• @richardsongaarcia

Laços - Capitulo 4 – Crush

Terminei de arrumar meu cabelo, e estava experimentando uma calça que eu tinha solta dentro do guarda roupas, meu pai bate na porta;

- Nicole está vestida?

- Sim.

Ele abre, ficando entre a porta;

- Café está pronto.

- Já vou.

- Outra coisa, quero que peça desculpas para o Wilker pelo que aconteceu ontem.

- Pai ele quem...

- Sem discussão, você sabia que ele não se dava muito bem com esse garoto e o trouxe aqui sem avisar, tem culpa de ele estar de castigo, vai pedir desculpas a ele Nicole.

- Tudo bem.

- Está com medo que te roubem? – Ele aponta para minha roupa.

- Não, porque?

- Desata esse nó do uniforme.

- É estilo.

- Estilo é andar com a barriga coberta, agora desce que já está atrasada.

Depois do café, meu pai deixou a gente no “Olimpo”, como estávamos pouco em cima da hora, entrei direto para sala de aula.

- Me conta tudo dessa treta na sua casa Nicole. – Viviane me puxa, quando sento.

- Depois, te falo amiga. – Respondo olhando o professor olhando.

- Bom dia turma (...) – O Professor de Biologia se senta a frente de sua mesa.

Todos respondemos, ele estava com algumas folhas em mãos;

- A semana de provas está se aproximando, e para adiantar o processo de estudo de vocês, irei pedir um trabalho, uma apresentação (...).

Ele fala e todo mundo já reclama, todos odeiam apresentar trabalho, acho que é requisito para se estudar.

- Ei, Ei, Ei... Serão dez temas, ou até quinze, apresentações de dez quinze minutos a vinte. Irei marcar todas para a próxima semana, isso então significa que passaram o final de semana estudando.

- Meu aniversário. – Falo baixo para Viviane.

- Deixe-me pegar a chamada aqui.... Vamos lá, de baixo para cima, Viviane, e Brenda...

Pronto, ele já começou mal, separando eu e minha amiga, peguei minha agenda, e fiquei esperando ele dizer a pessoa e data para poder anotar;

- (...) Nicole e João Pedro. Em Ecologia.... Vão falar sobre Biomas Terrestres, apresentação no segundo dia de aula, quarta-feira.

Meu Deus!

Sou dupla do garoto mais lindo da sala. Viviane me olha de boca aberta, eu anoto o nome dele, e olho para trás, e João pisca, fazendo um biquinho com a boca, eu respondo só com um sorriso.

O professor começou a explicar que não poderia e tals, e a Viviane sentou do meu lado;

- Filha da mãe, que sortuda.

- Estou tensa amiga.

- Viu a cara da Rafaela quando o professor disse?

- Eu não, estava, mas preocupada com a dele.

- Aí amiga vocês formam um belo casal.

- Cala a boca! – Empurro ela que estava rindo.

O final da aula, todos saindo, eu guardando minhas coisas na mochila, o João chega em mim;

- Nicole!

- Sim.

- Não queria estudar esse fim de semana. – Ele fala sorrindo.

- Eu também não, vou a um show amanhã e não seria legal estudar no domingo.

- Podemos começar hoje, e na próxima semana, que acha?

- Por mim tudo bem.

- Pode ser na sua casa? Estou na casa do meu tio, meus pais estão reformando a nossa, é só pó e tinta para todos os lados.

- Tudo bem, pode sim. Te mando o endereço.

- Ok, tem meu número no grupo da sala. Até.

- Até.

Eu vou casar com esse menino, rsrs.

No caminho para a próxima aula, contei umas quarenta vezes a Viviane o que ele disse, rsrs, ela estava mais animada que eu, com esse trabalho.

Já entrando na próxima aula, ela questiona;

- Avisou seu pai?

- Ai meu Deus, tenho que falar com ele... Acho que Artur vem me buscar hoje. – Falo procurando o celular na bolsa.

- E as dores de cabeça passaram amiga? – Viviane puxa a cadeira se sentando.

- Sim, mas ontem voltou, com aquela bagunça lá em casa, tinha que ver a cara da minha avó.

No intervalo liguei para meu pai;

- Oi.

- Pai, é o senhor que vem me pegar no colégio hoje?

- Nicole sim, mas você tem consulta hoje.

- Ai não...

- Que foi?

- Tenho que estudar para um trabalho de Biologia.

- Fala com o Artur, ele conversa com a Alexia.

- Tudo bem, beijo te amo.

- Também te amo.

Liguei para o Artur e quem disse? Pensa em um cara teimoso, ele colocou na cabeça que eu precisava ir. Pedi ao menos que adiantasse o horário.

As outras aulas foram normais, levei uns papeis para o Ícaro que ainda estava na cola do meu irmão.

Gente no colégio todo mundo só falava dos dois, a fofoca era que ele estava usando meu irmão para poder ganhar nos jogos, isso foi o time de basquete que começou falando.

Bem direto para a consulta, conversei muito com a Alexia, ela fez muitas perguntas, e o final me surpreendeu na verdade, ela veio com uma surpresa, infelizmente pouco assustadora;

- Então?

- Terminamos.

- Ótimo tenho que ir para casa estudar. – Me levanto pegando minha mochila.

- Nicole... Irei pedir ao Artur que procure um psicólogo.... Um amigo nosso de confiança.

- Mas porquê?

- Com esses novos episódios, de dores de cabeça, e dores abdominais, nada foi apontado nos exames, e querida, você está saudável! Minha opinião é que possa ser algo psicológico que possa estar influenciando.

- Mas eu estou bem.

- Sim, não estou dizendo que não está.... Não é algo a se preocupar agora, vai para casa, estuda aproveite seu dia amanhã, depois conversamos melhor sobre isso.

- Tudo bem.

Quando eu sai, ela não chamou o Artur, então seguimos para casa, meu pai ainda trabalhando, falei com o João, que estava a caminho.

Arrumei meu quarto, tirando roupas do chão, cama, e cadeira, apertando tudo no guarda roupas, deixando as coisas tudo organizadas, ou ao menos tentando. Quando o interfone da portaria chama.

Artur atende e eu desço as escadas, esperando ele. Foi a irmã dele quem o trouxe, ela falou com o Artur, que se prontificou de levar ele em casa, e entramos, subindo.

- (...) Seu pai é um cara legal.

- Não ele não é meu pai.

- Não?

- Não, meu pai está trabalhando.

- E ele?

- É o namorado dele.

- Oi? – Ele fala surpreso.

Eu olho estranha para ele, e abro um sorriso;

- Brincadeira... é amigo da família. – Falo abrindo a porta do quarto, conferindo ninguém ouvir eu falar essa merda.

Pessoal, entramos e ficamos ali no canto mais conversando do que estudando, e a todo momento Viviane mandando mensagens.

Depois de um tempo, escuto meu pai conversar nos corredores, gente ele abre a porta do quarto, e estava fardado;

- Nicole o Artur disse que.... Quem é seu amigo? – Ele sobe uma das sobrancelhas.

- Pai esse é o João, estuda comigo, estamos estudando para um trabalho do colégio.

- Marcos. – Ele estende a mão.

- Prazer senhor.

- Trabalho sobre?

- Biologia, Biomas Terrestres.

- Tudo bem, depois conversamos, querem comer algo?

- Não obrigado.

- Porta aberta nessa casa Nicole. – Ele fala saindo.

- Caralho não disse que seu pai era Policial Civil.

- Sim, Segundo Sargento se não me engano.

- É muito louco.

- Sim, mais ou menos.

Depois de terminar, eu tomei meu banho e fiquei horas falando com a Viviane no celular.

Pouco antes do jantar eu desci as escadas, sentindo aquele cheiro, e escuto meu pai e Artur conversando;

- (...). Ela disse ou não ser sério?

- Não, Marcos, é uma suspeita, não custa nada.

- Fiquei preocupado Artur...

Eles pararam de falar pois entrei na cozinha, nem me dei conta de que poderia ouvir eles.

- Ei, Nicole! Adorei seu amigo. – Artur chega no balcão.

- Rsrs’ tira o olho.

