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Ele usa, Dólmã - Capitulo 8

#Stefano Le'Bianco


Passamos a manhã em reuniões, acertando todas as pontas soltas que haviam para a Tropicale. Lívia faria uma viagem de negócios em breve e queria deixar tudo certo.

Quando o último compromisso saiu, eu fui vestir minha dólmã e ela me acompanha até minha sala;

- Deveríamos terminar essa manhã com vitórias e não com preocupações! - Lívia se senta no sofá ao canto.

- Qual preocupação? - Pergunto vestindo a Dólmã.

- Adrian.

- Ele deu a palavra dele Lívia.

- Sabe seu maior problema Stefano, é a bondade, confiar demais nas pessoas!

- Todo mundo merece uma segunda chance.

- Sim, sua referência é Dante e não vale nada, nunca valeu na verdade.

- Sabe onde essas conversas sobre o Dante terminam né?

Ela se levanta, pegando as coisas;

- Já pensou que eu, a mamãe, Lorena todo mundo estejam certos sobre o Dante não ser homem pra você?

- Vocês não conhecem ele como eu conheço. - Abro a porta.

- O próprio filho Stefano, não gosta do pai, que resta a nós?

- Terminou?

- Sim, e você fica de olho no Adrian, aí meu irmão, sinceramente! Você vai passar direto para o céu continuando pensando assim.

- Tchau Lívia!

- Aí me expulsando seu grosso.

- Tenho ainda que falar com uns novatos. - Acompanho ela até a porta do salão.

- Ah Lorena disse no grupo que vão contratar.

- Pois é. Beijo vai com Deus, me mantém informado.

- Deixe comigo.

Lívia sai pela saída da cozinha, e Giovanni se aproxima, olhando pela porta;

- Devia ter uns cinquenta aí de fora mais cedo, chef. - Ele comenta.

- Sim.

- Como iremos decidir dessa vez?

- Do mesmo jeito Giovanni, colocar a pessoa para fazer um prato, o melhor contratamos, e segue eu o treinando com o selecionado.

- Muitos jovens né Chef.

- Estou vendo isso mesmo. Espero que bons.

A Lorena vem com os currículos e entra na cozinha;

- Estou orgulhosa de mim mesma com essa seleção Stefano. – Ela diz organizando os papeis.

- E aí? – Digo curioso.

- Temos pessoas com experiência em cozinha profissional, e outros cursando Gastronomia, uns muito inteligentes, com muita teoria, veremos na pratica. A cozinha está pronta? – Ela questiona Giovanni.

- Sim, deixei a equipe chegar mais tarde, vamos acompanhar essa galerinha aí, e decidir. – Responde mostrando as coisas nas praças.

- Pronto chef?

- Sim, Lorena, vamos lá. – Falo seguindo ao salão.

Haviam seis pessoas, eu concordo em serem bem selecionadas. Lorena fez um excelente trabalho, pessoas bem apresentáveis e aparentemente, comprometidas.

Fiquei pouco sem graça, pois houve algumas palmas quando entro! Eles estavam sentados nas mesas, e eu fico bem de frente com, Lorena e Giovanni;

- Bem pessoal, vocês conhecem muito bem o Chef Stefano Le’Bianco, e esse é o nosso Sous-Chef, Giovanni Rodrigues. – Lorena diz em voz alta.

- Bom dia a todos, e obrigado pela confiança e por quererem fazer parte desse time! Na verdade, dessa família, pois irão passar mais tempo lá dentro do que na sua própria casa! Procuro um cozinheiro, que irei treinar, e aprimorar para ter sua própria praça de trabalho lá dentro. Como Lorena disse, tenho uma vaga, e vocês são seis pessoas. Não duvido do potencial de vocês, mas tenho que escolher, e estamos em um restaurante, não sei se sabiam, mas vão cozinhar hoje. – E u estava falando e um deles me interrompe.

- Tipo Masterchef? – Grita um rapaz.

Claro que tirou sorrisos dos outros, mas eu fiquei surpreso ao ver quem disse isso.

O garoto era moreno, cabelo bem penteado, estava usando camisa de manga cumprida, mas era possível ver sua mão tatuada. Aproximadamente uns 25 anos. Sinceramente fora dos padrões que estamos habituados, nada contra, comente gostei de destacar.

- Não... – Olho para a Lorena que responde o nome dele.

- Robson Lobo. – Ela fala olhando o curriculum.

- Não Robson, lá você ganha um prêmio de uns duzentos mil reais, aqui eu lhe dou um trabalho.

- Acredite chef, isso para mim vale mais. – Ele responde.

Os outros o encaram, e eu mantenho o que estava dizendo;

- Então, irão para cozinha agora e cozinhar, eu, Giovanni e Lorena iremos decidir o melhor. Antes de se levantarem, quero dizer algo e que vocês nunca se esqueçam. “Lembram da comida mais gostosa da vida de vocês, do melhor prato que provaram... Imaginaram? Eu como pratos assim todo dia, então lá dentro não será brincadeira. ”

Em fila entramos na cozinha, Giovanni entregou aventais para todos, e colocamos cada um em uma praça para cozinhar, outros dividirem fogões e tudo mais.

- Vocês têm os ingredientes e acho que já devem saber o que fazer... “Filé au Poivre”. Quero ele ao ponto, Lorena com a “Mise em place”, qual tempo você pede ao cliente para entregar o prato? - Questiono a ela.

- Aproximadamente meia hora chef.

- Vocês terão uma hora para entregar o prato.

