• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 29

#Artur

Como se eu estivesse em um julgamento com meu próprio filho, eu sabia que Wilker não iria aceitar essa história de viagem, mas não sabia que iria ficar furioso como estava.

Ele me obrigou a ligar para Dimitri, tive que seguir para a sala, pois todos estavam jantando, e Marcos fez o mesmo com Nicole, que assim como meu filho estava possessa!

Com Wilker de pé frente a mesa de centro, celular no viva voz, com Dimitri tentando ser o pai do ano;

- (...) Ele embarca na próxima semana, acho que consegue Artur passar pela imigração sozinho.

- Gente escutem os dois, não é uma opção, está decidido. – Falo olhando para o celular.

- Tenho dois pais, Dimitri também tem que estar de acordo com isso, eu não quero ir passar minhas férias de julho no meio do mato pai!

Minha cabeça quente, já perdi todo meu jantar, Wilker falando e falando;

- Seu pai pode ou não concordar, sua guarda é minha, eu mando em você. Nem que fique dentro de um quarto o dia todo, mas vai viajar conosco Wilker Franco e está decidido! Tchau Dimitri.

Desligo o telefone antes de ele falar o mesmo, e deixo meu filho na sala, pois estava com fome e sem paciência.

Na cozinha, escuto duas portas baterem.

Nicole!

Wilker!

Daniel mais perdido que cego em tiroteio;

- Pai e o Luigi? Vai ficar sem médico? – Ele pergunta enquanto janta.

- Seu amigo vai viajar querido, a família quer aproveitar esses dias.

- Mas isso não é perigoso? – Marcos pergunta.

- Foi indicação minha. – Respondo a ele.

Marcos já entende tudo, e faz uma cara, para que eu fale com o Daniel, era a última coisa que eu queria.

- Entendo, filho fale para seu pai como anda as coisas para encontrar a família da Ana. – Marcos fala com Daniel se levantando.

Ele retira o prato e o copo, e Daniel afasta seus talheres limpando a boca, explicando;

- Sim, é como nos filmes, descobrimos algumas coisas, e o meu pai vai amanhã em um dos endereços, para analisar o que achamos.

- Fico feliz.... Mas vai continuar mantendo em segredo com ela filho? – Pergunto.

- Sim.

- Vou montar minha rota de amanhã, bom apetite. – Marcos passa pela gente.

Chega ao pé da escada e fica gesticulando para que eu fale com Daniel.

Já travei nesse momento, pois ele sai, leva sua louça até a pia, e puxa o banco onde sobe para alcançar, assim ele começa a lavar suas coisas.

Faço o mesmo, coloco o prato junto as louças, pego o pano para secar, enquanto ele lavava;

- Tem vaca nessa fazenda?

- Tem vacas, cavalos, galinhas, um riacho.... Já andou de cavalo antes?

- Não.

- Lá é perfeito, você vai amar.

- Queria poder levar um amigo da escola.

- Quem Daniel?

- O Luigi, por causa desse problema, ele não faz muito essas coisas. Coisas normais que a gente faz sabe?

- Sim.... Queria conversar com você sobre seu amigo filho.

- Tá.

Desligo a torneira, ele para me olhando;

- Escute, que sabe sobre o coração? – Digo colocando a mão em seu peito.

Seu olhar acompanha, e ele responde;

- É ele que nos mantem vivos, é muito importante, bombeia o sangue que precisamos....

- Daniel, é um órgão vital. O que significa que não vivemos sem um, e quando ele está doente, nós tratamos com todas as forças que podemos, por ser importante. Quando não há mais opção nós escolhemos trocar ele.

- É o que o Luigi precisa?

- Sim, mas não é só isso, ele precisa de um novo coração, e rápido. Assim como você Daniel, ele está virando um homem e precisa de muito sangue, mas o coração dele está muito doente, muito.

- Sim, eu sei, ele está fraco.

- Sim, estamos tratando seu amigo, mas se ele não conseguir rápido o novo coração...Daniel vai ter que ser forte.

- Ele vai morrer?

- Filho, nós trabalhamos com todas as hipóteses.

- Vai ajudar ele pai? É meu melhor amigo.

- Eu sei Daniel, estou fazendo tudo que posso e que está ao meu alcance! Vamos conseguir, mas como medico eu tenho que avisar a família e amigos, para estarem preparados meu amor. Tudo bem? – Me abaixo olhando ele.

