• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 34

#Wilker

Mano eu julguei e paguei “língua”, que lugar foda, a casa era como de novela, aquelas antigas, e modernas ao mesmo tempo, uma área grande, arejada e fresca, que percorria ao redor todo, com algumas redes de dormir espalhadas.

Em frente os coqueiros altos que ajudavam nas sombras, ao lado uma área de piscina e churrasqueira, que aparentemente não era usada a tempos, com mesa de sinuca e tudo mais.

Por dentro, de limpeza impecável, mesa grande mas eles usavam a próxima ao fogão de lenha, uma de madeira que poderia sentar a família inteira que ainda havia espaço.

Quartos separados, e bem arrumados, quase um hotel.

Depois de me trocar, tirar tênis e calça, vou com meu pai, o Francisco e Daniel atrás da residência. Onde havia um pomar.

Caralho.

Era muita fruta, no fundo uns pés de manga muito altos, goiaba, amora, laranja, limão, tamarindo, era muita coisa. E logo que entramos uma horta, toda verde e brilhante, eu estava até assustado;

- (...) Francisco essa tarde ou amanhã pode ser.

- Artur hoje não vai dar, tenho uma equipe com os cavalos, e a turma cuidando da plantação e tive uma cerca estourada, estão todos espalhados.

- Pode ser por etapa também, atendo todos eles, sem problema Francisco.

- Que bom filho, seria bem melhor assim. – Eles vã conversando atrás.

Eu ajudando meu irmão a subir no pé de goiaba, e a Nicole se aproxima com o celular;

- Que tamanho tem essa fazenda? – Pergunto a Francisco ao se aproximar.

- Uns 319 alqueires filho.

- E animais?

- Olha de gado por volta de 150 cabeças. Tem porcos e galinhas que não sei ao certo.

- Aqui tem só Soja, vô? – Nicole pergunta.

- Soja, Milho e café.

- E cavalo. – Daniel completa.

- Temos uns 23 cavalos, quer dizer, vinte e quatro essa manhã, rsrs.

- Mas a plantação é imensa né Francisco. – Meu pai comenta.

- Artur são 168 hectares de soja plantados agora, estamos preparando a outra parte para o milho que está chegando a estação, e o café. Mas a maior parte da propriedade é para as vacas né.

- Aquelas casas são do senhor. – Aponto para duas à vista.

- Sim, são 3 casas para funcionários.

Voltando eu aproximo do meu pai e comento;

- Puta merda é muita coisa...

- Rsrsrs, é muito dinheiro que roda nessas terras Wilker, muito.

- Sim, eles aproveitam tudo, desde criação a plantação, são muito inteligentes.

- Ele é inteligente. – Meu pai aponta par ao Senhor Francisco.

Quando voltamos a Ana estava ajudando a colocar a mesa, e meu Deus, que era aquilo...

Tinha arroz branco, dois tipos de feijão, uma farofa, carne de vaca, frango, porco e peixe frito, e literalmente uma bacia de salada, e outra com alface.

Cheguei naquela mesa e minha irmã comenta;

- Meu Deus minha dieta foi para o saco.

- Não é só a sua, não. – Eu me sento.

Nem o melhor restaurante, nem a melhor churrascaria da cidade se aproximava daquela comida. Fiquei com vergonha o quanto eu comi, serio!

Depois do almoço, eu praticamente morri em uma das redes, que vida, que brisa, o tempo ficou pouco nublado e o Marcos chamou a gente para ir ver os cavalos, era o que o Daniel estava com mais curiosidade;

- Vamos Wilker. – Ele chama.

Eu que estava deitado na rede, me levanto;

- Você leva primo! – Bento joga a chave da picape.

Mano os caras colocam para trabalho na roça, uma Ford Ranger automática, ela estava muito suja é claro.

- Na hora. – Pego a chave todo feliz.

- Wilker cuidado, pelo amor de Deus, seus irmãos vão aqui atrás. – Marcos fala subindo na carroceria.

- Eu vou aqui dentro, segura e confortável. - Ana entra colocando o cinto.

- Você não tem nada na cabeça né Marcos, Wilker dirigindo e você coloca Daniel e Nicole aí atrás. – Meu pai fica muito bravo.

- Relaxa pai!

Bento entrou do meu lado e indicou o caminho;

- Onde liga isso? – Procuro no painel.

- Sangue de Cristo. - Ana faz o sinal da trindade.

A gente começa a rir e ele aponta;

- Aqui primo! – Ele mostra no painel.

- Segura. – Grito com eles.

Mano Marcos é louco, foi mesmo na carroceria.

Sai com cuidado até sentir o carro, e Bento foi explicando o lugar, que não era longe, só uma coisa, eu estava passando em buracos e não sentia nada dentro dela, e também estava tomando cuidado. A única coisa que eu ouvia era a risada de Daniel atrás, ele gritava.

- Ali, acelera. – Bento mostra um espelho de agua.

- Tem certeza?

- Vai cara. – Ele grita.

