• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 5 – Discussões

No fim da minha aula de educação Física eu fui para o portão, esperar meu pai, fiquei ao lado do segurança, que iria liberando as crianças, estava na grade olhando, ver se o carro dele se aproximava;

- Daniel vamos? – Sinto a mão de Wilker no ombro.

- Vamos.

Fui saindo e ele diz a segurança;

- Tudo bem, está comigo.

- Papai chegou?

- Deve estar chegando! Vem, cuidado. – Ele fala atravessando a rua.

Gente ele foi para um pequeno quiosque do outro lado da rua, eu nunca fui por ser menor, tinha uns meninos do time sentados lá.

Eu deixei minha mochila sentando, e o Hugo pergunta;

- Estava na aula de educação física Daniel? – Ele aponta para minha bermuda.

- Sim.

- E você que esporte gosta?

- Eu não gosto de nenhum.

Quando respondo eles sorriem, Wilker, Hugo e mais alguns garotos;

- Relaxa não é problema, eu também não gostava de nada, até encontrar o Basquete. – Hugo responde.

- Se não gostar de nenhum, também não tem problema. – Wilker completa.

Eles me oferecem um copo de coca – cola, eu fico ali ouvindo eles comentando do time, e de meninas.

- Tem alguma garota da sua sala que você gosta Daniel? – Um tal de Mauricio que estava do meu lado pergunta.

- Acho que não!

- Algum garoto? – Hugo questiona.

- Não.

- Deixa o garoto. – Wilker briga com eles.

- Tem a Amanda, é minha amiga, gosto de sentar com ela. – Comento.

Todo mundo começa a rir e querendo saber como ela é, sinceramente fiquei meio perdido com a animação deles.

Quem não gostou nada disso foi meu pai, pois veio buscar a gente de viatura.

Wilker odeia, nem se fala Nicole, mas eu, meus olhos brilharam na hora.

Ele buzina rapidamente eu me levanto pegando a mochila;

- Calma Daniel, a rua. – Wilker fala. – Falou mano, vou ser preso agora.

Eu pego na mão dos meninos e atravesso entrando no carro;

- Pai o senhor não estava de moto? – Pergunto colocando o cinto.

- Sim, mas peguei para vir buscar vocês.

- Quer colocar a gente na grade lá atrás? – Wilker coloca o sinto.

- Somente o sinto é o suficiente Wilker. – Ele responde olhando no retrovisor. – Vamos tenho que deixar você no hospital ainda. – Marcos fala com Nicole.

Bem, deixamos a Nicole no hospital e seguimos para casa, o Wilker como sempre se enfiou no seu quarto e eu almocei com meu pai.

- Suba e prepare sua mochila, vou deixar você no inglês, pois tenho que voltar para a corporação.

- Tudo bem.

Me troquei de uniforme e desci, a Nicole havia chegado com o Artur, e aquele amigo dela também estava aguardando;

- Pai pronto. – Falo no último degrau da escada.

- Vamos... Amor nada de quarto para esses dois, vão estudar na sala. – Marcos fala apontando para o garoto.

Ele beija o Artur para sair e o tal João fica todo surpreso, sua expressão facial foi tão diferente que até eu fiquei olhando;

- São namorados? – Ele esboça.

- Casados na verdade.... Não sabia? – Artur responde.

- Não, é que Nicole havia me dito que eram somente amigos.

- Oi? – Marcos fala até gesticulando com a cabeça.

- Algum problema com isso? – Artur já confronta o João.

- Não, por mim nenhum. Meu irmão é gay.

- NICOLE. – Marcos grita mirando as escadas.

- Oi. – Ela responde lá do quarto.

Marcos olha para o Artur que estava meio que surpreso, ela então desce as escadas;

- Me gritou? – Ela para do meu lado.

- Disse ao João que eu e o Artur somos amigos? – Marcos encara ela.

Ela fica branca, de olhos arregalados olhando eles;

- Responde Nicole!

- Falei.

O Marcos respira bem fundo, mas quem fala é Artur;

- Porque?

- Eu não sei.

- João pode ir para casa, não vão estudar hoje. – Marcos dispensa o garoto.

- Sim, senhor. Nos vemos no colégio. – Ele diz a ela, pegando sua mochila e saindo.

- Senta. – Marcos aponta o banco da bancada para ela.

Nicole fica confrontada pelos dois;

- Agora explica o porquê falou isso. – Marcos cruza os braços.

Ela começa a chorar, pois o clima estava pesado, muito.

- Ele viu Artur aqui, e perguntou se era meu pai, eu disse que era namorado do senhor, ele fez uma cara de surpresa, eu achei que ele iria me tratar como as meninas do colégio, então menti.

- O que pretendia fazer depois? Qual seria a desculpa, caso ele veja a gente se beijar minha filha?

- Eu iria contar, iria contar hoje pai.

- Você não faz ideia o quanto estou decepcionado com você.

- Me desculpe.

- Não deve desculpas a mim.

Ela muito constrangida, olha para o Artur, limpa a lagrima e diz;

- Me perdoe, eu não fiz por querer, fui burra.

- É normal Nicole a gente fazer coisa sem pensar, e da boca para fora. Mas o que fez foi errado, demais. Tem ideia o quanto eu e seu pai lutamos dia a dia para ser reconhecidos pelo nosso trabalho, eu como cirurgião, ele como policial, e passar por isso dentro de casa! Dói sabia, e muito.

- Está de castigo, seu celular. – Marcos estende a mão pegando o aparelho. – Irei conversar com seu professor amanhã, farão trabalho sozinha, e está proibida de receber ou visitar amigas por um mês.

- Pai é um trabalho importante.

- Não precisa dele para conseguir sua nota! Isso é para pensar, que esse tipo de atitude machuca pessoas Nicole.

- Desculpe.

Eu estava sentado nas escadas quando o Wilker desce, ele perceptivelmente não sabia do que estava acontecendo, quando desce o degrau, olha para a Nicole que estava toda inchada de chorar, frente aos pais;

- Que houve?

- Nicole falou o que não devia. – Marcos responde... – Sobe para seu quarto.

- Deixem a garota, eu falo merda o dia inteiro e não me tratam assim. – Wilker encara eles.

- Ela disse para o amigo que somos amigos e não namorados. – Artur responde.

- Uh! Isso é muito pior. – Wilker faz careta.

- Você falou com seu irmão Nicole? – Marcos pergunta quando ela estava acima dos degraus.

Ela não o responde e sim, olha para o Wilker;

- Me perdoe por trazer o Ícaro aqui aquele dia sem avisar.

- Sem problemas. – Ele pisca.

Depois que ela entra, ele vai na geladeira e ainda comenta;

- Pegaram pesado com ela.

- Algumas coisas nessa casa você não interfere Wilker. – Artur responde.

- Uma hora fala que é minha irmã, que tenho que defender e cuidar, dela e do Daniel, quando eu falo alguma coisa mandam eu calar... – Ele bate à porta da geladeira.

- Meu filho, agora não... – Artur pede.

- Só escuta o que é conveniente para você né pai? A garota tem quatorze anos, nem sabe o que fala, isso aqui nem parece mais uma família, e sim um quartel... uma ditadura. Pregão a igualdade, mas não a seguem. – Ele sai pela garagem.

A porta bate, com meus pais sem reação.

Bem eu fui para a aula de inglês, fiquei sem o que falar no carro, para não magoar ele sabe, pois Marcos já estava bem pensativo.

É difícil, muito ver esse tipo de discussão em casa, o meu irmão é mais propenso a protagoniza-las, mas meus pais, nunca, até hoje não é!

Na segunda feira depois da aula, eu fui para casa do Luigi e fiquei por lá o resto da tarde.

Voltei por volta de sete da noite, como era no condomínio, meus pais não brigam eu ir sozinho.

Cheguei na garagem tirando os sapatos, e entrei subindo, não havia ninguém na cozinha, somente lá em cima.

Tirei minha roupa indo para o chuveiro. O banheiro fica ao lado do quarto dos meus pais, e então deu para eu presenciar a primeira discussão deles;

- (...) Artur nossa casa não tem algo nesse valor!

- Marcos, foi um presente, eu dei de bom coração.

- Seis mil reais em uma geladeira, ela vem o que? Um pedaço da Antártida dentro?

- Eu não sabia que você estava resolvendo isso, não me falou nada.

- Tem coisas amor que não precisa falar... “A geladeira da minha mãe quebrou, assim que receber eu compro uma”. Quem te falou?

- Estava com a Nicole e ela comentou, eu então sugeri.

- Meu Deu que vergonha.... Ela vai devolver isso, amanhã.

- Marcos não precisa.

- Artur não vamos mais discutir sobre isso, presente é uma coisa, agora ela está se aproveitando de você.

- Eu não quero que ela devolva, foi um presente.

- Pois vai sem querer então. – Acho que ele sai de dentro do quarto.

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