• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 52

Quando me levantaram, que eu percebi o tamanho da merda que fizemos, pois para mim, pulei nele, o derrubei, quebramos a porta e soquei ele no chão. Sim, exatamente isso, em cinco metros.

Paramos com o show, e seguimos até onde as pessoas estavam dançando.

Pegaram ele também, e para garantir qualquer cosa, Marcos vem ao meu lado, me segurando pelo braço, o outro cara estava me imobilizando e conduzindo.

Ao lado de fora, ele me encosta em um carro de polícia;

- Como você está? – Marcos pergunta.

- Que você acha?

O outro cara me olha e escuto no rádio em seu ombro;

“- Solicitando ambulância para a casa de apoio ao idoso e....”

Chamaram o SAMU para o Icaro;

- Vamos levar você. Mão para traz. – Ele pega as algemas.

- Robson, calma aí mano, podemos conversar. – Marcos fala com ele.

- Desculpe Tenente, sabe como as coisas funcionam.

Isso já tinha algumas pessoas ao lado de fora, amigos de sala, de time, do asilo, me vendo ser algemado e colocado no banco de trás do carro.

Foi cinco segundos e se juntou de polícia ao lado de fora.

Artur aparece ao lado de fora, PUTO! Ele tinha pouco de sangue nas mãos, e na roupa, quando me viu entrando no carro o Marcos segurou ele;

- Eu te pego, eu vou pegar você Wilker. Dessa vez você não passa. – Ele fala muito bravo.

- CALMA Amor. Calma. Eu vou com ele, e você acompanha o Icaro. Vai, entra. – Marcos coloca ele para dentro

Entrou um comigo atrás e dois na frente, seguimos para a delegacia, com o Marcos no carro de trás acompanhando.

No caminho a única coisa que eu pensava era no que ele havia feito, e sinceramente? Porque eu não bate mais. Mano minha vida havia acabado.

Quando chegamos, nós entramos com eles me acompanhando, e me deixaram em uma sala, tiraram as algemas mas trancaram a porta.

Não demorou muito e um outro policial, gordo e grande, com o distintivo no pescoço entra, ele acompanhado dos caras que me trouxeram;

- Wilker certo? – Ele cruza os braços, frente a porta.

- Sim. – Respondo.

Sentado no chão, com os braços apoiados nos joelhos;

- Tenho uma equipe com o outro garoto, e ele quer registrar um BO contra você, como ainda não ouvi as partes, tem algo a dizer filho? – Ele anda pouco para a direita falando.

- Não, nada.

- Se fosse outra pessoa iria ser levado para uma cela. Mas seu padrasto é um bom homem, vou deixar eles entrarem.

Todos saíram, e depois de uns minutos, vejo uma sombra se aproximar pelo vidro fosco, era o Marcos, ele estava com um copo de papel nas mãos, o cheiro logo invadiu a sala, café expresso;

- Aqui para você. – Ele entrega.

- Não quero.

Ele coloca de lado, se aproxima, abaixa ficando apoiado nas pontas dos pés, e de pernas dobradas;

- Você está sentindo alguma coisa? Dor, tontura, febre? Se precisar levamos você para o hospital.

- Eu estou bem. Quando vou poder sair daqui?

Ele respira fundo;

- Logo, vão esperar o Icaro chegar e prestar queixa. E também vão ouvir você, depois vão liberar vocês.

- Tudo bem.

Ele se levanta e pega o café;

- Quer comer algo?

- Não.

- Seus irmãos estão querendo te ver, posso deixar entrar?

- Marcos, só me tira daqui, por favor. – Falo já sem paciência.

Ele não responde, sai da sala, e eu fico mais uma eternidade lá dentro.

Escuto uma conversa no corredor, uns gritos, muitas pessoas passam em uma das direções e depois parte delas voltam.

A porta se abre, era meu pai, Dimitri.

Ele entra na sala vindo me abraçar imediatamente;

- Meu Deus filho, como está? Ele te machucou?

- Não pai!

Ele afasta apertando os ombros, e analisando como médico. Dimitri estava de jaleco e pelo jeito estava trabalhando, com a lanterna analisa tudo;

- Você se cortou feio. Alguém pega minha maleta por favor? – Ele coloca a mão para trás.