Acelerei e o Marcos gritou lá atrás, não consegui entender muito bem, passamos na agua que subiu alta até dentro da cabine, gente molhou tudo!

- WILKER eu te mato. – Nicole gritou lá atrás.

Mas eu estava importando com Marcos e Daniel rindo, da cena. Foi demais. Ana soltava umas gargalhadas no banco de trás, ainda bem que ela foi só respingos.

Como disse era perto, só atravessar um tipo de rio que havia;

- Que rio é esse? – Pergunto estacionando.

- Não é rio não primo, é um Açude.

- Que?

- Açude, onde que represa a agua, para animais, plantação, mais utilizado na seca sabe. – Ele fala saindo do carro.

- Nossa que foda, jurava que tinham um rio na frente da residência.

- É por esse pensamento.

- Me dá isso. – Marcos pega a chave do carro.

Gente eles estavam molhados, e só Nicole suja,com barro na roupa.

- Eu acabo com você, vai ter volta. – Ela fala brava.

Daniel de olhos arregalados e brilhantes vai correndo. Não era um galpão mas era grande, e tinha algumas pessoas trabalhando, dando banho em cavalos, cuidando das celas, alimentando eles, essas coisas, e que animais lindos pra porra, meu Deus.

- João tira o “Raio, o Rubi e a Channel” vamos dar uma volta. – Bento fala entrando.

- Sim, senhor.

Um senhor de idade e um rapaz tiram os cavalos e colocam do lado de fora, Marcos vai com o Bento a um espaço no fundo;

- Wilker ajuda aqui. – Ele chama.

Era o local onde guardavam as celas para montaria, o Bento mostrou qual pegar específica para o cavalo que eu iria montar, tamanho essas coisas, ele explicou ao Marcos como funciona ,mas eu estava olhando os animais.

Eles ficavam enfileirados, olhando a gente passar, havia para todos os gostos, brancos negros, marrom, rajados.

Pessoal o cuidado que eles tinham com o animal, o carinho, era FODA. Bento tinha seu cavalo o tal Trovão, eles sempre tem esse tipo de nome. Colocando a cela no animal ele conversava, e tipo, contando apresentando a gente. Levou o Daniel que passou a mão, fez carinho.

Ele estava arrumando seu cavalo e eu imitando, depois ele veio e ajeitou tudo.

O meu cavalo era o tal Raio, todo branco, estilo abalo de novela e só de estar esses minutos com ele já fiquei fascinado, aparentava ser calmo e forte.

Bento passou as fivelas apertando e deixando bem presas, era possível ver a força de seus braços segurar. Ele tira o excesso de suor da testa e me olha;

- Já andou antes?

- Não.

Eu olho para trás e Ana já em cima de um cavalo e Marcos colocando o Daniel junto com ela;

- Você sabe? - Olho para ela

- Sim, tem muito tempo, mas é como andar de bicicleta. - Ela fala saindo.

A Channel a égua que Ana estava sai literalmente desfilando, seus cascos batendo no chão de cimento batido. Marcos e Nicole estavam a frente esperando a gente;

- Sobe primo. - Bento intimida.

Mano sem pensar eu subo nele, que faz um movimento para trás lentamente, acho que se acomodando.

- Quando você puxa ele. Para... - Bento segura firme em minha mão as rédeas. - Se puxar muito ele anda para trás. Se chacoalhar ele anda e se fazer isso e junto os pés ele vai correr, para os lados é você quem comanda. Nunca, nunca bate com os pés na barriga do animal, e desrespeitoso com ele.

- Puxa para, lado esquerdo direito, chacoalha frente. - Repito fazendo os movimentos.

- Pés sempre presos. Estou com você primo. - Ele bate em minha cintura.

Eu ali com medo e Bento corre pulando em seu cavalo, eu já não tinha visão de Marcos e Nicole, saímos do estábulo eu ainda duro, e lento, pegando o jeito, e ele passa do meu lado com um embalo diferente.

O local que seguimos é ao lado desse açude, que seria uma represa no caso. Vamos seguindo pasto a dentro e Bento diz;

- Pode ir mais rápido, acho que está pronto.

Escuto ele, olho e vejo o ligar mais plano e faço o que me foi ensinado, o Raio inicia uma caminhada mais rápida, me fazendo cavalgar sobe ele.

Então a frente vejo a Ana com Daniel, o cavalo deles estava bebendo água, em uma pequenas montanhas frente, ainda na propriedade Marcos a todo vapor, ele sim sabia o que estava fazendo, Nicole mais lenta, assim como eu.

Eu todo me achando lá e Bento passa do meu lado, muito rápido, acho que o Raio não compreendeu e começou a acelerar, a seguir ele.

Mano que medo do caralho, as cavalgadas eu pulava alto, e segurava com força, pois chacoalhava com muita força e instabilidade zero. Soei nesse momento, a única coisa que eu via era Ele na minha frente gritando algo.

Paramos de frente a um rio, eu estava sem fôlego, o cavalo todo alegre, sei lá, acho que estava realizado em me passar medo;

- Não sabia que você cavalgava Wilker. - Marcos chega atrás.

