• @richardsongaarcia

EntreLinhas


Mais um ano letivo no Colégio Wilson Joffre, na cidade de Cascavel - PR. Mais um ano para Davi Lucas, mas o que não estava em seu caminho era o novo professor substituto o Ítalo, até então inofensivo e até meio desajeitado. Que tal acompanhar essa rápida e avassaladora historia de amor proibida?


22 de Janeiro de 2014 – Cascavel – Paraná.

Cheguei em cima da hora no Colégio Estadual Wilson Joffre, enquanto estacionava o carro em uma baliza complicada os últimos alunos ainda estavam entrando no portão do colégio a minha direita.

Foi colocar o pé para dentro o portão se fecha, deixando dois alunos de fora, logo no primeiro dia de aula do ano!

Segui para a Direção, mas a Diretora Ângela, estava na maior correria, faltando professor, organizando sala, essas coisas, de inicio do ano letivo;

- Bom Dia Ângela, sou. Ítalo, nos falamos ontem ao telefone, tudo bem? – Falo com a mão em suas costas.

Ela educadamente me cumprimenta com um beijo e olha em sua prancheta;

- Duas aulas no Terceiro ano B professor, nesse pavilhão a última sala a esquerda, olha não posso te acompanhar, tenho que...

- Fica tranquila, sei me virar, rsrs.

Os corredores ainda cheios de alunos, e eu segui pelas salas, olhando no celular, pois não iria poder fazer isso dentro da classe, quando alguém tromba comigo pelas costas quase me derrubando;

- Eita foi mal. – O rapaz fala logo de cara.

- Está andando de olho fechado é garoto? – Pergunto.

- E... está me tirando, você que está andando como uma lesma ai. – Ele fala passando.

Sim, eu não estava vestido como “professor”, e sim, uma calça jeans, camiseta vermelha e uma touca por causa do frio, e foi exatamente ela que tirei, quando ele passou.

Passei a mão no cabelo e de frente a sala, duas garotas me olhando;

- Bom dia meninas... vamos entrar? – Falo apontando para dentro da classe.

- Sim, senhor professor. – Uma delas respondeu com um sorriso.

Era uma classe do último ano, o terceiro ano! Então estava aqueles adolescentes mais problemáticos e complicados.

Coloquei minha mochila na cadeira, fiquei de frente a mesa, com minha presença alguns alunos se sentaram, mas no fundo da sala havia uns de pé, e dois em especiais sentados na mesa;

- Bom dia, meu nome é Ítalo, e quero que fazem um círculo de cadeiras aqui no centro. Vamos, vamos...

Tem coisa melhor do que maltratar eles no primeiro dia de aula? Haha.

Haviam uma média de 32 alunos, consegui contar enquanto se organizavam, e passando o olhar vejo o garoto que se esbarrou em mim, de certa forma ele trocava olhar comigo, pois sabia que eu iria “revidar”.

Com o círculo feito, peguei em minha mochila uma bolinha, daquelas de massagem mesmo, e disse;

- Então eu irei... silencio ai atrás por favor! – Tive que me levantar e dar uma volta na sala enquanto falava. – É o seguinte, irei passar essa bola para um de vocês e quem estiver com ela, ira falar um pouco sobre si. Eu começo. – Falo me sentando na mesa novamente! – Me chamo Ítalo Viana, serei o seu professor de História, como sabem a Cristiane está de licença maternidade e irei ficar estes primeiros meses com vocês! Tenho 24 anos, e moro em Cascavel desde que nasci... Agora você, vai lá, seu nome, idade, de onde veio? – Falo jogando a bolinha para o garoto que se esbarrou em mim.

Ele tem uma estatura baixa, cabelo dor de mel, alargador pequeno na orelha, já dava para perceber que era um dos que me daria trabalho.

Ele pegou a bola me encarando, então seu amigo o cutuca com o cotovelo;

- Vai logo, gostou da bola do professor? – Fala seu amigo.

Até eu sorri nessa hora, o coitado ficou vermelho e revidou;

- Cala a Boca Davi! Vou te mostrar a bola mais tarde (...).

- Ei, vamos, seu nome? – Falo interrompendo eles.

- Me chamo Mario Fernandes, tenho 17 anos, sou de Cascavel mesmo e estudo no Wilson Joffre faz dois anos.

Ele passa a bola para o amigo dele. Um garoto bem desenvolvido pela idade, cabelos tão pretos que parecem que foram pintados, piercing no nariz, um bigode com poucos pelos, e a sobrancelha com aquele risco estranho, e tinha alargador nas duas orelhas, aqueles pequenos, só de olhar você percebe que ele é o “galã” da sala, aquele que todas as meninas querem, mesmo não sendo o mais bonito.

- Davi Lucas, nasci e moro em Cascavel desde que nasci, e estudo desde a primeira série no “Wilsão”. – É o apelido que eles deram para o colégio.

Outra que me chamou a atenção foi uma garota, cabelos pretos, e sobrancelhas incríveis, ela era muito linda, mas estava desconfortável, quando a bolinha chegou nela, em baixo tom e olhando para mim ela fala;

- Meu nome é Lorena Monteiro, tenho 17 anos, e vim do Colégio Expressão, é meu primeiro ano aqui!

- Seja Bem vinda. – Falo tirando um sorriso da pequena.

Então a gincana continuou e claro, houve pessoas que só disseram o nome, por serem muito tímidas, e gente que falou demais, o que quero frisar é que foi rápido sabe, e eu ainda tinha muito tempo com eles;

- Todos em seus lugares... Gente eu ainda tenho muito tempo de sobra, que tal começarmos adiantando a matéria? – Nossa foi uma gritaria, e uma bagunça, ficaram bravos. – Me deixem explicar então como é minha metodologia de ensino, olhem eu não escrevo em quadro, vocês não precisam ter matérias para mim separadas em seu caderno. E sim o Livro, vamos estudar 9 a 13 capítulos nestes meses, e também não aplico provas, passo um trabalho, apresentação, quem não fizer ou não estudar, ai sim faz a prova e garanto que não se sairá muito bem. Mas quem for ótimo no trabalho garante a nota do bimestre. Entenderam?

Eles perguntaram algumas coisas, e até gostaram da ideia, “mal sabia eles”.

- Vou no banheiro e vocês ficam aqui, sob cárcere privado falou? - Eles deram umas risadas, logo que sai.


#Lorena


Pior que o primeiro dia de aula só menstruação! O professor saiu da sala, e já caíram matando para cima de mim, sério, sou novata, e garotas sofrem muito mais, que garotos.

Mas tinha os lados bom, o primeiro professor do ano, já é uma gracinha. Sabem aquele homem de barba e cabelo grande, que são uns fofos, tem uma carinha que dá vontade de morder, mas quando abre a boca você chega a ficar molhada, então, rsrs. Ele também não é alto, tem um olhar penetrante e um belo sorriso.

E na sala também, já percebi o safado e pegador é o Mario, espero eu dar umas mordidas naquela boca, ele tem o cabelo estranho cor de mel. E tem Davi Lucas, que está acima de todos, (o que é aquilo?)00, parece um “marginal”, mas sabe aquele marginal que excita, pois então!

Eu sentei perto da Thais, uma asiática bem “fofinha”, ela foi muito simpática comigo, então fiz amizade com ela.

O professor saiu da sala, eu me virei para trás, ficando sentada de lado com as pernas cruzadas e conversando com a Thais;

- (...) Acho que onze horas nós já vamos, parece que está faltando professor, e o Ítalo não está preocupado né, rsrs. – Ela fala sorrindo.

- Nossa e que professor em, será que os outros são assim?

- Não, e eu também não conhecia ele, e olha que estudo faz um tempo aqui!

Enquanto ela falava algo no fundo da fila me chamou a atenção, o Mario estava me olhando, ele estava com os cotovelos apoiados nos joelhos me olhando com um sorriso lerdo, quando levei meu olhar nos olhos dele, ele me retribuiu com um beijo.

Nessa hora, me desce uma lagrima e nem foi dos olhos, haha. Fiquei vermelha e abri um sorriso sem querer, Thais olha para trás, e ele sorri;

- Gostou do Mario foi? – Ela fala com a mão em meu braço.

- Ele é legal. – Caímos na risada, rsrs.

- Ele é um gato né, mas eu prefiro o Davi.

Nessa hora eu me fiz de tonta;

- Quem é o Davi?

- O garoto misterioso do lado do Mario, no celular, ele é perfeito né?

- Ih, tu é apaixonada nele é?

- Sim, mas ele não fica com garotas do Wilsão...

- Como assim?

- Parece que ele gosta de garotas mais velhas sabe.

- Sério?

- Sim, no ano passado ouvi dizer que ele estava com uma de 19 anos.

- É ele parece ter dezenove anos.

- Vai ficar com o Mario? – Ela volta no assunto abaixando a cabeça.

- Não ta maluca.


#Davi Lucas


- Nathalia eu não sei que horas vou sair, calma ai cara!

Falei respondendo o áudio da minha irmã no Whatsapp;

- Ela está grilada por causa do carro? – Pergunta o Mario.

- Sim, peguei sem avisar né, primeiro dia de aula, e a gente está como!

- Haha’ Vou dar uma carona para a novata, que acha? Bota fé?

- Bota fé em que Mario? Eu que vim com o carro, e você de carona.

- Qual é Davi.

- Não mano o...

- Galera! – Fala o professor entrando novamente na sala. – Todos passam na biblioteca, peguem seus livros e estão liberados.... Até mais.

Peguei a mochila e ao sair da sala a Eloá me chama;

- Davi! – A sala dela fica de frente a nossa.

- Chega ai! – Falo chamando o Mario.

- Vai lá, vou esperar a novata sair! – Ele diz.

Virei o meu boné para trás e cheguei, cumprimentando ela com um beijo no rosto segurando sua cintura;

- (...) Joia, escuta então, vai organizar a minha festa?

- Eloá, te respondo depois, Mario está com ideia de fazer a festa do início das aulas saca, ano passado foi maior sucesso, mas vou trocar ideia com ele e te aviso.

- Ai por favor Davi, seu aniversário ficou muito massa, e meus pais deixaram eu usar a casa, pensa com carinho, em por favor. – Ela diz com o rosto bem próximo ao meu ombro, com um beijo na bochecha.

- Vou pensar, prometo. – Digo retribuindo o beijo e saindo.

Essa parada da festa é o seguinte, ano passado organizei uma festa surpresa para o Mario que todos curtiram, depois organizei a minha própria, e cada vez mais todos estavam gostando. No ano novo uma festa que organizei foram quase 150 pessoas, e eu tirei uma grana muito boa, é claro.

Bem encontrei o Mario no portão do colégio, ele estava com a novata, Lorena, me aproximei e cumprimentei ela;

- Oi, prazer! – Falo beijando seu rosto.

- Prazer.

- Vamos nessa? – Digo ao Mario.

- Sim, falou Lorena, prazer. – Ele diz beijando o rosto dela.

O sacana tentou beijar a boca dela, mas a mina virou, fazendo ele beijar o canto dos seus lábios, rsrs. Ao chegar para atravessar a rua pergunto;

- Não vai dar carona para ela?

- O meu sogro está vindo pegar ela, rsrs.

Ele diz sorrindo.

Atravessando a rua o professor Ítalo estava me olhando, aparentemente meu carro estava atrapalhando a sua saída, ele estava de fora do carro olhando para ver se encontrava o proprietário do veículo. Mario entra e eu dou meia volta olhando para ele;

- Baliza não é meu forte Davi. – Ele diz com um sorriso.

- Rsrs, vou tirar aqui Professor! – Falo entrando no carro.

Saímos bem devagar, olhando as meninas e uns caras folgados da porta do colégio;

- Não vai pela avenida? – Pergunta Mario colocando o cinto.

- Você tem carteira para ficar exibindo por aii é?

- Você também não tem e passa lá, rsrs. Me deixa no trampo da minha mãe, beleza.

- Beleza.

No caminho a minha irmã Natalia liga ainda insistindo pelo carro, ela tinha que trabalhar, tão ansiosa que estaria aguardando ao lado de fora.

- Não precisa desligar Davi. – Ela diz.

A Natalia quase me joga para fora do carro, e literalmente viu;

- Espera só eu chegar, vou contar para o pai que tu pegou o carro escondido.

- Coloca Gasolina, está na reserva. – Falei entrando.

Isso para deixar ela mais brava ainda, rsrs. Entrei e direto para meu quarto, minha mãe estava falando ao telefone, nem me viu entrando.

Tirei o uniforme, colocando a mochila no chão ao lado da porta, deitei na cama pegando o cabo do carregador do outro lado e conectando meu celular. Tirei o tênis e a calça, peguei uma toalha e envolvi no corpo, indo em direção a cozinha.

Sobre a mesa havia uma cesta de frutas, cheguei para pegar uma maça, minha mãe de costas na pia, conversando, mas não estava com o celular;

- Mãe! – Chamo ela.

- Oi Davi.

- Está falando sozinha?

Mano ao meu lado direito tem a geladeira e de trás sai a Leticia, minha ex.

- Oi Davi, tudo bem! – Ela diz olhando para a toalha.

- Oi... Joia e você Leticia!

- Credo garoto, cumprimenta ela direito.

- Estou pelado mãe. – Falo com vergonha.

- Até parece que vocês não...

- Não, pode deixar dona Raquel, tudo bem. – Diz a ela.

- Vou tomar um banho. – Digo me virando.

- Arruma aquele quarto seu Davi, não tem nem como entrar.

- Ta.

Leticia Camargo é minha ex namorada, ficamos muito tempo juntos e terminei porque já estava ficando chato, mas como ficamos “de boa”, ela colocou na cabeça que fez amizade com minha mãe e irmã, e faz visitas sempre que pode, o que é toda semana.


#Ítalo


Eu trabalhava no Wilson Joffre como professor, e a tarde com ajudava minha mãe, na Padaria, havia 3 meses que abrimos ela, apostou tudo que tinha no negócio, e toda ajuda era claro, muito bem-vinda.

Cheguei entrando, colocando a touca e o avental, e “pulando” para dentro do balcão;

- Que bom que chegou Ítalo vou ajudar o Mauricio lá dentro, qualquer coisa me chama.

- Pode deixar mãe, vai la.

Atendi algumas pessoas que estavam aguardando, e outras que estavam sentadas lá, e depois fiquei mais de boa, minha mãe foi ao banco e fiquei sentado atrás do balcão, quando chegou várias notificações no celular de uma vez, era o grupo que pedi para os meninos criarem do colégio, eu estava cuidando de 4 salas, e da para imaginar essa quantidade de pessoas, fui silenciando os grupos e troquei rápidas mensagem com eles.

Conferindo se estava todos da sala, e me peguei olhando a foto do Mario, sim, era um garoto muito bonito mesmo, e a foto de perfil dele, do Whatsapp era com seu amigo o Davi Lucas, eram realmente uma sacanagem os dois juntos, rsrs. E eu nem deveria estar pensando nisso, por causa da idade deles.

Bem depois de um mês, já estávamos nos dando muito bem, nos grupos e também nas salas de aula. Fui sorteado como “Padrinho” do terceiro ano B, eu então era responsável pela turma em reuniões essas coisas.

Em uma quinta-feira, eu tinha trabalhos sendo aplicados em todas as minhas turmas, quando cheguei na quarta aula no 3B, logo após o intervalo, os grupos que iriam apresentar estavam estudando, os outros conversando, ao colocar o pé na sala de aula o Mario me acerta uma bolinha de papel no peito, na verdade o Davi havia desviado.

Ele me olhou de olhos arregalados, alguns alunos rindo, eu peguei a bolinha que ficou entre meu peito e o livro que eu carregava e falei;

- Mario para fora! – Falo apontando para fora da sala.

- Foi mal Ítalo, não era pra.

- Se você não sair eu saiu. – Falei bravo.

Ele saiu chutando o nada e resmungando, entrei indo para o fundo da sala, sentado ao lado do Davi Lucas. Todo mundo me acompanhando com os olhos.

Fiz a chamada, e a coordenadora interrompe batendo na porta;

- Pessoal cadê o professor Ítalo? – Ela pergunta entrando na sala com o Mario.

