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Laços - Capitulo 47

#Wilker

Não sei exatamente quanto tempo se dura um luto, porque a dor da perda te persegue em lembranças, em momentos e sentimentos que eram compartilhados com a pessoa com quem perdeu.

Nossa família teve um papel significativo nessa questão, todos com atenção em Daniel, e Nicole, mas a perda de Ana, afetou eu, Marcos e estranhamente meu pai, Artur.

Todos sofremos, como ele mesmo disse, na mesma magnitude, rapidez e intensidade que ela entrou em nossas vidas, ela saiu. Chegou fez uma grande mudança de como víamos a vida, a família e amigos. E se foi deixando não um rastro de sofrimento ou dor. Mas sim de sorrisos, gargalhadas memoráveis e muitos, muitos ensinamentos.

O conceito de rotina foi bem, mas bem atualizado, depois tudo, voltar a escola, meu pai ao trabalho, essas coisas, não seria fácil, mas necessário para ocupação da cabeça de todos. Era um recomeço, para mim e meus irmãos.

Volta as aulas...

Em dia de plantão do meu pai, eu que fui dirigindo para o colégio, é bem foda o carro automático de Marcos.

Depois de estacionar eles desceram;

- Calma aí mano, olha a rua. – Grito com o Daniel.

Ele já me olha torto, pego em sua mão atravessando, Nicole eu já tinha perdido de vista com sua amiga.

Daniel vê seus colegas, e entra acompanhado. Eu vou logo atrás, entrando, e seguindo direto para a sala de aula, mas a coordenadora me chama no corredor;

- Cadê seu uniforme em Wilker? – Ela grita.

- Não deu tempo de passar tia. – Falo com as mãos para cima.

- Trinta e cinco dias não foram o suficiente?

- Pois é.

- Não entra amanhã em.

Entro na sala, cumprimentando os meninos do time, Mauricio e Hugo, e me sento;

- E aí de boa mano? – Mauricio pergunta.

- Sim, tranquilo.

- Treino hoje?

- Sim, vou ver a ficha, se estão todos. – Respondo olhando Hugo. – Qual é, porque sentou aí? – Pergunto com ele sentando a nossa frente.

- Nada.

O professor entra e antes de falar conosco a cordenadora aparece na porta;

- Professor, aqui mais dois para essa turma, Marcelo e Ícaro.

Ah mano! Os dois entram rindo já me olhando, e Ícaro ousa a sentar do lado de Hugo, já Marcelo ficou mais na dele, do outro lado da sala.

Eu me levantei e sentei mais atrás, para evitar ao máximo.

Como era o primeiro dia de aula, e volta as aulas, muitos professores não haviam se preparado para tudo. Tivemos uma aula livre, e logo no intervalo, fui até a secretaria para pegar a relação de alunos do time, se todos estavam ainda estudando, se teria que abrir vagas, ou testes.

Quando cheguei a Nicole estava sentada lá, a porta fechada, olho para ela ofegante;

- Que foi?

- Nada Wilker. – Ela responde brava.

- Que está fazendo aqui garota?

- Sua irmã bateu no João, teve uma briga dentro da sala de aula, se o professor não entrasse no meio, ela iria jogar uma cadeira no garoto. – A coordenadora diz na porta da sala.

- Ele terminou comigo por telefone, mas já estava ficando com a Rafaela. Ele me traiu. – Ela fala puta.

- Aquele idiota fez isso? – Questiono.

- Sim.

Ao olhar para dentro da sala, ele sentado com algum tipo de coisa na cabeça, foi me ver e já ficou assustado. Só dei um sorriso, para ele saber o que esperava;

- Não terminou, se livrou, e relaxa, eu faria o mesmo no seu lugar.

- Não aprove esse tipo de atitude, você é o irmão mais velho dela.

- Escuta ele tem sorte que ela já bateu nele, porque se eu pego ele, não vem para a coordenação, e sim para o ambulatório.

- Senhor Wilker, irei informar seus pais do que está falando.

- Avisa tia, e diz que se eu topar com ele, está fodido. – Falo apontando o dedo.

Peguei o papel e fui para o corredor, tinha que abrir vaga para dois jogadores no time, peguei o anuncio que estava sempre pronto na biblioteca e colei no painel.

