• @richardsongaarcia

INFAME - Capitulo 17

Bem chegamos no andar e a Ingrid abre a porta da sala, mas ao entrar ficamos imóveis, pois o Rafael estava dando uma bronca em alguém;

- Fala a verdade uma vez na vida? Consegue. – Grita ele com alguém na cadeira.

Fiquei constrangido, mas ele olha e fala;

- Que bom que chegaram, entra Elias. – Fala ele vindo cumprimentar.

- Se quiser aguardamos. – Fala meu pai.

- Não, quero falar com vocês mesmo, você Henry na verdade. Vem aqui. – Elias fala me puxando até o outro lado da mesa.

Quem estava sentado era o Kaique, o Elias então diz;

- Me fala que ele aprontou na sua festa? Eu já sei, mas quero ouvir da sua boca. – Elias diz com a mão no meu ombro.

- Na minha festa?

- Isso, os Mori Almeida retiraram essa manhã quase sessenta por cento de processos do escritório, e mais...

- Kaique jogou na piscina o filho deles, o xingou de pobre, e outras injurias que não cabe a mim dizer aqui, isso porque o garoto é gay. Foi sua justificativa.

- Você viu ele fazer isso Henry? – Pergunta meu pai.

- Sai da minha sala, espera que a gente já conversa. – Fala o Rafael com a mão na testa.

Apontando a porta para o Kaique.

- Sentem aí Elias. – Fala Rafael. – Preciso de um Wisky, aceitam?

- Não obrigado.

- E você em Henry? Já fez dezoito anos filho.

- Não obrigado. – Falo me sentando.

Rafael vem com outro copo e entrega para o meu pai, se senta e puxa sua pasta falando;

- Vou fazer ele pedir desculpas de joelhos, cara se eu pego o Kaique, estamos em 2018, como o garoto de dezoito anos me apronta uma dessa?

- Mas eles fizeram isso por causa do Kaique? – Pergunta meu pai.

- Não, acredita que o próprio Bento me ligou, dizendo que iria fazer algumas mudanças, e blá, blá, blá. Depois de falar um pouco com ele me disse que o comportamento de minha família principalmente de meu filho que o atingiu diretamente não o deixou feliz, ele falou por quase uma hora, e eu calado, o que iria falar, eu sou o errado. Mas ele vai pedir desculpas, ah o Kaique não perde por esperar.

Rafael estava furioso, acho que perceberam. Podem me acusar de ser “dedo duro”, mas eu passei pelo mesmo com o Gael e apreendi, da pior forma, não devo acobertar ele por ser um antigo amigo, se ele errou que ele pague.

- Mas vamos ao que interessa! Henry olhe. – Rafael fala me entregando uma espécie de carta.

Era da empresa, falando um monte de coisas e tals;

- Este é somente uma carta de ciência, este aqui uma intimação.

- Sei, mas não dá para ler tudo isso agora.

- Se não tomarmos uma posição os acionistas irão administrar da forma deles.

- Henry, caso deixe isso acontece, os Sampaio serão presidentes da empresa.

Acho que os “Sampaios”, ainda não foram meramente apresentados a vocês, são os pais do Martin, dele sim, vocês se recordam.

Eu me levanto, vou andando até a sacada;

- Henry... – Chama meu pai se levantando da mesa.

- Deixa ele Elias. – Fala Rafael.

Abro a sacada e fico olhando de frente a cidade, sinceramente eu não estava pensando em nada, fiquei por alguns momentos olhando o nada, retornei, fechando a sacada e sentando na cadeira novamente;

- Vou assinar a procuração para o meu pai. – Falo pegando a caneta.

- É o certo Henry. – Fala Rafael. – Estão aqui, os documentos, precisa dar um visto em cada uma das páginas e assinar onde tem seu nome.

De folha em folha, uma por uma, em questão de minutos, eu passei uma procuração de tudo o que restava para mim e meu irmão a ele, no fundo, sentia estar fazendo o certo.

- A última, aqui nesse ponto, com ela você finaliza. – Fala Rafael segurando as folhas.

- Pai tem uma condição. – Falo largando a caneta.

Nessa hora ele ficou branco, pálido com os olhos arregalados;

- Sim, qual é essa condição?

- Quero um emprego para um amigo do Santa Catarina.

- Só isso?

- Pai estou falando sério.

- Claro Henry, peça ele para falar comigo, quando quiser.

Peguei novamente a caneta e assinei a última folha.

Galera no caminho para casa, meu pai estava todo feliz, me elogiando, isso e aquilo, como seria o futuro, um monte de coisas;

- Será que pegou mal eu ter contato do Kaique para o pai dele? – Comento no meio da conversa dele.

- Independente de quem o garoto seja filho, eu não iria pensar duas vezes de punir você se caso ocorresse. Mas foi certo falar a verdade.