- Fiquei com medo.

- Isso significa que precisa ficar com seu amigo, dar o amor e carinho que ele precisa sabe. Luigi é muito especial. E pega aqui. – Fecho a mão, dando o dedo mindinho para ele. – Prometo fazer tudo. TUDO.

- Obrigado.

Aperto meu filho com tanta força, e fazendo o dobro dessa força para que não chorasse, e não assustasse ele. Mas foi difícil, doeu.

Terminamos de lavar o que tinha para lavar, subi com ele, pois Daniel pediu mais detalhes, disse que queria entender que estava acontecendo, como meu filho, resolvi não esconder nada, e mostrei, expliquei a ele e a Marcos.

Logo mais o Daniel foi para o seu quarto, e Nicole junto a Wilker ainda batendo portas e tentando chamar a atenção;

- Foi valente, muito e ele também. – Marcos puxa o cobertor.

- Daniel é luz na nossa vida, na vida dessa família, eu não faço ideia o que faríamos sem ele.

- Ele é forte, e vai dar tudo certo.

- Vai sim amor.

- Amanhã vai conhecer o projeto da clínica? – Ele pergunta.

- Sim, Marcos, estava falando e esqueci, essas crianças! Alexia vai comigo, vamos encontrar com o arquiteto que tem um projeto para mostrar, estou muito ansioso.

- Rsrs, queria poder ter um tempo, para ir com você.

- Te aviso quando estiver lá, talvez consiga sair.

- Claro.

Manhã seguinte eu nem vi Wilker, Nicole veio tomar café conosco, e quando o Daniel foi para o carro, Marcos desce com sua mochila.

Eu também tomando meu café para sair, ele conferindo suas coisas na mochila sobre o banco, e Nicole, virando um copo de leite, para, olha ao redor tipo procurando os meninos e pergunta;

- Artur, posso perguntar algo?

- Diga flor!

- Já pensou se Wilker é gay?

- QUE? – Cheguei a gritar.

- Nicole que tipo de pergunta é essa? – Marcos repreende.

- Ué vocês sempre contam que foi na idade dele que se “descobriram”. – Ela usa aspas.

- Mas porque Wilker? Está sabendo de algo? – Pergunto, me aproximando.

- Não, rsrs. Só me veio isso na cabeça... Tem Daniel também, já pensaram nisso, e claro eu!

Marcos coloca a mochila de lado, mais preocupado que eu;

- Nicole, você tem algo a dizer?

- Não pai! É que vocês são gays, e será que conseguiria educar um filho ou filha assim? Seria mais fácil.

- Meu Deus, não esperava por essa pergunta essas horas da manhã. – Falo deixando a xicara de lado.

- E eu não esperava vinda de você. Mas filha, te amamos como vocês são, todos os três. Nicole se você ama uma garota ou um garoto vamos te respeitar e apoiar, somos sua família é o que fazemos.

- Que lindo pai. Então Artur? – Ela volta a me encarar com a mão no queixo.

Respiro fundo!

- Nicole, exatamente o que seu pai falou, mas querida, acho que Wilker seja, experiência própria. Ele é todo bruto, e errado. – Falo como se estivesse fofocando com ela.

Nicole sorri, e Marcos diz;

- Não fale assim, se ele for, não será a forma que age, nos trata e muito menos se é bruto ou errado, não tem um padrão de gay.

- É você está certo. Agora Daniel é mais sensível e perfeccionista, poderia sim, mas tenho uma intuição dizendo que também não. Acho Nicole que esse casal aqui, não teve essa sorte.

- Sorte? – Marcos indaga! – Ficaríamos loucos se Wilker fosse gay, nem gosto de imaginar, educar ele assim já é difícil, pensa com o dobro dos problemas que tem hoje.

- PAI estamos esperando. – Daniel grita na porta.

- Já vou filho, rsrs. Vamos Nicole. – Marcos pega a mochila correndo.

Esperando a Alexia terminei de lavar a louça do café, e fui para a portaria, assim não precisava entrar.

Ela chega toda atrasada, parando o carro quase que na calçada;

- Eu já iria entrar.

- Eu vi. – Abro a porta. – Quase que entra no canteiro.

