• Richardson Garcia

INFAME - Capitulo 13

#Iago

Em algumas semanas, na minha casa, eu, Milena e Hudson meu tio, estávamos tomando café, nos iriamos para a aula, quando aparece o Henry na TV, no noticiário local, no caso mostrou uma foto dele;

- Eita, não é o Henry? – Fala a Milena.

Nós olhamos todos ao mesmo tempo, prestando atenção;

“- Quase um ano da catástrofe que abalou a família Montalvan, onde na ocasião, em um acidente na Rodovia Gov. Mario Covas, tirou a vida de Stella Castro Montalvan. Seu primogênito, o adolescente de dezessete anos Henry assume por direito a empresa de sua mãe, tendo como responsabilidade a difícil tarefa de manter o legado até seu irmão, chegar a maioridade... Estou aqui com o Comentarista e Economista Marcio. Bom dia, na sua opinião, como acha que a família irá lidar com tudo isso?

- Bom dia Ana, bom dia a todos... Olha não sabemos muito sobre o garoto, mas está bem claro que ele irá passar o controle para o pai, é bem obvio isto.

- Mas Elias Montalvan está envolvido em casos de lavagem de dinheiro, junto a Elias Alcântara. E mesmo sendo responsável legal dos filhos, não consta seu nome no testamento.

- As coisas não estão boas para nenhum dos lados, mas acho que eles assumindo a empresa, pode tirar a família do buraco.

- Lembrando a todos que essa tarde, acontece o julgamento decisivos das vítimas do Acidente no Hotel Boulevard, em 2017 onde houve duas vítimas fatais, e vários feridos, o tribunal decidi a pena para a responsável, que nesse caso é a Construtora.

- Esse dia é muito importante Ana, são quase oito meses depois do acidente, e ainda as famílias buscam por justiça, até então ninguém foi para preso pela morte destas vítimas.

- Obrigada pelas palavras Marcio, vamos aos comerciais e em breve veja...”

- Nossa esse povo está metido em tantos problemas, que nem sabem o porquê vão presos. – Comenta a Milena.

- Esse é o tal garoto que estuda no Santa Catarina? – Pergunta meu tio.

- Sim, Henry. – Confirmo.

- Quero que fique longe dele, não converse, ou troque palavras, nada, está me ouvindo? – Galera ele nunca falou assim comigo.

- Tudo bem, mas posso perguntar o porquê?

- Precisa falar que ele não é um bom exemplo? Iago você ajuda pessoas assim, está do seu lado para tudo, e quando você precisa eles viram as costas, fingem que não te conhece. E pelo que você me conta, já consigo perceber o tipo de homem que esse garoto vai se tornar.

Eu não falei nada, só concordei.

- Eles afundaram uma empresa, milhões de pessoas na rua, e não vão pagar por isso. Agora entregam uma novinha em folha nas mãos de um garoto. O que eles têm na cabeça? – Questiona Milena.

- Poderia ter deixado com o pai dele, e não para o Henry. – Falo terminando minha xicara de café.

- O pai dele é o pior tipo de pessoa que existe. – Fala meu tio se levantando.

- Como sabe? Fala como se conhecesse eles tio.

- Iago, porque acha que a mãe deixou tudo para os filhos e nada para o marido? Será que ele é um santo?

- Talvez para proteger os filhos não? – Questiona ela novamente.

- Proteger do pai.... Pessoal vou nessa, até mais.

- Até.

Seguimos para o colégio, pois com semana de provas se aproximando não rola perder aula.

Graças a Deus o Henry trocou de lugar na sala, agora estava sentando ao lado esquerdo, mas afastado, não mais a nossa frente.

Depois das duas aulas de matemática e uma de física, toda a turma foi saindo no intervalo.

Eu estava de pé ao lado Gael, pois ele e o Raul ainda não havia terminado de copiar a matéria do quadro.

Com todo mundo ao lado de fora, o Henry chega do meu lado, rumo a mesa do Gael;

- Ficou na minha mochila no dia do trabalho. – Fala ele colocando um PenDrive na mesa.

- Obrigado. – Fala Gael colocando no estojo.

Henry se vira, e escutamos uma notificação no seu iPhone, eu ainda olhando para ele perto da porta.

Henry lê algo e se vira para mim e comenta;

- A indenização foi emitida pelo juiz, vocês ganharam. – Fala ele me olhando.

- Não queremos seu dinheiro. – Falo sendo arrogante.

- Não é meu dinheiro, é um direito de vocês, e não estou sendo mal-educado, essa grana vai ajudar cara, mais de cem mil reais.

- Foi o valor que pagaram quando sua mãe morreu? – Falei demais? Eu sei.

Henry ficou me olhando sem nenhuma expressão, ele tentou gesticular os lábios, mas não saiu nada, se virou e saiu;

- Porra Iago, pegou pesado mano. – Fala o Raul.

- Iago não poderia ter falado aquilo. – Gael concorda.

- Ele merece. – Falo fechando minha mochila.

- Mano, olha aqui... – Fala Raul segurando meu ombro. – Está agindo como ele, você não é assim.

Me virei e sai da sala. Fui explodir no banheiro, ainda não consigo falar dela, da minha mãe. Me sentei no reservado e fechei os olhos, tentando ao máximo concentrar, mas algumas lagrimas desceram, foi inevitável.

#Henry

A cada dia naquele colégio, com aquele tipo de pessoa eu ficava pior, não dá para explicar.

