classe?

Ele olha para todos e diz;

- Fim do intervalo todos de volta para a classe e Ícaro começou a provocar Wilker, logo que ele entrou na sala de aula....

- Obrigado. – Respondo com um sorriso irônico. – Agora você me responde o que eu estou fazendo aqui? O que meu filho está fazendo aqui? – Falo puto com o diretor.

- Escuta Doutor...

- Cansei de escutar, está claro que nem eu e nem meu filho deveria estar aqui. E sabe mais “Seu Souza”, estou cansado de ser chamado por frescuras do colégio. Wilker faz e muito por vocês que eu sei o que ganham com os torneios escolares, e nem vou falar das doações do Dimitri. E estamos cansados de...

- Amor calma. – Marcos segura em meu ombro.

- Calma nada, estou a um bom tempo com vontade de vir aqui e falar umas verdades. O senhor não tem ideia de como é para um gay viver nesse pais, tudo tem dificuldade e cheio de desculpas. Não é à toa que estamos movendo um processo contra esse garoto, que só pode ter um amor platônico em Wilker, porque. FILHO se ele for gay não pega você, não dá, tu é podre, fútil e pobre de espirito. O que o seu filho fez foi crime e vai responder na justiça por isso. Agora eu vou sair com meu filho dessa sala, pois é obvio que os únicos que não mereciam estar aqui é nós três. Com licença, que fiquem com suas toxidades, vocês se merecem. Vamos Wilker. – Saio puxando o coitado.

- Exagerou pai! – Ele fala quando saímos.

- Eles precisavam ouvir e eu de falar.

Nem sei de onde Marcos aparece com uma agua;

- Aqui seu louco. – Ele me entrega o copo de plástico.

- Não começa, sobra para você também.

Ele sorri;

- Quer que eu leve os meninos?

- Sim, vou levar Wilker. Pega sua mochila querido.

- Sim, senhor.

Ele vai no armário, no corredor, e o Marcos segue para o andar de cima, para buscar a Nicole e depois Daniel.

Vou para o estacionamento com o Wilker e ele entra no carro deixando a mochila, e eu entro, coloco a chave, ligo o ar e ele coloca o cinto, eu fecho a porta trancando e me viro para ele;

- Que foi?

- Não tivemos tempo de conversar.

- Sobre? – Ele se faz de desentendido.

- Porque não me contou filho?

Ele desce o olhar e fica meio perdido;

- Não sei. A Ana, Nicole.... Acho que não quis atrapalhar, ou trazer mais um problema.

Eu solto seu cinto, e seguro em sua mão;

- Olha para mim, você, e seus irmãos não são problemas. Wilker eu vivo por você. Você é a coisa mais importante para mim nessa vida.

- Te amo tá. – Ele fala sorrindo.

Não me seguro e as lagrimas descem;

- Desculpe por não perceber, por não dar a atenção correta.

- Pai, o senhor não tem culpa.

- Desculpa.

- Tudo bem.

Bebo um pouco de agua e limpo os olhos;

- Pai não quero mais estudar aqui.

- Pelo que aconteceu?

- Pai eu vejo aquele cara e só quero partir para cima, não me controlo.

- Olha, não vou te responder isso agora, pensa de cabeça fria, aí você me fala, se quiser ser transferido eu vou fazer, mas quero que me responda de cabeça fria.

- Tudo bem.

- Agora o que eu mais estou curioso.

Ele abre um sorrisão, fica muito vermelho;

- Hugo? Desde quando? – Falo empolgado.

Ele ainda sorrindo;

- Só aconteceu, não foi nada demais, não temos nada. Ele é meu amigo.

- Tem certeza?

- Sim, não sinto nada por ele.

- E ele filho?

- Ele... Ele disse que sente.

- Então Wilker se você tiver confortável, vai falar com ele.

- É o senhor está certo, eu vou falar.

- Nem que seja dizer que não vai rolar nada, mas dê satisfação a ele, as vezes faz bem falar de sentimentos.

- Tudo bem.

- Agora vamos para casa, que Daniel pegou eu e seu pai hoje cedo de jeito... – Falo ligando o carro.

- Como assim?

- Veio perguntando se ele também é gay.

- Que?

- Ué querido, eu, você, Marcos, seu pai, Hugo, é normal ele ficar curioso.

- O que disse?

- Coloquei ele para fora do quarto, porque não sabia o que falar, agora vou conversar com ele, tive que estudar para não falar merda.

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