Um rapaz de terno e maleta pega ela ao lado de fora e entrega;

- Wilker esse é o Igor, advogado amigo do Pai, ele vai... Fala alguma coisa, olha a situação do meu filho, e onde ele está... Vai ficar olhando? Cadê o agressor? – Dimitri grita com ele.

- Calma pai.

- Como calma? Me explica? Artur ao invés de estar com o filho dele, vai com um estranho para o hospital, você tem cortes que precisam de cuidados, quero saber do delegado e dos policiais que não levaram você para o hospital. – Ele estava muito bravo.

O tal Igor saiu da sala depois da bronca, e Marcos parado ouvindo meu pai falando, havia uma policial acompanhando também;

- Sente dores aqui? – Meu pai coloca as mãos em minha barriga.

- Não.

- Deita naquela mesa Wilker. – Ele se afasta.

Me levanto e ele mostra qual posição, e aí entra o Artur, pede licença para a policial entrando e pergunta;

- Como ele está? – Fala para o Marcos.

- Dimitri está vendo ainda.

- Então? – Ele fica do lado do meu pai.

- Ele está bem, só estou fazendo pelo nosso filho o que você não fez.

- Ai pai! – Ele aperta próximo a cintura e sinto uma dor.

- Não mexe.

Ele levanta a blusa, e aperta de novo;

- Pai! – Reclamo de novo.

- Ele tem que fazer uns exames, pode ser uma costela...

- É só uma luxação Dimitri, não exagera. – Artur olha.

- Eu estou bem. – Falo com eles.

- Você vai para o hospital e ponto final. – Dimitri se levanta olhando para a policial. – Ele precisa ir para um hospital, fazer exames e uma estrutura correta, agora.

- Vou falar com o Delegado. – A moça sai com uma cara de desinteresse.

- Os pais de Icaro estão a caminho, estão fazendo corpo de delito, ele vai entrar com um processo contra você meu filho, parabéns, com dezoito anos e a ficha suja na delegacia por agressão. Está de parabéns Wilker.

- Ele mereceu. – Respondo.

- Mereceu o que garoto? Olha como fala, você parece um animal, partiu para cima dele socando sem parar. Você pulou nele fazendo quebrar uma porta de madeira, tem ideia disso meu filho.

- O que esse cara fez? – Meu pai Dimitri pergunta.

Todos se calam e me olham, sentado na mesa gelada, Marcos coloca a mão no bolso, tira o celular e mostra para Dimitri.

Depois para Artur, e eu de cabeça baixa na mesa, olhando meus pés.

- Ele fez essa publicação. – Marcos comenta.

Dimitri coloca sua maleta no chão, e se senta na cadeira, coloca a mão abrindo a gravata e botões da camisa social.

Acho que a pressão dele cai, e fica meio aéreo. Eu olho de lado e ele se levanta da cadeira.

E me abraça, um abraço forte e quente;

- Eu te amo tá! Saiba disso e nunca se esqueça. – Ele diz próximo ao ouvido.

Vejo que Artur estava abraçando o Marcos, Dimitri se afasta e meu pai aproxima.

Ele chega passando a mão no meu rosto, na bochecha e me olhando, com os olhos cheios de lagrimas.

Ele ficava me olhando, descendo os olhos e voltando, de cima para baixo e vice e versa.

Artur me puxa abraçando;

- Me perdoa meu filho. Me perdoa. Me perdoa. – Ele me segurava e chorava muito. – Eu não sabia.

- Não é culpa sua pai. – Respondo.

- É que eu... Não sei como... Não sabia.

- Pai calma.

- Isso desde criança? – Ele se afasta.

- Não sei, aconteceu algumas coisas agora.

- Desde a primeira briga?

- Acho que sim.

Ele tentava respirar para conter o choro, mas se desmoronava a cada vez que segurava as emoções;

- Meu filho me perdoa, de brigar aquela noite, de colocar de castigo... Meu Deus que eu fiz. Wilker eu não sabia, desculpa querido por ficar do lado dele.

- Pai não tem problema. Calma.

- Amor se acalma. – Marcos se aproxima.

- Como vou me acalmar Marcos, não conheço meu próprio filho!

- Ele precisa de tempo e espaço Artur, se acalme. – Ele fala com meu pai.

O Igor abre a porta da sala;

- Está tudo bem aqui?

- Sim. – Dimitri responde, limpando suor da testa.

