• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 21

#Wilker

- Já está bom, entra e para de enrolar. – Falo tirando o apito de Hugo.

- Sai fora.

- Que ela queria? – Pergunto pegando agua.

- Nada.

- Vai ficar de segredinho com minha irmã agora é?

- Ciúmes?

- Não, mas vai que o namorado dela fica sabendo.

- Quebro ele e você! Cai dentro. – Hugo me segura, dando uma chave de braço.

Vou me defendendo e afastando;

- Sai fora mano! – Grito com ele.

- As moças vão treinar ou nada? – Mauricio grita da quadra.

Entramos para a turma terminar o treino.

Por fim, seguimos todos para o vestiário e chuveiros, os meninos tirando a roupa e entrando e o Hugo se senta tirando o tênis.

Eu tirei minha camisa e short, então percebo ele meio que “deslocado”, pega a mochila e se levanta;

- Vai onde?

- Só me trocar, tenho aula e...

- Fica aí, eu espero eles com você. – Falo colocando a mão no seu ombro.

Hugo não responde, somente abre um sorriso, como agradecimento. Ficamos de papo até o time tomar o banho e saírem;

- (...) Mas ele não encheu o saco por causa da briga não?

- Sim, mas Dimitri está naquela de pressão com a faculdade.

- Nem me fale, meu pai também me intima toda semana.

- Hugo como decidir o que vai querer fazer o resto da vida em alguns meses, medico? Fisioterapia? Jogar basquete? É muita coisa que pensar.

- Mano seus pais te apoiam, no que decidir. Ano que vem eu me alisto no exercito, e com a influencia que meu pai tem, serei chamado. Tem ideia do quão tenho medo.

- Vai dar certo mano, relaxa.

- Não tem como relaxar, eu não posso escolher, ele quer que eu siga nas Forças Armadas e pronto.

- Você pode escolher, tem a aeronáutica.

- Filho da Puta. – Ele sorri se levantando.

- Puto, teoricamente não tenho mãe.

Respeitando o Hugo entramos nos chuveiros separados, nos preparamos e seguimos para aula.

Como nossa rotina já estava praticamente normal, treinamos na minha casa a tarde, e jogamos a noite.

Na verdade Daniel e Marcos estavam jogando na sala, eu no meu quarto e a Nicole no quarto dela falando por vídeo chamada com a amiga dela. E Artur na cozinha preparando o jantar.

Por falar nele, bate na porta do meu quarto;

- Entra.

- Filho o jantar está pronto, desce pelo menos você, porque ninguém me escuta nessa casa.

- Terminando aqui pai. – Falo alto.

Em um dos intervalos das partidas eu fui no banheiro no corredor, ao voltar escuto a Nicole em seu quarto.

Possivelmente meu pai havia chamado ela e deixado a porta entre aberta.

- (...) Hugo consegue amiga, falei que iria eu, você e o João, na festa da Lavínia.

“- Fofoqueira.” – Penso gesticulando com a boca.

- Ainda não acredito que ele é gay.

- Rsrs, acostuma amiga, acostuma.

Cheguei a encostar na parede ouvindo ela falar, como Nicole sabia?

- Tenho agora de mudar meu crush em Hugo, procurar outro.

- Quem Viviane? – Ela dizia pintando as unhas.

- No seu irmão agora.

- Wilker é do Hugo, pula para o próximo.

- Oi?

- Hoje eu estava conversando com o Hugo, e ele gosta do Wilker. Falamos dele e se corou todo, ficou vermelho.

- Não brinca.

- Formão um casal da porra ne Viviane?

- Aí nem consigo imaginar.... Tem certeza Nicole?

- Eles são amigos de infância, e sério, o Hugo e o meu irmão são muito apegados amiga, eu Chipo!

- Ah eu também.

PUTA QUE PARIU, QUE MERDA É ESSA?

O susto foi que em seguida, que ouvi isso as luzes da casa apagaram, tipo, a energia havia acabado, com isso a internet.

Mas ao olhar para o fim do corredor a casa do vizinho tinha energia, liguei minha lanterna e desci, a Nicole veio logo atrás;

- Que foi?

- Não sei. – Falo descendo.

Havia uma claridade vinda da sala de jantar, ao me aproximar o Marcos estava rindo, de pé a direita com o Daniel;

- Não acredito que fez isso amor. – Ele fala.

Gente meu pai desligou a chave geral da casa;

- Marcos, você e o Daniel jogando, Nicole no telefone, e Wilker não sai do quarto. Chamei todo mundo para jantar, mas ninguém me ouve.

- Meu pai é louco. – Daniel fala se sentando.

Rindo nos sentamos.

Ele preparou toda uma mesa, e espalhou velas nos moveis ao redor e na mesa;

- Finalmente um jantar em família. – Ele fala se servindo.

- E talvez um incêndio depois. – Falo olhando a quantidade de velas.

Foi algo estranho, pois até colocar os pés na escada, estava pensando no que a Nicole havia dito, isso não saiu por completo da minha cabeça, mas no momento, era sei lá! Magico. Sentado com minha “família”, jantando.

E claro juntos, Marcos, Artur, eu, Nicole e Daniel era merda, sempre é merda, não dá;

- Pai, vocês sempre me disseram que se eu quiser um ia me ajudam a achar minha família biológica, certo? – Daniel fala a Marcos.

Eu confesso ficar com medo quando ele disse isso, Nicole arregalou os olhos, o Marcos quase morreu engasgado com o frango, tossiu tanto que ficou vermelho;

- Ai, meu Deus! – Ele fala tomando agua.

Respira fundo e diz;

- Sim, filho, eu ajudo.

- Porque isso agora Daniel? – Artur fala.

- Se podem me ajudar a achar minha família, podem ajudar a achar a família da Ana não é verdade?

Porra!

Abri um sorriso de orgulho do meu irmão. Garoto mais foda.

Marcos se segurou na hora, ficou calado;

- Porque quer encontrar a família dela? – Nicole pergunta.

- Ela disse que eles não vão ver ela, pensei que poderia conversar com eles.

- Filho, não sei se é uma boa ideia. – Artur diz.

- Mas pai...

- Eu concordo com o seu pai Daniel, não sabemos o porquê deixaram ela lá e.... – Marcos estava falando...

- Dá para escutarem o garoto? Deixem ele falar. – Interrompo ele.

- (...) É que se eu fui deixado no orfanato, minha família sabe que eu estou bem, a família dela não sabe nada. Pensei em ir falar para eles como ela está. Mas não consigo sozinho.

- Se eles não te ajudarem eu ajudo. – Pisco para ele.

Daniel abre um sorriso e então Marcos fala;

- Vou te ajudar, depois me conta tudo que sabe ok.

- Certo.

- Aproveitando esse momento, quero que todos compartilhem algo, inclusive você Wilker. – Meu pai fala.

- Compartilhar o que pai?

- Nicole, pode começar? – Ele pega na mão dela.

Ela tem o cabelo grande e cacheado, o colocou para trás, deixando o rosto a mostra, na verdade olhando para o seu pai;

- Tive outra crise de ansiedade. – Ela fala, baixo.

Eu ao seu lado, me assustei;

- Como assim, quando? – Pergunto.

- Na semana passada. Senhor demorou ir buscar no colégio e não segurei.

- Me filha me desculpa, eu falei, não foi minha culpa.

- Pai relaxa, acontece, eu tenho que apreender a me controlar, para isso as consultas.

- Se você teve uma crise por isso, então pode ter por qualquer coisa? – Pergunto.

- Posso ter crise de ansiedade em acordar atrasada. Hoje com o apagar das luzes, ou sem algo para justificar, somente o medo que existe em minha mente.

A gente fica calado, o que dizer. Marcos se levanta e abraça beijando sua filha;

- Viu, é para isso que estamos aqui, compartilhe querida, vamos te dar a força que precisar. – Meu pai pega sua mão, beijando-a.

- Se quiser eu durmo com você Nicole. – Daniel diz.

- Haha’ não precisa, fica tranquilo. – Ela limpa umas lagrimas.

- Wilker? – Meu pai olha.

- Que foi?

- Não tem algo para falar?

- Não.

Nicole pega em minha mão me olhando nos olhos;

- Tem sim.

- Não tenho. – Falo bravo.

- Na última semana me envolvi em um caso da policia Federal. – Marcos diz.

A gente olha e ele continua;

- Abordei um dos chefes do PCC. Agora a cidade está com patrulhamento dobrado, por isso o aumento dos meus plantões. Estou dizendo isso pois me colocando em perigo, vocês também estão, e isso está me tirando pouco o sono.

- Mas está correndo perigo Marcos? Que história é essa? – Artur pergunta.

- É de extremo sigilo, não poderia estar nem falando para vocês. Estamos investigando, por eu ter o visto estou no caso. O perigo mora em eles terem muitos contatos, e queima de arquivo do PCC são os maiores casos da polícia. Mas não se preocupem, isso não colocam diretamente em perigo. Já solicitei que me tirassem do caso.

- Ótimo, meu Deus. – Nicole diz.

- O senhor? – Falo olhando para meu pai.

Artur fica meio triste, deixa os talheres, pega o guardanapo, se limpando, e coloca os cotovelos na mesa;

- Estou com o caso de Luigi, o melhor amigo do seu irmão. Ele tem Insuficiência cardíaca, depois de estudo e exames, consulta em outros especialistas e amigos de trabalho, ele terá que fazer um transplante, e terá que ser o mais rápido possível.

- Como assim? – Daniel pergunta.

- Ele precisa de um coração novo filho, e rápido.

- Senhor não pode conseguir um?

- Queria muito, mas Daniel isso é uma das coisas mais difíceis hoje em dia. Mas escuta não vamos desistir, eu vou fazer de tudo para conseguir ajudar ele, tudo bem.

- Tabom.

- Wilker também tem algo a dizer... – Nicole novamente me intimidando.

- Filho, somos sua família, pode falar.

- Hugo veio conversar comigo, ele é gay.

Artur olha para Marcos, depois Nicole, e diz;

- É sério?

- Sim. – Respondo.

- O que disse a ele filho?

- Nada, não consegui falar nada.

- WILKER.

- Depois pedi desculpas, eu não sabia o que fazer pai, você nem meu pai se assumiram para mim, ninguém nunca tinha feito isso. Você beijar outro cara para mim é o normal, sempre foi, nunca vi isso diferente, aqui eu era o diferente.

- Porque não falou Wilker, isso é sério.

- Claro que é pai, somos amigos de infância e eu não falei nada. Mas pedi desculpas depois.

- Ótimo, fala com ele, o que precisar vir falar comigo ou com o Marcos, até seu pai se tiver tempo. Filho isso é muito importante, ele precisa de você agora, é um momento complicadíssimo.

- Eu sei pai.

Foi o jantar mais demorado da minha vida, pois todos queriam conversar sobre tudo, e saber mais de tudo.

Por fim, quando eu e a Nicole guardamos a louça, ela subiu na minha frente nas escadas, meu pai havia ligado de volta a luz, e ela foi para o celular;

- Ei. – A chamo assim que chega em seu quarto.

- Oi.

- Como sabia?

- Eu vi.

- O que viu?

- No vestiário, ele e Ícaro se beijando.

Respiro fundo, e digo;

- Já falei com o diretor, vão mudar você de tutor, e não quero você mais com aquele cara.

- Wilker eu não tenho nada a ver com sua briga.

- Ou faz isso ou não vai na festa da Lavínia.

- Como sabe disso? Foi o Hugo ne?

- Pensa no que te falei.

Ela olha com olhos cerrados e de raiva.

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