- Amigo estou toda atrasada hoje, que hora que está marcado?

- As oito.

- Calma!

Ela erra a marcha do carro, eu já coloco o cinto de segurança;

- Calma você.

Pessoal chegamos no escritório de arquitetura e sentados aguardando, eu conto para ela, sobre a Nicole hoje;

- Curiosidade Artur, normal.

- Conheço meus meninos, não dão ponto sem nó. Ela quer dizer algo.

- Tira isso da cabeça Artur.

- Não, até descobrir, não estou pronto para o Daniel se assumir agora.

- Porque acha que é ele?

- Ela jogou verde conosco, falando do Wilker, eu sei, e não erro.

- Vai morder a língua Artur, fica falando.

- Gente. – Tiro os óculos olhando um cara se aproximar.

Alexia fez o mesmo, olhou encarando ele.

Estávamos sozinhos em uma sala de espera grande, piso de porcelana, televisão em tom baixo a esquerda, cadeiras grandes e confortáveis, a nossa frente um imenso corredor, e a direita a mesa das secretarias.

Nesse corredor esse Deus grego desfilava, vindo em nossa direção;

- Menina se for esse o tipo de cliente desse lugar, fiquei até com vergonha. – Falo rindo com ela.

- Aí deu calor aqui. – Alexia se abana.

- Artur Schimmyth e Alexia Leoni? – Ele se aproxima.

Nos levantamos rapidamente, os dois no mesmo momento;

- Olá. – Pego em sua mão.

- Sou Ricardo Mendes, o arquiteto responsável pelo trabalho, falei com seu marido o Doutor Dimitri. – Ele diz com mãos cruzadas frente ao corpo.

Gatinho e burrinho.

Alexia já abre um sorriso pelo seu erro;

- EX marido, e pode chamar de Dimitri.

- Hum, me desculpe a indelicadeza, é que não foi isso que ele disse.

Cheguei a virar o rosto, sabe aproximando o ouvido, conferindo ter ouvido aquilo mesmo;

- Ele disse isso? – Pergunto.

- Sim, passou algumas métricas que eu precisava e deixou claro, meu marido vai analisar o projeto.

- Olha Ricardo, vamos deixar uma coisa clara, Dimitri é meu ex marido, e para continuarmos com um bom relacionamento aqui. – Gesticulo com a mão. – Prefiro que não toque em seu nome.

- Como queira! Podem me acompanhar?

Ele segue a frente e a Alexia me cutuca ao ver aquela bunda na calça social, meu Deus!

Barba por fazer, olhos verdes, de sobrancelha forte, o cabelo com um penteado, e fios rebeldes próximo aos olhos, uma tatuagem na altura do antebraço, e rosto fino.

Ele abre a porta da sala, mostrando a cadeira para que a gente se acomodar, e Ricardo dá meia volta, indo até uma espécie de bar ao lado;

- Wisky, Cerveja, Vinho, champanhe, suco, agua, chá, café? – Juro eu juro que ele falou tudo isso rápido e sem pausa.

Eu olhei para a Alexia;

- Cerveja? – Perguntei.

- Só ouvi até o Champanhe, eu aceito. – Ela fala.

Mano, nem fechamos o negócio e ela fez o cara abrir uma garrafa de champanhe.

E então o Ricardo se senta e apresenta, tudo, tudo! Ficamos uma hora e meia com sua apresentação, eu de saco cheio, pois ele é bem perfeccionista.

- Então, o que me diz? – Ele deixa o iPad sobre a mesa.

- Exterior amei, quero exatamente assim, interior? Se quiser trabalhar comigo vamos mudar tudo, pois você tem o que estudou, mas nós temos a pratica.

- Claro, é para isso essa reunião, estou aqui para servir como quiser, você que manda. – Ele encosta em minha perna.

O telefone da sala chama, ele pede licença, ao se levantar, eu pego uma taça saboreando a champanhe, e Alexia encosta no sofá;

- Que foi?

- Gay.

- Oi?

- É gay, amei ele, mas é gay.

- Para amiga.

- Cansada de andar com você Artur, arruma mais homem que eu.

- Obrigado por falar isso, comenta com Marcos por favor.

- Rsrs, você poderia ser mais educado com o homem.

- Ele disse que eu mando, então, pronto. Me deixa.

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