- Aqui Lídia, você pra fora Mario, já falei com você...

- O que...

- Ele estava brincando de guerra de bolinhas na sala, por isso coloquei ele pra fora. – Falo a ela.

- Segunda vez em só um mês Mario. – Ela fala saindo com a mão no ombro dele.

Me sentei, e abri a anotação do trabalho;

- Thais seu grupo está pronto? – Pergunto a ela que estava cadeiras a frente.

- Sim, professor.

- Podem ir.

Falo enquanto eles levantam e se posicionam na frente da sala;

- Davi me faz um favor de recolher todos os papeis nas mãos das meninas. – Falo a ele do meu lado. – E feche todos os livros das cadeiras ai da frente por favor.

Ele se sentou em seguida e questionei;

- Vocês 4 estudaram?

- Sim. – Foi uma resposta coletiva.

- Raquel e Thais vocês vão apresentar e vocês duas ficam ai caladinhas. – Digo apontando o dedo.


#Lorena


Gente do céu, que trabalho é esse, o professor ficou sentado lá no fundo e assistindo, as coitadas se matarem. Duas apresentaram e a nota foi para as quatro, no final ele fez perguntas para todo mundo, a Thais estava muito nervosa coitada, mas deu tudo certo, com ela.

Eu estava com uma dor de barriga, uma dor, que nem sai para o intervalo, o professor estava na frente da turma, fazendo um resumo rápido do trabalho quando senti a dor passar, assim de uma hora para outra.

Então sinto minhas pernas molharem um pouco, foi minha menstruação que havia decido, eu nessa idade não sabia de datas, que dia isso que dia aquilo, nada, nem havia me preparado. Agora imaginam na minha situação, nem me movi, fiquei quietinha, pensando no que fazer;

- Professor. – Chamo ele que estava perto.

Meu coração disparado de ele fazer eu levantar e todo mundo me ver suja, o Ítalo se aproxima e me olha, poxa olhei para ele como o gatinho do Shrek e olho para baixo, cruzando os dedos para ver se ele havia entendido.

Nossa aquilo não é um professor e sim um Deus;

- Galera quero todo mundo para fora da sala agora! Vamos, vamos! Lorena você fica. Thais chama a diretora aqui para mim, Agora.

Gente todo mundo saiu, pensando que eu seria expulsa, e nem sabiam o porquê, ele fechou a porta e me olhou mais perdido que eu;

- Fica ai, que a Ângela te ajuda, você está passando mal?

- Obrigada professor, mas estou bem, só preciso me limpar.

A diretora Ângela bate e entra na sala, o Ítalo fala com ela e ele sai.


#Davi Lucas


- Que está acontecendo? – Pergunta o Mario vindo da coordenação.

- Mano nem sei, o professor colocou todo mundo para fora, está la dentro com a Lorena e a Diretora.

- Eita porra, só falta expulsarem aquela gata.

- Levou outra suspensão?

- Não, falaram com meu pai cara, to fodido, mais que a Lorena viu, na real.

Bem enquanto aguardávamos, fiquei sentado com o Mario, próximo a galera da sala.

Ele estava no celular, e eu falando com a Eloá, quando ele me empurra com o braço quase me matando de susto;

- HAHA’ Olha isso cara. – Ele fala rindo alto.

Era o grupo de whatsapp da sala, enviaram um print de uma conversa, quando fui ler, era o Gustavo, um gay da nossa sala, falando que se me pegasse iria dar para mim e que eu era o crush dele, mano um monte de coisas, todo mundo foi lendo e rindo e tals, e eu olhando aquilo não tinha opção, se eu não entrasse na brincadeira, seria mais “zoado” que ele, então era melhor ele do que eu.

Estávamos quase todo mundo sentado, o Gustavo do outro lado, até roxo de vergonha, brigando com a mina que enviou. Me levantei olhando para ele, e as meninas assoviando;

- Que isso mano, faz mesmo aquilo tudo que falou é? – Falei e aproximando e abrindo o zíper da jaqueta.

Todo mundo começou a gritar, eu tirei a jaqueta entregando pra Thais;

- Segura aqui.

- Não, sai fora Davi! – Era a única coisa que ele dizia.

Segurei no cinto abrindo a fivela e ele levantou saindo, todo sem graça, como todo mundo estava gritando, o professor veio ver o que estava acontecendo;

- Gente está tendo aula nas outras salas, por favor. – Fala o Ítalo.

- O Davi professor, fazendo strip para o Gustavo. – Diz Mario.

- Fecha esse cinto garoto, gente vamos para a sala, estava mesmo tirando a roupa Davi?

- Rsrs, Não Professor, o Mario que está viajando.

Digo pegando a jaqueta.


#Ítalo


Gente essa turma me deixa louco da cabeça.

Na sexta-feira fui com meu melhor amigo o Giovani no shopping da cidade, nós comemos em um restaurante de comida natural, e ele foi na assistência do celular, para ver um problema no aparelho;

- (...) Não funciona Amigo, olha, vou lá é rápido. – Diz ele mostrando o problema.

- Ali, vou estar ali, te esperando. – Falo apontando.

Giovani saiu com passos apressados, e eu fui olhar um stand de tiros dentro do Shopping, aparentemente muito interessante, um rapaz que trabalha la dentro me viu e veio me fazer entrar, cara mais insistente.

Gastei R$ 45,00 pra ele parar de me encher, ele mostrou como funcionava e me deixou de frente para uma parede com várias armas, claro de Airsoft. Fiquei olhando aquilo como alguém que olha para peças de avião, entendo merda alguma.

- É bom de mira? – Davi pergunta chegando atrás de mim.

Juro ter um mini infarto quando ouvi a voz dele.

Abre aspas, e que Deus me perdoe, oque era aquilo. O garoto estrava de calça jeans preta com alguns rasgos, camiseta longline preta e uma corrente prata fina, muito linda, com as mangas curtas da camiseta suas tatuagens ficara expostas, nos braços brancos, achei muito lindo viu. Aquele olhar penetrante de olhos negros e fortes como as sobrancelhas;

- Davi não sei nem segurar uma coisa dessa, acho massa, mas não é comigo, entrei pra ele para de falar na minha cabeça. Rsrs. – Comento tirando um sorriso dele.

- Minha irmã parece que gosta de idiotas. – Ele fala mostrando ela.

A garota aparentemente igual a ele, conversando com o cara do Stand;

- Ela é corajosa. – Brinco com ele.

- Escolhe a de pressão, é mais fácil de acertar.

- Hum valeu... Qual é mesmo?

Ele abriu um sorriso e esticou o braço pegando uma das metralhadoras de Airsoft e tirando o pente dela;

- Enche esse... Assim.

- Beleza.

Ele mostra como colocar “cargas”, e faz isso em uma pistola também. Confesso colocar aquelas bolinhas, olhando ele do meu lado;

- Pronto.

Não sei se pelo horário havia só dois caras, ficamos mais afastados ele do meu lado, e fez uns testes, acertou algumas vezes e comentou;

- Está fácil, vai lá. – Davi fala entregando a arma.

Eita merda pesada viu. Cara acho que nunca tinha passado tanta vergonha assim;

- Mira um centímetro abaixo de onde quer acertar, e aperta a cada dois disparos.... Opa, viu acertou rsrs.

- Rapaz eu sou bom demais nisso.... Me sentindo um Mercenário aqui, rsrs.

Ele deu umas gargalhadas, com um sorriso muito lindo e brincou;

- Te ensinar como faz mercenário.

Ele acertou várias vezes, eu tive sorte de principiante, cara eu era muito ruim naquilo.

Depois de uns minutos de vergonha o Giovani me chama;

- Vamos embora Madona? – Giovani fala me enchendo o saco.

- Viado. Tenho que ir Davi, ei valeu pela aula em. Até mais! – Falo despedindo dele.

- Ítalo tem uma festa amanhã na casa da Eloá, mandei as informações no grupo, se puder ir vai ser legal.

- Ah valeu depois olho lá.

Ai sair o Giovani segura no meu braço falando;

- Que “Ébano” é esse amigo do céu, viu aquelas tatuagens?

- Aquilo é Aluno do Wilsão acredita!

- Não brinca? Gente vou dar umas aulas particulares e o que mais eles quiserem, eu vou pra cadeia por causa de um garoto desse, pensa ensinar esse novinho a...

- Pode parar de falar besteira Giovani, vira essa boca para lá.

No dia seguinte ajudei minha mãe pela manhã, por ser sábado fechamos após o almoço, e claro que eu dormi durante o dia todo.

Acordei por volta de sete da noite, galera eu olhei ao redor tudo escuro, o quarto todo, aquele silencio, me levantei com cuidado pensando ser de madrugada, olhei e não havia ninguém em casa, voltei peguei meu celular, ai sim que fui me situar. Mano deitei na cama, sem ânimo para nada, olhando para o teto e então fui me “arrastando” para o banheiro.

Minha mãe havia ido a igreja, eu entrei para tomar um banho, mas fiquei sentado na privada olhando as mensagens dos grupos, pessoal os meninos criaram uma Hastag pra eu ir na tal festa, tive que ao menos prometer passar lá, só para me verem no local, rsrs.

Então tomei aquele banho, tirei o excesso da barba, mudando um pouco.

Coloquei uma camisa social com botões abertos até o peito e uma calça daquelas com cumprimento até a canela e um sapatenis, bem descontraído e blogueirinha, rsrs. Sai mais cedo de casa, pois ainda iria comer algo antes de ir para tal festa.


#Davi Lucas


- Natalia está a mais de uma hora secando esse cabelo.

- Relaxa você nem se vestiu ainda.

Mano que era aquilo, coloquei um short e iria colocar gasolina no carro;

- Já vai sair Davi? – Pergunta minha mãe de toalha no corredor.

- Não vou colocar gasolina, já volto, a Natalia vai também.

- Meu filho, não demora para você me levar na casa da sua avo antes de sair.

- Ta, já volto.

Enquanto abastecia o carro no posto do nosso bairro eu comprei uma tequila na loja de conveniência, e escondi debaixo do banco, voltei para casa pra me arrumar. Quando virei a esquina vejo o carro do meu pai parado meio que sobre a calçada, com a roda dianteira no meio fio.

Estacionei pouco atrás e já ouvi o barulho, fui rápido ele entrou e estava socando a porta gritando minha mãe;

- Abre logo Raquel, quero falar com você. – Gritava ele.

Pessoal ele é alcoólatra, tem problemas com isso, me aproximei bravo e assustado;

- Pai ta fazendo o que? – Pergunto me aproximando.

- Lucas abre a porta, eu quero falar com sua mãe. – Ele disse me abraçando.

- O Senhor bebeu de novo?

- Foi só um copo, abre logo meu filho.

- Pai não pode ficar aqui, se ela chamar a polícia você vai preso, tem que ficar 500 metros de distância.

- Eu preciso falar com ela, está me ouvindo abre essa porta garoto.

Gritei varias vezes, pedindo ele para ir embora, até minha mãe abrir a porta e falar;

- Antônio chamei a polícia, se não for embora agora você vai sair daqui preso. – Falou ela na frente da minha irmã.

- Raquel quero falar com você querida. – Ele fala indo para dentro.

Ele avançou e ela para trás, mano eu segurei o braço dele, e falei;

- Pai vamos eu vou te levar. – Falei.

Ele me empurrou com muita força, me derrubando e dizendo;

- Já falei que não vou moleque, me solta.

Com meu tombo, minha mãe acertou um tapa nele e o empurrou, eu me levantei rápido, e parte para cima dele, que ameaçou ir em cima dela.

Cara eu briguei com meu pai, acertei ele com um murro foi quando a polícia entrou no meio da bagunça.

Ele foi preso, parece que passaria a noite na cadeia, eu me arrumei e levei minha mãe até minha avo.

Vocês pensam agora, “mas ele vai na festa?”, isso acontece todo mês, infelizmente é normal pra gente esse tipo de situação.

Voltei e já peguei minha irmã na frente de casa, eu passei na casa do Mario também, pois levaria ele, no caminho fui contando o que havia acontecido. A Natalia também pediu para pegar duas amigas dela no caminho.

Chegamos na festa e as meninas desceram logo na porta, levei o carro até mais a frente para estacionar e fiquei conversando com o Mario enquanto olhávamos o outro carro na frente tentando entrar em uma vaga;

- (...) Claro que você fica pensando no que ele escreveu, afinal de contas dizem que gay chupa melhor que mulher né mano. Por isso ele falou daquele jeito, que tu iria apaixonar se ficar co mele.

- Onde ouviu isso Mario?

- Uai cara, internet, meus amigos, e já experimentei também.

- Você chupou um cara mano?

- HAHA, não viado, lembra na festa de ano novo, então, tinha um carinha lá, que pediu para me chupar e tals, mas foi coisa rápida. E eu também estava muito bêbado.

- E você gostou?

- Uai mano, foi o melhor até então, eles têm umas bocas que fazem magia, alguma menina já engoliu seu pau inteiro?

- Não, ele fez isso?

- Pensei que iria gozar. Parece o professor Ítalo. – Comenta o Mario. – ITALO? – Ele grita.

O professor olha para fora da janela com um sorriso sem graça;

- Mano leva para dentro que vou ajudar ele. – Falo entregando a garrafa para o Mario.

- Beleza.

No escuro eu desci do carro e fui até ele, que desceu já rindo;

- Acho que precisa de umas aulas da auto escola Ítalo. – Falo brincando com ele.

- Já foi aprovado em História Davi? – Ele fala sendo irônico.

Eu entrei no carro e estacionei em outra vaga mais de boa para ele sair depois;

- Tem carteira de motorista garoto?

- Tenho carro e idade não carteira.

- Entendi, obrigado.

Eu estacionei e entrei junto com ele, que comentou que somente iria dar um oi para a turma e depois ir embora.


#Lorena


- Pego vocês aqui a meia noite, estamos entendidas?

- Sim, mãe.

Foi minha mãe acelerar o carro eu olho pra Thais;

- Amiga eu não estou muito puta não?

- Não Lorena, e eu.

- Não, mas essa saia te deixa com uma bundona, rsrs.

Eu estava com um vestido de decote bem aparente e curto, já a Thais com uma saia acho que rodada que a deixava com uma bunda grande, e uma blusinha deixando a barriga a mostra.

Pensei entrar e encontrar todo mundo do colégio, mas não foi isso exatamente, claro havia muitas pessoas, mas eu não conhecia, os gatinhos que estavam ali.

Depois de cumprimentar a Eloá, estávamos procurando um lugar para ficar perto da piscina, quando o Mario me puxa;

- Ei gata, estou aqui, está me procurando?

Eu me assustei, a Thais chegou a trombar comigo, como havia muita gente perto, eu não tive como correr.

Mario estava de camiseta preta e short preto, com tênis rosa e meia até na canela, estava muito gatinho, mas nada comparado ao Davi, que estava do lado, conversando com sua irmã.

De camiseta longline branca com rasgos que mostrava um pouquinho do seu peitoral, para fazer nossa imaginação voar, uma jaqueta que é de lei ele usar, tipo do exército, calça jeans e um boné de aba curvada pouco baixo, que quase nos forçava a abaixar para ver seus olhos.

- Oi Mario, tudo bem? – Falo cumprimentando ele com um beijo.

Mas nem isso fez ele tirar o olhar da Thais;

- Que isso mano? Quem é você e o que você fez com a Thais! Davi olha isso, reconhece a Thais Rocha. – Ele fala puxando a camisa do Davi.

Gente eu achei muito fofo eles olharem ela, sabe a Thais é meio “Gordinha” faz o estilo Gostosa, eu sou magra e tals. Então se ela usar roupa curta descarta muito, foi o que aconteceu.

- Boa noite princesa, prazer seu príncipe encantado. – Mario falou beijando ela, com direito a abraço e tudo.

Davi beijou o rosto dela e me deu uma encarada no olhar, junto com um beijo molhado na bochecha.

Nos duas saímos, para um local mais alto ao lado esquerdo da piscina;

- Amiga do céu, todo mundo olhando para mim.