- Nem seu sabia. - Falo soando.

- Haha, pela primeira vez você foi foda. O Raio gostou de você em. - Bento chega do lado, passando a mão nele.

O Raio soltava umas respiradas fortes;

- Vamos voltar? - Marcos pergunta.

- Vou levar eles na cachoeira. – Bento diz, com seu cavalo fazendo movimentos com as pernas.

- Vou convencer o medroso do seu pai... Filha vai com eles?

- Não preciso me trocar.

Nicole e Marcos voltam, e Bento diz;

- Vamos? - Ele direciona para o Rio.

- Mas vai entrar com ele?

- Sim a ponte fica longe, vamos.

- Mano tem certeza?

Ele faz sinal com a mão e entra com seu cavalo na água, mano o cara estava atravessando um rio montado, eu fiquei com o cu na mão de ver. Mas o Raio já estava seguindo seus próprios gostos, pois ele foi seguindo.

A água não era gelada, mas estava forte quando senti ela na altura do joelho queria voltar. Mas ele não, meu coração disparado e o cavalo dando uns "trancos", pulando e forçando ao máximo que podia. Até a água cobrir seu corpo, chegar em meu quadril, ele já saiu com velocidade, atrás de Bento.

Subimos mais um pouco, até ter uma vista alta de tudo, toda a propriedade, os arredores, caralho que vontade de estar com meu celular;

- Vai até onde? – Eu aponto para o horizonte.

- Aquelas arvores... – Ele mostra.

- Puta que o pariu, é muito grande.

- Sim. E aí, vamos na cachoeira hoje?

- É longe?

- Um pouco.

Ele sobe no cavalo, eu chego ao lado do Raio e ouvimos um barulho, era cavalos se aproximando, tinha galhos de arvores quebrando e o Bento diz;

- Sobe aí primo.

E sai dois caras do mato, em cavalos mais escuros, eles vieram rápido e segurando os chapéus, eles faziam barulho de esporas se aproximando;

- Patrãozinho, o “Malandro” escapou, pela cerca da plantação.

- Meu vô vai ficar uma fera, tem que concertar aquela cerca. – Bento diz apertando o chapéu na cabeça.

- Consegue voltar primo? – Ele me pergunta.

- Acho que não, posso ir com vocês?

- Sim.

Os caras mano, aceleraram na frente e eu fiquei por último e claro, com uma distância, mas consegui acompanhar eles, até pensei ter me perdido.

Passamos entre umas arvores e riacho, até chegar no pasto, onde fica as vacas, passamos cortando o gado, e depois por porteira, passando entre a plantação de café, eram corredores gigantescos e assimétricos.

No fim era possível ver um carro e algumas pessoas trabalhando nas cercas.

Os caras pedem a direção e seguimos subindo entre uns cascalhos e próximo a cerca. Então vimos o tal “Malandro”.

Era um boi grande, preto com marrom, dava medo de ficar perto.

- O laço. – Bento estica a mão para um dos caras.

Eles fazem um cerco com distancia de uns cinco metros, o Malandro ficava rodando de um lado para o outro bem devagar. Bento assuma a corda, e fica seguindo os movimentos dele com o cavalo.

Uma jogada e o laço fica sob a cabeça dele, não desce, mas o animal fica parado. Bento pula do cavalo e vai aproximando, devagar.

Fiquei com medo olhando a cena, muito mesmo;

- He boi... Calma Malandro. Calma. – Ele aproxima com joelhos flexionados e mãos esticadas.

- Vai sair esse laço Bento. – Fala o rapaz.

Ele se aproxima abre o laço que desce lentamente pela cara do animal, e então ele aperta, depois passa duas vezes e puxa levantando. O Malandro tinha uma argola no nariz;

- Vou pegar ele pela argola, tenho coragem de pegar só no laço não. – Bento diz.

Ele abaixa e passa a corda dentro da argola, só assim todos ficam mais tranquilos.

Mano o cara me entrega a corda do seu cavalo que vai me acompanhando e Bento simplesmente sobe no boi.

Faz o cabresto e monta o animal. Por segurança vamos escoltando ele. Os dois caras ficam depois que entramos pela cerca para olhar se ele danificou a propriedade vizinha.

Chegamos com o sol posto! Um escuro disfarçado de claridade, ele deixou o animal, e também seu cavalo;

- Vou voltar ele aqui no pasto pego amanhã. – Bento guarda a cela do animal.

Ele sobe no Raio e manda eu subir atrás, vou na garupa dele no caso, seguimos devagar e conversando, com a lua aparecendo no céu.

Eu estava sujo, cansado, muito cansado, mas sabem aquela sensação boa, de leveza, era o que eu sentia, não fui tirado da zona de conforto, fui expulso. Praticamente o dia inteiro sem celular, e fazendo coisas que nunca imaginei fazer. Qual sentimento? Livre.

Deixamos o Raio, com comida e agua no estabulo, e como Marcos foi com a caminhonete, eu e Bento atravessamos sozinho o açude até a casa.

20 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia