• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 44

Os pais dele ficam abraçados chorando, e uma das moças que estavam no quarto sai, vindo em minha direção;

- O garoto, como está? – Aponto para eles.

- Não tem como saber, mas o doutor Shimmyth é um excelente medico, fique tranquilo.

Besta com a calmaria dessa mulher, juro, ela me acalmou só pelo jeito de falar.

Eu voltei para o quarto e ambos, me olharam e perguntaram;

- Cadê o Artur?

- Uma enfermeira chamou ele... E ai campeão vamos?

- Sim.

- Não vão onde? Fica comigo. – Ela segura ele.

- Vou ir buscar uma surpresa para você. – Ele diz olhando Ana com os olhos brilhando.

- Ai querido. – Ela aperta ele com toda força. – Não preciso de surpresa, só de ver você já fico bem, e mais tranquila.

- Gosto muito de você Ana.

- Aí para Daniel. – Ela chacoalha a mão como se quisesse chorar. – Eu te amo, agradeço a Deus por você filho, e não se esqueça do que conversamos viu.

- Pode deixar.

Ele beija a bochecha dela e pula da cama, eu aproximo pegando em sua mão e dizendo;

- Fica bem, e não saia daqui em.

Beijo sua mão, ela me puxa abraça, forte, aquele cheiro aconchegante confundindo com o do hospital e diz;

- Não vou estar aqui quando voltar querido.

- Para de falar besteira mulher. – Falo em seu ouvido.

- Vamos pai. – Daniel diz abrindo a porta.

- Já vou, calma. Fique com Deus. – Falo saindo.

- Vão com ele.

Fechei a porta e recebo mensagem do Artur, dizendo estar com Luigi e depois me liga, e frisou, foi um “susto”.

Havia marcado com o Matheus de dar uma carona para a gente, e também eu iria levar meu filho para encontrar com um “desconhecido”.

No carro, durante o caminho, eles foram conversando, Daniel contando da viagem na fazenda e eu no celular conversando com o Artur, por ainda estar assustado com o Luigi.

- Marcos nessa rua? – Matheus vai diminuindo a velocidade.

- Não.... Acho que na próxima, tem um bar na esquina.

- Nunca andei por esse lugar.

- É tem umas casas bonitas.

- Sim.

Comentamos olhando para fora do veículo.

- (...) Aqui, é essa rua, só procurar o número 5.

Matheus estacionou, e quando desci do veículo escuto cachorros latindo;

- Fica no carro Daniel. – Digo olhando ele.

Eu estava com calça jeans e camiseta normal, não caracterizado, mas sim, armado e com distintivo, e Matheus estava em horário de trabalho, ele usava sua farda do batalhão.

- Posso? – Ele aponta para a campainha.

- Sim.

Tocou duas vezes e responderam no interfone;

- Oi.

- Vim falar com Edson, aqui é o Marcos. – Digo próximo.

- Ah sim.

Ele desliga, o portão se abre, mas ficamos parados. O pequeno portão branco se abre e vejo ele pela primeira vez.

Um homem, aparentemente de uns 39 anos, pouco forte, e poucos cabelos, de bermuda e camiseta;

- Bom dia, quem de voces é o Marcos? – Ele pergunta.

- Sou eu. – Estendo a mão.

Ele cumprimenta;

- Não sabia que era policial.

- Sim, sim. Podemos? – Faço o gesto perguntando se podemos entrar.

- Claro, fiquem a vontade.

- Não em cachorro né? – Matheus pergunta.

- Não, não, esses que houve são os da vizinha.

Peguei o Daniel no carro e Matheus entra conosco.

Nós entramos, e percebemos que ele estava sozinho em casa, para não invadir tanto a privacidade dele, ficamos na área de sua casa, que era bem clara e havia uma pequena divisória para se sentar e algumas cadeiras.

- E esse pequeno, é seu filho? – Ele pergunta.

- Sim, meu filho, pega na mão dele Daniel.

E pela primeira vez, ele não me obedece. Daniel estava de cara fechada, ele não estava confortável, desde que entrou ficou comigo.

Eu ne sentei ele ficou do lado segurando minha mão;

- Está bravo, deixa ele.

- Sim. Esse é o Matheus, ele trabalha comigo.

- Prazer cara. – Eles se cumprimentam.

Nesse momento ouvimos alguém bater no portão, e gritar o nome dele;

- Me dão licença, é rápido. – Ele se levanta indo a entrada.

E eu falo baixo com o Daniel;

- Meu filho por favor.

- Não gostei dele pai.

- Daniel mas você nem conhece ele ainda.

- Ele que colocou a Ana lá.

