• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 27

#Nicole

- (...) São da mesma sala, mas elas não me deixam em paz, eu sou a piada da classe, todo mundo tem medo dela e não diz nada.

- Até seu namorado?

- Sim, ele fica calado, enquanto ela fica fazendo graça para o meu lado.

- Não acha isso estranho Nicole?

- Acho doutor, mas ele é assim mesmo, Lerdo.

Ele se levanta vai a mesa ao lado de sua imensa estante de livros e prepara um chá, nem sei como foi tão rápido, por causa da nossa conversa eu estava “viajando”;

- Qual tipo de provocação elas fazem?

- A Rafaela espalha bilhetes na sala, que sou namorada de Viviane a minha amiga que já havia falado, escreve na lousa, deixa bilhetes em minhas coisas, armário.

- Como acha que pode resolver isso?

- Eu não faço a mínima ideia, ela tem dor de cotovelo por eu estar com o João, ele querer a mim e não a ela. – Digo assoprando o chá. – Canela? – Pergunto com o aroma subindo junto ao vapor.

- Sim, você gosta?

- Sim.

- Olha nosso tempo está quase no final, quer falar sobre como está indo com o controle das crises?

- Bem.

- Ainda com medo?

- Tenho medo de ter outra como a última, ela foi horrível, nem gosto de pensar.

- Explique em palavras como se sente Nicole.

Imaginar, passar pela mente os sentimentos me deixou desconfortável em sua cadeira, e era a melhor das melhores. Me ajeitei, sentando melhor, coloco a xicara de lado, e olho para ele;

- Tem certeza?

- Quero saber se estamos progredindo, e se sua visão sobre essas dores e angustias estão seguindo para onde que queiramos.

- Tudo bem. – Respiro fundo, virando o pescoço para se sentir melhor. – Sabe quando você decepciona alguém que ama, alguém que ama muito, não sei se é angustia, culpa, não sei o nome do sentimento, mas você se sente péssima, como a pior pessoa do mundo. Ou quando você passa uma vergonha no colégio, com todo mundo te olhando, ou pior, todo mundo te ignorando, como se você não existisse. São todas essas sensações multiplicadas. Uma dor no peito, e uma tristeza de como ter perdido alguém próximo, as vezes doutor imagino que será a mesma dor que sentirei quando meu pai morrer, é dor, só dói, muito! É fria. E “seca”. Incomoda, e me faz chorar. Aperta!

Ele deixa o caderno com a caneta dentro, descruza as pernas e apoia os cotovelos nos joelhos, se aproximando de mim;

- Como está com a medicação?

- Estou tomando como o psiquiatra mandou.

- Irei pedir outros exames Nicole, vamos aumentar as doses.

- Sergio me sinto enjoada, não estou comendo direito, por favor, não faz isso.

- Olha, não se preocupe... – Ele pega em minhas mãos.

Eu me viro para ele, tirando os pés da cadeira;

- .... Estou cuidando de você, e acho que aumentar as doses pode lhe ajudar.

- Uma semana, me dá uma semana.

- Está praticando os exercícios que lhe ensinei?

- Sim.

- Segura. – Ele aperta minha mão. – Nicole, você é uma pessoa incrível, uma amiga invejável, uma namorada especial e uma filha exemplar. Seus pais te amam, e você não faz ideia o quanto, Marcos move céus e terra por você. Seus irmãos se inspiram em você. E todas essas pessoas precisam de você, seus amigos, namorado e principalmente família, na sua casa você tem um papel muito importante, é a mulher daqueles homens, é a filha daqueles pais, é a irmã daqueles irmãos. Olha em meus olhos.... Novamente! Quando algum sentimento ruim vir, ou ameaçar lhe deixar mal, lembre-se do momento mais feliz que você viveu na vida, não só imagine, fale em alto e bom tom. “Eu amei quando meu pai fez isso...”, “... Foi engraçado quando meu irmão fez aquilo”, “Amo a forma que meu pai me faz dormir. ” Conseguiu entender?

- Sim.

- Pratique durante essa semana, imagine seu momento mais feliz, e deixe ele em um lugar fácil de acessar na mente, sempre que precisar.

- Eu farei isso.

- Ótimo.

Ele se levanta, vai em sua gaveta, pega algo;

- Aqui, ótima conversa hoje. – Sergio me entrega um chocolate.

- Obrigada.

Sai do consultório leve, de cabeça fresca e feliz, só isso.

Entrei no elevador, descendo, pois, iria embora de UBER.

Em casa, eu cheguei e fui correndo para a cozinha, estava morrendo de fome, e sempre que saio das seções o Artur vem querendo saber como foi.

Hoje eu estava procurando algo na geladeira;

- Oi!

- Oi, cadê aquele pedaço de bolo?

- Que estava na vasilha verde?

- Sim.

- Wilker comeu.

Já fico brava.

- Aff, tinha que ser, esse menino parece uma máquina para comer.

- Rsrs, vai tomar banho, estou fazendo aquele frango que você gosta. – Ele coloca os cotovelos na bancada.

Pego o pote de pasta de amendoim, e passo em uma fatia de pão;

- Com laranja?

- Sim.

- Hum, delicia. Te amo Artur. – Beijo seu rosto, dando a volta em seu corpo.

- Como foi hoje?

- Ótimo, estou ótima, rsrs. Livre, leve e solta. – Falo dando meia volta.

- Ahan sei. – Meu pai fala rindo.

- Oi, Benção.

- Deus te abençoe, como está?

- Ótima. PAI. – Ele pega meu pão.

- Nada de comer besteira antes do jantar, vai tomar seu banho. – Ele aponta para as escadas.

Faço aquela cara de deboche para ele, que manda um beijo.

Marcos simplesmente come meu pão. AHHHHHHH.

Subi as escadas, com celular vibrando, era a Viviane, querendo saber da consulta.

Pego o celular e sigo o corredor todo, olho para frente e o banheiro estava ocupado, Wilker, com certeza.

Também escuto o Bob Esponja vindo do quarto do Daniel. Família toda em casa, só não contava com o Hugo.

Ao passar pela porta do quarto do meu irmão, ele estava deitado na cama, como sempre uma bagunça, mas algo percebi, Hugo com um moletom amarelo do meu irmão nas mãos.

Ele estava cheirando peça, a abre olhando e depois deixa de lado, olhando para o outro lado da cama, onde tinha algumas roupas dobradas, entre elas, cuecas. Hugo colocou a mão e eu falei.

- ECA!

- Ai filha da puta! – Ele coloca rápido a mão no peito.

O susto faz ele deixar rápido peça e olha para mim, Hugo se senta imediatamente;

- Wilker de certa forma não teve mãe, mas eu sim, então é falta de educação da sua parte.

- Quanto tempo estava aí? – Ele se levanta.

- Tempo bastante para saber que gosta do meu irmão Hugo.

- Xiiiiiiiiiiiu! – Ele me puxa pelo braço.

Todo sem jeito coitado, fecha a porta;

- De onde tirou isso? – Ele fala rápido.

Eu aponto para a blusa amarela.

Hugo fecha os olhos e respira para responder;

- Não é...

- É sim, você ama ele.

- Não amo seu irmão, amar é exagero.

- Está apaixonado por ele?

- Não é assim Nicole que as coisas são.

- Sou mais nova que você, mas até Daniel vê o quanto ama o Wilker, cara vocês não se desgrudam. Fala logo com ele.

- Menina você bebeu? – Hugo segura em meus ombros.

- Vocês têm medo de tudo.

- Nicole, se eu falar isso, e ele não sentir o mesmo. Uma amizade de anos vai para o ralo, pensou nisso?

Fico pensando, boca meio aberta, olhando para o lado;

- Aquilo é chiclete? – Falo olhando acima da porta.

- Garota foco! Me responde?

- Sabe se ele gosta de você do mesmo jeito que gosta dele? – Cruzo os braços, parecendo mais intelectual, fazendo ele se questionar.

- Que? – Ele faz cara de desentendido.

- Talvez meu irmão sente o mesmo por você, só não sabe. – Descruzo os braços, fazendo um biquinho.

- Wilker é tapado demais para isso, você não conhece ele, é garota para isso, mulher para aquilo, relaxa, e me deixa viajar aqui sozinho.

- É claro, você pega mais mulher que homem, e olha, se eu tivesse um amigo que pegasse as meninas que você pega, eu queria estar à altura.

- Huuuum, não havia pensado por esse lado.

- A propósito, Lavínia! Péssima escolha, chata, metida, burra e pobre de espirito.

- Conhece ela?

- Não, descobri com fofocas.

Meu irmão abre a porta do quarto, tipo, todo sem entender que está acontecendo;

- Que está fazendo aqui?

- Você comeu meu bolo. – Grito com ele.

- Não tinha seu nome.

- Idiota! – Empurro ele saindo. – E tem chiclete em cima da sua porta.

- Que ela fazia aqui, ainda mais de porta fechada? – Ele pergunta a Hugo.

- Procurando meu bolo, que eu comprei e paguei. – Grito do meu quarto.

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