- Bem o outro jovem foi parar no hospital, não foi nada grave, mas está nesse momento registrando um BO. Vou acompanhar, mas no máximo o juiz manda você pagar umas cestas básicas. – Ele explica. – Logo vão te ouvir, quer me contar algo?

- Eu bate nele, porque ele postou uma foto minha em um momento intimo. – Eu encaro o tal Igor.

- Conta mais...

- Ele expos meu filho. – Dimitri resume.

- Bem isso é crime, tem provas? Testemunhas?

- Sim. – Marcos mostra o celular.

- Estamos falando de um crime Cibernético, ele é protegido pela lei Carolina Dickman, uso indevido da imagem, ele pode ser preso, ou pagar multa. Ou os dois.

- Que fazemos agora? – Pergunto.

- Irei entrar com uma ação imediata, para retirar tudo da rede, e entro com o processo.

- Mas agora vamos para o hospital, você ficar aqui e resolve isso Igor.

- Sim, senhor.

Esperei para falar com o delegado que veio até a minha sala, e colheu meu depoimento junto ao advogado, depois com o Icaro já fora da delegacia saímos da sala, finalmente.

No corredor quando eu sai, acompanhado do meu pai Artur que estava abraçado comigo, o Daniel veio correndo;

- Você está bem? – Ele pergunta preocupado.

- Sim, eu to.

Foi responder e ele me abraça, e pela sua altura vai bem em cima do local que eu estava com dores;

- Ai, calma ai.

- Que foi? – Ele diz assustado.

- Vamos levar seu irmão para o hospital, vai ficar tudo bem. – Dimitri responde.

- Posso? – Nicole abre os braços na minha frente.

- Sim.

Me abraça com força e não diz nada, só compartilha seu amor comigo.

Calado também estava o Bento ao lado, ele me olhou passando no corredor e sorri, eu somente correspondo.

Com tudo ok na delegacia, seguimos de carro mesmo até o hospital.

Dimitri me fez uma bateria de exames, e não descobriu nada, para a minha sorte é claro.

Pouco antes de terminarmos o Igor liga da delegacia dizendo que já estavam apagando a publicação e vendo os compartilhamentos e tals, fazendo uma varredura completa.

Meus pais, Nicole, Bento todo mundo tentando me fazer sentir bem, dizendo coisas positivas, mas sabiam, assim como eu, foi uma coisa irreversível.

Eles desceram para comprar coisas par comermos, e Nicole ficou por último com meu irmão;

- Ele ficou aqui até a poucos minutos. – Ela me olha.

- Quem?

- Hugo.

- Quero que ele se foda, assim como todo mundo daquele colégio. – Falo deitado na cama.

- Podemos falar palavrão fora de casa? – Daniel pergunta.

Todos em silencio, olhando um para o outro, e começamos a rir;

- Fica calmo Wilker, vai tudo ficar bem. – Ela diz.

- Para você falar é fácil né. – Eu respiro fundo.

- Em Harry Potter... – Ele abre a boca a gente começa a rir... – Para deixa eu contar. – Ele me dá um murro no braço.

Daniel sobe na cama, olhando par a gente;

- Nos livros ele tem que fazer um feitiço, conjurar um feitiço, enquanto é atacado por um dementador, que suga os sentimento bons dele, então ele está sendo atacado, está triste mas para o feitiço funcionar tem que pensar em algo feliz.

Fiquei olhando, e ele se cala, como se tivesse concluído;

- OK, mas que isso tem a ver comigo?

- O dementador te fez mal, e está doendo, não está se sentindo bem, com raiva e triste. Mas só vai conseguir enfrentar isso se estiver feliz com você mesmo.

- Isso fez sentido só para mim? – Nicole pergunta.

Eu abro um sorriso, e bagunço o cabelo dele. Que inveja dessa inteligência e ingenuidade;

- Trouxe doce e besteiras. – Artur entra na sala.

Eles separam as coisas das sacolas e meu pai diz;

- Que estavam conversando?

- Eu estava ensinado meu irmão, como ficar bem. – Daniel responde procurando algo na sacola.

- Escutem, todos vocês. – Artur aponta para os meninos. – O que aconteceu aqui é uma covardia de um tamanho. Ninguém merece ser exposto, ninguém merece passar pelo que seu irmão está passando. É imoral e cruel. Agora temos que estar com ele, pois Wilker vai precisar e muito de sua família unida e o apoiando.

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