• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 49

Bento aparece atrás da minha irmã de tênis branco, calça da Adidas, com listras laterais, uma calça azul meio que um tecido leve, que marcava partes de suas pernas, e uma camiseta rosa, mano muito foda;

- Então. – Ele diz todo sem graça.

- Ai primo, coitada das meninas do Olímpio, está muito gato.

- Lindo mas não pode e sem uniforme. Meu filho lavei os seus ontem, pode arrumar para o Bento? – Artur pergunta.

- Sim, de boa.

Termino meu café subindo, e já imaginando a merda que seria hoje... bem.... de agora em diante naquele colégio.

Peguei o uniforme no armário, e minha mochila, e o Marcos sobe as escadas;

- Aqui, Matheus vem me buscar hoje de novo. – Ele entrega as chaves do carro.

- Valeu. – Pego todo feliz.

- Escuta Wilker, quando eu sai da casa do meu pai, foi sim fugindo de tudo aquilo, mas não é porque fiz isso que foi fácil, e não será para ele. Estou te dizendo isso pois ele gosta de você, e sei que pode dar uma força.

- Eu vou. – Falo descendo. – Vamos então? – Digo aos meninos.

- Daniel deixa essa colher de pau, vai se sujar. – Artur diz.

- É minha varinha pai. – Ele brincando na bancada.

- Vou enfeitiçar um galo na sua cabeça, isso sim. Desce. – Artur ajuda ele a sair.

Eu sai na frente, tirei o carro da garagem, e todos entraram, seguindo assim para aula.

Já sabem que eu gosto do carro do Marcos pois chama bastante atenção, e também é muito melhor de pilotar do que do Artur, que ao contrário era um carro familiar.

Acordei mais cedo, sai de casa no horário, mas mesmo assim chegamos com a frente do Olímpio cheio.

Estacionei o carro no lugar de sempre, do outro lado da rua, descemos, e seguimos, eu fui com o Bento até a secretaria, até então para mim, ninguém que questionasse.

- Bom dia senhores, ai Wilker, seu pai ligou, você deve ser o Bento? – A coordenadora o cumprimenta.

- Sim.

- Mano vou para a aula, qualquer coisa me liga.

- Vai lá.

Ao virar as costas a sirene do início das aulas toca, quando entro nos corredores já vejo de cara o Hugo, de jaqueta vermelha, afastado de todos, cabeça baixa, mãos no bolso, eu pisei e ele me olhou.

Cheguei a respirar fundo, pois desviei o olhar, mas percebo que ele fica obstruindo minha passagem. Me aproximo mais e ele me para;

- Faz o que quiser, me soca, me chuta, ou grita comigo, mas a gente precisa conversar. – Ele diz me encarando.

Olho para a classe e tinha só dois alunos de fora, um deles, Ícaro, olhando a gente, meu olhar volta para Hugo, eu me afasto e digo;

- Não tenho nada para falar com você.

- Mano você sumiu, disse que iria para a casa de família e sumiu, eu fiquei sozinho e perdido e...

- Porque está se justificando.

- Porque você Wilker, está agindo diferente comigo.

- Não estou sendo diferente, eu ainda sou o mesmo Wilker que você conheceu quando criança. Agora já você, nem você sabe o que é mais.

- Eu não disse que gostava de você, por atenção, eu sinto isso, é verdade, eu sofro com isso.

- Não acredito em mais nada que diz Hugo.

- Hey, os dois, para dentro. – Grita o professor na porta da sala.

- Vai continuar me ignorando?

- Não, porque você está no time, se contente com isso. – Passo em sua frente entrando primeiro na sala.

Escuto ele respirando e segurando o choro atrás de mim, e confesso que isso doeu, me afetou mais que o normal.

Eu estava mudando, as pessoas estavam mudando, tudo ao meu redor estava mudando. Acho que na medida que você vai tendo mais e amis hormônios tudo vai ficando uma loucura, com você e com todos próximos.

Entrei na classe e já comecei o dia de cabeça cheia, como estava sendo essa volta as aulas;

- E ai irmão. – Mauricio me cumprimenta.

- De boa.

- Se liga, temos doze caras para as vagas do time. – Ele mostra uma folha.

- Bom demais, acho que temos hoje a relação dos primeiros jogos.

- Sim, já preparar essa galera mano.

Hugo entra na sala depois de um tempo, e senta do outro lado da sala, em cadeiras ao lado da parede.

Ele se senta de lado, olhando para mim e Mauricio conversando. Troco alguns olhares e desvio logo em seguida.

- Mas será que tenho que separar essa duplinha ai também, igual fiz com Ícaro e Hugo em Senhor Wilker? – Grita o professor com um livro na mão.

Rindo, nos afastamos, e vermelhos ficamos calados;

- Bom dia professor, com licença. – Fala a coordenadora.

MANO DO CEU.

Minha coluna chegou a esfriar, ela estava com meu primo;

- Mais um para essa turma... Bento esse é o professor de Matemática e...

