• Richardson Garcia

Eles e Eu - Capitulo 6 - Terceira Temporada

- Tyler, vai dormir antes que eu devolvo você para a cegonha.

Tive que acordar, segurei ele e o cobri de cócegas, tirando umas risadas gostosas do pequeno;

- Pai, para, rsrsrs... Ei o que vamos fazer hoje? – Pergunta ele arrumando o cabelo todo bagunçado.

- Vai me ajudar a arrumar a casa e depois vamos contratar uma empregada para você.

- Empregada, eu não...

- Rsrsrs, Baba, errei. Baba, vou contratar uma baba para você.

- Mas e minha avô.

- Não quero que vá para casa de seus avós Tyler, vai ficar uns dias sem voltar lá.

Ele fez um bico como se estivesse emburrado e saiu. Liguei a cafeteira, coloquei seus cereais na tigela e o copo de leite ao lado, junto a sua colher, e fui para o banho.

Quando sai a porta do seu quarto ainda estava fechada, e a tigela não estava lá, o copo de leite vazio, quando fazia “birra” era assim que ele se comportava, se trancava no quarto.

Tomei meu café, antes de terminar ele vem com a tigela envolvida nos braços, a coloca na pia sai de braços cruzados, sem falar comigo;

- Troque essa roupa e escove os dentes, vamos sair em seguida Tyler.

Sua forma de me irritar era não falar comigo, era engraçado, mas eu respeitava esse momento dele, afinal, era formação de sua personalidade forte.

Fomos a livraria do shopping eu tinha que comprar um livro, que estava querendo ler, e também uma caixa de brinquedos em Lego, que havia prometido se ele se comportasse nos dias anteriores no hospital.

Nos saímos da livraria e indo para a saída do shopping ele puxa minha camisa e aponta para o corredor onde a loja se localizava;

- Que foi? – Pergunto ele.

Tyler hesita, olha para trás e então diz;

- Você me prometeu a caixa de montar pai. – Fala com a voz mais doce possível.

- Senhor.

- Senhor, o senhor prometeu. Por favor. – Pede novamente com as mãos juntas.

- Vamos lá, pois eu te prometi.

Voltamos e comprei a que ele escolheu, o humor já estava outro, rsrsrs. No caminho de volta passei em uma agencia de empregos e solicitei o perfil das babas que gostaria de entrevistar. Marquei para essa tarde, após o almoço, afinal no dia seguinte eu teria plantão no hospital, não poderia deixar ele só.

Acabamos por almoçar na rua, e Tyler já estava falador daquele jeito, me fez mil perguntas sobre o Theo, quase uma entrevista.

Tyler sempre dormia após o almoço, em casa eu organizei e recebi o telefone que três moças estavam a caminho.

No horário marcado eu estava lendo o livro, que falava um pouco de um novo tratamento. No sofá de chinelas, óculos e camisa branca com calça moletom, bem à vontade.

A campainha chamou, fui atender descalço mesmo, era uma das garotas;

- Boa tarde, senhor Duncan? – Pergunta ela olhando no papel da recomendação.

- Sim, pode me chamar de Dylan, entre.

Ela era baixa e aproximadamente uns 20 anos de idade, loira, cabelos encaracolados e óculos. Como uma universitária;

- Entre...

- Ashley Connor.

- Entre, fique à vontade.

Chamei ela a mesa e deixei o livro de lado;

- Bem Ashley, sou neurocirurgião, trabalho no Great New York, tenho o Tyler como filho, sou pai solteiro e preciso de alguém para cobrir meus plantões em casa. São plantões de 48 horas, 72 e 24...

Foram uma entrevista atrás da outra, e escolhi a Bailey Gomez, uma senhora de 44 anos, do México, a contratei por ser a que mais necessitava do trabalho, na entrevista ela veio me contar sobre a vida dela, porra apaixonei nela, e de todas as 3 foi a única que pediu para ver Tyler. Vamos para o hospital, um bom tempo que não passamos por lá...

Pedi que Bailey chegasse mais cedo no primeiro dia, ela me chega com seu filho, era do tamanho de Tyler, eu havia autorizado e depois que apresentei eles, entrei no quarto de Tyler chamei ele para conversarmos, ele se sentou no chão, eu na sua frente;

- Meu filho, eu e você não conhecemos a Bailey, mas precisamos dela. Vamos fazer um combinado, irei te ligar quando chegar no hospital, e depois ligo para Bailey. E também irei ligar nesse telefone aqui do seu quarto, meu filho por favor, atende, tudo bem.

- Ta.

- Me abraça aqui, vem cá. Eu te amo muito, muito mesmo, você é o que?

- Sua vida pai, eu também te amo muito.

- Deixa eu ir.

Despedi de todos e antes de fechar a porta;

- Bailey se alguém pedir para subir não autorize, irei falar com o porteiro, qualquer coisa chame o segurança do prédio, ou a polícia, como disse o pai de Tyler, possivelmente está me processando, só não quero que tenha surpresas.

- Sim, senhor.

- Me ligue qualquer coisa.

Gente me perdoem, mas toda essa conversa e frescura, só vão entender quando forem mães e pais.

Depois de deixar minhas coisas no consultório, desci para a emergência, e Brad veio falar comigo, cara lembrei na hora do beijo, e possivelmente era isso que ele queria.

Eu estava no balcão das enfermeiras pegando os prontuários e ele chega;

- Boa Tarde doutor.

- Boa Tarde Brad.

- Dylan, Jimmy foi afastado essa manhã. – Diz ele em voz baixa.

Arregalei os olhos;

- Não brinca comigo, porque?

- Bennett não disse, mas estão falando por ai que é sobre aquela cirurgia. O que acha.

- Acho que estão só fofocando, vou falar com Bennett.

- Ele não está... E depois queria falar com você... Sobre o beijo. – diz ele de voz baixa.

- Certo, espere, não temos um cardiologista no plantão hoje? – Pergunto a ele.

- Não, é somente o senhor. – Responde Brad.

- Vou ter uma conversa com Bennett, acha que vou cobrir... – Antes de eu terminar de falar, entra um moça com um bebe nos braços gritando.

- SOCORRO! MEU... MEU BEBE. Eu estava descendo as escadas com ela, cai e ela bateu com a cabeça. Estava chorando no carro, mas agora parou. Não quero olhar. Alguém, por favor, me diz se minha neném está viva.

- Ok. Deixa eu pegar o bebe. – falei de mãos estendidas.

- Não pode ter morrido, certo? – Pergunta ela aos prantos. – Ela não pode estar morta, não se morre saindo na escada, certo?

- Por favor, senhora... Deixe-me ajudar. Vou pegar o bebe. Está tudo bem.

- Ah meu Deus.

Consegui tirar de seus braços, e a coloquei na maca, para avaliar;

- Ah meu deus. – era o que a moça repetia.

- Está respirando, está respirando. – Falo para o Brad. – A moleira parece contraída. Ela está letárgica. Leve-a para o Trauma dois que vou em seguida. – Falei para Brad, que saiu com a equipe correndo.

- Obrigada. Muito obrigada. – Me abraça antes mesmo de me virar direito, ela abraça chorando.

- De nada.

- Obrigada.

- Tudo bem. Senhora? Terá que parar de me abraçar, para que eu possa cuidar do seu bebe. Senhora? – Falo assim que ela me larga e cai no chão. – Senhora? Senhora? – A Dra. Andreas chega e me ajuda. – Não sinto batimento cardíaco. Ou pulso. Tragam um carrinho de parada! Ela não está respirando. ALGUEM ME ESCUTA.

Tive que gritar. Com ela na sala de trauma fiz um Pneumotórax hipertensivo, enfiando uma agulha no pulmão direito para ela voltar e recuperar os sinais vitais;

- Tem tanto ar no subcutâneo, que está atrapalhando o ultra-som. Deve ter perfurado uma via aérea, além do pulmão. Sente isso? – Diz Dra. Andreas me auxiliando.

- Avise a tomografia que estamos subindo.

- Senhor...

- Não temos um cardiologista Doutora, será eu e você.

Durante o exame fui ver a garotinha, e o pai dela também já havia chegado;

- Doutor Duncan, o exame. – Diz Brad tirando do envelope.

- Fraturas múltiplas e um hemotórax volumoso.

Dra. Andreas me interrompe com o pai da menina;

- Senhor, sua filha tem uma leve contusão cerebral. Não é grave. Mas gostaria de mantê-la aqui para observação.

- Preciso dizer Dr. Duncan, estou escutando-o, mas não consigo ouvir nada do que diz. Minha mulher está indo para operação, e preciso ir ficar com ela. Sabe o que está fazendo, então faça, preciso ver minha mulher.

- Espere! Qual é o nome da sua filha. – Pergunta Brad.

- Ela ainda não tem nome. Nós a adotamos semana passada. Estávamos tentando conhece-la melhor.

Bem, eu fui fazer a cirurgia na paciente, não tínhamos um cardiologista e era o que eu tinha que fazer. Não é minha especialidade mas se não fizer ela morreria, e não suportaria uma transferência.

Na cirurgia...

- Afastem-se. Carga. – Falo com o desfibrilador no coração da paciente.

