• Richardson Garcia

Eles e Eu - Capitulo 3 - Terceira Temporada

Não dava para acreditar, me sentei e Brad insistia em falar;

- Dylan, a família já chamou o advogado, já falei com nossa equipe jurídica, mas a posição do Dr. Jimmy não é das melhores.

- Certo, avisem que estou descendo com Jimmy, fique próximo Brad.

Eles saíram, e voltei a perguntar a Jimmy;

- Uma compressa.

- Acontece Dylan, erramos, preciso de sua ajuda e do Great agora, para sair dessa, por favor, vou ter um filho, me ajuda amigo.

Diz ele se levantando e pegando em minha mão.

Não havia escolha, descemos para encarar todo esse problema, para fechar meu dia, "que ótimo".

No andar indo para a sala de reuniões, a desgraça do Franklin passava e disse;

- Eles tem o melhor advogado do Leste dos Estados Unidos, espero que estejam preparados.

Brad saiu da sala, para entrarmos e comentou;

- Boa sorte, vão precisar.

A mesa oval, de madeira branca, o ar condicionado estava ligado, ao entrar, dei a volta para me sentar junto a Jimmy na ponta da mesa, coloquei meu prontuário na mesa, e antes de me sentar, disse;

- Boa tarde a todos, sou Dylan Duncan Chefe de Cirurgia do Great New York... Meu olhar correu da paciente que estava ao lado esquerdo até Theo o ultimo ao lado direito.

Meus olhos ficaram estagnados nele, as palavras não saiam, eu fiquei em choque. Ficamos se encarando. Nosso advogado começou a falar me interrompendo e me sentei.

Os cabelos pretos, a boca pequena e vermelha, os olhos rápidos e escuros, ele usava óculos e terno, o Theo.

Eu não me concentrei em merda alguma, só nele, fazíamos um jogo de olhares, ele olhava depois eu. Ele ficava com uma caneta em sua mão, para não deixar aparente que estava nervoso, eu tremia, as vezes colocava minhas mãos abaixo da mesa. Meu corpo tremia, as mãos soavam, eu soava.

Voltando a reunião, não havia nada que o hospital pudesse fazer, então pedimos a palavra de Theo, do advogado da família;

- Será aberto um processo contra o hospital, e também vou pedir a cassação da licença medica do Dr. Jimmy Goya. - Disse com aquela voz rouca que nunca me esqueço.

- Queremos um acordo. - Falei interrompendo ele.

Theo me olha com um olhar de indiferença;

- Desculpe Doutor.  - Diz pausadamente. - Não estamos aqui para um acordo.

- Escute, se não estivessem afim de um acordo, garanto que não iriam concordar com essa reunião. Erramos todos nós sem exceção. - Falei, mas ele me interrompe.

- Erro? Seu médico poderia ter matado minha cliente, isso vai muito além de erros.

- Theo, todos erramos, e precisamos de chances para seguir em frente. O Dr. Jimmy errou, e se redimiu, eu o conheço muito bem, Sr. Neiva, não consigo imaginar tudo que a senhora passou, mas mesmo com o processo, o que vão receber são valores, e não seus anos de volta. O Hospital fornece todo tratamento e acompanhamento com o que ah de melhor, para a senhora, o valor da primeira cirurgia irá ser reembolsado e um bônus de acordo de cento e onze mil dólares!

- Você pode fazer isso? - Pergunta Jimmy no meu ouvido.

- É isso ou sua carreira.

- Podemos conversar a sós. - Pede a família.

Nos levantamos e saímos, os advogados estavam furiosos comigo, e falando sem parar, ainda de fora, eu só olhava para Theo, não dava para acreditar que era ele.

- Concordamos, mas tem um porem. Será duzentos mil dólares, e não cento e onze. - Diz eles, quando retornamos.

- Peço então uns dias para responder, o verdadeiro chefe da cirurgia está de férias, eu sou um Neurocirurgião que está encarregado, peço esse tempo há vocês.

Eles concordam, e assinamos alguns papeis, da confidencialidade da reunião. Eles saíram e cumprimentei todos, quando chegou em Theo, peguei em sua mão;

- Como está? - Pergunta ele.

- Estou bem, e você?

- Bem.