Ela foi falando, e as meninas rindo, ele naquela vibe de vergonha ao extremo de primeiro dia de aula.

Minhas mãos soando, axilas e ansiedade a mil.

E claro, todo mundo olhando, era aluno novo, sempre tem aquela excitação geral.

Ele entra e o professor diz;

- De onde veio Bento?

- Bem eu vim do interior. – Quando ele fala todos começam a rir.

Até porque o seu “interiorrrrr” puxou bastante o R. O professor pediu silencio e ele me vê ao fundo da sala, bem à sua frente;

- Sente-se Bento, pode ficar à vontade, bem-vindo.

E então a cena mais gratificante de minha semana.

Ele se aproximou, eu me levantei, pegando em sua mão, e gesticulei mostrando minha mesa;

- Senta ai.

- Valeu.

Pego uma cadeira a frente e coloco do seu lado me sentando, com a sala inteira olhando;

- NÃO! Mas já, a sala inteira você vai ficar ao lado do Wilker Bento. – O professor comenta.

Todo mundo sorri e a coordenadora coloca metade do corpo para dentro, olhando;

- Era já de se saber, chegaram juntos hoje.

Pronto!

A classe inteira começou a zoar pelo comentário dela, e obviamente ele afetou quem vocês sabem, foi em cheio.

- Conhece esse maluco? – Mauricio pergunta a Bento.

- É meu primo.

- Ah então é meu primo também, bem vindo mano. – Eles se cumprimentam.

Ajudei um pouco Bento durante as primeiras aulas, até ele se situar, mas era o professor sair, que as meninas a nossa frente olhavam perguntando. “é solteiro?”, “morava onde”, “qual seu tipo preferido de garota?”.

O intervalo começou e segui com Mauricio e Bento para a quadra, logo iria começar os testes do time, no caminho meu primo comenta;

- São sempre todos educados assim?

- Não, é que você é primo do Wilker, caso contrário estariam todos zoando seu sotaque.

- Haha’ como assim seu primo, você manda aqui? – Ele me olha.

- Não. – Respondo.

- Sim. – Mauricio indaga. – SIM. – E destaca sua resposta ao ouvir a minha.

- Sim, ou não?

- Mauricio é louco.

- Não é mandar, mas tipo, é o aluno mais antigo, e capitão do time de basquete, por todo mundo conhecer ele, o respeita, é um cara de boa.

- Tipo escola americana? – Bento tenta entender.

- Sim.

- Vamos começar então, chegou todo mundo? – Pergunto a galera da quadra.

O time reunido e Marcelo responde;

- Falta o Hugo.

- Posso ficar? – Bento questiona.

- Sim mano, fica aí. – Mostro o banco.

- Que vão fazer?

- Testes para o time, temos duas vagas abertas e preciso preenche-las.

- Começa aí mano. – Mauricio se aproxima com a bola.

- Ok se separam em dois times, com e sem camisa, vão começar uma partida e vou olhando o desempenho de vocês. – Falo indo ao centro da quadra. – Organizem-se que quem faltar coloco do meu pessoal.... Vamos, vamos galera.

Com apito começo o jogo, e vou acompanhando as jogadas e passes, movimentação, essas coisas.

Voltei ficando com os meninos, sentei no banco alto com o Bento e o Mauricio, acompanhando o jogo;

- Se liga no cara ali, o baixinho, cara de cestinha ele. – Falo com meu amigo.

- Ironia, ele ser o mais baixo e jogar mais.

- Rsrs. Sim.

- Os treinos agora são abertos? – Escuto a voz de Hugo.

Só olhei, nem respondi. Ele ficou atrás resmungando com os meninos e eu ignorando.

Finalizei o jogo, pois já tínhamos visto o bastante, e liberei os meninos para o vestiário, pois ainda iriam ter aulas.

Com o time em quadra, votamos, em conjunto, mas ficou embate em 3 caras;

- (...) Mais dois votos e finalizamos, será o Paulo ou Vinicius. Diga Mauricio?

- Mano Vinicius sem dúvida.

Eu anoto e contabilizo;

- Bem, mais um e é definitivo. Por mim seria o Vinicius, mas como deixo a escolha de vocês... Falta. Hugo!

- Escolho o Paulo.

Todo mundo gritou com ele, ficando bravos, eu já sabendo qual é a dele, falo;

- Não vai fazer isso, agora que conseguimos os caras, será o Vinicius. – Eu confirmo.

- Esqueceu de perguntar para ele? – Hugo aponta para o Bento. – Ah é mesmo, estamos abrindo os treinos para estranhos, me esqueci. Porque não chama sua vizinha da próxima vez Wilker.

Queria mesmo responder a altura, e bater de frente, mas pensei rápido e disse;

- Ela não é gata como meu primo.

Todo mundo começou a zoar, mas também pegaram a deixa para encher o Hugo também, que ficou puto da vida. Já Bento, vermelho.

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