• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 43

#Marcos

Busquei os meninos a noite na rodoviária, isso por volta de meia noite e vinte, e claro que Daniel estava assustado.

Os levei para casa, comeram algo e dormiram, porque eu fiquei acordado na cama. Artur ficou no hospital essa noite.

Sem ao menos colar os olhos eu fui para a cozinha, lavei a louça durante a madrugada, e deixei as coisas para o café prontas e organizadas.

Peguei um leite, e coloquei para esquentar, para tentar voltar para o quarto.

Parado, de frente ao micro-ondas, escuto;

- Também não está conseguindo dormir.

- Que susto Wilker. – Me viro com a mão no peito.

- Acho que desacostumei da minha própria cama.

- Normal... – Abro o micro-ondas e mostro a ele, questionando. – Aceita leite?

- Não, tem chocolate? – Ele abre a geladeira.

- Acho que não compramos. – Me sento no banco mais alto, atrás do balcão.

Ele pega uma lata aberta de leite condensado, uma colher na gaveta e fica na minha frente na ilha ao meio da cozinha;

- Agora pode falar, que está acontecendo?

Engoli o leite até meio que sem jeito;

- Se prepare Wilker, seu irmão vai precisar da gente.

- Que houve?

- De uma vez, Luigi está mal, muito mal mesmo, e a Ana fez uns exames e descobriu um tumor no cérebro.

- Como assim? Ela estava ontem bem conosco na fazenda.

- Eu sei, e confesso estar meio em choque também. Pegou todo mundo de surpresa.

- Estão errando e muito em não ter falado com o Daniel.

- Vou contar para ele, mas antes vamos fazer uma coisa.

- O que?

- Encontrei um dos filhos da Ana, e marquei um encontro com ele amanhã.

- E Nicole?

Eu respiro e torço meu pescoço;

- Está dormindo na casa da amiga. Mas houve outra crise hoje.

- Serio?

- Sim, mas ela conseguiu se controlar, ela mesmo contou que conseguiu se conter com os sentimentos, ela está ficando mais forte.

- Que bom. Agora vou subir. – Ele mostra a lata vazia.

- Escova esses dentes.

- Beleza.

Bem, eu subi em seguida, mas também, nada de dormir, mal sabia eu que meu dia também seria bem cheio.

Consegui passar o café da manhã sem dizer nada ao Daniel, mas ele era insistente;

- Que vai fazer hoje? – Pergunto ao Wilker.

- Hugo está viajando, Mauricio trabalhando, vou ficar em casa jogando.

- E a gente pai? Cadê o Pai Artur? E Ana? – Daniel já questiona.

- Tenho uma surpresa para você. Vamos para o hospital ver a Ana e o Luigi, e depois vamos conhecer o filho da Ana.

Ele abre a boca, todo entusiasmado;

- Encontrou ele?

- Sim, falei com o Matheus ele vai acompanhar a gente depois.

- Eu posso contar para ela?

- Não, vamos fazer uma surpresa que acha?

- Sim, vamos, pode ser no hospital mesmo?

- Sim, onde quiser.

Terminamos o café, e ele foi se trocar, eu tomei um banho para sairmos.

Ele iria ver seu melhor amigo e sua melhor amiga, sim estava ansioso e curioso, de o porquê ver Ana no hospital.

No hospital o Artur esperava no estacionamento, fui passando com o carro procurando uma vaga e ele de pé próximo a porta.

Parei o carro deixando o Daniel descer, e sigo estacionando o veiculo.

Ao descer percebo que ambos já haviam entrado. A porta do hospital onde fica o estacionamento é direto na sala de espera. Ao entrar vejo o Artur de joelhos conversando com nosso filho.

- (...) Estão bem, mas precisam de uma atenção, e por isso está aqui, por isso filho, que deixou a fazenda e veio dar força aos seus amigos, é o que fazemos, mesmo estando cansados, tristes, enfrentando nossos próprios problemas, sempre ajudamos os amigos verdadeiros, porque quando você precisar, lá eles vão estar, de pé e de mãos estendidas para te ajudar.

- Meu pai Marcos achou o filho dela, vamos fazer uma surpresa. – Ele chacoalha as mãos de Artur.

- Ai meu Deus, que bom filho, mas você me entendeu?

- Sim, pai, entendi, vim dar forças para meus amigos?

- Correto, vamos. – Artur pega em sua mão acompanhando ele.

Eu vou ao lado do meu marido, e ele aperta minha mão com força, me assustei, mas ele estava preocupado, eu vi em seu semblante.

O Luigi estava em um quarto com sua família, foi o primeiro que o Artur levou a gente.

Ele entrou pediu permissão aos pais, conferiu rápido o pequeno e então chamou a gente;

- Podem entrar. – Ele abre a porta.

- LUIGI. – Daniel grita entrando.

Acho que acordando uns quatro quartos ao lado, rsrs. Ele já começou contando de tudo que passou na fazenda, tudo que conheceu e prometendo ao amigo levar ele assim que possível para andar de cavalo.