Tive que sair, mas fiquei andando em passos pequenos olhando para trás, ele também deu algumas olhadas.

Esse foi o fechamento do meu dia, nem ao menos sabia o que pensar direito.

O fim desse dia de trabalho fui para casa. Quando estava saindo do elevador um rapaz pede para eu segurar a porta, coloquei a mão e ele entra, abri a porta e Tyler vem correndo;

- Pai, chegou! – Pulou e me abraçou com força.

- Seu filme está nos cinemas, então vai querer ir ver? – Pergunto a ele.

- Sim, quero.

- Então corre para o banho, vou ir em seguida.... Cadê seu pai Oscar? – Pergunto colocando Tyler no chão.

- Na cozinha, o amigo dele veio lanchar aqui.

- Só olhei e despachei Tyler.

Oscar ouviu e veio limpando as mãos;

- Antes de falar, é um amigo do trabalho e...

- Amigo, irmão, , pai, e mãe, esse não é seu apartamento, não traga ninguém aqui. Respeite meu filho.

- Nosso filho Dylan.

Respirei, olhei para fora e voltei o olhar;

- Não conseguimos passar minutos juntos sem brigar, eu juro que tento, mas não dá. Vai embora Oscar.

- Um obrigado seria bom.

- Lembra nosso filho, sua responsabilidade.

Falei fechando a porta. Ai que cruz.

Bem foram duas semanas de sono leve, dormindo pouco, até o dia da volta de Bennett, terça feira, nunca irei esquecer, ele estava de volta eu era somente um cirurgião, só isso.

Neste dia logo pela manhã, recebi um chamado da emergência, estava de papo com o Brad no refeitório quando chegaram, nossos dois APP chamaram juntos;

- Emergência, vamos? – Pergunto deixando o café.

Ele trouxe o copo dele, descemos rápido e a ambulância nem havia chegado;

- Franklin chamada de emergência são para pacientes que passaram pela triagem.

- Para de reclamar e espera, estão a caminho.

- Poderia estar em cirurgia sabia.

- Porque cirurgiões choram tanto em. Chegaram, vai.

- Porque supervisores acham que pode tudo. – Falei me afastando.

- Dr. Duncan chegaram. – Diz Brad.

- Faça a triagem, irei terminar meu café. – Falei olhando para Franklin.

- Não pode deixar um paciente na emergência doutor.

- Não? Fique olhando. – Entrei no elevador, fui ao banheiro.

Passei no meu consultório e peguei uma papelada que precisava descer, então o APP chama dessa ver, correto.

No caminho já cheguei, e Franklin me olhando de longe, com alguns enfermeiros, estava Andreas e Brad com o paciente, junto a sua mãe;

- Foi atingido durante um treino. – Disse Andreas.

- É a técnica? – Pergunto a moça.

- É minha mãe. – Responde o garoto.

- E a técnica. - Responde Andreas.

- Ele estava atacando o artilheiro, depois do chute e foi bloqueado. Abaixou a cabeça, não podia ver o outro jogador. – Disse a mãe.

- Minha cabeça estava abaixada, porque o cara que estava me bloqueando me segurou. – Responde o filho.

- Podia ter passado por ele! – Gritou a mãe.

- Preciso que a senhora saia do quarto. – Falei olhando para ela. – Vamos tirar o capacete dele. Dr. Andreas preciso que ajude a estabilizar a cabeça e o pescoço. É muito importante Adam que não mova a sua cabeça. Fique completamente imóvel. Relaxe... Ótimo... Assim.

Brad com uma pequena cerra, começou a partir o capacete ao meio. Depois que removemos, levamos ele até a tomografia, durante o processo, estava sentado aguardando o resultado e Andreas comentando com Brad;

- Não acredito naquela mulher, o filho está paralisado e ela continua pressionando ele.

- Concentre – se na medicina Andreas, e menos na tragédia. Me diga o que se faz agora dr. Andreas?

- Não poderá operar sem realinhar sua coluna, certo? – Responde ela.

- E como faremos isso?

- Halo de tração?

- Exatamente dr. Andreas.

Bem o procedimento pré-operatório nesse caso, é com o paciente deitado aplicar pesos em sua cabeça, com o corpo imóvel, para avaliar o realinhamento da coluna do paciente.