Voltei para a sala, pois iria deixar meu celular carregando, ao abrir a porta, vejo o Hugo e Ícaro atracados nos beijos.

Na rapidez que se afastaram, foi a que Hugo me olhou. Ah mas fiz questão de encarar ele;

- Wilker!

- Foi mal atrapalhar. – Me viro para sair.

A porta prende na primeira mesa, e é o tempo de ele se aproximar e me segurar pelo braço;

- Espera.

- Tira a mão de mim garoto, se liga. – Eu afasto.

- Wilker não é o que está pensando.

- Foda-se Hugo, você com esse cara.

- Wilker. – Ele grita quando eu abro a porta.

- Não sei qual é o pior, você ou ele. – Fecho a porta com eles la dentro.

Puta merda!

Fiquei com o coração disparado, foi sim, uma traição, e das boas!

- Wilker abriu vagas para.... Que cara é essa? – Mauricio fala.

- Mano me segura antes de eu fazer merda, por favor. – Aproximo dele.

- Calma, relaxa, fiquei sabendo da sua irmã. Ela é foda, vai se dar bem. – Ele diz batendo em minhas costas.

A sirene toca e retornamos para a sala, eu me sentei e o Hugo veio seco em minha direção;

- Podemos conversar? – Ele coloca as mãos na minha mesa.

- Aproxima mais que dou na sua cara irmão. – Falo olhando em seus olhos.

- Que está acontecendo aí. Hugo no seu lugar. – O professor percebe.

Ninguém perto teve atitude alguma, mas Hugo ficou espantado da forma como eu falei, já Ícaro abriu aquele sorriso panaca dele, me olhando.

No fim da aula, fiz o possível para sair antes, e ir para o carro, torcendo que Hugo não me encontrasse ou tentasse contato novamente, havia me segurado demais.

Briguei com o cara por ele, discute com time, família e amigos, para protege-lo, e agora isso. Algumas pessoas não tem senso do ridículo, ou consideração, alguma.

Finalmente Daniel e Nicole entram no carro para seguirmos;

- (...) Vai ficar de castigo?

- Não sei Daniel, mas papai vai falar anos na minha cabeça. – Ela responde.

- Isso ai sim, pode preparar. Mas relaxa, ele mereceu. – Digo saindo.

- Só comigo que acontece essas coisas, não é possível. – Ela reclama.

- Ei, relaxa, peguei Hugo e Ícaro juntos hoje.

- Ahhhhhhh! Que babado.

- Cala a boca, pelo amor de Deus, não vai contar isso para ninguém.

- Eu sei, mas mesmo assim é um babado.

- Que? – Daniel questiona.

- Nada.

Chegando em casa, eles descem, e a Nicole já fica toda para baixo;

- Vem aqui, eu te defendo. – Falo com a mão em seu ombro.

- Você ficou bravo?

- Com?

- Hugo?

- Sim, puto.

Entramos, e meus pais olhando para nós, os dois de certa forma alegres;

- Viu não vão gritar com você. – Falo apertando ela.

- Filho. – Meu Pai Artur aponta para a sala.

Eu me viro e;

- PRIMO. – Bento grita vindo me abraçar.

- Bento? – Olho assustado.

Ele me abraça, junto com a Nicole;

- Que faz aqui menino? – Ela diz.

- Vou ficar uns meses com vocês.

- Meses. – Pergunto!

- Sim, a colheita passou, e minha mãe deu a ideia de vir ficar um tempo com vocês. Meu tio não disse nada?

- Foi tanta coisa acontecendo Bento que esqueci de falar com os meninos.

- Mas é muito bem-vindo, não é mesmo? – Meu pai abraça ele. – Vamos, vou te ajudar com as malas, você fica no quarto do Daniel, ele é menos bagunceiro que Wilker.

Eles seguem subindo as escadas;

- Desculpem, esqueci de avisar, foi tanta coisa esses dias. – Marcos olha para a gente, coçando a cabeça.

- Sem problemas. – Nicole sai de baixo do meu braço.

- É sem problemas... – Falo seguido dela.

Que iria subindo as escadas, e Marcos já puxa pela mochila;

- Você volta aqui, recebi uma ligação do seu colégio hoje.

Nicole já desce sorrindo os poucos degraus que subiu, eu já fui subindo, passando no corredor escuto a conversa do meu pai com os meninos.

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