- Desculpem, é meu irmão... – Ele retorna com um cara idêntico a ele. – Edimar são uns amigos, Marcos, Matheus é isso? Rsrs e Daniel.

Todos pegamos na mão dele, cumprimentamos e eu disse todos, até Daniel para rachar minha cara de vergonha;

- Rapaz que susto, quando vi o carro da policia ai fora. – Ele comenta. – Mas aconteceu alguma coisa?

- Não, tudo bem. – Matheus responde.

- Desculpa, mas não está tudo bem. – Eu interrompo.

Eles se calam e me olham;

- Conhecem essa mulher? – Mostro foto da Ana no celular.

Eles pegam e o Edson responde rápido;

- É nossa mãe.

Já o Edimar, olha fica uns segundos com o aparelho nas mãos;

- Quanto tempo tem essa foto?

- Uns sete dias. – Comento.

- Ela está igualzinha antes. – Ele fica aparentemente meio emocionado.

- Como ela está? – Edson pergunta.

- Não muito bem, é uma das razões de eu estar aqui. Ana irá fazer um procedimento cirúrgico bem delicado.

- Aconteceu alguma coisa? – Edimar olha fixo.

- Meu esposo, Artur é médico e em exames de rotina, ela reclamava de uma dor de cabeça, ao investigar descobriram um tumor. Se tudo der certo logo ela entrara para cirurgia.

- E porque não avisaram antes? – Edson me questiona.

- Assim como estou falando, também pegou a gente de surpresa.

- Calma, seu esposo trabalha no asilo? Como assim? – Edimar pergunta.

Ambos estava falando comigo, como se eu fosse o culpado;

- Não, não trabalha.

- Como conhecem ela? – Edson junta as mãos me olhando.

- Estávamos fazendo o papel de vocês, visitando, dando atenção e amor, é o que eles precisam. De abandonados aquele lugar está cheio.

- Não é o que queríamos. – Edimar fala.

- Tenho uma esposa complicada, se é que me entende.

- É e la em casa não tem espaço, eu trabalho muito.

Eles tentam se justificar;

- Ela precisa de atenção, tempo e muita paciência.

Matheus chegou a me olhar nessa hora;

- Vocês dois tem consciência que estamos falando da mãe de vocês né? A que cuidou, trabalhou e sustentou vocês a vida toda.

- Quando eu faço algo de errado meus pais me colocam de castigo, ou me explicam que aquilo não pode, eles não me abandonam. – Daniel diz.

- Vocês tem sorte que encontrei vocês, e tem a oportunidade de ver ela bem, porque aquele lugar é um poço de gente abandonada. Eu trabalho, meu marido trabalha, e meus filhos estudam, tenho 3 para exemplificar bem. E visitamos, trazemos ela para dentro de casa, a pouco tempo viajamos juntos. Fazendo o papel da família, fazendo o papel de vocês.

- Mas vocês tem dinheiro, seu marido é médico, você é policial. Eu sou motorista de caminhão, e meu irmão é vendedor, não temos essa vida boa.

Cheguei a abrir um sorriso, irônico é claro;

- A única coisa que eu e meu esposo temos, que vocês não. É a força de vontade.

- Gente calma! Olha ela não está bem, vão visita-la, depois resolvem isso. – Matheus interrompe.

- Ela está no Hospital Santa Helena, suíte oito do segundo andar. Irá fazer uma ainda cirurgia hoje. – Eu me levanto dizendo.

- Estão indo para lá? Vamos agora. – Edimar diz.

- Sim, estamos. – Respondo.

- Vamos logo em seguida.

Entrei naquele carro, colocando o cinto no Daniel, e ele estava péssimo, de cabeça baixa, mais calado que o normal.

Eu me abaixei, assim ficando melhor no seu campo de visão, e segurei em sua mão;

- Não foi como eu pensei. – Ele fala.

- Escuta, você já fez muito, e foi muito corajoso de vir aqui, agora é com eles, podemos ajudar, mas não obrigar eles meu filho.

- Eu sei!

- Vamos agora para o hospital? Ela pode gostar em ver seus filhos.

- Vamos sim.

- Fica bem, tá.

- Tabom pai.

Beijei sua testa, bagunçando seu cabelo e fecho a porta do carro, entro puxando o cinto, e Matheus questiona;

- Para o “Santa Helena”? – Ele liga o motor.

- Sim.

No caminho o carro seguiu em silencio, a todo momento, eu fiquei olhando o retrovisor, eles estavam seguindo.

Não entendi bem o sentimento de arrependimento ou de frustação, que havia acabado de passar pelo meu filho, como ele mesmo disse, nem eu pensei que seria assim.

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