Estávamos adicionando as anilhas, de peso, e ele já reclamava da dor;

- Tente não mover a cabeça Adam. – Digo.

- Estou tentando, mas não seu por quanto tempo posso aturar isso. – Responde ele.

- Vai aturar tudo o que for preciso filho. Vamos. Você consegue. – Grita a mãe dentro da sala.

- Só mais uns quilinhos. – Repito.

- Não dá, por favor tira isso. – Pede ele novamente.

- Vamos lá aguenta firme.

- Agora só mais uma anilha.

- Adam você é forte. Pode lidar com isso. Quer ser um covarde? Quer? Quer? – Repetidamente ela repetia.

- Pronto acabamos, são dez quilos.  – Falei tentando acalma-lo.

- Você conseguiu. Certo? Eu disse que conseguiria.

- Tira ela daqui, por favor. Alguém a tira daqui. – Gritou ele.

- Meu filho, só tentei ajudar.

- Por favor, saia, SAIA. – Ele gritou, estava se movendo um pouco.

- Acalme-se. Tente não agita-lo senhora. Adam. Adam, se acalme. – Falei com as mãos em seu rosto.

- Adam. Está tudo bem. – Diz Andreas segurando a mão dele.

- O que você está fazendo? Não toque nele. O menor movimento pode...  Coloque a mão dele de volta. Delicadamente.

- Desculpe. Eu esqueci. – Disse ela.

- Se afaste-se do paciente e deixe esta sala. Sai daqui agora mesmo antes que eu mesmo te expulsarei. A senhora também, para fora. Se acalme Adam, qualquer movimento que faça, poderá complicar sua cirurgia.

Brad se aproximou e comentou perto;

- Pegou pesado com Andreas.

- Não enche Brad. Adam como se sente?

- Pressionado. – Responde ele.

O garoto tinha 17 anos, e passava por isso com a mãe, não iria querer saber do pai. O coitado vivia em frequente pressão, quanto em casa na escola, fiquei com pena.

- Eu estou te pressionando ou sua mãe? – Pergunto ficando de frente para ele.

- Minha mãe, está piorando, ela não era assim.

- Você gosta de futebol americano?

- Não, é o sonho dela, não meu.

- Meu filho joga soocer.

- É o sonho dele?

- Sim, eu acho.

- Obrigado por me deixar só aqui.

- Fique tranquilo, irei te proteger.

Foi uma demorada cirurgia, eu não consegui ajuda-lo, os movimentos atrapalharam e ele perdeu os movimentos do pescoço para baixo.

Falar isso para a mãe dele foi fácil, o difícil era falar para Adam, que não iria mais andar.

Não costumo ficar de papo com paciente, mas ele foi diferente, trocamos rápidas ideias, e me aproximei pelo brilho nos seus olhos.

O coloquei em observação para que ninguém entrasse até que ele acordasse. Brad me chamou, entregou o prontuário na porta do quarto do paciente;

- Ele acordou, boa sorte. Vou buscar a mãe dele.

- Certo.

Entrei e seus olhos ainda piscavam;

- Olá Doutor, então como foi a cirurgia? – Pergunta ele incomodado com a luz.

Deixei o prontuário e segurei sua mão, ele não sentiu é claro e me olhou atônito.

- Porque não sinto me tocar, ainda estou anestesiado?

- Não Adam, não está. Os movimentos e a lesão não foram possíveis concertar, me perdoe, eu fiz tudo o que podia. – Me afastei e fiquei aguardando alguma reação.

- Eu não vou andar novamente? Não posso ir sozinho para aula? Dançar? Jogar doutor?

- Não Adam, você está tetraplégico.

- Quero minha mãe, MÃE. Cadê minha mãe?

- Irei chamá-la.

Sai com os olhos brilhando, ela estava vindo no fim do corredor, então fui para o lado contrario, desci no elevador, até conseguir sair do prédio.

Me vi no estacionamento, as lagrimas não paravam de cair, porra. Poucas vezes passei por isso, e o costume não vem.

Estava encostado em um carro, de cabeça baixa, quando ouço meu nome;

- Dylan? – Era o Theo.

- Oi. – Falei limpando as lagrimas.

- Está tudo bem? – Pergunta ele se aproximando e segurando meu braço.

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