• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 17

A campainha tocou minutos depois, Artur gruta;

- Eu abro!

Daniel se levanta indo para a porta e meu pai abre;

- Oi boa noite, posso ajudar?

- Olá, boa noite! - Ana responde.

- Ana! - Daniel a abraça.

Gente a cara do meu pai, ele encostou na porta me.olhando, muito envergonhado, Marcos rua tanto, mas tanto, eu rolava no sofá;

- Eita mas qual é a graça? - Hugo entra com umas sacolas.

- Meu pai achava que Ana era namorada do Daniel. - Falo indo abraçar ela.

Ana deu umas boas gargalhadas;

- Vocês não falaram nada, só que uma amiga chamada Ana, viria jantar. Mulher me perdoa, prazer Artur. - Ele a cumprimenta.

- Sou Marcos.

- É um prazer conhecê-los, ouvi falar muito dessa família.

- Que é isso? - Falo ajudando o Hugo.

- Refrigerante e um vinho que minha mãe mandou.

Levamos para a geladeira e ficamos na sala, jogando, eu, ele, e João. Daniel fez companhia a Ana na cozinha, com Artur, Marcos. Nicole ia para cozinha, voltava para a sala.

- Meu filho arruma a mesa pra mim. - Artur vem falar.

- Beleza.

Terminei a partida, entreguei o controle e arrumei a mesa, pratos, talheres, copos e taças, essas coisas. Marcos serviu a mesa e todos sentamos.

- Podemos fazer uma oração? - Nicole pergunta.

- Eu faço. - Daniel estende sua mão.

Seguro e fecho os olhos;

- Deus obrigado por esse jantar, pelas nossas amizades antigas como Hugo, d novas como a Ana e João, agradecemos pela comida que meus pais fizeram. Amém.

- Amém.

Não temos costume de agradecer refeições, e muito menos comer reunidos, ocasiões em exceção fazemos isso.

- Não me lembro a última vez que sentei em uma mesa assim. - Ana comenta.

- Não temos o costume de fazer refeições juntos, horários diferentes. Daniel tem aulas de inglês e vamos colocá-lo na natação, Nicole com as terapias e colégio, Wilker se dedica ao basquete e Luta. Eu e Artur sempre trabalhando, não é fácil.

- Filho isso aqui passa, rápido. Olha o tamanho desse homem. - Ela aponta para mim. - Tem que aproveitar cada momento, é importante.

- Nós sabemos.

- Trabalho, escola, compromissos tudo damos um jeito mas no final o que sobra é a família, é deu filho, seu marido. Pois quando tem um problema não vai atrás do seu chefe, vem até sua família.

Ela fala e ficamos todos calados, afinal, ela estava correta.

- Eu também Ana, não tinha família, não jantava com ninguém, e não tinha isso tudo. Foi graças ao meus pais e irmão. - Daniel fala.

- Você é luz filho, assim como seus irmãos, são uma benção na vida desse casal.

Depois de muitas conversas e risadas;

- E o basquete? - Artur pergunta para mim e Hugo.

- Temos mais dois jogos muito importantes, precisamos ganhar. - Respondo.

- Não será fácil, Wilker está pegando pesado com a equipe.

- Poderia pegar pesado assim no seu quarto né, arrumar ele. - Meu pai "joga na mesa".

Fim do jantar todos cheios, Nicole vem com uma torta que ela havia feito, estava toda animada, por causa do João, cheia de frescura.

Ela serviu a gente, eu me levantei para ir ao banheiro e escuro a campainha;

- Eu abro. - Falo a eles.

Quando abro a porta, Ícaro.

- Que faz aqui?

- Vim trazer uns documentos para sua irmã. - Ele mostra uns papéis.

- Nicole é pra você.

Falo deixando ele do lado de fora, subo as escadas indo no banheiro, eu até demorei um pouco para dar tempo de ele ir embora.

Então quando estava descendo o Hugo estava ao lado de fora, falando algo com ele, os dois pareciam discutir sobre algo.

Passei todos na mesa normalmente, eu saí de casa;

- De hoje não passa! - Hugo puxa a camiseta dele.

- Problema seu. - Ícaro empurra ele.

- Hugo tudo bem aqui?

Ele me olha assustado;

- Está sim, entra Wilker!

- Não, que esse cara quer?

- Fala pra ele Hugo, conta...

Vou me aproximando e o Ícaro sai de perto;

- Covarde do caralho. - Ele fala indo embora.

- Que esse maluco está folgando pro seu lado, porra Hugo, fala logo mano.

- Fica na sua. - Ele fala vendo Ícaro ir embora.

- Mano chega disso, que merda está acontecendo? - Seguro em seus ombros.

Ele me olha, respira fundo, chega a abrir a boca para falar algo;

- Esquece. - Hugo me dá as costas.

- Foda-se não vou deixar tu sair sem dizer. - Pego a chave do seu carro de sua mão.

- Wilker eu sou gay!

- Que história é essa?

- É o que você ouviu.

Fiquei parado, olhando para ele, Hugo falou sério;

- Vou para casa. - Ele pega as chaves de volta.

Hugo gastou dezenove segundos para entrar no carro, ligar a chave e sair, ainda me olhou lá de dentro, e eu atônito!

Contei os segundos de ver meu melhor amigo ir embora, mas não sei quanto tempo fiquei parado com a imagem na cabeça;

- Wilker! – Meu pai chama da porta.

- Oi.

- Cadê o Hugo?

- Foi embora.

- Entra, quero conversar com você.

- Certo.

A cabeça chega a doer quando entrei. Na sala todos estavam reunidos conversando e bebendo, acho que café.

- Aqui filho. – Artur me chama da cozinha.

Marcos e meu pai sentados na mesa da cozinha, eu sentei e eles começaram a falar, e cara, minha cabeça estava viajando;

- (...) Aí o Marcos me cobrou e apoiou a ideia, e quero saber sua opinião!

- Pai não entendi, nada, repete! – Gesticulo com a cabeça.

- Dimitri vai custear o projeto da Clínica....

- A clínica do senhor?

- Sim, mas a exigência é que ela seja em seu nome, é uma forma de ele montar uma forma de garantia a você.

- Tudo bem, e o que decidiram?

- Nada, queria falar com você antes.

- Pai eu não estou com cabeça boa agora, mas porque não fazem isso vocês, e não com meu pai?

- Ele quem veio com essa ideia Wilker.

- Não gostei da ideia.

- Como assim?

- Senhor perguntou que eu achei, eu não gostei dessa ideia.

- Ah pronto...

- Posso subir?

Ele só gesticula com a mão.

Corri para meu quarto, peguei meu celular e enviei mensagem para o Hugo.

Mano escrevi um TEXTO, mas apaguei. Acabei enviando um “Desculpa”. Ele estava online, visualizou e nada, minutos depois desligou os dados moveis.

Meu pai mesmo que levou a Ana para casa, antes de dormir o Daniel veio ao meu quarto agradecer pelo que fiz. Pelo menos isso, fui útil para alguém.

Dia de jogo no Olímpio é sair de casa antes de todos, aquecer o time, e preparar estratégias para a partida.

Mas como fazer isso com esse clima palpável.

Cheguei no colégio, trocando a mochila no armário e seguindo para a quadra, ainda com os corredores vazios.

Entrei no vestiário e o time já estava se trocando;

- (...) Sem chance, o pior time do campeonato, lembra que o Capitão falou, “Ganhar! Ganhar e Ganhar!” – Mauricio Grita.

Os meninos gritaram juntos, rindo e brincando e digo entrando;

- Assim que eu gosto, animados e com folego para acabar com aqueles FDP.

Hugo estava no seu armário, sem camisa, sem bermuda, pegando o uniforme.

Eu me aproximo afinal fico ao seu lado;

- Te mandei mensagem ontem. – Falo abrindo.

- É eu vi.

- Cara, foi...

- Aqui não, beleza. – Ele gesticula.

Sua cara estava péssima, sabe de decepção. E eu ansioso ao extremo, e tenso.

- Para a quadra galera. – Grito seguindo com os meninos.

Os tênis já ecoavam ao tocar na quadra, preparamos algumas jogadas, e aquece bem a galera.

O time adversário chegou, usaram a metade da quadra para se aquecerem também. Assim pude aproximar de Hugo.

Em tese, pois eu estava debaixo da cesta com os meninos, e alguns fora de quadra, como ele. Ao olhar, Hugo de papo com a Lavínia, a que havia ficado noites atrás. QUE MERDA É ESSA?

Cheios de carinhos e troca de olhares.

A arquibancada se enchendo e alunos chegando, e o treinador tira a gente de quadra;

- Bebam agua, vão ao banheiro, e para o vestiário. – Ele fale enquanto saímos.

No túnel para o vestiário segurei o Hugo pelo braço, ele olhou assustado;

- Que foi?

- Fala comigo, mano pode xingar, me bater, eu mereço, mas fala comigo.

- Relaxa Wilker. – Ele me empurra de leve, pela proximidade.

- Relaxa como Hugo, você é o meu melhor amigo e eu pisei na bola mano.

- Só pensei merda essa noite, não dormi. Fiquei péssimo.

- Desculpa.

- Não é culpa sua, também jogar daquele jeito na sua cara, o que eu queria. – Ele sorri.

- Exatamente, me pegou de surpresa.

- Fiquei com medo, mas você não tem culpa.

Abracei ele, ah mano, é meu amigo de infância;

- Posso perguntar algo?

- Até pode, mas sou novo “nisso” ainda. – Ele usa aspas, com as mãos.

- Porque Ícaro estava tão em cima?

Ele já muda a cara, de felicidade e alivio para bravo;

- Lembra o aniversário da Marcela, do Terceiro E? Você estava viajando e não foi.

- Sim.

- Eu e ele ficamos, e depois aconteceu algumas vezes...

Mano eu estava de olho arregalado ouvindo aquilo, pois na minha cabeça não se formulava as imagens do que meus ouvidos estavam escutando;

- Na primeira vez foi estranho, mas legal. Depois foi bom, eu confuso, e ele me dando um apoio diferente. Sei lá como se quisesse algo em troca, ou esperasse algo de mim. Até eu perceber que ele se aproximou demais de você.

- Como assim?

- Nos últimos dias ele estava louco querendo saber se a gente já teve algo, porque na cabeça dele era uma amizade suspeita. Nem namorando estávamos e ele com uma paranoia em você.

- Tem certeza do que está falando?

- Sim, eu estava na dele no começo, mas depois foi ficando estranho, doentio.

- Os dois, preciso de vocês aqui. – Chama o treinador na porta do vestiário.

Eu andava até lento com tanta coisa para a cabeça processar;

- (...) Capitão, fala ao seu time a importância de ganhar hoje. – Ele bate em minhas costas.

Parado, de olhos bem abertos, olhando para todos ali de pé naquele círculo, esperando palavras de mim.

Sabem quando o ar vem rápido demais, tipo você puxa rápido demais, soa como um susto, assim fiz para “Acordar”;

- A vitória de hoje nos coloca na frente da competição e dos pontos. Precisamos dessa vitória, pois se não conseguir passar o Colégio Dom Pedro, o próximo jogo é contra o maior rival e temos que ganhar de uma diferença gigantesca. Então é ganhar ou ganhar.

- Vamos orar. – Hugo estende as mãos.

Eu fechei os olhos, pedi desculpas a Deus por estar imaginando socando a cara do Ícaro, enquanto meu time pedia por uma vitória.

Tudo pronto!

Entramos em quadra, e adivinhem?

Meu pai na arquibancada. Dimitri de pé gritando e com um cartaz, ao lado do Daniel, não sei como se encontraram.

Início do jogo, decidimos o lado da quadra, e então o juiz joga a bola. Minha mente desliga do mundo, da arquibancada e dos “problemas”, foquei de um jeito naquele jogo.

- Aqui, Wilker!

Bloqueio. Salto. Bola para Hugo.

Cesta!

Ponto.

Ponto.

A plateia nem se sentava, mais quentes que nós na quadra.

O time adversário estava provocando, quando viram que iriam perder começaram a provocar e pesado.

Tentamos manter a calma, mas Mauricio ficou puto com um dos caras e quase que rola briga. O treinador tirou ele e continuamos.

Em um dos bloqueios, eu na frente do cara, ele quicando a bola, mesmo com atenção fixa ele joga a bola que bate em minha testa, e faz a cesta.

Claro que a galera foi à loucura, mas não poderia deixar em branco, eu olhei o Hugo, e uma possível invertida de jogo pelo outro lado, ele percebe e então, segurando ele, vou sozinho. Cesta de três pontos. Junto ao apito final.

O time entra em campo gritando, tínhamos passado, GANHAMOS.

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