- É claro Thais, sua saia dá para ver sua alma.

- Vamos arrumar um lugar e sentar, rápido.

- Gente o Davi me olhou de um jeito, cheguei a arrepiar Thais.

- Rsrs, vai ficar com ele é?

- Não falei isso.

- Cuidado a Eloá está de olho nele, então já sabe... Ali vamos ficar ali, perto da Brenda.

Quando sentamos eu vi o professor Italo;

- Thais vou falar com o Professor e já volto, segura meu refrigerante aqui.

- Não pode dar em cima do Professor de História Lorena.

- Eu não vou dar em cima dele, vou agradecer daquilo que te falei, lembra.

- Ah, rsrs, vai la amiga, seguro seu lugar.

Queria euzinha ter chance. Ele estava de camisa social azul clara, um charme com aquela barba;

- Ítalo. – Falo encostando em seu braço.

- Oi. OI gente você está muito linda... – Ele fala com um sorriso.

- Posso falar com o senhor rapidinho? – Falo mostrando um cantinho.

- Ah... Sim.

- Profe... Ítalo queria agradecer por aquele dia, você salvou a minha vida.

- Não precisa agradecer a Lorena, olha eu não sei como é, mas me coloquei no seu lugar. E obrigado, pelo presente, agradeça sua mãe. – Diz ele mostrando a camisa.

- Nossa ela nem me falou, ficou muito bem no senhor.


#Ítalo


Eu iria só ver os meninos e ir embora. Era onze da noite e eu estava jogando com a Natalia e as amigas dela, eram as pessoas de minha idade ali, rsrs, e elas também não queriam dar bola para nenhum bebe da festa.

Então próximo à meia noite eu estava esperando para usar o banheiro, de braços cruzados encostado na parede quando alguém pega na minha bunda, cara eu levei um susto;

- Davi ta maluco cara, me mata de susto.

- Foi mal eu precisava fazer isso! – Ele falou.

Mano o garoto segurou meu pescoço e me lascou um beijo na boca, nossos corpos bem longe um do outro, mas ele usou e muito a língua;

- VOCÊ BEBEU? – Gritei com ele.

- Ah vem falar que você não curtiu? – Ele disse tentando reverter.

Com uma cara meio que lerda, meio que desconfiada;

- Foi até massa, mas cara...

Antes de eu terminar de falar ele se assusta com o que falei;

- Você gostou? Você é gay professor? – Ele pergunta assustado.

- Ainda pergunta Davi. – Falei fazendo um gesto para ele.

- Me desculpa, foi mal, foi mal mesmo.

Ele falou saindo rápido, assim como vocês eu também não entendi nada, ninguém viu, então fui no banheiro joguei uma agua no rosto, e decidi ir embora, quando voltei para a mesa vejo ele ao lado do Mario;

- Ele fez mesmo? – Pergunta a Natalia me olhando.

- Ele quem?

- Meu irmão, pegou na sua bunda?

Quando ela perguntou várias pessoas olharam;

- Sim, acredita, quase morri de susto na fila do banheiro. – Eu respondi olhando para ele, que estava de olhos arregalados.

- Então não valeu Davi, você tinha que dar um selinho também... Eu fiquei pelado na frente de todo mundo. – Gritava o Mario.

Gente eu não entendi a brincadeira, mas o Davi apostou que pegaria na minha bunda e me daria um “selinho”, para não ficar pelado na frente de todos, era até onde eu ouvi uma aposta perdida por eles no truco que estavam jogando.

Eu sei que fui despedindo dessas meninas soando frio pelo que havia acontecido.


#Lorena


E adivinhem a chave de ouro para fechar a noite foi de quem? Minha é claro. Prestem atenção.

Eu estava indo embora, minha mãe já estava do lado de fora, quando fui despedir do Davi, ele estava saindo também com a irmã dele, e gente nós ficamos. Fi. Ca. Mos. Ficamos Eu beijei o Davi Lucas na boca.

Que pegada ele tem, que boca, caramba, que tudo. Só não contava com o que viria a seguir;

- Mano que merda é essa? Tu sabe que eu gosto da Lorena e fica com ela na frente de todo mundo. – Fala o Mario empurrando ele no gramado.

Mario estava aparentemente bêbado demais, os meninos seguraram ele, e falaram para o Davi ir embora, antes que as coisas ficassem pior.

A Thais saiu comigo assustada, mais branca que o pó de arroz que passei. Ao entrarmos no carro minha mãe pergunta;

- Como foi meninas?

- Eu não sabia que ele gostava de você Lorena. – Thais fala sem graça.

- O Mario? Nem eu sabia disso amiga, mais ele foi muito sem logica, tem ideia.

- Lorena ta falando do que?

- O Davi e o Mario brigar.

- Amiga, eu fiquei com o Mario, estou pedindo desculpas por ele falar aquilo.

- Amiga não brinca você beijou ele!

- Sim.

- Ei relaxa, você não sabia igual a mim. Mas ele falou isso por ciúmes, o Davi não ficou com ninguém a noite toda.

- Vai falar com ele?

- Não, deixar que ele vem falar, mas estou sem jeito sabe.


#Davi Lucas


Briga antes de sair de casa, briga saindo da festa que coisa, sem contar o que eu fiz. Sinceramente? Estou assustado, será que ele pode me expulsar do colégio? Falar com minha mãe, mano eu estava paranoico, sério mesmo. E Mario ainda, que noite.

Fui embora cedo, pois a minha irmã iria em outra festa e precisaria do carro, aproveitei para dormir, serio, estava precisando, tentar esfriar a cabeça.

Acordei no domingo com mensagem da Lorena;

- Não iria falar com você, mas acho que devo desculpas pelo seu amigo. – Disse ela.

- Relaxa gata, vou falar com ele depois, e a culpa não é sua, eu que parte para cima.

- Se precisar de alguma coisa me avisa Davi.

- De boa.

Mano me virei na cama, olhando os raios de sol querendo entrar pela janela, e pensando na gigantesca merda que fiz.

Beijei o meu professor na boca, fiquei pensando na situação durante uns minutos, ao puxar o fino cobertor estava de pau duro por baixo da cueca.

Peguei o celular e enviei mensagem para a Lorena de novo;

- Sabia que o Prof, Ítalo é gay?

Ela demorou uns minutos e respondeu;

- Sim, as meninas já haviam me falado, porque?

- Crl eu era o único que não percebi isso.

Bem, eu fui almoçar na casa da minha avo, e a cada mensagem que recebia era um medo de ser do Ítalo.  Para ser sincero nem na aula eu queria ir.

Odeio quando penso demais nas coisas, na noite eu já queria mudar de escola, não sabia como iria apresentar o trabalho, e tinha que estudar ainda.

Mas quando fui dormir, eu fiz merda, mandei um “Boa Noite” pra ele, fiquei com aquele celular olhando frenético e com as mãos soando, ele visualizou e não respondeu, nem naquela noite, nem na madrugada, muito menos na manhã seguinte, isso enviando mensagem no grupo da sala.

Manhã seguinte me arrumei rápido, por acordar atrasado e dormir mal, peguei o carro escondido da Natalia e sai.

Quando cheguei na escola recebo mensagem do Mario, cheio de carinhas bravas, que eu não busquei ele. Achei muito estranho, mas de boa.

Entrei e o professor em seguida, ele como de costume foi seguindo para o fundo da sala e faz a chamada;

- Mariana.

- Presente.

- Mario?

- Na coordenação. – Respondo.

Eu nem sabia, mas ao menos ele não ficaria com falta, o Ítalo me olhou por ter respondido e continua.

Ao final ele fecha o diário e diz;

- Davi Lucas seu grupo está pronto?

- Sim.

- Podem começar então... Thais confira os livros nas primeiras mesas, já que os meninos não estão levando cola.

Chegamos na frente da sala e ele pergunta;

- Estudaram?

- Sim. – Todos nós respondemos com convicção.

- Posso entrar professor? – Fala o Mario na porta.

A diretora chega junto e diz ao professor;

- Ítalo já falei com o pai dele.

- Entra Mario. – Aguardamos ele se sentar e o professor fala. – Fernando e Ricardo vocês vão apresentar, podem começar.

Pronto ele estava de marcação comigo, só pode. Eu estudei estava pronto, mas não falei nada, os meninos apresentaram sozinhos, nós ficamos lá, parado olhando.

Graças a Deus foi tudo de boa, sentamos e o Mario me da um murro nas costelas;

- Qual foi cara?

- O que mano?

- Me deixou no vácuo hoje, meu pai me deixou de castigo, pois teve que entrar e pedir para me liberar.

- Foi mal, pensei que não estava  falando comigo, desde sábado.

- Eu fiquei o dia todo na fazenda ontem, como queria que eu falasse com você, dia inteiro de ressaca, não me lembro de nada da festa, depois daquela tequila.

- Ta falando sério? Não lembra de nada.

- Lembro de ficar com a Thais. – Fala ele mandando beijo para ela.

Fiquei sem entender nada.


#Ítalo


Fiquei na sala até o intervalo, eles lancharam e o último grupo estava apresentando, antes do “recreio”.

Quando a sirene tocou todos saindo, e eu chamei o Davi;

- Davi você fica. – Falei assim que ele e levantou.

- Vai lá, segura meu lugar. – Fala ele para o Mario.

O último a sair fechou a porta, eu estava no fim da sala a uma mesa dele, me levantei e dei a volta, sentando na frente dele.

- Tira esse capuz. – Falei.

Ele tem muito isso de usar roupas largas e jaquetas com capuz.

- Qual é a sua garoto? Eu posso perder meu trabalho sabia disso? – Falei bravo.

- Não sei Ítalo.

- Aqui dentro me chama de professor Ítalo, Davi. Eu entendo que foi uma brincadeira na festa, mas o que fez foi muito errado e...

- Eu fiquei pensando em você o dia todo, e fiquei com medo, você não falou nada. Me desculpe.

- Quer que eu fale o que?

- Pensou no beijo ontem?

Cara me levantei da mesa assustado, olhei ao redor e respirei fundo dizendo a ele;

- Não quero que toque nesse assunto com ninguém, não aconteceu nada, pode ir.

Bem as provas se passaram, e eu acho que pelo menos dois vou reprovar na minha matéria. Bem o que foi amenizado e que vocês querem saber.

As conversar que estavam rolando no 3B é que o Mario estava namorando a Thais, e o Davi estava de “rolo” com a Lorena, graças a Deus.

Isso que me deixou mais tranquilo, bem nas férias eu estava somente trabalhando com minha mãe, e já procurando outro trabalho, pois a professora que eu estava substituindo, logo estaria de volta.

E claro eu queria voltar lindo e esbelto, fui nas ideias do Giovani e me inscrevi em uma academia, mano era muito engraçado eu treinando.

Até arrumei um crush na recepção, bem, na última semana de julho, preparando para voltar as aulas. Era quinta-feira a noite eu fui treinar nos últimos horários da academia, no dia foi perna então estava daquele jeito todo “cagado”.

Como a academia era muito grande, no andar de cima era musculação e embaixo “Cross Fit”, peguei minha mochila nos armários e fui no banheiro antes de sair.

Galera sério, quando entrei, em um daqueles bancos que fica entre os armários o Davi se secando com uma toalha, eu queria ser aquela toalha.

Nunca vi o garoto sem camisa, quem dirá de sunga.

Nada de definição, ele era fortinho, barriguinha saliente, braços eram fortes, mas poucas curvas no corpo, aquela boca tão vermelha, parece que estava me esperando.

Ele me olha, tirando a toalha do rosto com aqueles fios de cabelos molhados;

- E ai Davi. – Falo entrando.

- Olá. – Ele responde com um sorriso.

Percebi que ele usava um piercing no canto da boca, era novo. Fui até um mictório e depois lavar as mãos, como estava com as pernas doloridas fiquei com elas afastadas para melhor apoiar.

Mano ele veio daquele jeito, parecia que iria acampar com a família inteira, e foi para o mictório e começou a urinar, porem ele chegou a afastar pois seu pau estava meio bomba, aquela mão cheia segurando aquilo tudo, bem claramente para eu ver.

Me virei olhando para a porta e sai daquele banheiro, meu Deus.

Bem galera na primeira semana de volta as aulas, já tive uma péssima experiência.

Em uma quarta-feira logo que cheguei fui para uma reunião rápida que havia com os professores, foi coisa rápida de uns quinze minutos.

Quando fui para a sala, galera estava lotada de bolinhas de papel, uma bagunça, todo mundo quieto, olhei aquilo deixando minha mochila e ninguém dizia nada;

- Não vou perguntar quem começou dessa vez ok Mario! – Falei olhando para ele.

Que já veio com aquela conversa;

- Ah professor, estou quieto na minha, joguei bolinha em ninguém.

- Bolinha? Eu não perguntei nada sobre bolinha de papel perguntei?

Todos começaram a rir e então continuei;

- Todo mundo pega as bolinhas que estão próximo a vocês, o Davi vai passar com a lixeira... Então pessoal abrem o livro no capitulo quatorze onde paramos.


#Lorena


Meu Deus o professor quase que pegou o pior da guerra de bolinhas. Todo mundo ficou com medo quando ele chegou.

Nesse dia saímos do colégio por volta de onze da manhã, o Mario chamou a gente, eu, Thais e Davi para almoçar em sua casa, aceitamos por sairmos mais cedo do colégio, fomos os dois casais.

Quando chegamos ele subiu com o Davi para se trocar, eu e Thais nos sentamos no imenso sofá, e ela já pergunta olhando para a escada;

- Então, falou com o Davi? – Pergunta ela.

- Sobre?

- O Namoro, amiga estão ficando a muito tempo, saindo juntos, tem que falar com ele.

- Ai Thais nem sei viu, é tão bom ficar com ele, conversar e beijar, que tenho medo de ele não querer mais e sair fora.

- Lorena o ano vai acabar, ele vai fazer faculdade longe e você também, tem que conversar amiga.

- Beleza vou falar com ele... E você e Mario, já resolveram aquilo?

- Pelo amor de Deus não falou para ninguém né?

- Haha’ não amiga, você falou para ele que broxar é normal?

- Eu falei, mas ele está paranoico, Lorena para ter ideia, nem tentamos de novo, quando esquenta, ele dá um jeito de sair fora. Ai amiga, estamos perdidas haha.

- GENTE, gente adivinhem o que o Davi fez? – Fala o Mario vindo com o celular.

- Davi não postou o vídeo né? – Fala a Thais.

- Sim, no Youtube, olha já tem 40 visualizações, do pessoal do grupo.

- Gente isso vai viralizar, vai dar merda.

- Relaxa gata. Qualquer coisa eu apago. – Davi diz sentando ao meu lado.

A Mãe de Mario pediu ajuda dos meninos para colocar a mesa, eu me levantei para ir ajudar e a Thais tem um mini surto de histeria;

- LORENA você não vai acreditar. Olha. Olha. Olha. – Diz ela mostrando o celular.

“- É oficial, acabaram de confirmar que Tyler Jay irá finalizar sua turnê no Brasil. O cantor volta para seu pais depois de 3 anos em turnê mundial e gravações de filmes e seriados, premiado no último mês, seus fãs mais devotos o aguardam ansiosos.”

- Amiga temos que ir no show dele.

- Thais me mata do coração... Vamos sim! Não acredito nisso. Olha quantidade de notificação no Twitter.

Depois do almoço o Davi me deixou em casa, e galera não vão imaginar, todo mundo estava compartilhando o vídeo que ele havia postado, para escolas próximas todos alunos postando, logo vão entender o porque.


#Davi Lucas


Estava a noite no meu quarto e a Natalia se maquiando no meu espelho, eu iria levar ela em uma festa na casa de sua amiga, estávamos falando de um ex que ela odiava, rsrs;

- (...) por isso que vou arrasando nessa festa, quero que ele me olhe e veja o que perdeu.

- Mano tu acha foda tipo ele, ficar com você e pensando em outra?

- Pensando ou ficando? E como assim Davi.

- Tipo eu ficando com a Lorena pensando em outra pessoa.

Ela deixou o batom e me olhou brava;

- Davi de novo?

- O que?

