• @richardsongaarcia

INFAME - Capitulo 29

Fechei a porta, ele virou a chave e trancou as portas. GALERA ele se virou para mim, tipo, tirou o sinto, e colocou uma das pernas sobre o banco, me olhando, com os braços apoiados nos joelhos;

- Que foi senhor Gael, o que tem de tão importante para falar comigo?

Abrindo um parêntese aqui, “Eu não sei se o Henry saberia ou não o que eu iria falar, mas na minha cabeça, ele pensou que eu não teria coragem”.

Coloquei o livro no painel, me virei um pouco para ele, e então falei;

- Henry quero que tudo que eu fale aqui não mude nada na nossa amizade independente do que aconteça, fechado? – Pergunto estendendo a mão.

- Agora está me assustando Gael. – Ele fala pegando minha mão.

- Henry a Milena ouviu você conversando com o Iago sobre a gente. – Falo sem pestanejar.

Ele olha para os lados muda sua feição do rosto, inclina pouco a cabeça dizendo;

- Conversando?

- Que você está sentindo algo por mim.

Ele arregala os olhos, fica em silencio por uns minutos e questiona;

- Sentindo? Ela disse que ouviu eu dizer para o Iago que estou apaixonado por você? – Pergunta ele.

- Sim.

- Isso não é mentira. Eu falei com o Iago, mas não foi nada relacionado a você Gael. – Ele fala meio sem entender porcaria alguma.

Eu queria entrar dentro do buraco do ar condicionado nesse momento;

- Mas porque está me perguntando isso. Acha que eu estou apaixonado por você Gael?

- Não, mas, é que... – Eu já estava gaguejando, perdi todo o meu rumo.

- Que?

- Você é diferente comigo, fica fazendo carinho, me fazendo rir, a gente conversa até tarde no telefone, e morre de ciúmes do Martin Henry. – Pronto, eu sai de mim.

- Você é meu amigo, foi a primeira pessoa que me acolheu no Santa Catarina Gael, eu gosto de você, mas não é assim que as coisas funcionam... E se fosse verdade, mano você é demais para mim, merece alguém bem melhor que eu (...).

Que papo mais furado, que resposta mais ensaiada, caramba. Eu abro a porta do carro e desço. Não queria ouvir mais ele, estava já me humilhando, o Henry me chama por vários momentos;

- Gael, vem aqui... Gael espera. – Ele fala saindo do carro.

Eu pego a chave e tenho dificuldades em colocar ela na porta, poxa eu estava chorando já;

- Seu livro, vai deixar ele, Gael... Gael está chorando? Me desculpe olha... – Ele fala segurando meu ombro.

Eu abri a porta e entrei;

- Gael espera.

Eu coloco a mão no peito de Henry impedindo ele de entrar e falo olhando nos seus olhos;

- Só não fique com pena de mim. – Falo fechando a porta.

- Porque eu ficaria? – Ele pergunta com a porta fechada na cara.

Eu virei a chave, e sentei chorando na escadaria de frente;

- Gael... Gael... Eu sei que esta ai, abre a porta... Gael por favor, estou pedindo.

Como eu queria sumir, como eu sou idiota, um merda, que raiva, muita raiva mesmo;

- Me desculpa, abre a porta para que possamos conversar, Gael eu gosto de você, muito mesmo, olha...

A câmera sobre o Henry estava gravando ele, eu olhando seu corpo inclinado na porta, o livro em sua mão, mas sua voz estava me fazendo mal, ouvir ele depois do que eu havia feito. Subi as escadas deixando ele falar sozinho.

Entrei no meu quarto fechando a porta, e meu celular vibrando de mensagens da Milena querendo saber o que havia acontecido, ela estava curiosa. Eu o deixei de lado e deitei em minha cama, com a cabeça no travesseiro. Essa noite eu chorei, muito, mas muito mesmo.

#Henry

Esse dia está na lista dos “Piores dias da minha vida”, em segundo lugar, a primeira foi a morte de minha mãe.

E olhem que nem foi por causa do Gael, ele somente somou para piorar meu dia.

Cheguei em casa com a cabeça doendo muito, porque eu não sabia o que fazer para reverter o que havia acontecido, fiquei pensando, e lembrando dele me falando aquelas coisas, e de como fui otário da forma que me expressei.

Quando paro o carro aguardando a garagem se abrir vejo algumas luzes do escritório e quarto acesa, o que não é normal em meio de semana em casa. Eu desci e desliguei o carro ali mesmo, entrando.

O meu irmão chorando, eu segui subindo as escadas, e no fim do corredor, entrei no quarto do meu pai.

O Henrique estava chorando sobre a cama, e com algumas folhas estendidas sob sua pequena mão, quando chego meu pai as puxa com muita raiva;

- Que está acontecendo aqui? – Pergunto entrando.

O meu irmão corre e me abraça, como ele estava de pé na cama, eu só me aproximei;

- Seu irmão Henry, mexendo onde não deve, eu já falei, não colocar a mão nesse cofre, não chegar perto desse cofre, mas ele é teimoso demais né Henrique. – Ele repetia colocando uns papeis lá dentro novamente.

- Eu só queria ver a foto da mamãe.

- Mas tem foto dela no seu quarto Henrique. – Falo limpando lagrimas dele, com minha camisa.

- Eu não achei.

- A Geralda aquela incompetente deve ter mexido. Eu não aguento mais essa casa, vou ter uma conversa séria com ela, e com você senhor Henrique, está de castigo.

- Pai é só papel... Pega. – Falo pegando algumas folhas sob a cama.

Eu peguei uma pequena pasta que se abre e cai mais papel no chão, me abaixei, pois, dois foram para debaixo da cama, junto a foto da minha mãe, entreguei para ele, e vejo algo diferente;

- Ué o testamento está aqui em casa? Pensei que estivesse no escritório. – Falo com aquela folha de papel grosso nas minhas mãos.

Ele pega a pasta arrumando os papeis dizendo;

- Esta é a procuração Henry, o testamento está com o Rafael. – Ele fala se levantando.

- Essa aqui é a letra da mamãe. – Falo lendo o papel.

- Me dá essa folha Henry. – Ele fala tentando pegar o papel.

Eu desviei e continuei lendo;

- Henry Montalvan me entrega essa folha, não vou pedir de novo.

Meu corpo queimou lendo aquilo, veio do estomago, subiu um nó na garganta, eu chorei pelas palavras da minha mãe, as lagrimas desceram na mesma rapidez que fiquei puto, louco na verdade;

- Que Porra é essa? – Falo olhando para o papel.

- Henry seu irmão está aqui. – Ele fala me olhando assustado.

O Henrique estava calado, com a foto da nossa mãe segurando ela com as duas mãos, me olhando de olhos arregalados;

- QUE PORRA É ESSA? ME FALA! – Falo sacudindo o papel na frente dele.

- Calma, eu posso explicar.

- Explicar? Quem é você? Meu Deus. Meu Deus. Pega e vai para o carro lá de fora. – Falo entregando o papel para o Henrique.

- Mais Henry. – O meu irmão fica assustado.

- Vai correndo. – Grito com ele.

- Espera Henrique. Eu mando em você, fica aqui. – Fala meu pai vindo para cima de mim.

Eu o empurro ele, e pergunto;

- Ele é seu filho?

- É claro que é meu filho Henry, assim como você, os dois são meus filhos.

- Então minha mãe mentiu? MENTIU?

- Henry calma.

- Eu passei tudo para você, era a única coisa que queria, não era nem eu nem o Henrique, só o dinheiro. Por causa de dinheiro, Meu Deus.

- Meu filho espera.

Ele fala me segurando tentando me abraçar, eu empurrei ele, desta vez com mais força, com isso ele esbarra os pés na cama, tropeça e cai no chão, nada demais, só desajeitado mesmo, porem com isso eu peguei a tal procuração, e vou saindo do quarto. Como o movimento foi rápido, ele segura em meu braço esquerdo.

Então eu virei com velocidade e o acerto com um murro no rosto, ele então cai novamente. Acho que me machuquei meu punho, pois tentei trancar a porta e a mão estava doendo muito.

Eu sai correndo, e enquanto descia as escadas ouvi chutes na porta, para terem uma ideia, quando passei pela porta principal ouvi ele quebrar a porta, e seus passos rápidos.

Eu sai na porta gritando com o Henrique;

- Coloca o sinto. Rápido, coloca o sinto.

Entro no carro, ligando e engatando a ré o mais rápido que pude, ele vem e quando eu viro o volante ele bate com muita força no vidro, isso faz o Henrique começar a chorar de medo, então acelerei, muito, que o carro saiu cantando pneus.

Quando virei a rua percebo o carro do meu pai saindo da garagem;

- Segura Henrique, segura.

Desliguei os faróis e arrisquei, peguei uma das vias que eu conhecia muito e acelerei o carro o máximo que pude, eu somente fui parar quando encontrei uma entrada de praia, e estacionei, meio que escondido em algumas arvores e arbustos.

Parei o carro o Henrique sem entender nada, eu abracei ele e fiquei um tempo sentindo o cheirinho e tentando acalmar meu irmão;

- A gente fugiu de casa Henry? – Ele pergunta.

- Sim Henrique.

- Amanhã eu tenho prova! – Fala ele todo inocente.

- Ei, calma tudo bem, vamos resolver isso.

Peguei meu celular e liguei para a Geralda, conversei por muito tempo com ela, e expliquei o que tinha acontecido;

- Vem logo, vocês dormem aqui e depois decidem o que fazer Henry. – Ela fala.

- Tenho medo do meu pai ir na sua casa ir procurar a gente Geralda.

- Olha ele não.... Calma aí Henry. – Ela fala, pois, escuta um barulho no portão. – Seu pai está aqui Henry. – Ela fala.

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