Daniel pegou o celular de Artur mostrando as fotos e vídeo que fizemos, e eu fiquei ao lado de seus pais conversando;

- (..) Sim ele me disse.

- Artur e Daniel estão sendo anjos, e ajudando muito. – Ela comenta.

- Fizemos outra vaquinha online para conseguir mais uma quantia para continuar o tratamento até o transplante.

- Não sei e nem entendo muito bem o que estão passando, mas essa angustia posso imaginar, por também ser pai. Artur me conta muita coisa, e o que ele sempre diz é, manter a esperança.

- (...) Quando sair o meu irmão disse que vai ensinar a gente a jogar basquete, para substituir ele quando sair.

- Rsrs, vai demorar cara, ainda estamos longe de entrar nos testes do time.

- Mas Luigi vamos ir treinando, quando chegar na idade já estamos craques. Wilker disse que começou com minha idade né pai?

- Fala Daniel! – Artur questiona.

Ele estava aéreo, sem prestar atenção em nada.

- Idade que Wilker começou a treinar basquete amor. – Falo pegando em sua mão.

- Na mesma idade que você meu filho.

- Viu, estamos prontos.

- Mas preciso de um coração novo para voltar a vida normal.

- Você vai conseguir, eu sei, meu pai vai te ajudar.

- Sim, ele está fazendo muito.

- Bom dia, Olha o café da manhã desse campeão chegou! – Diz uma enfermeira entrando.

- Vamos filho, sabe que tem mais uma visita a fazer! – Artur fala com Daniel.

- Eu volto mais tarde. – Ele despede do amigo.

Ao sair do quarto o Daniel comenta;

- Ele está mais magro né pai?

- Sim, mas é o tratamento Daniel, isso é esperado acontecer, mas estamos acompanhando ele, fique tranquilo.

- Onde está a Ana? – Ele pergunta, ao virarmos em um corredor cheio de quartos.

- Logo a frente, e nada de pular na cama, ou subir, ela acabou de fazer alguns exames e deve estar cansada.

- Tudo bem.

Daniel confirma, e Artur abre a porta do quarto, ela olha e a primeira coisa que diz;

- Ah olha quem veio me ver, corre pula aqui. – Ela grita com ele.

- Vamos ser expulsos desse hospital. – Artur fala para mim.

- Deixa eles.

- Como está o Wilker?

- Estranhamente bem.

Ele abre um sorriso, e Ana com Daniel na cama pergunta;

- Já posso ir embora?

- Sabe que não Ana.

- Porque não? – Daniel pergunta.

- Descobriram um tumor na minha cabeça, os amigos do seu pai querem fazer uma cirurgia para retirar. – Ela explica.

Ele olha meio que assustado, meio que perdido e questiona;

- Mas está doendo?

- Não menino, nem sabia disso não. – Ela responde apertando ele.

- É perigoso? – Daniel olha para Artur.

Ele coça a cabeça, atrás da orelha, e se aproxima;

- Sim, é muito, se tudo der certo com o pré-operatório, o procedimento tem que ser feito hoje ainda.

- Qual a chance que eu tenho Artur? – Ela questiona.

Ele sabendo da presença do Daniel, ele indaga;

- Meu colega já te explicou Ana.

- Você como meu amigo pode falar a verdade.

Ele me olha, assim como o Daniel e responde;

- Cinquenta. Cinquenta Ana.

- Isso não é muito, mas também tenho chance.

- Ela tem que fazer alguma coisa?

- Não filho, é só repouso, e se alimentar bem.

- Posso falar com você amor? – Puxo o Artur para fora do quarto.

- Esses dois fazem meu coração derreter. – Ele fala fechando a porta.

- Ana parece uma criança quando está com Daniel. Uma criança amorosa e madura.

- Aí nem me fale amor.

- Vou levar ele agora para encontrar o filho de Ana, acho que já trazemos ele, pode esperar?

- Não sei amor, não depende de mim, aqui só um amigo dela que trabalha no hospital. Ana é paciente do neurocirurgião.

- E pelo Daniel? Você pode?

Ele me olha bravo, e a enfermeira que levou café para o Luigi passa correndo;

- Doutor. – Ela só fala isso.

A mulher corre segurando o crachá que estava em cordão e Artur segue ela, eu olho no corredor, e vejo entrando no quarto do garoto um rapaz, e em seguida ela e Artur.

Fiquei perturbado porque não sou acostumado com aquilo, e muito menos, com Daniel praticamente no mesmo corredor.

Fiquei em choque parado, olhando, vejo mais dois entrarem no quarto.

Eu puxo a porta do quarto de Ana a fechando, e volto ao corredor.

Artur segue empurrando a cama, sendo auxiliado pelos enfermeiros que o ajudavam e levavam alguns aparelhos, eles saem do quarto subindo no elevador. Na cena vejo ele me olhando enquanto as portas se fecham.

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