- Garoto você é como qualquer cara. A garota mais de boa que você arrumou e estão bem juntos. Davi ela é tão bonita vocês formam um casal tão lindo, não vai fazer merda.

- Não quero... é que eu nem conheço direito a outra pessoa, mas não tiro ela da cabeça.

- Pode parar isso é paixão, e isso passa, pode ter certeza.

- Que seja, sei que tenho que resolver isso.

- Não seja idiota com a Lorena a mamãe gosta dela.

- Certo.

Ela foi pegar a bolsa para irmos, eu antes de levantar pego o celular que estava carregando ao lado e vi a quantidade de compartilhamento do vídeo, galera estava fora de controle já.

Abre o whatsapp todo mundo falando disso, e enviei mensagem para o Ítalo;

- “Podemos conversar?”.

Enviei, mas nem olhei se estava online, pois sai com a minha irmã, bem era até que rápido para deixar ela na casa das meninas;

- Falou. – Falo tirando o celular do bolso.

- Fala pra mamãe não me esperar, até mais, beijo.

- Até.

Olhei se o Ítalo havia respondido;

- O que quer conversar?

- Onde você está?

- Na Av. Rocha perto da secretaria do meio ambiente.

- Estou chegando ai.

Enviei a mensagem e coloquei o celular no modo avião, pois se ele quisesse sair, não iria fazer sem me “avisar”. Foi assim que pensei.

Essa avenida fica bem ao lado do lago da cidade, onde havia um pequeno parque infantil e local para “famílias”, e uma pista de cooper, quando fui me aproximando eu vi o carro dele estacionado junto aos outros.

Eu estacionei atrás e fui até o carro dele, percebi que ele estava no celular, então mandei a mão na maçaneta abrindo a porta;

- Merda Davi! Quer me matar de raiva? Cara do céu. – Ítalo fala muito assustado.

- Pensei que tinha me visto, foi mal, e ai.

- Só te esperei porque sumiu e não tinha como deixar você aqui sozinho, não tem ninguém, o que você quer?

- Ei relaxa. Mas o que você faz aqui sozinho?

Ele estava de bermuda branca, chinelas de dedo e camisa cor de mostarda, e aquele olhar muito massa;

- Eu não devo explicações para você Davi.

- Ítalo só fiz uma pergunta. Porque me trata assim cara?

- Porque se a gente for visto junto eu perco meu trabalho, diferente de você tenho contas e responsabilidades e... – Não entendi nada que ele disse, fiquei olhando o movimento de seus lábios.

Cheguei perto e beijei ele, tinha que saber se era aquilo que senti na festa! Claro que não era igual e sim muito melhor caralho.

- Davi, não dá cara já falei mano e...

- Aham, ta.

Falo voltando a beijar ele, vocês sabem exatamente o que eu senti, pois quando a parada encaixa, o beijo as mãos, a língua, é muito estranho, mas parece que você não quer parar nunca.

Passei a mão pelo regular do banco e abaixei onde estava, ela abriu um sorriso e puxei Ítalo pela camisa.

Mano do céu. Era coisa de outro mundo ter um homem sobre seu corpo, ele era quente demais, puxei sua camisa levantando um pouco, para sentir mais seu calor.

No meio dos beijos eu levei a mão até sua coxa e subi por dentro da bermuda;

- A mano tu é lisinho! – Falo desta vez interrompendo.

Ítalo leva a mão pela minha barriga e chega a colocar os dedos dentro da minha cueca;

- Não dá... Não dá. – Ítalo se afasta de uma vez.

- O que foi? – Falo olhando para o meu pau.

- Não é você Davi, mas olha não dá.

- Porque você não curtiu? – Pergunto me aproximando dele, tentando pegar novamente.

- Curte, demais, mano... Tu beija bem demais.

- Digo o mesmo. – Isso outro beijo.

Mano foi uns amassos louco, ficamos sem folego várias vezes, não tiramos os shorts, somente camisas, mas foram os melhores beijos e mais quentes que já tive.

Mano eu sai daquele carro e fui para casa, sem saber na verdade quem eu era, eu estava pensando em m milhão de coisas, mas foquei no momento que acabara de viver.

Mas nada é sempre um mar de rosas.

Dia seguinte, quando o professor entra na sala, a primeira aula, junto chega a diretora Ângela;

- Bom Dia Ítalo, é você e o Davi Lucas poderiam me acompanhar até a direção?

- Sim... Pessoal todos lendo onde paramos quando retornar discutiremos, ok.

Sai da sala com o Ítalo me olhando de um jeito. Quando entramos a Ângela pegou a tela do computador e virou;

- Guerra de bolinhas do Terceiro ano B, Colégio Estadual Wilson Joffre! “Se tiverem sugestões de trolagem comentam aqui”. Você quer expor nosso colégio ao ridículo Davi? Me fala!

- Isso foi ontem? – Pergunta o Ítalo.

- Sim durante a reunião, olha isso Ítalo!

- Meu Deus, como assim? – Ele fala se aproximando da tela.

Bem além da guerra de bolinhas, duas meninas brigaram, foi o que começou a guerra e como ninguém queria estar no meu lugar, ficamos calados;

- Cansei de chamar sua mãe e o pai do Mario aqui. Vamos resolver eu e você, o Professor Ítalo como testemunha. Se não excluir esse vídeo agora, está expulso Davi Lucas.

- Não pode fazer isso. – Falei.

- Se não excluir o vídeo vou te mostrar como eu posso. Então é você quem sabe. Você já possui duas suspensões, com esse vídeo eu tenho a razão para uma terceira e sua expulsão.

Puxei o teclado dela e fiz o login na minha conta, então o excluí, ela fez uma conferência para ter certeza e me liberou.

Serio com as coisas na minha casa, do jeito que estão não seria uma boa ser expulso ainda mais no último ano no colégio.

Eu enrolei um pouco nem voltei para o restante da aula, aproveitei para ser o primeiro a comprar meu lanche antes da sirene.

O Mario veio correndo como se a sala tivesse pegando fogo, precisavam ver;

- Ah viado, por isso não voltou, estava comendo. Tia me dá um refri ai, que vou comer com ele.

- E sai fora Mario.

- Qual é Davi, “ta me tirando”?

Contei para ele sobre o que aconteceu na sala, e então, ele muda de assunto, olhando ao redor, meio desconfiado;

- Mano tenho uma coisa para te falar, mas cara, é segredo. Não pode falar para ninguém.

- Qual é Mario, dia ai.

- Mano jura pela morte de sua mãe que não vai contar?

- Aiaiai, fala logo Mario, que isso.

- Fiquei com o Ítalo.

Mano do céu, eu estava tomando o refrigerante dele que me engasguei, saiu até pelo nariz, cheguei a lacrimejar;

- Ta zoando comigo Mario, como assim? – Falei levantado, me limpando.

- Calma Davi, rsrsrs, foi com o Gustavo. – Ele fala rindo. – Mas o que tem o professor, porque ficou grilado?

- Eu assustei viado, nossa tem refri até na orelha, quer merda. – Falo e limpando com o guardanapo. – Mas diz ai, como assim ficou?

- O viado curtiu um monte de foto minha no “Insta”, tipo umas trinta de uma vez, mandei mensagem zoando ele, dizendo se queria rola. Ele disse que sim.

- Como assim Mario? Está na seca é cara?

- Sim, eu te falei que estava. Ta mano, olha o que ele me mandou na conversa. – Fala Mario mostrando um “Nude” do Gustavo de quatro, com a bunda bem empinada.

- Que isso mano, quem tirou?

- Eu sei lá. Mas na seca que eu estava encarava essa bundinha branca na hora, sem pensar.

Mano comecei a ficar de pau duro só com ele falando.

- Mas isso foi ontem?

- Sim, ele estava sozinho em casa, e eu colei lá. Já cheguei descendo o short, Davi na boa mano, que mamada gostosa, eu mandei ele para pra não gozar, ai coloquei ele de quatro, igual na foto, “encapei” o menino e mandei pra dentro sem dó, ele gemeu muito, rsrs, deixei a bunda dele vermelha cara. Nem to acreditando que comi um “cuzinho”.

- Você é louco cara. – Falo enquanto a sirene tocava.

Voltamos para a sala, com a Thais, quando sentamos, me veio uma dúvida;

- Mario, e se ele dizer algo? – Falei baixo.

- Já dei ideia no Gustavo, se ficar na dele, tem mais.

-Ta brincando que vai fazer de novo?

- Porque não?


#Lorena



Davi e Mario estavam de conversinha baixa e cheia de risadas, desde o intervalo. No fim da aula de matemática o Davi voltou e se sentou do meu lado;

- Ei o que estão aprontando agora em? – Pergunto a ele.

- Nada, só o Mario contando umas paradas, só isso.

- Sei Davi.

Fui fazer um carinho nele e Davi, meio que se ajeitou na cadeira, como se recusasse. Relevei.

Bem neste dia tivemos aula até o sexto horário, saímos tarde, por volta de meio dia e quinze, e como de costume o Davi me levou em casa, deixou o Mario depois a Thais e então eu, que morava mais longe dos quatro.

Ele então desceu e foi comigo até o portão;

- Está tudo bem Davi? – Pergunto enquanto ele dá meia volta ao carro.

- A gente precisa conversar. – Ele diz protegendo o rosto do sol.

- Ta.

Entrei e na área logo de frente ele diz;

- Estamos ficando a um tempo já, e você está gostando de mim e tals. – E minha mão soando, pensei meu Deus ele vai ajoelhar e me pedir em namoro. – Mas estou gostando de outra pessoa.

- Oi?

- Sim, e não acho certo, estar com você e pensando em outra pessoa, sabe.

- Quem é Davi?

- Uma amiga da Natália, você não conhece.

- Davi é a Nicole?

- Não Lorena, relaxa, já falei você não conhece.

- Vai embora.

- Lorena, calma, deixa eu explicar...

- Davi vai embora.

Ele me olha bravo e sai. Cara, eu queria explodir e matar ele junto.

Entrei fui para meu quarto e exclui ele de tudo, e bloquei também, depois claro, fui contar para a Thais.


#Ítalo


- (...) Eu to dizendo Ítalo, casaria com você na hora. Mas você sabe né. – Fala o Daniel pegando a sacola.

- Para com essa lábia para o meu lado Daniel, conheço você desde os cinco anos rapaz.

- Fala para ele Dona Elza, que sou um bom partido! – Ele diz apontando para minha mãe.

- Ai eu iria adorar você como genro Daniel, mas o Ítalo só gosta de quem não gosta dele, gosta de sofrer sabe.

- Mãe ele é hetero, e eu não estou procurando ninguém. – Digo a ela do meu lado.

- Haha’ gente deixa eu ir tenho uma audiência agora! E Ítalo te espero na festa em, não esquece.

- Pode deixar Daniel, até mais.

Daniel é um amigo de infância, e cliente da minha mãe, a muito tempo, desde a época que ela vendia dentro de casa.

Bem na manhã seguinte a Ângela veio falar comigo na sala dos professores, eu estava pegando o material para ir para aula;

- Bom dia Ítalo.

- E ai, bom dia!

- Escuta aqui estão as autorizações para sua turma, onze como você me passou, precisamos todas elas preenchidas amanhã no máximo, tudo bem.

- Certo.

- E como a sua turma é a maior em quantidade de alunos, você vai ter que acompanhar eles na viagem.

- A não Ângela! Ta falando sério? Tenho uma festa para ir.

- Ítalo o 3B é o mais complicado desse turno, eu preciso de você lá, o Roberto não dá conta desse tanto de aluno.

- Tem razão, vou falar com eles.

Peguei os papeis e fui para a sala, conferindo os nomes e vi que o Davi havia confirmado.

Ao entrar na sala, todos estavam sentados e calados, eu entrei, olhei voltei e entrei de novo, eles querendo rir, e eu desconfiado;

- Que foi? – Pergunto olhando para a turma.

- Nada, nossa que isso professor, a gente é quieto assim.

- O que estão aprontando? Gente eu corto o intervalo hoje.

- Nada professor. – Repetiu eles.

Deixei meus materiais e peguei as folhas, dei a volta na minha mesa e fui falar;

- Gente sobre a viagem de Iguaçu... – Eu nem terminei de falar todo mundo começou a rir, tipo as pessoas que iriam. – Ah meu Deus, que foi agora?

- O senhor vai com a gente? – Pergunta o Mario.

- Sim, porque?

- AHHHHHH. – Gritou eles, comemorando.

- Isso foi coisa de vocês né, eu sabia, Mario vai falando, anda, anda...

- É que nós fizemos um abaixo assinado para o senhor ir com a gente.

- Abaixo assinado de onze pessoas?

- Não a Lorena desistiu não vai mais, é só dez.

- Gente eu mato vocês, vai ter volta, mas espera! Que foi Lorena? Você que chamou a maioria do pessoal.

- Não, nada professor. – Ela fala olhando para o Davi que vira o rosto.

É a mensagem estava “dada”. Essa viagem era do professor de biologia que levaria quatro turmas do terceiro ano para o Parque Nacional do Iguaçu, eu e mais dois professores iriam acompanhar as turmas que éramos responsáveis.


#Lorena


No fim do intervalo, depois que eu e Thais comemos, falei com ela, que estava indo para a sala;

- Vou esperar ele na biblioteca, por favor em amiga.

- Certo te mando mensagem qualquer coisa.

Ela entra na sala, e chama o Davi, eu queria falar com ele sobre o dia anterior, fui para a biblioteca, em uma das seções mais afastadas, pois a bibliotecária era a última a voltar do intervalo.

Sentei onde havia comentado com ela, e fiquei aguardando, logo ele aparece no corredor, subindo suas mangas da jaqueta até os cotovelos;

- E ai! – Diz Davi se sentando do meu lado.

- Professor chegou?

- Não, então me chamou?

- Davi me desculpa por ontem, é que fiquei furiosa, eu gosto de você.

- Relaxa, eu sou assim mesmo, e estou errado.

- Então podemos voltar, como éramos antes?

- Não Lorena, você é foda demais para mim, na boa? Merece coisa bem melhor!

- Mas a gente pode e...

- Serio, não dá, prefiro assim.

Eu juro, pensei em gritar novamente, mas respirei fundo;

- E ela gosta de você?

- Não, sei.

- Ela merece você?

- Não sei se eu mereço ela.

- Ei, os dois, para a sala, agora, mas gente, olhem a hora.. Vai, Vai, vai.

Fui acompanhando ele, saímos rindo da biblioteca, e quando entramos na sala os meninos gritaram;

- Reataram de novo, haha. – Gritou o Mario, e a Thais ficou rindo, com os olhos brilhando.

- Não, não, somos somente amigos. – Diz ele.


#Davi Lucas


Logo no dia da viagem, minha mãe deixou eu e o Mario pela manhã na frente do “Wilsão”, o ônibus estava na esquina com o pessoal já embarcando;

- Vamos cara! – Fala ele puxando a mochila do carro.

- Relaxa Mario, não vão sem a gente... Mãe tchau, te ligo quando chegar.

- Beijo meu filho, vai com Deus.

Fechei a porta pegando minha mochila, o dia estava chuvoso, com aquele friozinho sob a pele, chegando perto do ônibus vejo a Lorena olhando de dentro, ela abre um sorriso ao me ver e eu somente pisco para ela;

- A mochila Davi. – Fala o Renato.

- Calma ai, vai me colocar ai dentro também. – Falo quando ele puxou a mochila.

Pois foi com tamanha força, que me fez virar, e ver o Ítalo chegando com o Brenno, era o secretario do colégio, não o via muito, pois sempre ficava ou na secretaria ou na sala dos professores.

Bem eles vinham um ao lado do outro, sorrindo, e conversando, muito próximos.

Ítalo me viu de longe, e mudou a feição do rosto, ficando pouco mais sério, e para ele perceber, eu fiquei encarando eles, Brenno ao se aproximar só diz;

- Bom Dia. – Até porque ele não sabe meu nome.

Fiquei encarando Ítalo, olhando no fundo dos olhos dele, foi o que tirou um sorriso meio que sem graça;

- Oi! Então vamos? – Ele fala esticando sua mão.