- Ele foi muito mal pai, não poderia ter feito da forma que fez sabe.

- Entendo, você fez o certo Henry.

- Pode ser.

No grupo de futebol, os meninos estavam conversando e eu entrei para acompanhar, e o Iago envia uma foto de um campo, onde estava aparentemente treinando;

- “Que isso moss, não precisa treinar tanto assim, é medo do Kaique?” – Falo zoando ele.

Todo mundo riu, e até Iago;

- Não é eu que estou treinando não viado, são os meninos aqui do “Somar Floripa”, sou o professor deles.

Fiquei igual vocês, com um ponto de interrogação na testa, chamei ele no Privado e perguntei onde era e tals.

- Pai o Somar Floripa, fica aqui no Centro né? – Pergunto enquanto ele dirige.

- Sim, perto das lojas Pernambucanas.

- Pode me deixar lá?

- Vai fazer o que?

- É coisa da escola, pode me deixar lá?

- Sim, é aqui perto.

Eu desci na esquina, dizendo pegar um UBER, para voltar depois. Andando até o lugar envio mensagem para o Iago sair de fora.

Ele somente falou ok, fiquei aguardando e um rapaz aparece no portão;

- Você é o Henry? – Pergunta ele meio soado.

- Sim.

- Entra o Iago está la dentro. – Diz ele abrindo o portão.

Pessoal o “Somar Floripa”, é uma organização não governamental, onde possui os mais diversos trabalhos voluntários aqui da cidade, desde cuidar de animais, moradores de rua, fornecer, medico, psicólogos, caramba eles fazem muito pela comunidade.

Eu fui entrando, passando por um corredor, aparentemente como uma escola, e a esquerda um campo society, com vários garotos e garotas, jogando bola.

Iago estava com uma espécie de aparelho, acompanhando um garoto, este aparelho faz com que o garoto se movesse com as pernas de Iago, que estavam amarradas juntas, o garoto aparentava ter alguma mobilidade física.

Haviam alguns professores, jogando com essa molecada, Iago me vê atrás e somente acena com a mão, junto ao garotinho.

Eu fiquei no banco olhando o jogo deles, e as meninas ganharam no caso, foi uns minutos jogando, depois foram saindo e bebendo agua, se hidratando.

Iago chega, senta me cumprimentando;

- E aí Henry. – Diz ele pegando em minha mão. – Este é o Ricardo, fala oi para o Henry Ricardo.

- Oi Ricardo, como vai rapaz? – Falo pegando em sua mão.

Ele a aperta e dá um soco.

- Oi, eu estou cansado, rsrs. – Fala ele rindo.

- Aqui, bebe, deixa eu soltar aqui, vai diminuir o calor. – Iago fala soltando ele.

O coloca em uma cadeira de rodas na nossa frente e questiona;

- Que foi mano? Aconteceu algo para vir aqui?

- Você faz trabalho voluntario a quanto tempo?

- Tem poucas semanas, eles estão precisando.

- Foi para eles que você fez a doação?

Iago vira o rosto, bebe mais um gole de agua e diz;

- Foi, toda ela.

- Tenho algo para te falar, espero que não fique bravo.

- Se for sobre dinheiro não precisa falar.

- Consegui uma entrevista de emprego na empresa da minha mãe para você, comentou comigo que na loja não iria bem.

- Na empresa?

- Sim, você vai lá, conversa e se der certo começa na semana que vem.

- Não sei mano.

- Cara, você vai sem compromisso, e assim você tira melhor que na loja Iago, vai lá, aproveita a oportunidade.

- Beleza, depois em passa o endereço. Valeu. – Diz ele me abraçando.

- Oi, tudo bem, sou Tiago, veio conhecer o programa? – Pergunta um cara moreno, alto de aparentemente uns trinta e oito anos.

- Sim, falar com o Iago, sou Henry, mas o que vocês fazem aqui, é extraordinário. – Falo pegando em sua mão.

- Essa é a palavra, pois trabalhamos com pessoas extraordinárias. Veio ser voluntario, como o Iago? – Ele pergunta.

- Henry não tem muito tempo para isso Tiago.

- Não! Eu tenho, posso conhecer? Como faz para me cadastrar? – Falo me levantando.

- Na secretaria, fala com a Rosa, ela resolve para você. Toda a ajuda é bem-vinda.

- Sim, vou falar com ela.

- Seja Bem-Vindo.

- Obrigado.

- Mano isso aqui é sério, não faço por mim não, e sim por eles. – Fala o Iago desconfiado.

- Ótimo, eu tenho interesse, a sala da Rosa fica na entrada?

- Sim, a segunda porta a direita.

Falo saindo, e ele me olhando de longe, meio desconfiado se realmente iria fazer aquilo.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia