• @rgpatrickoficial

Laços - Capitulo 14

#Artur

- (...) Exames... eu pedi exames, gente você está surdo garoto? SAI, vai fazer que eu mandei.

- Gente! Os internos vão desistir de trabalhar com o senhor.

- Menina meu dia já não está bem, tenho pena de quem entrar nessa emergência hoje.

- Se prepare, vítimas de incêndio doméstico chegando, já avisaram.

Sai do balcão, pegando minhas luvas;

- Cadê os incompetentes dos internos da emergência? – Falo olhando ao redor.

As ambulâncias chegaram, eu sai e desceram um garoto;

- Vítima foi retirada de dentro da residência, 15 anos, sem ferimentos graves... – O paramédico foi falando, eu olhando a ficha entregue por ele.

Os internos chegam até soando;

- Doutor...

- Tem mais vítimas chegando, se preparem. – Falo bravo.

Eles correm para a porta, e eu analiso rápido o garoto;

- Sou Doutor Franco, mas pode me chamar de Artur.... Olha aqui por favor! Ótimo. Sente alguma dificuldade para respirar?

- Não.

- Respira fundo.... Isso.

Analisando o garoto escuto sirenes, mas não de bombeiros;

- Vieram escoltados? – Pergunto ao paramédico.

- Não, havia dois PMs na residência, estão a caminho. A escolta é apoio da polícia.

Odeio quando escuto isso, infelizmente sempre espero o Marcos.

- Levem ele para fazer os exames, soro e não tirem esse oxigênio de forma alguma. – Falo entregando o caso aos internos.

Assinei liberando o garoto do bombeiros, e então a cereja sobre o bolo do meu perfeito dia.

Dois policias quase chutam as portas, e entram duas macas, uma com o Marcos e outra com o Matheus.

Entraram rapidamente, e como responsável pela emergência, trouxeram eles para mim. Marcos me conhece, estava sentado na maca;

- Trouxemos dois heróis doutor.... Foram eles que entraram na casa para salvar a criança. – Fala o paramédico todo feliz.

- Oi amor.

Peguei a ficha do Marcos, olhando em seus olhos. Ele todo preto, com cabelo bagunçado, roupa suja, parece que depois do incêndio pegaram ele e o rolaram nas cinzas.

- É verdade o que disseram? – Pergunto.

- Sim.

- Marcos, que está escrito aqui? – Pego no brasão da sua farda.

- Ai Artur.

- Fala.

- Está me machucando.

- Que está escrito Marcos?

- Policia Militar.

- POLICIA, não bombeiros, você não entra em casa pegando fogo. – Dou-lhe um muro.

- Artur!

- Você tem família, tem uma casa e um marido, e fica arriscando a vida assim, que foi, quer suicidar? Que você tem na cabeça.

- Aí, Artur para. – Ele me segura.

- Doutor. – Um interno interrompe.

- Cala, antes que sobra para você.

Todo mundo calado assistindo a cena, e se falassem algo iria ter mais feridos;

- Doutor! – Ele novamente mostra o tecido cheio de sangue.

Eu olho nas costas do Marcos, na altura do ombro;

- Queimadura de segundo grau.

- Levem ele, e tratem com o mesmo carinho que eu. – Falo olhando aos meninos. – Já te encontro. – Deixo sua ficha na maca ao seu lado.

O Matheus graças a Deus, calado, peguei sua ficha;

- E você?

- Eu estou bem.

- Como ele? – Aponto para o Marcos que já estava no elevador.

- Marcos foi um herói, ele pulou na casa pegando fogo e retirou o garoto.

- Ele tem isso, gosta de se exibir. – Falo analisando ele.

Cara passei uma luz nos olhos do Matheus, e ressaltou mais ainda a cor, que era aquilo, muito lindo o garoto;

- Vocês tem muita sorte.

- Sim, eu tenh... – Paro de falar quando vejo o ferimento dele. – Preciso da sala de Traumas liberada, tragam material para lavagem, tenho queimaduras de segundo e terceiro grau aqui. – Falo já acelerando a equipe. – Não esta sentindo dor Matheus?

- Não.

- É a adrenalina. Deita por favor.

Levamos ele, e iniciamos a medicação, soro, e começamos a limpeza do local;

- Sabe aquela pergunta, sobre a dor, pois é, acho que agora estou sentindo.

- Calma, de 0 a 10 qual número sua dor se aproxima?

- 10? – Ele fala gemendo.

- Pode aplicar a morfina. – Falo a enfermeira.

Fiquei um bom tempo com ele, foi feio o ferimento mas iria ficar bem, e claro uma cicatriz.

Vou ver meu marido, vou ao andar onde colocaram ele, e adivinhem?

Marcos estava dando uma entrevista ao jornal da cidade, fiquei na porta olhando ele, quando saíram, ele me olha;

- Posso ir para casa?

- Sim, já pode. – Fecho a porta.

- Você bravo é um tesão sabia. – Ele pega em meu “volume”.

- Mas gente Marcos, eu to trabalhando. Para.

- Rsrs, só falando a verdade.

-Me fala porque fez aquilo? – Puxo a cadeira para se lado.

- Sinceramente amor, nem eu sei.

- Não faz mais isso amor, puta merda, eu não tenho estrutura.

Falo com lagrimas nos olhos;

- Você é foda Artur.

- Bem tenho que te contar algo.

- Sim.

- Deita Marcos. – Empurro ele de volta.

- Disse que eu poderia ir para casa.

- Vai depois que esse soro passar.

- Mas amor...

- Nada de mais amor, menos amor, deita.

- Ai meu Deus. – Ele se ajeita. – Fala que aconteceu. – Ele diz irônico.

- Olha como fala comigo.

- Rsrsrs.

- Dimitri veio falar comigo hoje.

- Algo com Wilker?

- Não, porque?

- Ele anda estranho.

- É percebi também..., Mas não, disse que viu o projeto da clínica na prefeitura e se prontificou a banca-la toda.

- Como assim?

- Ele quer pagar tudo, construção, equipe, equipamentos, tudo.

- E assim de graça?

- Está com uma desculpa de ser para o Wilker, colocar tudo no nome dele.

- E o que você pensou?

- Nada, recusei.

- Amor, é seu sonho, e olha, ele é arrogante, é mal caráter e oportunista, mas isso garante o futuro do Wilker... Pois sabemos que basquete aqui no Brasil...

- Quero que ele siga o que sempre sonhou sabe Marcos?

- Sim Artur eu sei, mas como pais temos que garantir ao máximo o futuro deles.

- Queria falar com você antes.

- Bem se for tudo em nome de Wilker, sem interferência de Dimitri, por mim, sem problemas.

- E Nicole e Daniel?

- Amor, olha aqui, dos dois a gente se vira, como sempre fizemos. Daniel! Não era para vir agora, mas mora com a gente hoje, e graças a Deus o adotamos.

- Você está certo, vou falar com Wilker.

- Isso, fala com ele. E Matheus?

- Que?

- Como está?

- Só sai amanhã, se melhorar, talvez pode ficar mais uns dois dias.

- Pena.

- Pena? Oi?

- Coitado do garoto ué.

- Quer fazer companhia para ele? Deixo você aqui.

- Deixa de ciúmes Artur.

- Vou ver meus pacientes. – Me levanto.

- Nem um beijo?

- Não, vai ficar aí pensando na loucura que fez, está se achando o Batman né?

- Quando terminar posso ir embora? – Ele olha o soro.

- Sim.

Saio da sala, e a enfermeira passa;

- Querida mais um soro aqui por favor.

- Sim Doutor.

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