Eu cumprimento ele e respondo;

- Sim, sim. – Falo acompanhando ele.

Pois todos já haviam embarcado, logo que subi o Mario me grita dos fundos;

- DAVI, chega aê. – Fala ele gesticulando com a mão.

Ao olhar para a esquerda vejo o Brenno sentado sozinho, aguardando o Ítalo sentar, segui para aos fundos, as vezes olhando para eles a frente. Ítalo se senta me olhando.

Nunca reclamamos do Ítalo, mas o professor Renato era louco, literalmente. Quando o ônibus saiu de Cascavel ele se levanta e pega em sua mochila uma pequena garrafa de bebida;

- Que isso em professor? - Pergunta o Mario.

- Agua garoto... Ei e você o que é isso em? – Pergunta ele vindo para os fundos.

- Narguilé elétrico, experimenta ai. – Mario diz entregando.

Galera ele ficou no banco conosco, conversando, bebendo, e “fumando”, e a todo momento ele dizia;

- O que faz na viagem fica na viagem em. – Repetia ele.

O Parque do Iguaçu é próximo a nossa cidade, eu mesmo já conhecia, quase todos nos da cidade, logo que chegamos e fizemos os procedimentos de identificação na portaria, fomos direcionados para a área de camping e começamos a tirar as coisas do ônibus.

Haviam uns banheiros a nossa frente e um espaço grande para montar as barracas, claro que por questão de logística todos procuraram arvores próximas, então meio que ficamos afastados, as barracas umas das outras.

- Galera todo mundo aqui, meninas se quiserem aguardar.... Meninos! Mario, Davi e vocês ai, quando terminar ajuda as meninas aqui. – Fala o Ítalo, já começando a montar a barraca dele.

Foi algo rápido, o que demorou foi para encher os colchoes, mas nada demais;

- Só vou ajudar se eu puder dormir junto Thais. – Fala Mario se aproximando.

- Mas é claro que vai dormir junto... Com o Davi isso sim.

- Só vai comigo quem já estiver pronto e quem já tomou banho, não vou esperar... – Grita o Renato na porta do ônibus.

Eles iriam na cidade, comprar pizza, só quem já estava com tudo pronto ele levou. Ficou eu, a Lorena, Ítalo e uns garotos da turma que o Brenno estava sob supervisão.


#Ítalo


Eu estava claramente evitando o Davi, e ele estava percebendo essa atitude. Quando fui para o banho ele estava com a Lorena, enchendo os colchoes, pois o restante dos meninos o Brenno colocou para pegar lenha, queriam fazer uma fogueira.

As divisões dos banheiros haviam umas portas e uma seção de cinco chuveiros nos fundos, isso no banheiro masculino.

Estava um friozinho bem agradável, naquele fim de tarde, coloquei minhas roupas na divisão dos banheiros, que era pouco alto então, não molhariam. Tirei minha camisa e peguei o sabonete para entrar e vejo o Davi, pouco soado com a toalha no ombro. Virei o rosto e entrei;

- Vai fingir que eu não existo agora? – Fala ele em voz alta.

Subiu um calafrio de ouvir ele, estava puto;

- O que foi Davi? – Falo saindo ainda com a camisa nas mãos.

- Está de papo com o Brenno desde que saímos da cidade, qual é? Estão ficando? – Ele diz enquanto tira o tênis.

- Não, não estamos ficando! Ele é meu amigo, e você meu aluno, então mais...

- Sem essa de respeito Ítalo, sabe que eu curto você e fica ai fingindo que eu não existo.

- Você é meu aluno, não posso ficar com alunos, e... – Eu estava falando e ele pega em minha mão.

Faz um carinho, e diz;

- Eu não entendo o que to passando, só sei que estou gostando, você me deixa com raiva, muita raiva, mas confuso que estou. – Ele diz me beijando.

Senti um gosto soado no canto de sua boca, realmente havia soado bastante.

Ouvimos um abrir de portas e ele entra me empurrando;

- Ta maluco? – Falo baixo, enquanto ele segura a porta.

- Liga o chuveiro. – Diz Davi.

Ouvi então mais gente entrando, e ligando os chuveiros perto de nos, ouvi também um levantar de tampa de privada;

- “Vai ser enorme, pegamos muita lenha”.

Ouvíamos algumas conversas, eu fiquei prestando atenção, quando eles sairiam e o Davi tirando a roupa.

- Ta fazendo o que? – Pergunto incrédulo.

- Vou tomar banho, estou sujo, eles vão demorar... Quer fazer o que tricotar?

Ele fala vindo e regulando a agua.

Davi pelado ali na minha frente, eu cheguei a colocar a mão no rosto, ele se molha e passa o sabonete no corpo, e me olha, passa a mão tirando o excesso ode agua dos olhos e me beija, dessa vez com pegada.

Abre o botão e zíper do meu short descendo, e depois a cueca, me puxando volta para debaixo do chuveiro, a agua estava até pouco fria mas o corpo dele quente, muito quente mesmo.

Eu me entreguei, não tive ação, ele literalmente me deu banho, com aquelas mãos pouco grossas passando e aquela boca me deixando louco.

Ambos se massageando e meio que masturbando. O garoto tem uma pegada de “gente grande”.

Em meio aos beijos ele se afastava e sorria, caramba a agua descendo no seu rosto, e olhos, que cena.

Encostei ele e desci, ficando de joelhos para chupar ele, seu cassete já duro, ele colocou os braços atrás da cabeça me olhando, e assim como seu corpo estava bem quente, porém, não, mas que minha boca.

Davi chegou a revirar os olhos, desceu uma das mãos e eu tentando engolir todo seu membro, tirando uns gemidos dele.

Seu membro era retinho, devia ter uns 18, 17 centímetros, pouco grosso, o que enchia a mão ao massagear, confesso que não chupei por muito tempo, afinal ele mesmo me subiu beijando em minha boca.

Me virou e disse no meu ouvido que estava quase gozando, e queria “gozar dentro”. Cara ele subiu uma das minhas pernas e começou a forçar, me beijando, aquela agua caindo, ele me segurava com bastante força, quando senti que tudo havia entrado, eu empinei mais um pouco e forcei para sentir ele todo. Nesse momento o Davi deu um sorriso safado dizendo;

- Assim eu gozo.

Caramba que delicia, ele começou um vai e vem rápido, mas com cuidado par anão fazer muito barulho, o que resultava em estocadas lentas e profundas, ele rebolando e enfiando fundo, ah eu vi estrelas.

Davi massageava a cabeça do meu pau, gostosamente para que eu também chegasse ao orgasmo, o que não demorou, fiz isso rebolando junto com ele. Davi gozou, me segurando firme, e foram tantos jatos que eu senti eles me invadindo, ele ficou uns segundos extasiado, pois qualquer movimento ele soltava um breve gemido.


#Lorena


Sequei meu cabelo, aproveitando poucas pessoas no acampamento, estava usando uma saia bem-comportada e sem calcinha, sim eu estava preparada para ter minha primeira vez e seria com alguém especial.

Eu terminei e passei uma breve maquiagem, quando o pessoal chegou com as pizzas, estavam arrumando nas mesas, outros arrumando a tal fogueira.

Fui com a Thais no banheiro ela iria tomar um banho, pois não havia feito, quando sai, o Mario me manda mensagem, ele estava atrás das barracas do Ítalo, que era a mais longe, eu disfarcei e segui até ele.

Antes de chegar ele me surpreende;

- Peguei você. – Diz ele me abraçando por trás.

- Ai que susto... Ninguém viu não?

- Não relaxa. A Thais foi tomar banho?

- Sim. E você ainda não falou com ela né Mario?

- Não mas vou dizer, assim que voltarmos Lorena, mas e você? tudo pronto para hoje a noite?

- Não sei, estou com medo.

- Medo de mim?

- Não, eu quero, mas estou com medo de ela acordar de noite e ver que eu não estou lá.

- Falei que estava passando mal desde cedo, então vou dormir cedo.

- E o Davi?

- Relaxa, falei com ele.

- Disse de mim?

- Não, ele vai ficar fora por um tempo para a gente aproveitar.

Mario diz sorrindo e me abraçando, nos beijamos e ele foi direto com a mão dentro da minha saia;

- Mario.

- Porra gata, está sem calcinha, nossa que delícia.

Disse ele passando os dedos bem devagar. O cara é tão safado que colocou minha mão dentro da cueca dele, para ver seu volume, e foi subindo e subindo minha saia, estávamos tão afim que a cueca dele já abaixada e brincando com seu membro na minha vagina, ele forçou duas vezes mas o segurei por causa de estar sem camisinha.

Vimos alguém vindo e então nos dispersamos. Nessa de eu correr para não ser vista com o Mario, vejo por trás do banheiro masculino Davi e o Ítalo se beijando.

Gente eu fiquei em choque, olhando sem piscar, então o Ítalo sai do banheiro e o Davi me olha, quase cai no chão.

Fui para minha barraca, muito rápido, ainda sem acreditar, todo mundo já comendo, e então o Davi me chama, quando olhei ele me segura com força;

- Davi solta ela. – Fala a Thais.

- Não é assunto seu, fica fora. – Diz ele muito bravo.

- Solta ela Davi, eu to falando. – Thais literalmente grita esse momento.

Chamando a atenção de muita gente;

- Mano que isso, deixa a garota. – Fala o Mario segurando o Davi.

- Me solta porra, é assunto meu e dela, sai fora. – Davi fala muito bravo.

O Renato se aproxima mais o Ítalo, eu quase me mijei de tanto medo, mas o Davi estava até pálido se eu abrisse minha boca;

- Não escutou garoto, deixa ela, vaza. – Renato fala chegando perto.

- Não! Deixa ele... Pode deixar. – Falei, foi a única coisa que saiu da minha boca. – Estou bem.

Todo mundo me olha, e pergunta;

- Tem certeza amiga?

- Tem certeza Lorena? – Pergunta Renato.

- Sim.

- Se tentar alguma coisa te acerto de lá em Lucas. - Renato fala repreendendo ele.

Foi uma cena estranha, todo mundo saindo e olhando para trás, ele então respira e diz;

- Me desculpa por segurar seu braço assim.

- Você e o professor, como assim?

Ele estende a sua mão e me leva mais afastado de todos;

- Estamos ficando, era ele quem eu te falei.

- Você não parece gay Davi.

- Não pode falar isso para ninguém Lorena.

- Você gosta dele?

- Sim.

- Ele pode ir preso Davi, tem ideia disso.

- Vou fazer dezoito mês que vem, relaxa.

- Não to acreditando? Seus pais sabem?

- Não, e você não vai dizer nada. – Ele fala com uma convicção enorme.

- Como assim?

- Eu sei que é errado, mas pegar o namorado da sua amiga também é muito feio. Sabia que a Thais falou para o Mario que ama ele.

Meu coração voltou a disparar e lembrar da merda que eu estava fazendo.

Sim, eu entendi, fizemos um acordo, os dois calados.

Nós comemos e depois acendemos a fogueira, o professor Renato pegou o violão e cantamos um pouco, e algumas pessoas foram se dispersando, aos poucos.

Chegou em um momento que eu odeio, mas estava morrendo de medo então fiquei quietinha, segurando na mão da Thais;

- “(...) essa minha cachorra a Mel tinha a mania muito feia de aranhar a porta do meu quarto no meio da noite.  Um dia ela não parava de arranhar a porta de jeito nenhum. Depois de chamar umas cinco vezes joguei um travesseiro na porta para fazer ela parar. Ai foi que ela latiu. Do meu lado, Ela tava do meu lado o tempo todo. ” – Renato termina de contar.

Gente eu estava tremendo, com essas histórias, e todo mundo vidrado, algo muito fofo que eu vi foi o Davi sentado ao chão, no meio das pernas do Ítalo, na ocasião estava normal, afinal todo mundo estava “amontoado” de medo.

Então o Mario deu a deixa para ir dormir, depois de um tempinho eu segui também junto com a Thais, deitamos e eu torcendo para ela pegar no sono primeiro;

- (...) Thais, acho melhor dormimos afinal de contas amanhã temos que sair muito cedo para as trilhas, sabe que o Renato é meio louco.

- Sim, amiga, vou no banheiro primeiro, depois eu deito.

Eu respondi mensagem do Mario e ele dizendo já estar sozinho, pois o Davi não iria dormir lá.


#Ítalo


Para os curiosos nós transamos novamente na minha barraca aquele dia, afinal de contas, os hormônios do Davi estavam a flor da pele. Ele não dormiu comigo, mas ficou até tarde na minha barraca.

No dia seguinte acordamos cedo, para começar as atividades do Renato, eu e o Brenno só acompanhamos, e cuidamos dos nossos “alunos” eu estavam sob nossa responsabilidade.

Foi algo de boa, conhecemos lugares muito lindos, e foram quase doze horas andando, saímos as seis da manhã e retornamos as nove, já estavam até preparando equipe de buscas, pois demoramos muito, porque toda cachoeira que conhecíamos os meninos queriam entrar. E demoramos em alguns pontos.


#Thais


Como iriamos sair bem cedinho, logo que acordei já tinha pessoas desmontando as barracas, estranhamente a Lorena não estava do meu lado, ela já estava de pé.

Com todos desmontando as barracas fui no banheiro, mas acabei entrando no errado. Entrei no banheiro dos meninos, e eu vi o Ítalo beijando o Davi, só consegui sair voltar calada e nem respirando direito, corri para o outro banheiro com medo de terem me visto, e molhei o rosto não acreditando no que vi;

- Bom dia amiga. – Fala a Lorena entrando.

- Vem aqui. – Falo puxando ela pelo braço.

- Que isso Thais!

Entramos em um reservado e fechei a porta;

- Amiga acabei de ver o Davi e o professor Ítalo se beijando, na boca amiga.

- Calma Thais, viu isso onde?

- No banheiro dos meninos.

- Tem razão?

- Sim, eu vi com meus próprios olhos.... Temos que contar pro Renato Lorena.

- NÃO TA MALUCA. – Ela diz gritando.

- Davi é menor de idade Lorena.

- Thais não pode falar nada.

- Porque não?

- Escuta, o professor pode ser preso.

- Eu sei, ele é errado.


#Ítalo


- Mario e Ricardo trazem essas malas ai... – Falo colocando as malas no ônibus.

De relance vejo a Thais meio assustada falando com o Renato, e ele me olhando.

- Gente anda rápido com isso ai, vamos meninas... – Falo novamente com elas.

- Ítalo me acompanhe, vem aqui. – Fala o Renato me chamando todo disfarçado.

- Fala. – Digo quando estávamos mais afastados.

- É verdade que você está ficando com o Garoto do 3B? – Ele pergunta de braços cruzados.

Eu comecei a tremer, e fiquei branco, serio gente, pensei que iria cair naquele chão;

- Como assim? Quem te disse isso?

- É verdade?

- Olha Renato...

- Porra Ítalo, sabe que tenho que avisar os pais dele.

Ele acabou comigo, literalmente, e para piorar, no caminho de volta a fofoca já estava rolando, todo mundo cochichando e olhando para mim e para o Davi, que estava muito puto, muito mesmo.

A viagem foi rápida, como disse anteriormente, mas galera, quando o ônibus foi chegando na frente do colégio, haviam dois carros de polícia, eu gelei nesse momento.

O motorista estacionou e o policial entrou antes mesmo de descermos;

- Ítalo? – Pergunta ele para todos em voz alta.

- Eu. – Falo já me levantando.

- Me acompanhe por favor. – Fala ele estendendo as mãos.

Pessoal desci aquelas escadas como se estivesse um refletor em minha cabeça, que estava queimando de pensar na situação de ser preso.

Quando pisei na calçada um dos policiais pega as algemas;

- Você tem que vir conosco. – Ele fala.

- Não é necessário. – Falo olhando para as algemas.

- É procedimento, estenda suas mãos.

Estiquei os punhos fechados e ele as colocou, me conduzindo até a viatura, quando me sentei vejo o Renato e o Davi entrando em outra viatura.

#Davi Lucas Eu queria matar a Lorena, no caminho para a delegacia eu tremia dentro do carro, fiquei com tanto medo, por nós sabem. Quando cheguei eles me colocaram na recepção e levaram o Renato para ouvir ele, foi quando minha mãe chegou, Caralho, ela fez um barraco, um drama; - EU VOU MATAR ELE, TEM QUE FICAR PRESO UMA PESSOA DESSA, VEM AQUI MEU FILHO... - Mãe, para, pelo amor de Deus. - Você está bem? Ele bateu em você Davi. - Mãe cala a boca, não aconteceu nada. - Vamos entrar e você vai falar tudo, tudo Davi, vou colocar esse vagabundo na cadeia para o resto da vida dele. Gente eu estava tão constrangido e pensando no Ítalo, pois não sabia onde ele estava, afinal de contas sabemos só o que acontece nesses casos. Pessoal eu não iria conseguir segurar minha mãe, para entrar contra o Ítalo, com “Estupro de Vulnerável”. #Ítalo Me deixaram em uma cela separada, e mais afastada da delegacia, eu fiquei por algumas horas, até um dos policiais vir até mim com um sorriso no rosto dizendo; - Agora está oficialmente fodido malandrão, a mãe do garoto está te processando. – Falava ele abrindo as grades. – Seu advogado está ai. Seguimos até uma sala, onde graças a Deus encontrei minha mãe, junto ao Daniel, que é o nosso advogado. Bem eu expliquei tudo a eles, toda a história; - (...) Certo, é isso então, será um Habeas Corpus, com o delegado ainda aqui, te liberam ainda hoje. – Fala o Daniel organizando uns papeis na mesa. Pela minha mãe o guarda deixou eu aguardar o Daniel junto a ela, que estava muito assustada e com medo, muito mesmo. Depois de alguns minutos esperando ele retorna, entra na sala; - E então? – Fala minha mãe. - Ele assinou, pode ir para casa Ítalo. - Ai, meu filho. – Minha mãe novamente me abraçando. #Lorena O assunto dos grupos da escola, da cidade, do colégio, era que o professor Ítalo estuprou o Davi. Literalmente como uma fofoca que se espalha se contorcendo, meus pais tiveram uma conversa comigo, sobre o ocorrido e conversamos por horas. No retorno para a aula nos dias seguintes, foi bem estranho, todo mundo ficava comentando, logo na entrada, “Aquela garota estuda na turma do menino”, sempre a mesma coisa. Na sala de aula, o Davi claramente não veio, logo que sentamos, a diretora entrou junto com dois policiais, e pediram para que fechassem a porta; - Bom dia pessoal, esses são o policial Luiz e a Oficial Lidiane, eles vão estar no colégio durante a semana, a Lidiane é psicóloga, trabalha para o município e estará disponível caso algum de vocês tenham algo para falar... – Ela falou um monte sobre contarmos se caso ocorreu com mais alguém, e tals. – O Ítalo foi afastado, e está sendo processado pela família do Davi Lucas, amigo de vocês, infelizmente a mãe de Davi o retirou do Wilsão e por isso não irão mais ver o amigo de vocês. A família pediu que respeitem esse momento e deem espaço a eles (...). Nesse momento eu me assustei, até porque todos sabíamos, que o mais adorado pelos professores era o Davi, por estudar desde o primeiro ano no Wilsão. #Davi Lucas Fiquei na casa dos meus avós por alguns dias, pois minha mãe me obrigou. Galera não tem ideia da complexidade que as coisas chegaram! Ameaçaram a família de Ítalo, a mãe dele fechou a padaria, e sua casa foi pichada por vários vândalos. Mario me contou que ele assim como eu teve que sair da cidade. Na minha casa quando voltei, minha irmã ficava sempre perto, e pior; - (...) Eu não vou, não sou doido. - Psicólogo não é pra doido Davi, você vai sim. - Vai ter que me dopar então, ou me amarrar, já disse, não vou. - Esse professor nunca vai pagar se você não falar Davi, não precisa ter vergonha meu filho. - Quantas vezes tenho que falar, que ele não fez nada mãe? Quantas? - Assim não vamos chegar a lugar nenhum Davi. - Já não conseguiu o que queria? Acabou com a vida dele e da família dele mãe? - Eu? Se o que diz for verdade, não foi eu Davi. Sei que estão me odiando por não estar fazendo nada para ajudar o Ítalo, sinceramente era o que eu queria, mas estava sendo seguido pela minha irmã o dia todo. O processo estava sendo encaminhado, e acompanhado até pela rádio da cidade, sério essa merda que eu tinha feito, tomou tamanha proporção. Houve uma primeira audiência, onde ouviram as partes, para entender melhor, aconteceu enquanto eu estava fora, com isso, um psicólogo junto a um promotor fizeram algumas visitas e perguntas. O Promotor que estava acompanhando queria pôr tudo, mais que minha mãe acabar com a vida do Ítalo. Ele falou com vários funcionários da escola, familiares e até meu pai. Como eu estava sem celular e não tinha contato com quase ninguém, poucas vezes foi com minha irmã. Quanto mais próximo da audiência final minha mãe estava deixando eu sair, aos poucos de casa, e em uma destas vezes em um açaí perto de casa, logo que entrei vejo a Lorena e Thais sentadas aguardando o pedido delas, foi a primeira vez que vejo alguém da escola além do Mario. Cheguei fiz meu pedido, e fiquei debruçado no balcão, quando ouço me chamarem; - Davi... – Fala a Thais se levantando. Me aproximei e falei com ela; - Olá Thais, bem? - Estou e você? – Converso sem olhar para Lorena. - Sim, fiquei sabendo da audiência na próxima semana, boa sorte viu Davi. - Valeu. Lorena então encosta no meu braço e diz; - Está me ignorando? Olhei e disse; - Sim, ignoro pessoas falsas e mentirosas como você. - Davi eu não disse nada. - Com certeza não disse, pois se tivesse contado para a Thais que está pegando o namorado dela, ela não estaria andando com você. - Senhor, está pronto. – Diz a balconista. Sim, peguei meu pedido e sai, foi praticamente o que aconteceu comigo. Todo santo dia penso em Ítalo, de como ele esteja mesmo sem poder falar com ele, era uma agonia que eu tinha comigo, afinal de contas tinha como se tudo que estivesse acontecendo era culpa minha, e somente eu pudesse reverter. Na semana da audiência, estava em casa, como todos os outros dias, e o Mario chega, iriamos assistir a um jogo juntos. E antes de começar a partida, ficamos conversando na cozinha, eu estava preparando umas pipocas de micro-ondas. - Alguns professores vão também, e uns alunos. Cara ninguém está acreditando na sua mãe. - Eu sei Mario, ela surtou com isso, está falando que eu fiquei calado com medo do meu pai, cara ela está colocando a culpa disto nele, e aproveitando da situação. - Mas Davi você não falou a verdade? - Eu falei um bilhão de vezes, mas este promotor está indo nas ideias da minha mãe, cara eles pegaram raiva do Ítalo, e com tanta gente falando, nas rádios e nas escolas, saiu fora de controle. - Mano eu vou depor a favor do professor. Ele me procurou e você também me contou a verdade, cara não podemos deixar assim. Estou te falando pois sua mãe já veio na minha casa. - Que ótimo Mario, você e ele não se davam muito bem, fiquei sem graça de te pedir isso, mas... - Sou aluno e ele professor ué é o que eu faço, rsrs. Mas cara não tem relevância alguma meu depoimento, isso se caso o juiz autorizar. - Eu sei, também estou fazendo o possível, vou depor na audiência. #Ítalo Eu ouvia todo santo dia, “Tudo vai acabar bem”, “não é nada”, “A verdade vai vir a tona”. Eu tinha um ponta de esperança, mas confesso estar de coração apertado. Errar com algo tão grave, se deixar levar pelo sentimento, o desejo e paixão, as vezes estes caminhos só possuem pedras e espinhos. Sinceramente? Nesta última semana, preparei tudo, pois tinha quase certeza de ser condenado. Minha mãe procurou por várias e várias vezes a família do Davi para falar com ele, e pedir que contasse a verdade. Afinal de contas eu contei o que houve, mas a mãe do garoto o mantinha sempre longe de qualquer contado, mantendo ele quase que em cárcere. No dia anterior, recebo uma ligação do Mario, dizendo que estava com algumas dúvidas, e queria conversar sobre um assunto. Mesmo contra a vontade da minha mãe eu fui chegando na casa dele, eu buzinei, as luzes dos postes estavam pouco apagadas e ao portão abrir, as luzes não se ascenderam, estávamos com pouca visibilidade. Eu desci do carro, e ele veio me cumprimentando; - Porque não podia falar no celular em? Quer que eu ligue para o Daniel? – Pergunto pegando o celular. Ele segura minha mão, impedindo de digitar e fala; - Não sou eu que quer falar com você. – Mario diz olhando para o portão. De Jaqueta azul escura e boné preto, aqueles shorts característicos do Davi; - Tem ideia do que acontece se me pegarem perto dele. – Falo olhando para o Mario. Voltei entrando no carro; - Ítalo espera. – Fala o Davi. - Se eu soubesse o problema que seria chegar perto de você nunca tinha me apaixonado. - Você não pode mandar no coração. - Mas pode ignorar Davi. – Falo ligando o carro. - Eu faria teria feito tudo por você. - Então prove amanhã. – Falo saindo. Sério, por mais que seja bom ver ele, não ser preso não tinha preço. Esse encontro com o Davi, só piorou minha noite, que foi acordado, literalmente. Encontrei duas vezes minha mãe, vindo a cozinha tomar agua, pois não conseguia pregar os olhos. A audiência aconteceria as oito e quarenta da manhã, as sete eu e minha mãe estávamos prontos. Chegamos no fórum mais cedo, para evitar contratempos. Daniel conversou conosco e repassou tudo, o Mario e Lorena que estavam presentes, também conversaram com ele. #Julgamento - Estou muito orgulhosa de você filha. – Fala a mãe de Lorena, a lado da menor, na sala de espera. - Estou nervosa, mas é a coisa certa. – Responde, encostando a cabeça no ombro de sua mãe. - Acho que estão prontos, vamos Ítalo.  – Fala Daniel acompanhando-o. O Tribunal de Justiça de Cascavel utilizado para audiências mais “simples”, não foi utilizado no dia, por determinação o Julgamento seria Público, pela repercussão que teve o caso na pequena cidade. O Tribunal utilizado havia três fileiras de cadeiras logo na entrada, pouco a frente a direita uma bancada do Júri, e a esquerda o Ministério Público. A frente a bancada do Juiz, a frente as fileiras de cadeiras duas mesas, de acusação e defesa. Ítalo foi acompanhado e ficou ao lado de seu advogado o Daniel, que estava com mais um advogado, amigo de trabalho. Na bancada seguinte o advogado de acusação a mãe de Davi. No Tribunal, poucos assistiram, somente professores do colégio, alguns alunos e familiares de ambas as partes. O Juiz entra e pega um papel, começa a ler de pé, para todos presentes; - Inicio da audiência do caso 81020141, movido pela parte de Raquel Queiroz Alcântara, Contra Ítalo de Souza, acusado de estupro de vulnerável. Audiência de decisão (...). – O Juiz Gustavo Santos faz um breve resumo do caso. E passa a palavra para o Promotor, que representa o “Ministério Publico” na audiência. Ele se levanta da bancada a esquerda com varias folhas em mão, e sai distribuindo para o Júri logo a sua frente; - Começo com todas as conversas, entre o Réu, e a Vítima o Davi Lucas, desde 22 de Janeiro deste mesmo ano, o primeiro dia em que o Réu Lecionou na escola, vocês conseguem perceber o individualismo que ele proporcionava a vítima. Depois que foi eleito como representante da turma, ele ficou mais próximo ainda dos alunos. Até em festas que foram organizadas pelos menores ele esteve presente. Tenho relatos de testemunhas que o primeiro contatos deles fora do colégio Wilson Joffre foi na festa da menor Eloá Castro, também aluna do réu (...). O Promotor de Justiça estava movido de raiva, e revoltado pelas conversa que teve com a Raquel, mãe de Davi, ele falou durante um bom tempo, fazendo um resumo da acusação, tentando convencer de todas as formas o Júri. Então Ítalo é chamado para depor, se senta em uma cadeira a frente do Juiz, que conduz algumas perguntas; - (...) Você leciona a quanto tempo? - Faz 4 anos. - Houve contrato de prestação de serviços com a instituição? - Não. - Qual seu grau de relação com a diretora do Colégio? - Somente profissional. - Ítalo você sempre falou com toda a turma se comunicando pelo Whatsapp? Assim foi também com a Vítima? - Sim, com ele e todos alunos que tinham dúvidas ou perguntas em relação a matéria que eu lecionava. - Confirma que o primeiro contato físico entre vocês, foi durante uma festa, organizada pela Vítima? - Sim. - Você ingeriu bebida alcoólica na ocasião? - Não. - Você possui algum sentimento pela vítima? Ítalo olha para trás, onde sua mãe estava, ela angustiada e com as mãos na boca, ele retorna o olhar quando o Juiz chama sua atenção; - Ítalo você tem, ou já teve algum sentimento pela Vítima? - Sim. - Quais? - Fui apaixonado por ele. - Sabia que a vítima é menor de idade, desde o início? - Sim. O Juiz Gustavo prosseguiu, e logo depois a acusação e defesa, fazendo perguntas e questionamentos a Ítalo. Logo após um intervalo de cinco minutos. Ítalo é retirado, e Daniel traz sua mãe; - Daniel, pelo amor de Deus, me fala, o que você acha? – Pergunta ele, apavorada. - Não, é bom, não é nada bom, vou tentar autorizar e trazer os meninos, mas podem esperar o pior. - Vão ouvir o Davi? – Pergunta o Ítalo. - Como te falei, não tenho certeza, mas acho que não. Com o retorno do julgamento, o Daniel tem pontos ao favor de Ítalo, consegue trazer para ser ouvido o Mario; - Somente deixando claro, que as palavras do menor, não terão peso algum nesta audiência... – Fala o Juiz a Daniel. - Entendido Meritíssimo, mesmo assim obrigado pela oportunidade. Mario se sentou na cadeira de testemunhas, arrumou o cabelo, olhando, preocupado para os lados, e Daniel se aproxima; - Mario, você de alguma forma, sentiu que o professor Ítalo, proporcionou favoritismo ao seu amigo o Davi Lucas? - De forma alguma, muito pelo contrário, eu e o Davi éramos as pestes da sala, nós damos muito trabalhos para os professores, não tinha favoritismo algum. - Nem depois da tal festa da Eloá? - Não mudou nada, nunca percebi nenhum tipo disso que você falou. - Ótimo. Percebeu algum dia, ou teve a oportunidade de ver o professor Ítalo, dar em cima de você, algum trejeito, ou por algum aluno ou aluna do colégio? - Não, nunca, para cima de mim não, e eu nunca vi. Daniel chama alguns professores, e começam a ouvir as testemunhas. Antes do Júri decidir a condenação ou absolvição de Ítalo, a acusação chamou Davi; - Autorizo a vítima depor perante o Júri, podem traze-lo. – Fala o Juiz organizando uns papeis na bancada. Algumas pessoas se viram, assim como o Ítalo, acompanhado de um policial Davi, entra com uma camisa cor caramelo longline, tira o boné e passa a mão no cabelo, ele segue para frente do Juiz, olhando para Ítalo, seus olhos brilhavam na troca de olhares. - Davi Lucas Queiroz de Alcântara, irei fazer algumas perguntas você me responde sim ou não. – Diz seu advogado. Davi somente gesticula com a cabeça positivamente; - Estive olhando em seus documentos e arquivos, encontrando umas consultas que fez com um psicólogo quando criança, logo após a separação de seus pais, você sempre disse a verdade a psicóloga? - Sim. - Então confirma que no dia 25 de Fevereiro de 2007, contou a ela que sofreu abuso sexual de seu tio, por parte de pai? - Sim. A pergunta vinda com a resposta, deixou todos presentes de olhos arregalados; - Perguntei isso meritíssimo, pois de acordo com um laudo da psicóloga, estes eventos vividos por ele, podem explicar o porquê não agiu na ocasião de ter relações com o Réu. - Está me dizendo que a vítima teve iniciativas psicologias com o Réu?  Pergunta o Juiz. - Que mesmo ele podendo se defender, pelo seu porte físico, cedeu ao acusado que persuadiu o menor. Ítalo teve inciativas, nos primeiros contatos Davi? Ele quem o procurou? Ele quem sempre se aproximou de você? – Pergunta o advogado. - Não, eu que sempre, fui atrás, eu sempre o procurei, mesmo ele fugindo, e se negando a me encontrar. - Ouve mais encontros? - Sim, encontrei ele em ocasiões, onde as iniciativas vieram de mim, e quase nunca dele... Às vezes eu ficava confuso se ele sentia o mesmo que eu estava sentindo. - Calma Davi, eu sei que está sob pressão, mas peço que repense o que disse, não está encontrando as palavras certas. -  Interrompe o advogado de acusação. – Alguém traz uma agua por favor? - Estou bem, nunca tive melhor. Eu que procurei, eu que insisti. Ele não teve culpa de nada disso, tudo, que disseram hoje, foi culpa minha. Picharam a casa dele, por culpa minha. Ameaçaram sua família e a ele, foi tudo minha culpa. - Davi escuta... - Escuta você, que nunca me escutou a verdade não é? Eu amo ele, ítalo não tem culpa de nada, tudo que eu fiz foi consciente, eu não fui induzido ou persuadido fiz porque eu gosto dele. Fui errado em não perceber no problema que isso poderia ser, e foi na verdade. - Sem mais perguntas meritíssimo. – Interrompe novamente, antes que Davi deixasse as coisas piores para o lado da acusação. - Intervalo novamente, retornaremos com a sentença. #Ítalo Não esperava aquelas palavras, eu não esperava aquela atitude, não pude negar um sorriso quando ele se levantou e me olhou, saindo a esquerda, segui ele com os olhos que piscou pra mim. Ao meu lado o Daniel com os olhos brilhando, e boquiaberto; - Ele acabou com o processo Ítalo, se o Júri acatar o que ele acabou de dizer está livre. – Fala ele com a mão em meu ombro. - Mas o Juiz disse que o que ele dizer não tem validade. - Sim, mas calma, vamos pensar positivo. - (...) Eles não vão levar em consideração as palavras do Davi, pensei que seria uma boa trazer ele aqui... – Ouço o advogado de acusação falar a Raquel, mãe do Davi. - Eu mato ele quando chegar em casa, o Davi não está bem da cabeça, gay? Meu filho não é gay, isso foi tudo culpa desse marginal. - Responde Raquel. Tomei uma agua e retornei com eles, tudo isso com um policial, um guarda me acompanhando para todos os lados que eu ia no tribunal, isso porque tinha somente uma sala. Eu ficava ouvindo atrás de mim, os curiosos e pessoal do colégio comentar que bagunça, isso tudo sem razão, meio que orquestrado pela Raquel. Quando retornamos, minha mão estava fria, e tremula, soando muito, fiquei sentado ao lado do Daniel e seu amigo, com o braço esquerdo segurando a mão da minha mãe atrás. O Juiz se levanta e com um folha em mão diz; - Silencio por favor! Bem a sentença foi dada pelo Júri, eles votaram pela Absolvição do Réu de todas as acusações. Que serão retiradas imediatamente. Pois a vitima o Menor Davi Lucas Queiroz de Alcântara confessou ser ciente e responsável pelos seus atos que constam no processo. Secção encerrada. Claro que Mario, Lorena e os alunos presentes não deixaram passar e gritaram logo que ele terminou de ler, eu e minha mãe não preciso descrever a alegria não é mesmo? Alegria de poder retornar a vida normalmente. Anos Depois... #Davi Estava por volta de sete e quarenta no meu trabalho, quando o Mario chega. Por causa da faculdade estava trabalhando em uma academia, como personal, e recepcionista, quase um “faz tudo”. Logo pela manhã estava aguardando ele para ajudar com seu treino. Enquanto o esperava eu estava selecionando as musicas do dia, as que eu mais gostava; - Acorda mano. – Fala ele batendo com força na bancada. - Oh Viado! Demorou em. – Falo me levantando. - Vou trocar de roupa lá, vai preparando o supino. - Vai lá. No meio do treino, conversando com ele, enquanto eu ajudava ele, nos aparelhos; - Mas surpreendeu mano, muito mesmo, você me disse que curtia, mas nunca te vi com ninguém. - Ele é um cara de boa sabe, tu sabe, eu tentei de novo com a Lorena, depois que fizemos as pazes, mas não rola cara. - Sim, to falando isso não, eu curti o Vitor quando conheci ele, mas cara, você é outra pessoa quando está com ele. - Como assim Mano? – Pergunto puxando o altere. - Outra pessoa Davi, fica mais sério, meio sem graça, tu não é assim cara, você ama ele? - Que pergunta é essa Mario? - Ama? Virei o rosto, respirando fundo e digo; - Você sabe, quer que eu fique repetindo? - Liga para ele, vai atrás, ele te perdoa. - Eu acabei com a vida dele, acha que é assim? E ele está morando na capital. - Curitiba nem é tão longe. - Mano, já chega desse assunto, estou com o Vitor, então relaxa, ele não pode nem imaginar a gente nesse assunto. - Só comentei. #Lorena Acordei bem cedinho e fui até o quarto onde o meu primo estava dormindo, mas não vi ele. Escovei os dentes e sai de fora, olhando para os fundos; - Que foi que está no sol? – Pergunto saindo. - Frio, e esse sol está tão gostoso. – Diz ele tirando os óculos. - Gostoso é você primo... Então como foi ontem com o Davi? - Foi de boa, aquele seu amigo o Mario é bem louco não é verdade, rsrs. - Quando nós estudávamos juntos, era muito pior, aprontamos muito. - É dá para ter uma ideia. Mas ele estava tímido, mais calado que normal, sabe. - Eu avisei, ele nunca saiu com um cara que estivesse namorando Vitor, foi um passo e tanto para vocês, deve ser por isso. Então, vai procurar trabalho hoje? - Sim. E vou comprar uma sunga para a festa do Mario amanhã, você vai né Lorena? – Pergunta ele protegendo o rosto do sol. - Sim, não estou muito animada mas vou sim. #Davi Lucas Trabalhei até o horário do almoço, neste dia eu tinha estagio, no Wilsão. Passei em casa e almocei rápido, me troquei. Como estava morando na casa do meu pai, desde que ele faleceu a um ano e meio atrás. Peguei um boné, camisa cavada e short preto, um tênis velho e fui andando mesmo. Logo que cheguei na portaria o Mauricio diz, enquanto entro; - A Turma já está te esperando na quadra Davi, hoje o professor será você. – Fala ele meio que abraçado com o portão. - Uê cadê o Robson? - Ligou avisando que não vinha, acho que uma virose, ou algo do tipo. - Valeu Mauricio. – Falo seguindo para a quadra. Ela fica ao lado de trás dos pavilhões do colégio, segui ouvindo os gritos dos meninos, e chutes nas bolas. Logo que me virão assoviaram, tipo de “Cantada”, eu abri um sorriso, e entro fechando a grade; - Engraçadinhos! Bem galera, vamos lá, o professor Robson não vem hoje, então vão suar comigo. – Falo pegando a bola. – Formem dois grupos, vai, vai. Eles se separam em meninas e meninos; - Os meninos cinco voltas na quadra. Garotas vocês alongamento aqui, a Andressa me ajuda? – Falo apontando o meio da quadra para elas. Eu acompanho os meninos, mais para apressar eles e encher o saco. Depois de deixar eles bem soados e cansados, junto a turma que estava sentada no meio da quadra; - Queimada ou Futsal? – Pergunto segurando as bolas ao meio. Gente foi uma gritaria, tive que fazer uma votação e as meninas ganharam, começamos a jogar uma queimada. E claro o time que eu estava ganhou, liberei eles uns minutos mais cedo; - Professor, aqui... Eu te ajudo. – Fala a Andressa com as bolas. - Valeu, vamos levar na direção. – Falo colocando-as nos sacos. Seguimos conversando, ela comentando das notas baixas, e eu contando uma das merdas que eu e Mario fizemos na época de escola. Eu tinha que guardar as coisas e assinar o papel do estágio de presença. Quando abro a porta da sala da Ângela, vejo o Ítalo sentado na poltrona de frente sua cadeira, ele olha para trás, e algumas bolas caem no chão; - Ai eu pego! – Fala a Andressa. Correndo atrás das bolas, gente eu fiquei branco, meu coração batia tão forte que sacudia todo meu corpo. Ele ficou vermelho e parado feito estatua. Ângela se levanta muito sem graça; - Davi, não sabia que estava dando aula. – Ela fala vindo até a porta. Pega o primeiro saco de bolas e guarda; - Olá, eai, tudo bem? – Falo limpando a mão na roupa e estendendo em sua direção. - Sim, ótimo e você? – Diz ele me olhando. - Bem, chegou quando em Cascavel? – Pergunto enquanto a Ângela pega minha relação de presença. - Ontem, estou revendo os amigos, você está dando aula aqui no Wilsão? - Assina aqui Davi... – Diz Ângela mostrando a folha. - Obrigado... Faço estagio aqui. - Ele está terminando a faculdade de Educação Física não é mesmo? – Diz ela. - Sim. - Que ótimo, parabéns. - Obrigado! – Meu celular toca na hora, pego o iPhone era o Vitor. – Tenho que ir, Obrigado Ângela, até mais, bom te ver Ítalo. – Falo pegando novamente em sua mão. Cheguei a deixar a Andressa na sala com eles, arrumando as bolas, atendi a ligação desnorteado; - Oi. - Davi consegui um emprego, já assim de primeira dá para acreditar. Poxa estou muito feliz. - Rsrs, que bom, fico feliz por você. - Queria sair para comemorar, mas acho melhor deixar para amanhã, na festa do Mario não acha melhor? - Festa? - Davi, amanhã o Mario chamou a gente, os pais dele estão viajando. - Ah, sim, o Mario! - Está com uma voz diferente, tudo bem Davi? - Sim, sim... podemos conversar depois? - Está tudo bem? - Sim. - Ok. #Mario Encontrei duas garotas que estudavam conosco no último ano no Wilsão, e conversando sobre como foi aquele ano elas me deram a ideia de fazer uma festa, de encontro daquela turma. Era a festa que iria fazer, aproveitando meus pais fora e ao invés de fazer um grupo no whatsapp, fiz o convite individual. Não seria algo mais tranquilo, porque liberei acompanhantes e também a diretora Ângela e dois professores confirmaram, então, pelo menos no início. No dia estava um calor infernal, e aproveitando estar em casa, fiquei de short um tênis e camisa básica mesmo. A maioria dos meninos chegaram bem cedo, o Davi me ajudou com as bebidas e o som; - (...) Não sei se era uma boa vir mano. – Comenta ele, enquanto estávamos guardando as bebidas. - Qual é Davi, está na minha casa mano, não tem isso, relaxa e aproveita o Vitor também está curtindo. - A cidade inteira me odeia por causa do que minha mãe fez aquele ano. - Não é assim, foi sua mãe que prosseguiu com o processo, mas relaxa mano, curte ai. - Vou tomar umas e depois eu vou vazar, trabalho amanhã logo cedo na academia. - Beleza, mas aproveita um pouco aê. - Valeu. Recebi mensagem no whatsapp, pois não estavam achando minha casa, fui até a rua, e falando com os meninos, foi quando junto o Italo chegou; - Caralho, pensei que não viria. – Falo cumprimentando ele com um abraço. - E ai Mario, tudo bem? - Bem prof... Ítalo, rsrs, estou bem. Vamos entra ai... - Estava esperando quem aqui? – Questiona ele. - Ali... os meninos mas já me viram aqui. Falo acompanhando ele na entrada. Todos estavam no jardim, alguns sentados e umas meninas dançando na frente do som; - GALERA... GALERA! – Grito para todo mundo. – Olha quem veio prestigiar nosso encontro, o melhor professor do Wilsão. – Falo apontando para o Ítalo. Ele abre um sorriso ficando vermelho, enquanto a gente gritou e bateu palmas para ele, a Ângela que já estava em casa, levantou e abraçou ele, que pediu uma salva de palmas para ela também. #Ítalo Cara fiquei quase uma hora andando e falando com todos os ex alunos, conversando e cumprimentando, o que estavam fazendo e famílias. No meio da galera sinto uma mão nas costas, era a Lorena; - Oi professor! É muito bom vê-lo novamente. – Diz ela me abraçando. - Oi Lorena, bom te ver também, está muito linda, rsrs. - Obrigada, então como está em Curitiba? - Uma loucura, lá é correia sempre, mas vou ficar uns dias em Cascavel, minha mãe não está muito bem. - Que foi com ela? - Aparentemente dengue, estamos aguardando os resultados dos exames... Mas me fale de você? - Ítalo! É muito bom te ver, muito mesmo. – Fala o Davi vindo a direita. - Davi, oi, digo o mesmo. – Falo estendendo a mão. Ele a pega e meio que puxa lentamente para um abraço. Posso estar errado, mas no abraço ele se aproximou demais do meu pescoço; - Oi prazer, Vitor. – Fala um rapaz muito bonito que estava ao lado do Davi. - Prazer é meu, Ítalo. #Davi - Vou ver se pego um carregador com o Mario, fica aqui com a Lorena ok Vitor. – Falo saindo. Fui até o outro lado da casa, onde não havia ninguém, cheguei e chutei com muita força um monte de folhas sob o gramado; - EI, eu juntei essas folhas depois de um ano e você chuta elas mano. - Fala o Mario, que estava me seguindo. - Foi mal... Foi mal... – Falo tentando esconder o rosto. - Que foi Davi... Davi... Olha pra mim. – Fala ele me puxando pelo ombro. – Que aconteceu cara? Eu abracei o Mario; - Mano.... Eu só queria ser normal sabe, namorar uma garota legal como a Lorena, ter meu filho, e trabalhar para cuidar deles... Mano eu só queria ser normal cara... - Que isso Davi, ta falando o que mano? Você é normal cara, não tem nada de errado com você. Calma mano, está muito nervoso. Me afastei limpando os olhos, ele me entrega uma garrafa de cerveja; - Toma um gole... É o Ítalo, não é? - Me senti na época de escola... a gente se curtia mano, era bom demais. – Falo sentado ao lado de Mario. - Foi mal, tinha que ter te avisado que iria chamar ele. - Relaxa, você não tem culpa... Acho que eu tenho que passar por isso, fiz ele sofrer demais, é o preço. – Falo limpando novamente o rosto. Levanto e pego o rastelo que estava na parede; - Não precisa, deixa isso... - Estou mentindo para o Vitor. - Oi? - Não gosto dele. - Davi, relaxa e pensa no que está falando. - Estou relaxado. Terminar com ele iria fazer ele sofrer, e o cara já passou por... - Sofrendo ou não, você sempre me diz, pense em você primeiro no seu bem estar, depois nas pessoas, faça o que acha certo mano. - Não posso. - Mas acabou de falar que não gosta dele. - Sou apaixonado pelo Ítalo, não mudou nada desde a escola. Só aumentou o que sinto. Mas ele mora na capital, eu iria só complicar mais ainda as coisas. Como sempre faço. - Ah! Mario vou com a Thais comprar uns refrigerantes quer alguma coisa. – Fala o Ítalo me olhando, essa frase ele falou lentamente. Mario estava sentado, me olhando a rastelar as folhas, o Ítalo ao lado esquerdo da parede, ele ouviu tudo, e nós nem percebemos; - Não, estou de boa. – Responde o Mario. Ficamos em uma troca de olhares por minutos até ele falar; - Tudo bem. – Ítalo sai. Deixei o rastelo e fui ver onde ele iria; - Ele foi? – Pergunta o Mario se levantando. - Sim, estão saindo. Mano que merda. - Será que ele ouviu tudo? – Questiona