• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 35

Do outro lado se via as luzes, as pessoas e conversas longe, nós andando no escuro, cansados, sujos, mas felizes;

- (...) Não tem um responsável aqui?

- Tem primo, mas ele está na cidade, então ajudamos com o possível entende.

- Tem problema quando acontece isso, do Malandro ter fugido?

- É descuido, as vezes eles foram almoçar e o boi passou, é prejuízo mesmo sabe, e o Vô tem um carinho pelos animais. Assim como a gente.

- Você faz isso o dia todo?

- Tiro leite logo cedo, “apartamos” as vacas.

- Que?

- Levamos elas de volta para o pasto, tem os serviços da fazenda, hoje já cuido das plantações, tem muita coisa pra fazer, e controlar.

- “Seu Francisco” participa, ou fica mais em casa?

- Nada, é um velho teimoso, está metido em tudo, agora quieto por causa do meu tio, ele não falava em outra coisa.

- Marcos não fala muito dele.

- Problemas, normal.

- Isso é a cara dele, sabe a fazenda, os animais...

- Sim, mas ele escolheu a cidade, e criou a vida longe da fazenda, o Vô fica mal por isso, mas pelo jeito sobrou para mim.

- É percebe-se que está apreendendo tudo.

- Um dia será tudo meu primo, tenho que cuidar para minha família.

- Sei bem como é ter tudo nas costas.

- É tipo isso.

#Artur

- “Seu Francisco” meu filho tem medo de aranha, acha que vai saber se cuidar a noite no mato?

Eu estava desesperado com o Wilker sumido;

- Amor calma, ele está bem, Bento é responsável.

- Não dá para ficar calmo Marcos.

- Meu filho conhece isso aqui como a palma da mão Artur, fica tranquilo. – Alzira comenta.

Daniel e Nicole no banho, a Ana, se trocando, eu na área com Francisco, Alzira e Marcos.

Ela e o irmão preparando o jantar com a cozinheira e careca com meu filho no escuro perdido.

Não se via mais nada além das luzes da casa, um barulho alto de grilos na represa próxima, e alguns animais, nada além disso. Até ouvir o latido dos cachorros.

Me levanto da mesa, e fico de pé olhando, as luzes aos poucos vão iluminando os dois.

Meu Deus!

Wilker estava sujo, sem camisa, e a cara de cansado;

- Onde estavam? – Falo bravo.

- O Malandro fugiu de novo Vô. Fui buscar ele. – Beto fala tirando a bota.

- O que eu falei garoto? Aquele boi não é para ficar perto, é um bicho traiçoeiro.

- Ele laçou, e ainda veio montado. – Wilker diz rindo.

- E você, que estava fazendo? Porque não enviou mensagem? – Falo pegando a sua blusa.

- Pai, como?

- Ah eu esqueço, meu filho.

- Preciso de um banho, estou todo assado do cavalo.

- Gostou? – Marcos sorri.

- É muito foda. Mas quero tomar um banho, comer e dormir – Wilker tira o sapato.

- Dorme que amanhã vamos tirar leite. – Bento diz entrando.

Marcos começa a rir e eles entram, eu fico parado com a camiseta do Wilker olhando para eles;

- Que foi? – Alzira pergunta.

- Nunca vi meu filho assim, que aconteceu com ele.

- Rsrsrs, deixa de exagero. O garoto está conhecendo algo novo, e isso faz bem para ele. – Marcos diz.

- Você já viu ele assim? – Aproximo dele.

- Sujo?

- Marcos, ele está diferente, feliz, sei lá.

- Só eu que não estou entendendo nada? – Alzira fala.

- Artur é exagerado. Cria o garoto mimado demais, deixa ele, sujar, aproveitar e curtir, sabe que não queria vir, e agora está ficando até a noite por aí, ele já é quase um homem. Relaxa.

Os meninos tomaram banho e ficaram brincando nas redes da área até servir o jantar.

Eu me sentei ao lado do Marcos, e de Ana, eu sim, já tive vários jantares em família, mas esse estava tão especial;

- (...) A gente foi muito rápido, ainda bem que ela me segurou. - Daniel conta.

- Foram até onde? - Seu irmão Pergunta.

- As vacas, tem um mooooooonte, só não chegamos perto eu fiquei com medo né Ana!

- Sim, filho.

Jantamos, e todos se prepararam para dormir, pois ficavam repetindo para a gente que o dia aqui começa cedo.

Wilker e Daniel já de agenda cheia para o dia seguinte, coisas para fazer, lugares para conhecer.

Deitamos antes das 20:30 da noite, agora imaginam eu acostumado a dormir meia noite. Demorei horrores para pegar no sono e não dormi direito, sou muito fresco para dormir na casa dos outros, demoro me acostumar com a cama.

Foi assim que acordo na madrugada com passos e a voz de Daniel.

Me levanto e ele estava no corredor, de roupa trocada e tudo;

- Vai onde menino, essas horas?

- Vamos tirar leite.