- Uh estão ficando?

- Artur? – Meu pai fala sério. – Estão Nicole?

- Não pai, somos somente amigos.

- Você gosta dele? – Artur fala com um sorriso no rosto.

- Ele é lindo, mas não tem olhos para mim...

- Ei pode parar com esse pensamento, qualquer um teria sorte de ter você como namorada garota. Você arrasa, bate aqui.

- Eu acho que vocês estão muito animados! Concordo com Artur filha, e mais ainda de namorar depois dos 16 anos.

- Qual sua idade no primeiro relacionamento Marcos?

Meu pai sorri, e me olha;

- Acho que doze.

- Ah e eu não posso?

- Não.

- Homem ou mulher?

- Mulher, com homem foi com dezessete.

- O Leonardo? – Pergunto.

- Sim.

- Ah seu primeiro amor?

- Sim.

- Vi ele no shopping outro dia pai.

Gente Artur me olha com uma cara;

- Serio? Ele estava morando em Brasília!

- Como sabe que ele estava morando em Brasília Marcos? – Artur já muda o tom.

- Facebook amor, Facebook.

- Hoje, de hoje não passa, vou entrar na sua conta e fazer um limpa.

Enquanto eles cozinhavam, o Wilker chegou, subindo direto para o quarto, e fiquei na minha, pois ainda não estava pronta para chegar e falar com ele, no caso, pedir desculpas.

Logo em seguida, minha avó com o Daniel, eles estavam assistindo um filme no quarto dele.

Noite de sexta-feira normal aqui em casa, mas no dia seguinte, era meu aniversário, finalmente quatorze anos.

Acordei no sábado com a janela do meu quarto sendo aberta, e todo mundo lá dentro gritando;

- SURPRESA.

- PARABENS NICOLE.

Mano eu olhava todo mundo, e sem querer ver a armadura que meu cabelo estava.

Artur trouxe meu café na cama, tudo que eu amo, panqueca com mel, suco de morando, uva, ai perfeito.

Daniel sentou comigo na cama, e os presentes. O primeiro o Wilker, ele me deu uns fones de ouvido;

- Para não pegar mais os meus. – Ele entrega rindo.

- Aí obrigada. – Abraço ele.

Ganhei um colar de ouro do Artur, um par de brincos maravilhosos da minha avó. O Daniel personalizou uma capinha para meu celular, que ficou a coisa mais fofa do mundo.

E meu pai entrega um envelope rosa, era entradas para o camarim do Now United no show dessa noite.

- MEU DEEEEEEUS! – Eu dei um grito tão alto.

Pulei da cama abraçando ele, e depois claro, comecei a chorar como uma boa adolescente que sou.

Somente o Daniel e minha vó ficou comigo no quarto, tomando café. Artur foi ao hospital, pois iria trabalhar até a tarde, meu pai foi trabalhar, e o Wilker, acho que iria passar o dia com o Dimitri só retornaria a noite.

Depois do café me arrumei, pois iria almoçar no shopping com a Viviane e a mãe dela.

Daniel ficaria com minha avó essa tarde. Bem depois de sair com elas, eu contei tudo sobre o dia anterior, de ter o João Pedro na minha casa.

Depois do almoço, eu e Viviane estávamos na fila para comprar um Milk Shake, e falo baixo para ela;

- Amiga tenho que te contar uma coisa que eu fiz.

- O que?

- João perguntou do Artur, e disse que era namorado do meu pai... aí ele fez uma cara, e eu desmenti, falando que era só amigos.

- Você mentiu na verdade ne Nicole.

- Aí, e agora, que eu faço?

- Conta logo para ele amiga, se seu pai descobre te mata.

- Acho que João não vai ligar para isso, vamos fazer esse trabalho e ele volta para a Rafaela.

- Eu não sei, se fosse eu contaria amiga.

- Vou contar, na segunda-feira.

- Ótimo.

Durante o decorrer do dia recebi várias mensagens de parabéns, algumas estava repostando no meu Instagram, e outras agradecendo no whatsapp.

Até João mandar a dele, simples, rápida, e bem fofa. Ele tem a voz “leve” e ficou meio que sem graça ao mandar o áudio.

Artur me buscou na casa da Viviane que era caminho;

- Ansiosa?

- Muito, fiz as unhas com a Viviane e não estou me aguentando.

- Rsrsrs, que horas elas vão sair?

- Acho que as oito, calma vou confirmar. – Pego o celular.

Cheguei em casa e fui correndo para o banho, e arrumar meu cabelo.

- Nicole! – Artur bate na porta do banheiro.

- Oi?

- Desce e come algo para sairmos, não sabemos o tamanho da fila que iremos encontrar.

- Tudo bem!

Coloquei uma roupa qualquer e desci, minha avó e Artur estavam comendo na mesa. Fiz um prato acompanhando eles;

- Vó como está a venda dos salgados?

- Ah filha estava indo bem sabe, até minha geladeira queimar.

- Serio? – Artur fala.

- Sim, como iria fazer essa viagem, aproveitei para avisar meus clientes.

- Falou com o meu pai?

- Sim, ele disse que vai resolver.

Eu nem comi direito e subi para terminar de me arrumar. Quando desço as escadas o Wilker chega, deixando a porta aberta para a Viviane entrar, já desço as escadas gritando, rsrs.

Preparando para sair o Artur chama o Wilker para conversar;

- (...) Nada de festa, reunião, amigo, é você sozinho com seu irmão. Dona Violeta logo vai dormir, o máximo é jogar no seu celular.

- Que horas chegam?

- Rsrsrs, não vou dizer. Seu irmão jantou cedo, prepare um copo de leite para ele tomar antes de dormir, e não apague a luz do corredor, ele não dorme no escuro.... Está me ouvindo Wilker?

- Sim, pai.

- Qualquer coisa me liga, ou envia mensagens, o Marcos também está com celular. Ele chega por volta de duas da manhã.

- Ok.

O que dizer dessa noite? Desse show? Poder encontrar eles, tocar, tirar fotos. Pena meu pai não poder estar aqui, foi um momento magico.

Curtimos muito o show, Artur deixou a gente ficar até o último momento, podendo sair só no final.

Chegamos em casa por volta das 4 da manhã, todos os três exaustos, mas eufóricos.

Domingo eu passei a maior parte do dia dormindo é claro.

Postei tanta coisa no sábado, para passar inveja em minhas amigas e conhecidos no colégio.

Quando desci par ao café da manhã na segunda, meu pai entrega a xicara de café falando;

- Hoje terá uma consulta com a psicóloga de confiança do Artur e da Alexia ok.

- Tudo bem.

- É só falar a verdade, e não ter medo, assim ele pode ajudar você e Alexia a saber se suas dores de cabeça são psicológicas tudo bem.

- Sim, pai, tudo bem.... Você me pega hoje no colégio? – Pergunto a Artur.

- Não filha, Marcos vai, tenho algumas cirurgias para essa tarde.

Cheguei naquele colégio “desfilando” para minha aula de biologia, o professor liberou a aula para estudarmos para o trabalho, então o João se sentou comigo.

A todo momento sua ex a Rafaela olhava para a gente, e ele sem dar bola, eu me achando ali.

- João posso perguntar algo?

- Fala.

- Porque você e a Rafa terminaram?

Ele deixa a caneta, dá uma olhada para ela, que não olhava no momento;

- Ela é muito ciumenta, e não é muito meu estilo.

- Entendi.

- Porque a pergunta? – Ele abre um sorriso.

- Só curiosidade, pois ela fala par todo mundo que terminou com você.

- Deixa ela, ainda me manda mensagem querendo voltar.

- Serio, sim.

- Mas você responde?

- Não, estou de olho em outra pessoa.

Eu fico em choque;

- Mas não sei se essa pessoa também está afim. – Ele fala olhando para minha boca.

- Porque não pergunta a ela?

- Tenho vergonha, e ela também é bem reservada.

Abro um sorriso e ele aperta minha mão, gente ele iria me beijar se não fosse a sirene do fim da aula tocar, eu iria ter a experiência do meu primeiro beijo, ali, na sala de aula, frente a classe inteira.

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