• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 30

#Marcos

Tarde quente em Goiânia, rotas rotineiras, Matheus conversando besteira, e eu vendo as fotos que o Artur estava enviando do projeto.

Nós paramos frente a uma padaria, onde sempre ficávamos nas sextas-feiras, uns amigos passam e param, estacionam o carro na calçada a frente e entram;

- Vamos rachar uma Coca? – Pergunto pegando a carteira.

- Já é. – Eles concordam quase que simultaneamente.

Peguei as duas garrafas, coloquei na mesa, o Matheus trouxe os copos, e ficamos de pé ao redor da mesa, olhando o movimento, e acompanhando o rádio.

- (...) As mais loucas perseguições são do Tenente Marcos, uma vez colocaram apelido de Velozes e Furiosos, rsrs.

- Não, mas foi aquela vez na auto estrada, e foi muito louca. – Respondo.

- Olha eu posso dizer, parece que estamos no lugar certo, na hora certa. Sempre perto das que vão dar merda. – Matheus defende.

“- Central solicitando viatura 2993 para auxilio a acidente de transito, na Marginal...”

Os meninos já viram o copo por causa do chamado;

- Valeu pela coca Tenente. Até mais mano. – Eles agradecem saindo.

- Vamos também? – Matheus termina seu copo.

- Sim, vamos sim. Só vou deixar as garrafas lá dentro. – Pego ambas entrando.

Ele liga o carro, e entro. Matheus desce da calçada seguindo, passamos pela avenida na rua debaixo, e depois ele adentra para algumas ruas.

- Eles te respeitam como segundo a terceiro Tenente.

- Matheus é muito tempo trabalhando juntos, eles já viram todo o caminho que percorri na corporação.

- Sim, isso que estou falando, é muito tempo já.

- Exatamente. Espera, se liga. – Ele para o carro.

Como eu não vi nada, e a confiança em seu parceiro manda dentro da viatura, eu confiei cegamente em Matheus.

Ele para o carro quando estávamos virando uma esquina, dois garotos sentados, e ele já aponta a arma;

- Mostra as mãos. Mostra as mãos.

Desci rápido, olhando ao redor, e coloco a arma em punho, aproximando. Matheus trava o veículo enquanto mando eles se levantarem e ficarem de costas;

- Mãos na parede e abre as pernas.

- Temos nada não senhor. – Um deles responde.

Eu olho para o Matheus que procurava algo no chão;

- Vi algo na mão dele. – Matheus me responde.

- Tem drogas, arma, algo ilícito com você? – Pergunto ao cara que ele aponta.

- Não senhor.

Me aproximo, colocando a arma no coldre;

- Cruza os dedos atrás da cabeça. – Falo segurando sua mão, imobilizando ele.

Começo o procedimento de revista, e tiro um dinheiro, carteira e celular dos bolsos do rapaz, faço o mesmo com o segundo, a mesma coisa.

O procedimento era fazer a busca pelos nomes, assim Matheus o fez.

Já com eles virados para nós e conversando;

- Que estão fazendo essas horas aqui?

- Trabalhamos pela manhã senhor, estava com meu primo.

- Onde moram?

- Aqui mesmo. – Ele mostra o portão.

Matheus vem do carro;

- Nada. – Ele entrega o documento.

Eu entrego para eles, e já dispensando os garotos, o Matheus pressiona um deles;

- E ai, não vai falar que estava escondendo?

- Eu não estava com nada.

- Está falando que eu estava mentindo? – Matheus encara o garoto.

- Não.

- Pode falar, era o que? Uma pedra? Maconha?

- Nada senhor.

Havia dois garotos, um deles, branco, loiro. O outro negro, pele escura, e sim, era esse que Matheus estava pressionando;

- Eu e meu amigo aqui, podemos dar uma volta com vocês e descobrir que estão escondendo sabiam?