- Mau Deus.

Tudo escuro, a casa, ao lado de fora era como noite.

Voltei para deitar, fiquei mais uns dez minutos acordado e resolvi levantar. Me troquei e ao sair, a Alzira estava pegando um pequeno balde de alumínio e um pano, beeem branco;

- Bom dia. - Falo colocando um casaco.

- Bom dia, dormiu bem?

- Não, demoro acostumar com a cama. Vai onde?

- No curral, eles demoram trazer o leite do queijo, e quero fazer um bolo e pão de queijo para tomarem café. Vamos?

- Sim.

- Pega essa garrafas e copos, por favor.

Levamos uma garrafa de café para eles e copos, o Curral ficava perto, para quem não entende.

É o local onde eles separam o gado. No caso as vacas para tirar leite e é feito sempre muito cedo, quanto mais gado mais cedo tem que se acordar. Na fazenda eles estavam de pé antes das quatro da manhã.

Eu e os meninos no caso levantamos as 4, quando chegamos tinha os funcionários, muitas e muitas vacas, algumas com um maquinário específico, e outras manual.

Bento estava com os meninos e Ana, Alzira aproxima dele;

- Me ajuda aqui, preciso desse balde. - Ela fala trocando.

Pega o balde que ele havia acabado de tirar e entrega o vazio.

- De pé essas horas Ana? - Falo abraçando ela de lado.

- Estou igual ao Daniel, tenho que aproveitar cada segundo, rsrs.

- Vai primo. - Bento se levanta e Wilker se abaixa.

Ele segura nas tetas da vaca e faz o mesmo movimento que o Bento, mas não sai nada;

- Mais forte. - Alzira fala.

- O movimento eu te ensinei, coloca força. - Bento complementa.

Wilker faz o que mandam e consegue então a façanha. Ele abre um sorriso, todo orgulhoso, e Daniel de olho brilhando do seu lado;

- Deixa eu. - Ele fala.

Ele se aceita, coloca o balde no lugar, entra as pernas do Wilker ele segura;

- Está quente. - Ele fala.

- Coloca força. - O irmão diz.

- Tá saindo leite, rsrs. - Daniel começa a rir.

Me fizeram fazer o mesmo, insistiram daquele jeito né. Me sentei, o Bento foi do outro lado e mostrou, e então eu segurei, apertando e fazendo o movimento de cima para baixo, tinha realmente que fazer bastante força, mas consegui tirar leite.

Para não atrapalhar e atrasar eles, afastamos. Só Wilker que ficou com o Bento, pois conseguia fazer com mais rapidez.

Alzira pegou um copo, colocou café e entregou a Bento, ele completou de leite e me entrega.

Como se houvesse acabado de sair do micro-ondas, não me lembro de ter bebido leite tão gostoso na vida, bem encorpado, e forte, você consegue sentir o quanto ele é "gorduroso". É maravilhoso.

- Me ajuda Artur? - Ela entrega o balde.

Ana volta com a gente e Daniel fica com o irmão, nós três voltamos para a casa, Alzira iria fazer um bolo de fubá, no caminho Ana disse que iria fazer um pão de queijo. E eu fiquei na minha, só iria ajudar.

No meio da conversa, minha cunhada entra em assuntos delicados, mas com inocência;

- Somos em 6 irmãos, eu sou a do meio ali, nem mais velha nem mais nova.

- Minha mãe teve cinco filhos Ana, ela perdeu 3, todos no início da gravidez ou quando nasceram. Ficou eu e o Marcos. Mesmo sendo só nos dois, somos unidos sabe, mas todos têm suas obrigações.

- Eu entendo, até queria poder morar com irmãos, mas perdi quase todos, ficou eu e o mais novo. A vida, Deus está com eles.

- Nossa que massa linda. - Alzira aproxima olhando a bacia. - Faz muito na sua casa Ana?

- Não mulher. Moro em um asilo de idosos.

- Não sabia, mas podem sair assim?

- Sim. Podemos.

- Foi opção sua?

- Também, eu morava com um dos meus filhos e sua esposa não gostava muito de mim. Achei melhor também sabe? Não atrapalhar.

- Me desculpe, mas se Bento fazer isso comigo por causa de mulher, eu com sessenta anos desço-lhe a mão.

- É acho que meus filhos também não fariam tal coisa. – Comento.

- Eu também pensava assim, mas escutem, nós criamos eles para a vida, a vida que vai terminar de educar e ensinar coisas que em casa não conseguimos. Eu estou bem no asilo, aquele lugar me trouxe até aqui. Conheci essa família iluminada.

- Para, eu fico todo sem graça, rsrs. – Sorrio abraçando ela. – Você faz bem para a nossa família e amando meus filhos, eu já te amo.

- Ainda não sei qual a missão de Deus ter colocado vocês na minha vida, ainda mais agora. Mas sei que é importante e algo grande.

- Daniel fala de você com uma alegria no coração, e um amor.

- É um garoto de luz.

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