Essa transição que eu estava passando em minha vida, foi um dos piores períodos que vivi. Eu sei e sou ciente que pessoas tem problemas maiores, mas eu não sou outras pessoas. Deus dá para cada um o tamanho do fardo que se consegue carregar, acredite nisso. É onde coloco minha fé.

Mas há questionamentos, muitos, e estão aumentando muito, muito mesmo com o passar dos dias sem minha mãe.

Em casa, estava no meu quarto, estudando para a primeira prova da próxima semana.

O Henrique no colégio ainda, e Geralda lavando algo na frente de casa, quando escuto ela me chamar, eu tentei responder, mas ela estava longe;

- (...) Amigo (...) Colégio. – Eu estava com os fones, só entendi umas palavras, e responde rápido.

- Pode deixar entrar Geralda, tudo bem. – Em um raciocínio rápido achei estranho.

Amigo, pedir para entrar, pronto só poderia ser do Santa Catarina, tirei os fones e deixei a caneta na mesa, ao olhar o Iago, na porta do meu quarto, dentro da minha casa, o Iago.

Veio um monte de sentimento, que nem me levantei, fiquei sem graça, sem o que falar, perdido é a palavra;

- A moça pediu para eu entrar, não queria, mas ela insistiu. – Fala ele, gaguejando e errando palavras.

- É eu falei para entrar. – Falo me acomodando na cadeira.

- Eu iria enviar mensagem, mas estou indo para o shopping trabalhar e resolvi passar aqui e falar pessoalmente.

- Sim. – Falo curioso.

- O que falei na sala, foi mal. – Iago fala todo nervoso, gesticulando com as mãos tremulas. – Não deveria ter falado dela para você.

- Beleza.

- E sei muito bem como é a perda, e sei como doe, não foi certo o que disse.

- Porque veio aqui?

- Gael me convenceu.

- Huum.

- Eu vou nessa, tenho que.... Trabalhar como disse.

- Te acompanho. – Falo me levantando.

Arrumo o short e desço as escadas, abro a porta vendo sua moto a porta, ele se vira e estica sua mão, nos cumprimentamos e ele sai.

Eu sentei na escadaria da porta e fiquei sem entender merda nenhuma, Iago sendo educado? Poderia ser alguma brincadeira dos meninos? Eu fiquei sem entender nada como vocês estão agora, depois de ler isso.

- Seu pai ligou Henry. – Fala a Geralda vindo a porta.

- O que queria?

- Pediu para avisar que os Mori Almeida compraram o projeto do novo Hotel. – Fala ela, entrando junto a mim.

- Pelo menos uma notícia boa.

- Sim, ele está muito alegre no telefone.

Minha mãe tem uma empresa de arquitetura, venda de projetos e gestões de vários locais do sul do Brasil, meu pai estava em negociação a bastante tempo com eles para a venda desse tal projeto, foi a razão do tal jantar.

Voltei a estudar até meu irmão chegar do colégio.

Como nossos quartos são próximo, depois de uns minutos ouvi ele chorando, eu saio e entro em seu quarto;

- Que foi Geralda? – Pergunto ao ver ela.

Eles estavam sentados em meio aos brinquedos;

- Henrique tem que doar um brinquedo dele no colégio e não consegue se decidir. – Fala ela.

- Eu gosto muito de todos eles. – Fala ele choramingando.

- Mano escolhe um que você não brinca tem muito tempo. – Falo pegando uns carrinhos na estante. – Olha estes aqui.

- A mamãe que me deu.

- Ok, e aquelas caixas do porão?

- Estão aqui Henry. – Fala a Geralda.

- Meu Deus deve ter pelo menos um Henrique.

Gente com muito custo conseguimos separa uma daquelas pistas da Hot Wells, mas ele não estava convencido, eu expliquei, a Geralda explicou, mas não entrava na cabeça dele;

- (...) E esse amigo seu não tem nenhum brinquedo Henrique, agora olha você, tem um quarto cheinho.

- Mas eu vou sentir falta deles Henry.

- Vamos fazer o seguinte, pega um carro da minha prateleira, vou doar também.

Ele entra, e retorna com o meu preferido, a Geralda me olha e começa a rir;

- Pronto, agora só deixar eles na escola, entendeu?

- Sim, vamos doar o seu. – Fala ele entregando o meu para a Geralda.

Gente ela ria de rolar no chão, sério ficamos horas convencendo esse menino a desapegar de um brinquedo.

No dia seguinte, eu estava tomando café com o Henrique e Geralda, e meu pai desce as escadas;

- Henrique que vai fazer com aquela sacola de brinquedos junto a mochila? – Pergunta ele se sentando.

- Vou doar pai.

Gente, meu pai ficou olhando todo orgulhoso para ele;

- Que coisa mais linda meu filho. Olha isso Henry, tem que ter exemplo, você querendo fazer festa de aniversário e seu irmão abrindo mão do que tem para os que precisam.

Gente fiquei muito bravo;

- Seu sem vergonha, acha que foi fácil assim? Passamos horas escolhendo um brinquedo para ele doar, e ainda pegou os meus, se não fosse eu e Geralda ele não iria levar.

- Mas que poderia desistir da festa poderia né Henry!

- Pai, nós vamos fazer essa festa, economizei para isso.

- Vou poder participar? – Pergunta o Henrique.

- É claro que vai, do seu quarto. – Falo cortando seu barato.

- Vocês dois, podem parar, depois a gente conversa sobre essa festa, tenho que ir.

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