Imediatamente eu percebi que estava acontecendo ali, para não confrontar ele ali, frente aos garotos, eu acionei no radio um chamado de emergência, isso é pratica nossa, o aparelho faz um apito.

No caso ajudou a mudar a atenção dele. Matheus me olhou, e eu aproveitei a deixa;

- Procedimento, vimos algo suspeito, por isso abordamos vocês. Podem ir, e desculpem qualquer coisa. Vamos. – Gesticulo com a cabeça direcionando para o carro.

Ele respeita, e saímos da rua enquanto os garotos entram;

- Não, estou louco, eu vi, tinha algo.

- Beleza, eu não duvido de você Mano, mas sabe como é, se não descobrir nada, liberamos.

- Eu sei o procedimento Tenente.

- E porque não cumpriu?

- Sabe né Marcos que as vezes a gente aperta mais um pouco, eles sempre abrem a boca.

- Comigo não. Trabalhando comigo fazemos o certo Matheus. O máximo que deixo que seja feito é uso do manual e persuasão, além disso, nada.

- Foi o que eu fiz.

- Não, não foi.

- Como não?

- Você estava intimidando ele com sua autoridade, sem criar empatia e muito menos espelhando. Nada.

- Está me repreendendo?

- Sim estou te dando uma advertência verbal e formal.

- Sou Tenente assim como você Marcos. – Ele tenta me intimidar.

- Nesse carro a hierarquia começa comigo, você não me treinou, eu treinei você. Caso queira dizer algo, ou fazer alguma reclamação, chegue no Capitão. – Falo encarando ele, e com a voz imposta.

- De forma alguma levarei algo para o Capitão, é só para deixar claro.

- Ótimo.

Relevei imaginando e entendendo que foi um erro de conduta, e não o que vocês imaginam. Racismo.

Hoje quando cheguei em casa, o Artur estava sentado com a Nicole e Daniel, mostrando o projeto e ideias. Alexia comendo algo próximo a geladeira.

- Amor. – Beijo o Artur.

Daniel e Nicole, depois vou cumprimentar Alexia. Coloco a mochila no chão, e ela diz;

- Compramos sorvete Marcos, aceita? – Ela pega a louça.

- Sim, obrigado. – Digo pegando uma agua.

- Amor, vou te mostrar nossas ideias. – Artur se aproxima com o iPad.

Daniel sai, acho que para o quarto e a Nicole fica na bancada no celular.

Eu sento ao lado dela, naqueles bancos altos, Artur fica entre minhas pernas e abrindo o aplicativo para mostrar o tal projeto;

- Calma aí, ele instalou hoje. Acredita que o escritório deles tem até app. – Ele comenta apanhando da tecnologia. – Nicole ajuda aqui, meu Deus.

Alexia entrega sorvete para mim, Artur a ela e Nicole, e chama o Daniel para pegar o restante que havia sobrado no pote;

- Que está fazendo em? – Pergunto.

- Meu dever de casa, o Hugo está vindo me buscar, vou ver a Ana hoje.

- Hum, então corre. – Dou uma palmada e sua bunda.

- Como foi o trabalho hoje Marcos? – Alexia pergunta.

Ela estava de pé na minha frente;

- Ótimo, putz tive uma pequena discussão com o Matheus hoje.

- Que foi? – Artur questiona.

- Ele não era seu amigo? – Ela questiona.

- Não, Marcos não precisa mais de amigo. Tem eu e os filhos, já é o suficiente. – Artur fala.

- Ciumento? Não imagina. – Alexia fala rindo.

Até eu cai na risada;

- Fica na sua engraçadinho. – Abraço ele. – Desconfiei que Matheus foi preconceituoso com um garoto hoje, pela cor da sua pele.

- O que você disse? – Artur já se afasta.

- Amor calma, foi algo que desconfiei, não certeza.

- Marcos eu sou gay e preto, e amor, sofro mais pela cor do que pela sexualidade, se esse garoto fez isso, o ranço que eu tinha só aumentou.

13 visualizações
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia