• @richardsongaarcia

Eles e Eu - Capitulo 2 - Terceira Temporada

Olhei para atrás, e concordei com a cabeça, no caminho ele falou mais com Tyler, havia meses que ele não via o pequeno, o que fazia muita falta, mesmo eu negando.

No prédio, já no meu apartamento, ele entrou, Tyler havia feito uns desenhos para ele e foi buscar, de um lado do balcão ele me disse algo que me fez tremer.

Eu estava de costas, pegando a louça que estava secando;

- Theo está na cidade Dylan. - Me subiu um calafrio, cheguei a torcer um pouco o pescoço.

- Que bom, já se encontraram?

- Não, um amigo do escritório avisou, ele está cuidando de uns casos e teve que vir a Nova Iorque.

Me virei guardando a louça;

- Não quero saber de Theo, e muito menos de você Oscar.

- Lhe dei todo esse tempo para pensar e ainda está contra mim?

- Contra você? - Falei fechando o olhar e se aproximando dele no balcão para não gritar. - Você me traiu, me fez sair de dentro da minha casa com meu filho. Colocou outro homem dentro da minha casa, na minha cama, e eu estou contra você.

- Rodrigues é seu amigo.

- Pior ainda.

- Já nos desculpamos, foi errado eu sei, mas foi só aquela ve....

- Cala a sua boca, Cala sua boca, não quero explicar ao meu filho o porquê bate em você.

- Nosso... - Tyler chega com alguns papeis e me viro fingindo estar fazendo algo na pia. - Nosso filho. - Completa o desgraçado.

- Vou trocar de roupa e tomar um banho, assim que Oscar sair, vem também ok Tyler.

- Certo.

Tirei a camisa, o sapato, e um pássaro pairou na janela, me aproximei olhando aquela imensidão de cidade.

Porque nunca temos o que queremos na vida, e quando conseguimos, sempre irá faltar algo? A felicidade é cara, muito cara. Eu amo Tyler, meu filho, daria a vida por ele, mesmo com esse amor todo, ainda me falta algo, é difícil dizer, porque nunca gostamos de dizer que nos arrependemos, mas Theo me faz uma tremenda falta, não há uma noite, uma vez que eu deito minha cabeça e não penso nele, todos os dias, desde que o busquei naquele maldito aeroporto. Eu não tenho ele, mas a "felicidade" me compensa com uma dádiva Tyler, ele é o consolo, é meu motivo de viver.

Durante o banho logo que entrei Tyler aparece na porta com sua toalha;

- Que cara é essa? - Pergunto estendendo a mão.

- Vocês brigaram de novo?

- Meu filho.

- Mas pai, não podem se ver que é briga, briga, briga.

- O meu Deus, vem aqui. - Abracei ele. - Adultos brigam Tyler, brigamos no serviço, brigamos em casa, seus avós brigam meu filho.

- Mas o senhor e o papai se amam, não podem brigar.

- Tyler, eu e seu papai, não estamos mais juntos, nós conversamos já sobre isso, não conversamos?

- Sim, mas pai...

- Tyler, por favor!

Naquela noite, teríamos um jantar na casa do meu supervisor o Doutor Sam Bennett, iria levar o Tyler, ele era minha companhia nestes eventos chatos.

Bem havia bastante gente, depois de cumprimentar algumas pessoas, fui pegar algo para beber e sentar, fiquei um pouco no sofá com Tyler;

- Oi Tyler, se lembra de mim? - Diz Sam, cumprimentando ele.

- Sim, é o chefe do meu pai.

- Eu sou, e se importa se eu levar ele ali rapidinho?

- Não, eu deixo.

Sorrimos e Sam me diz;

- Me acompanhe Dylan, será rápido.

- Não saia daqui certo.

Ele estava com uma taça de amendoins, deixei e sai, Sam me levou até sua biblioteca e nos sentamos, ele então disse;

- Escute, irei passar estas férias fora de Nova Iorque, será as primeiras em quase nove anos. Quero que fique no meu lugar.

- Não. - Cara respondi rapidamente.

- Coloque o Jimmy, o Spike, mas eu não senhor.

- Dylan é o único que eu confio no momento, por favor.

- Mas senhor, custo ter tempo para minhas cirurgias.

- Será por pouco tempo, preciso de você.

- Está bem, não tenho escolha não é mesmo.

- Não, rsrsrsrs.

Voltamos com ele comentando algumas coisas, e Tyler estava com o Brad no sofá, eles conversavam e nem perceberam eu chegando;

- Isso é pedofilia. - Falei me sentando de frente a eles.

- Ele é mais lindo que você Dylan. - Comenta Brad.

- É de sangue. Ei garotão, está com fome?

- Não, estou bem.

- Certo, vou pegar outra bebida, aceita Brad?

- Não, vou cobrir um plantão mais tarde.

- Cuide dele para mim.

Estava me servindo e senti dois tapas nas costas;

- Vai devagar, o melhor neurocirurgião do Oeste da ilha de Manhattan não pode ser visto bêbado por ai. - Diz Franklin.

- Sai do meu pé, pelo menos aqui.

Falei saindo e sentando com Tyler e Brad, ficamos conversando e no jantar me sentei na mesa da filha do chefe, o esposo dela era o Jimmy, cirurgião cardíaco do GNYAH.

- Então Jimmy, como vão as esperanças para o pequeno? - Pergunto me referindo ao filho, que estavam esperando.

- Imensas, e pelo que tudo indica ele o teremos semanas após a volta de Bennett.

- Ele retorna das férias com um presente de férias. - Digo cumprimentando sua esposa.

- Então, será o chefe por um mês! - Afirma ele.

Quase me molho com o champanhe, me limpo com um guardanapo e digo;

- Tecnicamente não aceitei ainda, é complicado.

- Vai ficar bem Dylan, confie. O cargo tem muito sua cara.

- Queria eu ter essa confiança, rsrsrs.

Logo após o jantar, estávamos de volta aos cantos, tomando café, e jogando o restante de papo fora. Eu comecei a me despedir de todos, Tyles estava cansado já.

Me lembro de me aproximar de Bennett e meu app chamar, ele me olhou levantando a sobrancelha, logo de todo mundo, ao mesmo tempo recebendo chamado. De Bennett foi o celular, ele atende, eu peguei Tyler coloquei no colo e ele diz;

- Atenção! Houve um acidente muito grave próximo ao Central Park, quero que todos se direcionam para o hospital imediatamente, foi sério. Quero que tomem cuidado no caminho.

- Escute, papai terá que ir trabalhar, e vou levar você comigo filho, no caminho ligo para seu pai ir lhe buscar, preciso que seja forte tudo bem.

O coitado só balança sua cabecinha confirmando, acho que todos estávamos assustados.

As vias da rua especiais estavam lotadas de ambulâncias e carros de polícia, de um lado para o outro. Liguei para Óscar, mas ele me atende somente na segunda chamada;

- Pelo amor de Deus, Dylan me diz que ele está bem?

- Sim, recebi um chamado, preciso que vá até o Great pegar o Tyler.

- Estou a caminho... Dylan estão falando em um atentado terrorista, quase 38 mortos, não confirmaram ainda.

- Tem que vir o mais rápido que conseguir Oscar, aquilo estará um inferno.

Ele desligou o celular, e fui estacionando o carro, peguei Tyler e fui para meu consultório protegendo seu olhar para não ter nenhuma surpresa pelo caminho.

- Meu filho tem que ser muito forte agora, irei deixar você ficar na minha mesa, mas promete pro papai que não vai sair daqui. - Falei de joelhos na frente dele, estava sentado em minha cadeira.

- Eu espero.

- Se estiver cansado deite naquela cama, não se preocupe, papai vai ajudar mamãe e papai de outras pessoas agora.

Dei um beijo nele e sai, Bennett estava fazendo um pronunciamento ah todos do hospital;

- Foi confirmado pela policia, houve um atentado terrorista, todos os centros de trauma foram solicitados a atender. Irei mandar equipes para o local, agora. Dylan, Jimmy preparem equipes e limpem todas as salas de traumas e cirurgias, teremos que estar preparados.

Saímos e fomos com equipe, garantir que estaria tudo pronto, os feridos nem haviam chegado ainda e já estava uma correria. Foi questão de nove minutos até a primeira ambulância chegar;

- Seis meses de gravidez, encontrada sob escombros. Lesões de esmagamento no torso direito. Assim como trauma no rosto. Pressão baixa, a princípio, mas subiu para 90 por 60 após um litro de fluido, ao ser virada para o lado esquerdo. - Este foi o paramédico entrando com a maca.

- O que faremos, Dr. Andreas? - Pergunto a minha interna.

- ARC. A via aérea precisa ser protegida, a respiração ficara comprometida. Precisamos ter sangue disponível, eu faria uma bateria de exames, tripagem sanguínea, TCs de cabeça e pescoço.

- Excelente. Vamos começar. Sala de trauma dois, Vai.

Estava levando outro ferido para fazer um curativo e Oscar me chama;

- Dylan. - ele meio que grita na verdade.

Eu não poderia deixar o paciente, ele veio próximo se protegendo com uma mascara;

- Onde esta ele?

- No meu consultório. Cuida dele Oscar.

- Pode deixar.

- Dr. Duncan temos um para o senhor. - Fala Brad me puxando pelo braço.

Voltei correndo para a entrada de ambulâncias;

- A pupila direita não está dilatada, mas o pulso ainda está em 130. - Diz o paramédico.

- Qual é a condição neurológica?

- Grau oito na ECG. Desculpe, tive que usar a camiseta de um cara. Não estava suada nem nada.

- Avise a cirurgia que estamos subindo. - Falo pegando o prontuário.

- Deixei cair o bisturi no campo, ele deveria tomar uma boa dose de antibióticos. - A moça estava histérica.

- Salvou a vida dele. Agora é conosco.

Subimos igual doidos, direto para a sala de cirurgia;

- Iremos fazer alguns furos para começar a craniotomia. Vou retirar o periósteo, prepare a furadeira pneumática neurocirúrgica de alta velocidade. Furadeira por favor.

Foram sete cirurgias, somente aquela noite, auxiliei em uma cirurgia cardíaca com Jimmy, com todos meus pacientes em observação, fui liberado dez horas depois que cheguei ao hospital.

Fui pegar o Tyler, pois ainda queria levar ele no futebol, e ainda chegamos atrasados. Pois é, acham que carma não existe? Tyler é o melhor do time dele, e estou falando do Soccer, o futebol brasileiro.

 Foi um bom jogo, eles empataram com o visitante, eu levei ele de volta para casa de sua avó pois iria descansar, e voltar para o hospital, seria uma longa jornada novamente.

Acho que fiquei devendo uma explicação melhor sobre a traição de Oscar, mas logo vão entender, fiquem tranquilos.

Vamos avançar um pouco, sei o que querem.

Dezesseis dias, dezesseis e eu não suportava mais aquele cargo, ser chefe era pior que perder pacientes na mesa de cirurgia.

Era exaustivo, não há palavras.

Estava a dezessete horas sem dormir, visitando meus pacientes pós operatórios, e Franklin vem me encher, eu já estava possesso.

- Dr. Duncan o meu quadro de enfermeira está quase vazio, preciso da contratação de mais sete funcionarias para a emergência, não posso trabalhar naquelas situações, Bennett disse que iria cuidar disto, mas preciso de uma posição antes da maratona deste fim de semana.

Eu deixava ele falar e falar, olhando para sua boca mexer e sair aquelas asneiras, estava caindo de sono;

- Terminou? - perguntei.

Ele fez que sim com a cabeça, então virei as costas e entrei no elevador, saindo.

Subi tomei um café, lavei meu rosto no banheiro, fui ligar para Tyler, a porra do telefone descarregado, quando Brad entra no banheiro;

- Senhor, preciso que venha imediatamente. - Diz ele pálido.

Estava com roupa da cirurgia, acompanhei ele e descemos até a minha sala, que nesta altura era de Bennett. Estava Jimmy, Brad, e um auxiliar da cirurgia, todos assustados;

- O que houve? Porque estão assim. - já perguntei logo assustado.

- Estava fazendo um procedimento em uma paciente e encontrei uma compressa dentro dela. - Disse Jimmy suando.

- Meu Deus... - demorei digerir isto. - Mas ela fez esse procedimento conosco? - Ele confirmou. - Brad vá até a sala de arquivo morto e descubra quem fez isso, já acionaram os advogados?

- Já fiz isso Dylan. - Confirma Brad.

- Foi eu, eu quem deixei a compressa dentro da paciente. - dia Jimmy.

- Não me fode cara, Jimmy você? Meu Deus, meu Deus? Qual protocolo seguiu?

- Informei a família da paciente, me desculpei, mas segui como manda o protocolo.

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