o Mario. - O que acha? - DAVI. – Grita o Vitor me chamando. Eu segui até onde ele estava, e já fiquei apreensivo pela cena que acabara de passar. - (...) Não acha certo Davi? ... Davi? - Oi. - Estou falando com você.... Ultimamente anda muito distraído. - É que eu bebi, e sabe como eu fico ne, estavam falando de que? - O vestibular da faculdade, a que falei para você hoje cedo. - Sim, Vitor. Cara eu estava com a cabeça a mim, coração disparado, soando, e nem sei ao certo o que estava sentindo, foi uma sensação muito estranha; As vozes estavam longe, foi uma tontura, das fortes, lembro de ver somente uma cadeira vaga a metros de mim, e seguir até ela e sentar. - Mano está bem? – Fala o Mario vindo até mim. - Sim, tive uma tontura.... Agua? – Pergunto apontando para o seu copo. - Sim. Peguei e o virei, mas queria estar desmaiado, pois o Ítalo havia retornado. E pior, falando com o Vitor e Lorena. Eu me aproximei ouvindo a conversa, mas... - Não me contou que estava namorando Davi. – Fala o Ítalo assim que eu me aproximei. Eu não respondo, somente gesticulo com a cabeça. Pois estava olhando nos fundos de seus olhos; - Nos conhecemos na academia, eu comecei a treinar lá, e ele como personal, não tem como não apaixonar, olha isso gente. – Brinca o Vitor segurando meu braço. - É eu sei. – Concorda o Ítalo. - Como? – Pergunta meu namorado. - Não, nada, que bom que estão felizes juntos. – Diz ele. Ítalo estava fazendo isso para jogar na minha cara, o que havia acabado de ouvir, e ele tinha toda razão. E para ajudar o Vitor estava tirando proveito da situação se “amostrando”, pois, havia um cara que ele não gostava na festa. Mal sabia ele que o pior estaria do seu lado. Gente eu já quase indo embora, por causa da situação, fui desmascarado assim na maior vergonha. Estava tentando sair daquela “mesa redonda”, e eles cheios de papo, até o Mario retornar; - Mano olha quem está aqui. – Fala ele abraçado com o Rafael. Um amigo de milhões de anos atrás. Ele me olha e chega a pular em mim, sério quase caímos; - Não acredito, Davi Lucas... Olha como está bonito mano. - Cara você bebeu? – Pergunto quando ele me beija na bochecha. Os meninos, a Lorena, Ítalo e Vitor chegaram a se afastar, com a bagunça; - Aqui está o professor Ítalo, lembra dele? – Diz Mario ao lado de ítalo. - Sim, é claro, o que deixava todas as meninas molhadas... - Sou eu mesmo, mas não pula. – Brinca o Ítalo. - Mal sabia elas que você estava pegando o Davi né malandro. – Diz ele na frente de Vitor. A Lorena cuspiu literalmente sua bebida, ela jorrou refrigerante no chão, espirrando em nós; - Estão juntos Davi? – Pergunta ele, me olhando. - Não. - E vocês são? – Pergunta ele se virando para o Vitor e Lorena. - Vitor o meu namorado, e a Lorena, talvez se recorda dela. Ele ficou olhando, deu uma risada, e fala; - Rsrsrs tá falando sério? – Diz ele apontando para o Vitor. Eu respondo somente gesticulando com o rosto; - Ítalo já que está solteiro, vem aqui, tenho que te apresentar alguém. – Fala o Rafael saindo. Eles saíram, e aquele silencio foi jogado em mim, em forma de bebida, o Vitor virou o na minha cara; - Ficou maluco? – Falo bravo. - Eu aqui fazendo papel de idiota, na frente de todo mundo, e você não fala nada. - Vitor espera. – Falo indo atrás dele. Todo mundo, absolutamente todo mundo na festa me olhando, olhando a nós; - Não encosta em mim Davi. Tira a mão. – Fala ele esquivando. - Vitor eu vou te levar em casa, me espera. - Sai Davi! Ai eu não acredito, não to acreditando nisso. MERDAA. – Grita ele saindo. - É melhor deixar ele, deixa essa raiva passar, vou falar com ele. – Fala a Lorena saindo junto. - Beleza, me avisa quando chegarem. - Certo. Que eu fiz? Ir embora, deitar e dormir? Não. Voltei fui ao banheiro, troquei uma camisa, peguei uma emprestada e me sentei junto com os meninos que estavam jogando truco e fui beber, galera eu enchi minha cara, sério fui infantil a esse ponto. - Mano posso dormir aqui? – Pergunto o Mario segurando em seu ombro atrás. - Claro porra, tu é de casa, quando quiser entra la, sabe onde fica meu quarto. - Mas e você vai ficar onde? - NO quarto dos meus pais, fica de boa. - Beleza vou no banheiro. - Vai lá. Quando me levanto, eu vejo tudo rodar, como uma roleta, CARALHO, havia exagerado; - Haha, pega ai Davi. – Fala um cara da mesa, não me lembro quem. Me joga uma bala macia,  fiquei mastigando ela, e estranhamente fiquei “pouco melhor”. Fui ao banheiro, com pouca de dificuldade, depois de mijar, me lavei e acabei me molhando um pouco mais. Fui até o quarto e cai na cama; - Quando vai parar de machucar as pessoas? – Escuto o Ítalo falar. Levantei um pouco a cabeça para os pés da cama e vejo ele de pé, e braços cruzados; - Ítalo? - Não respondeu minha pergunta. - Eu nasci para isso, irei morrer sozinho, pessoas como eu merecem sofrer. Eu juro não é minha intenção, nunca foi. – Falo pausadamente olhando para o teto. - O que falou para o Mario, que eu escutei é verdade? - Sim, sempre foi! Eu te amo, sempre amei, mas a gente não pode ficar junto, eu já fiz você sofrer demais, e estou pagando por isso, faz muito tempo que eu deito a cabeça no travesseiro e só penso em você. Sabe o mais estranho? Eu pensava que era paixão, mas estava enganado até com isso. Ao terminar de falar, sinto ele sobre mim na cama, aproximando lentamente e me beijar, somente minha mão foi em encontro a sua nuca. Que combustível, como se estivesse voltado da morte. Eu fui para cima dele; - Calma, calma Davi. – Fala ele tentando me segurar. - Mano seu beijo. – Falo trocando a posição, o viro subindo sobre ele. Beijo aquele pescoço segurando ele, sinto fortemente seu cheiro, eu o cheiro todo, o abraço, como eu abracei o Ítalo. O beijava e fazia carinho com as mãos em seus lábios, levei a mão por inúmeras vezes em seu cabelo, desenhando as mechas, e rindo com seu sorriso. #Ítalo Era como se os sonhos que eu tinha com ele, estavam se tornando realidade, claro e confesso estar pouco alterado pelo álcool, mas estava mais que confortável com a situação. Suas mãos subiram minha camisa, e voltaram até minha calça, caramba era arriscado transar ali, mas como disse me deixei levar. Eu beijava aquele pescoço, e sua boca com uma voracidade e vontade, ele as vezes ficava repetindo, por estar pouco alterado; - Não acredito que isso esteja acontecendo. Eu somente sorria com os comentários. Os dois, pelados se beijando e se pegando, com os corpos literalmente pegando fogo, Davi não deixou ou nem quis que eu o chupasse, foi durante as mãos bobas, os beijos e respiradas fortes começou a me penetrar. Eu estava sob seu corpo, e fui sentando em Davi, caramba, que era aquilo, confesso não sentir dores de início por estar bem confortável, ele respirava fundo quando foi entrando todo em mim. Lentamente subindo e descendo, ele beijando minha boca, e eu apoiando no colchão. Para terem uma ideia, estávamos com tanto tesão, que era perceptivo que não demoraríamos para chegar ao orgasmo. Ele veio por cima, me deitando ficando de frango assado e segurando minhas mãos acima da cabeça, beijando meu pescoço, me restava somente gemer para ele. Davi passa uma das pernas pelo braço e com cada estocada bem gostosa, ele iniciou um ritmo mais frenético do que estava, cara eu mordia o lençol, e ele mordendo minha orelha, falando besteira, sentindo seu cheiro, seu corpo, é indescritível, toda e qualquer palavra que coloque aqui não conseguira retratar. Davi gozou gemendo próximo ao meu ouvido, ele estava “melhor” do álcool. Ficamos naquela posição com ele me beijando e fazendo caricias. Depois eu fui pegar uma bebida, um refrigerante na verdade para a gente “refrescar”; - Porra foi a melhor de muitos anos sabia. – Comenta ele ainda sentado. - Valeu, digo o mesmo. – Digo correspondendo com um selinho. - Dorme aqui? – Convida o Davi. - Vou para casa, já está tarde. - Acho que também vou para casa. - É melhor que fique Davi, não está muito bem para ir sozinho. - Vamos comigo, é perto. - Beleza, vamos despedir do Mario então. - Certo. Ele colocou a camisa, e arrumei seu cabelo, para sairmos, despedi das meninas e de Mario, agradecendo por tudo; - Vou nessa mano, depois a gente se fala beleza. – Fala o Davi pegando em sua mão. - Não mano, tem quarto disponível aí, dorme aqui, não pode ir assim não. - Relaxa o Ítalo vai comigo. O Mario abriu um sorriso de surpresa, sorrindo ele fala; - Certo, ok então, juízo vocês dois. Sim, dorme na casa do Davi e transamos novamente ao chegar lá, desta vez no banheiro. Pela manhã eu acordei com alguém chamando, como a campainha estava alta sinto o Davi se levantar, ele abre o portão então a porta se abre. Galera era o Vitor, ele colocou o pé dentro da casa me olhando no fim do corredor sob a cama do Davi. - Isso é brincadeira com a minha cara? – Fala ele tentando entrar. O Davi segura ele e força para fora do apartamento. - Ei, Ei fica na sua beleza. Vitor o acerta com um tapa na cara, daqueles bem servidos, nessa hora me levanto e fico perdido, no que fazer; - Você não vai entrar, depois a gente conversa Vitor. - Eu não quero falar com você, pega meu carregador. Ele veio todo estressado, pegou na gaveta e retornou abrindo a porta, entrega e eu ouço somente ele dizer; - Lorena depois pega minhas coisas. Davi tranca a porta, ficando pensativo, até vir no quarto; - Tudo bem? – Pergunto sem graça. - Depois tenho que conversar com ele, não pode ser assim. – Diz ele sentado a beira da cama. - Me desculpa, não deveria ter dormido aqui. - Ei, escuta, você foi a coisa mais importante na minha vida até hoje, você não tem culpa de nada. – Fala Davi subindo na cama e me beijando. - Tenho que ir resolver umas coisas, e ver como minha mãe está. - E eu tenho que trabalhar. Em casa eu contei a minha noite, e claro, que minha mãe não gostou muito da ideia né. - Eu não gosto muito deste garoto, você sabe ítalo, muito menos da família dele. - Mãe, ele mora sozinho agora, tem o mínimo de contado com sua família. - Sei ítalo, te conheço, está gostando desse menino... Me diga vai voltar quando pra capital? - Vou ficar mais um pouco, acho que poucas semanas. - Que ótimo, maravilha, lá você não dá tanto trabalho. #Davi Lucas Mario chega para seu treino na academia e já me olhando de longe e rindo; - Mano sua noite foi melhor que a minha, não peguei ninguém e estou de ressaca. – Fala ele entrando. - Dor de cabeça vou ter ainda mano, tenho que falar com o Vitor. Falo seguindo ele até o vestiário; - Que foi? - Vitor, simplesmente pegou eu e o ítalo na cama essa manhã. - Você é burro a ponto de levar ele para sua casa Davi, ah mano, estava querendo. - Eu estava bêbado, ele me acompanhou e rolou, ai já ficamos, e é minha casa porra. - Eu sei cara, mas e agora? - Vitor não quer me ver nem pintado de ouro, Lorena já mandou mensagem está pegando as coisas dele no apartamento. - Que fita mano, que fita. - Nem me fale. Ele ficou me olhar colocando os alteres na barra e abriu um sorriso; - Que foi viado? - Viado aqui é você Davi, está mais feliz. – Fala ele apontando pro meu rosto. - Vai se foder Mario. - Não está? – Diz Mario para um cliente da academia. – Diz ai Igor? - Sim, falei a mesma coisa quando cheguei, a noite foi boa ontem em. – Igor brinca. Eu fiquei sem graça; - Vamos logo, vai ver no seu treino minha felicidade. Falo enquanto ele deita no aparelho. Depois da primeira serie ele questiona; - Eu gosto de ver você assim. - Valeu mano, é o ítalo, ele me deixa assim. - Ele é isso tudo mano? - Ele é muito mais Mario, não sei nem o que dizer sabe - Vem aqui. Diz ele me abraçando. Esperei algumas semanas para chegar e conversar com o Vitor, de toda e qualquer forma ele precisava de um tipo de explicação. No dia, quando a Lorena abriu o portão já veio dizendo; - Não sei se ele vai querer ver você Davi! - Por favor. - Certo, entra. Olha vou na vizinha levar esse ferro, olha lá em. - Relaxa. Eu entro, e ele estava lavando a louça; - Não foi na casa da Edite o Lorena? – Fala ele me olhando. – Que ta fazendo aqui? - Vim, conversar com você Vitor. - Vai embora Davi, eu não tenho nada para conversar com você. – Fala ele pegando um pano e secando as mãos. - Eu não quis, fazer isso com você, mas ele... - Eu não quero saber Davi, vai embora. Ele não deixava de forma alguma eu falar nada. Deixo sua mochila no canto, que havia deixado na minha casa e comento; - Eu vou embora. – Falo passando pela porta. Ele para e fica me olhando; - E a faculdade? - Ítalo volta para capital na semana que vem, vou ficar mais quatro meses, se conseguir terminar a faculdade antes eu mudo, vamos morar juntos. - Vai embora Davi. – Diz ele com uma lagrima descendo no rosto. Eu ainda dei um passo em seu rumo, mas ele repreendeu novamente, me virei e fui embora. #Ítalo Um mês namorando com o Davi, e mais alguns meses juntos, até ele finalizar sua faculdade, esperávamos ser o bastante para morar juntos. Ele foi me levar a rodoviária, para ir embora, e estava todo manhoso, depois de descer do carro e me ajudar com a bagagem, fui comprar o bilhete e ele segurando minha mão; - Davi preciso pegar o dinheiro, pode soltar minha mão? – Pergunto. - Quero aproveitar cada momento com você, só vamos se ver em duas semanas. - Dramático, me solta a moça está esperando, rsrs. Falo puxando a mão, depois esperando o ônibus encostar, ele me abraça e fica por um tempão; - Davi tem gente olhando. - Não estou nem ai. Me avisa assim que chegar, e quero nudes toda noite, não esquece das mensagens de bom dia. - Rsrsrs, nossa vai enjoar de mim antes de eu chegar. - Segura ai, vou comprar minha passagem e ir com você. - Para de falar besteira. E olha, nada, nada de aprontar. Davi eu te mato dormindo se aprontar para o meu lado. - De casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade, e depois em casa de novo, não vou nem masturbar, deixar para quando a gente se ver, ai te pego de jeito, rsrsrs. - Haha’ isso pode, se me encontrar na seca me quebra, não sei de onde vem tanta testosterona. - Dos treinos.... Caralho já estou com saudades... Vamos dar uma rapidinha no banheiro? Está demorando. - Davi, transamos antes de sair, só depois que eu acordei foram 3. - Só mais uma? - Não... Olha o ônibus chegou. Poxa até parecia que eu estava morrendo, que despedida foi aquela, na última chamada nos beijamos e ele me levou até a porta do ônibus, rsrs. Entrei sentado, posicionado na janela para ficar olhando ele, de pouco em pouco. Até partir. Eu tinha que voltar ao trabalho, pois minhas férias haviam acabado, e tinha que estudar, eu construí uma vida em Curitiba. E o mais legal disto tudo, nos falamos todos os dias, até ele vir me visitar, em quinze dias. Davi ficou um fim de semana e retornou, foi assim, durante alguns meses até ele ter o aval, de tudo, e com este contato tão próximo vir a morar comigo. Estávamos praticamente casados.

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