• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 45

#Artur

Somente fui informado de que Ana iria seguir para a cirurgia, como ela não era minha paciente, eu não tomava decisões por ela.

Subindo para o centro cirúrgico a Roberta uma das minhas internas, me encontra no elevador;

- Mandou me chamar doutor? – Ela segura a porta.

- Sim, remarque todas as cirurgias e quero você e Flavio acompanhando o quarto do Luigi.

- Sim, doutor.

Ela se vira, indo fazer o ordenado e vejo a Alexia seguindo em nossa direção;

- Vai subir?

- Sim, já levaram ela.

As portas se fecham e ela sobe comigo;

- Vai na frente vou pegar um café para você. – Alexia diz ficando dentro do elevador.

- Não precisa, vou entrar para auxiliar.

- Não, não vai amigo, fica de fora, só acompanha.

- Alexia, mas eu...

- Você vai ficar de fora e sem discussão, me espera.

Deixo a porta se fechar, e vejo no fim do corredor eles passarem com Ana.

Sigo entrando na sala de cirurgia, onde preparavam a anestesia.

- Olha quem veio. – Ela diz me olhando.

Eu pego em sua mão, aproximando;

- Como está?

- Bem nunca estive melhor filho.

- Que bom, será algo rápido, você vai acordar bem cansada e indisposta, mas vai ficar bem.

- O doutor disse que posso perder o cabelo!

- Sim, é uma das consequências do restante do tratamento.

- Isso eu não gostei, rsrs.

- Desculpe, Ana irei aplicar agora ok.

- Tudo bem.

O anestesista pega o soro e preparar para aplicar o medicamento;

- Cuida do Daniel, da Nicole e também do Wilker, ele é um garoto de ouro Artur, e você sabe disso...

- Para de falar assim mulher. – Aperto sua mão.

Toda a equipe ao redor, e acompanhando nossa conversa;

- Seu marido é um homão... – Ela iria falar e surge então o efeito.

Ana se desliga entrando no sono anestésico.

Eu me afasto e a equipe começa os procedimentos, assim como meu amigo Neurocirurgião.

Eu fico mais afastado, acompanhado pelo monitor.

Cirurgias desse tipo são demoradas e complicadíssimas, os profissionais especializados precisam de total atenção.

Com quase duas horas de cirurgia, eles chegaram no ponto mais crítico da cirurgia, onde iriam fazer a total remoção do tumor. Fiquei muito, muito tenso;

- Batimentos caindo. – O auxiliar comunica.

- Continue informando. – O cirurgião comanda.

Eles se comunicam e eu me aproximo, olhando os aparelhos;

- Os batimentos estão caindo... ela terá uma parada cardíaca. – Eu me aproximo da equipe.

- Doutor Schimmyth se afaste, sei fazer meu trabalho. Eu estou no comando aqui.

Eu engoli seco, pois em seguida;

- Parada Cardíaca. – O Auxiliar diz.

- Afastem todos.... Desfibrilador! – A equipe se afasta.

Eu de olho nos aparelhos, e então ela recebe a primeira carga;

- Afastem-se.

A segunda é feita, como profissional eu me apavoro vendo o painel;

- Aumenta doutor. – Falo alto.

- Aumenta.... Afastem-se. – Ele diz.

Aquele bip do leitor de batimentos estava ecoando na minha cabeça, vendo e acompanhando eles perdendo ela. Na minha frente, por procedimentos, por ética e regras do hospital eu não poderia intervir, de forma alguma.

- Doutor. – Ele me olha.

Me aproximei pegando o controle do desfibrilador;

- Carga novamente, rápido, afastem-se. – Aplico mais uma carga.

Os batimentos voltam, olho no painel e instruo a equipe;

- Administram dose de adrenalina! Ainda falta muito? – Olho ao cirurgião.

- Pouco.

Entrego o desfibrilador e a porta da sala se abre;

- Doutor Schimmyth, Emergência. – Fala o Flavio.

Por reconhecer a voz e estar total concentrado, não olho para responder;

- Não estou disponível. – Digo de braços cruzados.

- É o Luigi Doutor, rápido! – Ele repete.

- Que houve?

- Parada cardíaca.

Eu me viro já assustado e então outra parada cardíaca;

- Novamente, vamos lá Ana.... Vamos! – O cirurgião dizia. – Resiste.

Se eu ficasse poderia salvar ela, poderia fazer algo por ela. Se eu fosse ajudaria o Luigi, e salvaria ele.

- Pode ir, ela vai ficar bem. – Meu colega diz.

Sai da sala de cirurgia com o barulho do bip ininterrupto;

- Fica e acompanha ela. – Digo segurando no ombro dele.

Desci rápido, indo direto para o quarto de Luigi onde toda a equipe estava;

- Que houve? – Falo aproximando.

- Parada Cardíaca. – Alexia fazia massagem nele.

- Eu assumo! Quanto tempo? – Pergunto.

- Dois minutos. E ela?

Eu olho, mas não respondo. Ela assume o aparelho de auxílio na respiração. Já sabíamos o que estava acontecendo, com os pais de Luigi colocados para fora do quarto, Alexia então diz;

- Ele não tem chance Artur.

- Vamos subir, pede uma sala de cirurgia, rápido. – Falo com Roberta.

Subo na maca, acompanhando com a massagem, e a equipe nos leva para cima.

Chegamos no andar, a porta se abre e a primeira visão que tenho daquele corredor claro era de Flavio, sem a touca e sem a máscara, de cabelo bagunçado;

- Que houve? – Pergunto assustado.

- Ela não resistiu.

Meu corpo estava fazendo os movimentos junto ao Luigi automáticos, eu não respondia por mim naquele momento. É a vida de uma criança nas minhas mãos.

Alexia que comandou até a sala de cirurgia, já chegamos, colocando ele nos aparelhos, e eu pego o telefone da sala ligando para o diretor do hospital;

- (...) Estou perdendo meu paciente, são meses de espera, e você não tem nada para mim. Que tipo de hospital é esse, onde está sua moral, seu posicionamento enquanto profissional...

Caramba eu falei tanto na cabeça dele, praticamente gritava, e ele calado do outro lado.

- Doutor Shimmyth temos um coração.

- Oi? – Outro grito.

- Temos um coração, mandei sua interna Roberta te informar... – Ele estava falando e a gorda chega sem folego na sala. – Está a caminho, pode preparar seu paciente para a cirurgia. Informe a família.

Desliguei o telefone sem agradecer, sem falar nada.

- Doutor, temos um coração, Luigi vai conseguir, está a caminho. – Roberta diz debruçada na porta.

Olho para a Alexia;

- Me ajuda, preparem ele, irei comunicar a família.

Do lado a equipe deixando a sala de cirurgia onde a Ana estava, eu entrei, e estavam fechando o local do procedimento;

- Posso? – Pergunto aproximando.

- Sim, senhor.

Peguei sua mão, e fiquei olhando ela por alguns minutos, o interno de Neuro, finalizou e saiu dizendo;

- Irei deixar o senhor a sós.

Ele fecha a porta e eu cai em prantos.

As memorias da viagem, sua forma de rir, foi a que mais doía em mim, meu Deus, me desesperei diante de seu corpo.

Nem vi Alexia entrando, ela segurou em meus braços e disse;

- Amigo, seja forte, sua família está ai de fora.

Eu abraço ela, com força, a segurando uns momentos.

Alexia me ajuda a limpar o rosto, passar uma agua na cara e então entrar no elevador;

- Eles precisam de você, e o Luigi também.

As portas se fecham e eu tento me segurar, a cabeça a mil, de olhos fechados desço os 4 andares.

Sai puxando o ar, e então vejo pela porta de vidro Marcos, Daniel, Matheus, e os pais do Luigi.

Marcos me viu de longe e sabia que eu tinha chorado, quando fui me aproximando o Daniel olha;

- Pai!

- Oi filho.

- A Ana não está no quarto, sabe onde está?

Ele pergunta na maior inocência e Marcos estava apavorado já me olhando.

- Amor estes são, Edimar e Edson, são filhos da Ana. – Ele me apresenta os homens.

- A cirurgia em que Ana estava já foi finalizada. – Digo olhando para eles.

- Então, quando podemos ver nossa mãe. – Um deles me pergunta.

Eu me calo, olho para baixo e volto o olhar, o outro questiona;

- Como ela está?

- A cirurgia era muito delicada, e de altíssimo risco. Ana infelizmente não suportou. – Digo olhando em seus olhos.

- Está dizendo que ela morreu?

Gesticulo que sim com a cabeça.

- Como assim pai?

Me ajoelhei de frente a Daniel, Marcos não se segurou e saiu de perto, os dois homens ao meu lado começaram a chorar, e meu filho espantado.

Segurando suas mãos ele olhando para os lados;

- Filho escuta, o papai fez de tudo que podia, ela estava fraca, e não conseguimos ajudar.

- A Ana morreu? – Ele enche os olhos de lagrimas.

- Sim, filho.

- Porque? Pai eu quero a Ana. – Daniel passa a mão no rosto.

- Desculpa querido.

- Por favor pai, eu quero ela.

Não consegui responder ele, só o abracei, apertei ele com toda força.

Sinto só o Marcos abraçando a gente formando um abraço triplo, caramba como eu precisava dessa força.

- Vai ficar tudo bem amor, estamos eu e seu pai com você. – Marcos fala.

- E o nosso filho? – Mãe de Luigi chega chorando perto de gente.

Eu me levanto, Marcos e Daniel olham já com medo. Passo a mão rosto limpando algumas lagrimas;

- Conseguimos um coração para o Luigi, está a caminho, ele foi levado para a sala de cirurgia, vamos iniciar o transplante dentre poucos minutos.

A mulher desmaiou, nem tive tempo de me assustar, ajudamos ela, mas estava tudo bem.

- O papai tem que voltar lá para dentro, seu amigo ganhou um coração novo filho, logo, logo, estará indo conosco para uma viagem na fazenda.

- Ana vai cuidar dele, ela me disse. – Ele diz limpando as lagrimas.

Eu olho para o Marcos e me levanto. Beijo sua boca, e ele me abraça;

- Vou ser forte aqui pela nossa família, seja forte lá dentro pela família do Luigi.

- Te amo.

- Eu também.

13 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia