• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 15

#Daniel

Ficamos, eu e Nicole plantados no colégio esperando meu pai. Artur disse que iria atrasar, mas não explicou o porquê Marcos não veio pegar a gente.

- Gente cadê eles, tenho que me arrumar ainda.

- Vai onde?

- No cinema. – Ela diz toda animada.

Finalmente o carro aponta na esquina, entramos e o meu pai estava com o ombro enfaixado;

- Que houve? – Nicole pergunta fechando a porta.

- Conta Marcos. – Artur cutuca ele.

- Mas gente, está doendo.

O caminho para casa hoje foi regado pela história de herói do meu pai;

- (...) cheguei no hospital e fui tratado por esse homem aqui.

- Quando eu for bombeiro, quero fazer o mesmo, que o senhor.

Marcos olha rindo para trás;

- Vai fazer melhor filho.

- Ai do senhor Daniel se chegar pelo menos arranhado em casa, faço chicote de você para bater no seu pai. – Ele fala no retrovisor.

Rindo e Marcos falando na cabeça dele, Nicole diz rápido;

- Pai vou ao cinema com o João.

Ela pensou que ninguém iria escutar;

- Oi? Onde? – Marcos chega a se virar no banco.

- Ao cinema.

- Com quem?

- O João, pai.

- O do trabalho?

- Sim.

- Pode avisar ele aí, que você não vai, não.

- Paiiiiii! Por favor.

- Nicole não.

- Artur me ajuda! – Ela cutuca ele.

- Calma querida, chegar vamos decidir ok.

Marcos olha bravo para ele.

Em casa quando entramos, Artur mandou ela ir se arrumar, e eles conversando na cozinha, eu fui pegar uns biscoitos para assistir TV, e pergunto entrando;

- Posso entrar?

- Sim, Daniel, estamos só conversando. – Marcos diz.

Vou ao armário, coloco os biscoitos em uma vasilha, enquanto eles conversavam;

- Amor, ela precisa disso, negar, esconder e proteger assim não vai ajudá-la em nada.

- Não conhecemos esse garoto direito.

- Marcos, tem que confiar na sua filha...

Sai para não atrapalhar, mas sim, ela foi ao cinema, depois claro de um belo sermão do Pai Marcos.

Ainda na semana seguinte foi a maior quantidade de dias que fiquei sem ver o Wilker, ele viajou com seu pai e prolongaram uns dias.

Artur disse que foi umas férias duplas, pois ele também estava descansando do meu irmão.

Mas Wilker chegou na sexta-feira, e no sábado, não havia aula, nem atividades, não havia nada, era só aproveitar em casa.

Pelo costume do horário acordei cedo, desci para tomar café e Wilker estava bravo com minha irmã;

- (...) Você vai sim, já falei e coloquei seu nome...

Eu me sentei na mesa, e Marcos me serve umas panquecas;

- Se ela não quer ir deixa filho. – Artur diz.

- Todo mundo aqui vai fazer serviço comunitário, Eu, Nicole e Daniel.

- Eu?

- Sim, e come rápido, logo, logo o Hugo está passando aqui.

- Eu iria para a casa do Luigi jogar vídeo game.

- Vai ajudar as pessoas, depois você joga. – Wilker repreende.

- Pronto o Daniel vai com você.

- Nicole não é escolha, ele vai e você também.

- Vai me obrigar?

Ele calado olha para o Marcos, que estava assoprando seu café;

- Ela vai. – Ele se impõe.

- Pai!

- Deixei você ir sozinha para o cinema com o João, e agora você vai prestar serviço comunitário com seu irmão, e fim de papo.

Ela se levanta brava saindo;

- Não coloca roupa curta, nem salto. – Wilker grita.

- Pega leve com ela. – Artur se senta do meu lado.

Ele beija meu cabelo, e pergunta;

- Onde será?

- Hoje acho que no asilo municipal, tenho que confirmar... Hugo chegou, está entrando, mano vai se trocar. – Ele me olha.

- Tá eu vou. – Saio com o prato subindo as escadas.

Nos trocamos e saímos, Wilker já estava no carro com o Hugo, entramos colocando o cinto;

- Bom dia Daniel, Nicole. – Ele fala ligando o carro.

- Bom dia Hugo.

Somente eu respondo;

- Ela não queria vir. – Wilker responde.

Eu não sabia onde era, e muito menos que eu iria fazer nesse lugar, sabia que tinha que ajudar alguém.

Quando chegamos, haviam vários carros estacionando e pessoas entrando com malas e sacolas.

Quando descemos o Wilker abriu o porta malas do carro;

- Ajuda aqui Daniel.

Ele me entrega uma sacola, parecia roupas, e pegou mais uma e outra com o Hugo, nós entramos, e damos os nomes na portaria.

Tinha um jardim imenso, com muros brancos e baixos, as casinhas ao redor desse jardim, um pé de manga grande ao meio e um chão de cimento, com muitas pessoas.

Tinha gente em cadeiras de rodas, de bengalas, muitos idosos;

- Vou levar isso. – Wilker se afasta. – Nicole vem comigo.

- Beleza, Daniel por aqui. – Hugo diz indo na frente.

Nós seguimos a direita, no fim de um corredor, ele pega as sacolas e entrega a uma moça, depois me olha;

- Então pode ir.

- Ir para onde?

- Onde quiser, você pode conversar, jogar, só escolher.

- Escolher quem?

Ele sorri me puxando pela mão, nós atravessamos o pátio, e ele mostra uma das cabanas, havia uma senhora sentada em um banco;

- Ali vai lá ficar com a Dona Ana Maria. – Ele aponta.

Fiz exatamente o que ele mandou, cheguei e sentei do lado dela, caladinho, com as mãos entre os joelhos;

- Oi. – Ela diz.

- Oi.

- Como se chama?

- Daniel.

- Sou Ana Maria, mas pode me chamar de Ana.

Eu somente abro um sorriso;

- Conhece o Hugo?

- Sim, a senhora também?

- Ele sempre que pode vem nos visitar, eu gosto dele, mas o outro é metido. – Ela aponta para o Wilker.

- Ele é meu irmão. – Falo em tom de defesa.

Ela dá uma risada gostosa;

- Estou brincando filho, gosto muito dos dois.

- Eu também.

- Então, que veio fazer aqui hoje?

- Eu, não sei, era para estar jogando com meu amigo.

- Rsrs, queria estar com seu amigo ao invés de vir aqui?

- Sim.

Ela sorri novamente;

- Eu estou sempre aqui.

- A senhora mora aqui?

- Sim, eu e aquela outra senhora de vermelho, a que está dançando.

- É sua amiga?

- Sim.

- A senhora tem netos?

- Tenho 5.

- Uau, eles vem muito aqui?

- Não, tem muito tempo que eu não os vejo, na verdade tem alguns que eu nem conheço.

- Mas e seus filhos?

- Eles me deixaram aqui. Vou te contar um segredo Daniel. – Ela se abaixa próximo a mim. – Gente velha da muito trabalho.

- Eu não acho, gosto de gente velha.

Ela abre o sorriso novamente;

- Crianças na sua idade gostam mais de celulares e jogos.

- Sim eu gosto muito, rsrs, mas gosto da minha avó.

- Hum e me conta a quanto tempo é irmão do Wilker?

- Eu não sei, mais de ano.

- Já ouvi falar da sua família, ele me contou sobre.... Não gosta do padrasto né?

- Sim. – Respondo rindo.

- Ele gosta sim, fica fazendo charme.

- Que é charme?

- Ele se faz de difícil.

- Ah, eu concordo... A senhora só recebe visitas de estranhos?

- Não, você não me é mais estranho, é um colega agora, não concorda comigo?

- Sim, mas não sente falta da sua família?

- Eu sinto, sinto muito filho, mas eles têm a vida deles, e problemas, e eu entendo.

- Eu não entendo.... Não faria isso com meus pais.

- Você é um menino muito especial.

- A senhora pode sair daqui?

- Sim, para passeios, as vezes vamos ao forro, as vezes eles vem tocar aqui.

- Ah! Será que pode ir jantar lá em casa? Meus pais iriam gostar de conversar com a senhora.

- Ai querido, obrigada, estou lisonjeada com o convite.

- Lison... o que?

- Estou feliz.

- Ata.

- Ei Dona Ana, e esse pequeno? Falando muita abobrinha para a senhora? – Wilker chega pegando e beijando a mão dela.

- Você tem um irmão maravilhoso Wilker, acabei de ser convidada para um jantar.

Ele se ajoelha na frente dela;

- É mesmo?

- Sim, eu chamei.

- Vou falar com a diretora então, pedir uma folga para a senhora, tem roupa para essa ocasião?

- Eu tenho um vestido ali, tenho que experimentar.

- Ah tem que ir bem linda.... Diz que mais gosta de comer, vou falar com meu pai.

- Gosto de tudo filho, não tenho isso, mas estou com vontade sabe de que... – Ela aproxima do ouvido dele. – De comer uma lasanha bem recheada.

- Eu também. – Falo rindo.

- Pronto, vou falar com ele, e vamos marcar, tudo bem?

- Eu agradeço. – Ela dessa vez que beija as mãos dele.

- Meus pais me adotaram, a senhora pode adotar a gente.... Minha irmã é chata, mas ela vai amar ter outra avó.

Novamente aquela risada gostosa, ela me abraça de lado, eu senti o cheiro de amaciante, em uma roupa tão fofinha, de um colo tão acalantador.

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