- E se terminar antes. – Robson questiona.

- Só avisar. Podem começar.

Deixamos algumas coisas, temperos, verduras e legumes próximos para eles se quiserem utilizarem.

Com todo mundo cozinhando eu e Giovanni ficamos andando e vendo eles trabalharem. Era maravilhoso, uns davam um show, praça organizada limpa e centrada, outros no meio de uma bagunça, e desorganização.

Um dos desorganizados, Robson. E ao seu lado um Pedro, trabalhando de uma forma esplendida.

Eu voltei a Lorena e questionei;

- Quem você disse, já ter trabalhado em uma cozinha profissional?

- Ah... Pedro.

- Percebi, muito organizado, e centrado no que irá fazer e...

- (...) O Chef disse Filé au Poivre, você escutou? – Giovanni diz a um deles.

- O clássico é feito com ervilhas. – Robson responde.

- Tem bacon aqui.

- Sim, estava ali vou usar.

Eu me aproximo, e já fico puto pela bagunça, Robson utilizava a receita original, o clássico, mas seus cortes e forma de trabalhar não era a correta.

Parte da receita é o Filé Flambado, para os que não entendem muito bem, se coloca conhaque na frigideira, com isso a chama do fogo sobe alto dentro do prato.

Nos afastamos, ficando mais longe, e observando. Era inevitável excluir algumas pessoas pela forma do trabalho.

E quando a Lorena avisou do tempo, duas pessoas não terminaram, digo, não entregam o prato. Os outros entregam o serviço.

- Você que decide Stefano. – Ela comenta frente dos meninos que ainda não terminaram.

Ambos estavam um ao lado do outro, eu aproximei comentando;

- Quando você diz ao cliente que entregara o prato em trinta minutos, e ele demora mais que o previsto o que acontece Lorena? – Pergunto.

- O restaurante oferece, a sobremesa de cortesia ao cliente.

- Que isso significa?

- Prejuízo por um erro da cozinha.

- Correto. Não podem continuar, foi o mesmo tempo para todos, e a maioria entregou, desculpe mas obrigado.

Eles saem, tristes, mas não tenho escolha, os meninos levaram os pratos ao salão, me sentei com Giovanni e Lorena, que havia pegado um vinho para acompanhar.

O primeiro prato estava cru, o segundo correto, depois veio o de Pedro que era a perfeição em pessoa, bem apresentado, bem executado e ao ponto. E então o de Robson, Lorena experimentou, depois Giovanni, e ele me entrega o prato, mas fica me encarando.

Depois da minha faculdade concluída, fiquei praticamente três anos na França e na Itália, me especializando. O prato de Robson era exatamente o mesmo, que provei pela primeira vez em um bistrô próximo a Torre Eiffel. Eu provei três vezes, para ter certeza.

Nos levantamos e seguimos para a cozinha conversar e debater.

- (...) me veio as lembranças, é idêntico.

- Qual bistrô Stefano?

- Lorena, o que mandei o Giovanni ir quando se casou, lembra ele estava de lua de mel, ainda mandei no grupo o lugar.

- Eu não entendo como vocês, mas gostei do Pedro.

- Eu prefiro o do Robson, a construção de sabores foi perfeita. Fica a decisão com você chef.

Os dois me olham;

- Lorena chama de um por um aqui por favor.

Assim sucessivamente, um por um veio até a cozinha e de pé ali mesmo, falei com cada um, a mesma coisa;

- Iremos lhe dar a resposta amanhã.

Foi a resposta para todos, com um agradecimento é claro.

O Robson foi o último, a Lorena traz ele até a cozinha e eu questiono;

- Já fez essa receita antes? – Digo de braços cruzados.

- Sim.

- Quantas vezes?

- Hoje é a segunda vez.

- Pode repetir?

- Agora? – Ele fica de olhos arregalados.

- Sim, agora.

- Posso. – Ele coloca novamente o avental.

Volta a cozinha, e Giovanni pega as coisas, entregando a ele.

Dessa vez eu fiquei em cima, do seu lado, quase que atrapalhando, os segredos da sua receita estão na cocção do molho e nos legumes.

Robson entrega o prato, minutos antes dessa vez, eu provo e o mesmo sabor, como se estivesse feito os dois ao mesmo tempo;

- E então? – Lorena questiona.

- Está melhor que o outro. – Giovanni fala provando.

Eu fico pensando, pensando e falo a Robson;

- Quando formou?

- No fim do ano passado.

- Está trabalhando de que?

- Sou servente de pedreiro, ajudo meu tio.

- Já procurou trabalho na área? Porque cozinhando assim... – Giovanni indaga.

- Já, mas nunca cheguei a cozinhar, depois que digo que moro em uma favela, e trabalho de servente, já recebo um não. – Ele responde.

- Quando pode começar? – Questiono.

- Agora, se quiser. – Ele responde com um sorriso.

- Não posso deixar você iniciar agora. Lorena irá preparar seu contrato, irá receber dois mil e seiscentos durante três meses, que será sua experiência e treinamento. Após esse tempo, seu salário será de três mil e duzentos, mais transporte, convênios, a Lorena irá lhe explicar. Está de acordo?

- Caralho está me perguntando se quero?

- Sim.

- É o que mais quero... – Robson me abraça. Eu retribuo meio sem jeito, por ser inesperado. – Muito obrigado, não sabe o quanto é importante para mim, obrigado mesmo.

Ele fez o mesmo, com a Lorena e com o Giovanni.

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