Ela estava aberta na mesa;

- Sem registro.

- Afastados... Faça adrenalina intracardíaca.

- Pronto.

- Prepare para campear a aorta.

- O coração respondeu, ritmo cardíaco normal. – confirma Brad.

- Ótimo. É a segunda vez em menos de duas horas que essa mulher morre. Vamos nos apressar. Quanto menos tempo ela passar na cirurgia, melhor. Curtindo Dra. Andreas? – Perguntei pois ela estava muito tensa.

- Vai fazer uma Toracotomia? – Pergunta ela.

A paciente saiu debilitada da cirurgia, e estava mal, durante a noite ela continuou instável, porem o outro pulmão dela está comprometido e não podia operar ela porque o coração estava fraco demais.

Remarquei minha agenda de operações para dar atenção a ela.

Era próximo ao meu horário de saída, Bennett estava chegando quando recebi um chamado do quarto da paciente;

- Pressão instável doutor. – Diz Brad.

- Colocou ela em uma circulação extracorpórea no quarto Dr. Duncan? – Pergunta Dra. Andreas.

- Sim, Doutora, ela não ia sobreviver outro dia sem cirurgia. – Respondo. – Não podia ser transportada para a SO. Por isso trouxe até ela.

- Genial senhor.

- Veja se as drogas estão correndo. Brad. Mantenha os acessos livres a última coisa que queremos é um espasmo e que a faça parar. E se qualquer um de vocês tiver sequer um mau pressentimento, reavaliamos. – Foi terminar de falar ela piorou, coisa de segundos. – Hora da viagem, tirem tudo do caminho.

Falei saindo com a cama. O marido dela se aproximou e pegou na mão da paciente;

- Senhor temos que ir agora, vou mandar a Dra. Andreas para dar noticias periódicas. Eu prometo fazer tudo ao meu alcance para salvar sua mulher.

Nesta segunda cirurgia encontramos um furo no pulmão, tampei com um remendo de pericárdio. Um enxerto. Esperamos que não haja outro e que o remendo fique seguro. Foi o que Andreas disse ao marido dela.

Na cirurgia...

- O remendo está seguro, Agua por favor. – Coloquei a agua para verificar se o remendo estava ok. – Muito bem, vejamos se mereci o meu salário de hoje. Passe para manual. Me dê uma respiração. Nenhuma bolha... Até aqui, tudo bem... Outra respiração.

- Estou vendo bolhas senhor. – Comenta Dra. Andreas.

- O enxerto está seguro. Pinça... Temos outro furo. Andreas, segure essa pinça por favor.

Bem quase quatro horas lá dentro, todos exausto e eu perdi a paciente, ela morreu...

- Senhor, fiz tudo que podia, mas ela... Não sobreviveu... Eu sinto muito. – Falei de pé na sua frente, ao lado da Dra. Andreas que estava de cabeça baixa, o homem me olhou com os olhos cheios de lagrimas.

Se levantou e saiu, sem falar nada.

Com tudo isso esqueci de falar sobre Tyler, mas liguei e estava tudo bem com eles, até bem demais graças a Deus.

Fim do meu plantão foi a duas horas atrás, eu tinha que liberar a Bailey, e estava saindo do hospital, quando Brad chega correndo me pegar no estacionamento;

- Doutor, precisamos de você, uma paciente deu entrada com convulsões, e o plantonista ainda não chegou. – Olhei no relógio o horário e entrei.

- Traga meu jaleco, rápido.

Deixei a pasta, e me aproximei ela estava tendo uma crise convulsiva;

- O que fazemos doutor? – Pergunta uma enfermeira.

- Deixe passar, não há o que fazer, nome da paciente?

- Roberta Presley, 25 anos, teve a primeira crise convulsiva no trabalho o noivo está a caminho.

Era a noiva do Theo, quando me dei conta, cheguei a ter calafrios;

- Vamos subir para a tomografia rápido, Brad, prepare uma bateria de exames, e vocês, assim que ele chegar me avisem.

Subimos, para os exames, estava com o Brad na sala de tomografia, um sentado ao lado do outro aguardando o resultado;

- Iria lhe convidar para jantar, mas com esse empecilho, iria recusar novamente não é mesmo? – Pergunta ele.

- E lá vamos nós... os resultados... Tumor.

Era caso operatório, mandei Brad descer ela e fazer os exames complementares, para a cirurgia.

Liguei e conversei com Bailey, que iria demorar mais algumas horas;

- Senhor, o noivo da Roberta chegou, está no quarto com ela, aguardando notícias. – Chama uma enfermeira.

- Ela acordou? – Pergunto.

- Sim, senhor.

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