• @richardsongaarcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 38

Eu me encosto da mesa, meio que sem reação, a cabeça processava milhões de coisas ao mesmo tempo.

Mas algo, por mais simples que seja, naquele dia fez total diferença. Minha mãe me abraçou, a Margarida veio e fez o mesmo, e Gabriela também, um abraço em conjunto, elas compartilhando comigo meu sentimento.

A atitude delas me fez chorar, colocar para fora esse sentimento ruim que me consumiu com essa notícia.

Os telefones da casa tocaram, Gabriela se afasta pegando o celular perguntando;

- Que vai querer fazer em relação a isso?

- Nada. – Minha mãe responde. – Ele vai subir, tomar um banho, e fazer qualquer outra coisa, mas, olha para mim Adrian. – Ela fica em minha frente. – Não quero que pense nisso hoje, não pode resolver isso de cabeça quente.

- Mas mãe...

- Sem, “mas Mãe”. Estou lhe dando uma ordem, vai, sobe e vai tomar um banho. Margarida prepara a banheira para o Adrian, por favor querida.

Faço o que ela disse, saindo com a Margarida. Mesmo sabendo que era impossível não pensar sobre eu sai.

Ao sair do escritório, escuto minha mãe, dizer;

- Gabriela, vai para casa filha e faça o mesmo... Mas antes, liga para o Stefano, quero falar com ele. – Margarida seguiu na frente.

Subi as escadas e já fui tirando minha camiseta, entro no quarto, desligo meu celular, e a Margarida sai do banheiro;

- Pode entrar Adrian, está enchendo, mas é coisa rápida.

- Obrigado.

Entro com a agua ainda baixa, fico sentado ali olhando no espelho, sem reação nenhuma.


#Stefano



(...)

- Lívia não é brigando, estou te falando, eu não concordo. – Falo pegando minhas coisas.

- Stefano, é seu melhor amigo, e tem formação na área, achei que seria uma surpresa. – Ela vem atrás de mim.

- Bruno não é a pessoa certa para isso, mas não irei interferir, vou deixar, você que se resolva caso aconteça alguma coisa.

Coloco uma roupa na mochila e ela ainda falando na minha cabeça;

- Eu não sabia que está...

- Lívia, eu não aprovo que o Bruno seja gerente e Maítrê do Tropicale.

- Tudo bem, irei falar com ele.

- Não, agora cumpra com sua palavra, não pode mudar assim do nada, a empresa é meio a meio, e assim que tem que ser as decisões. – Gesticulo com ela.

- Me desculpe.

- O carro está pronto senhor. – Felix abre a porta.

- Depois a gente conversa melhor Lívia, vou para a casa do Adrian.

- Tudo bem, quando chegar conversamos.

- Talvez eu não durma em casa.

- E amanhã?

- Tchau. – Fecho a porta sem paciência.

Dona Edite me ligou pedindo para ir em sua casa pois, uma bomba havia explodido.

Demorei um pouco por causa do transito, mas depois de entrarmos no condomínio e o Felix me deixar na casa dele, eu o dispenso;

- Estou seguro, pode ficar tranquilo. – Falo na janela do carro.

- Amanhã pego o senhor que horas?

- Por volta das seis e meia da manhã.

- Sim, senhor.

- Tchau, fique com Deus. – Pego em sua mão.

- O senhor também.

A porta da casa se abre e a Margarida aparece, eu subo as escadas, a cumprimentando;

- Como ele está?

- Ainda no quarto, entre.

- Obrigado.

Ela fecha a porta e vejo Edite descendo as escadas;

- Ai, filho que bom que veio... – Ela estende as mãos para me abraçar.

- Sei o que ele está passando.

- Subiu para tomar banho e ficou lá, pedi a Edite para fazer algo para ele comer.

- Vou ver ele.

- Não avisei de você tudo bem, mas fique à vontade.

- Obrigado.

Subo as escadas, com os corredores com meia luz, e bato na porta do seu quarto;

- Está aberta. – Ele responde.

Eu abro a porta e ele me olha sério, em um milésimo, sua cara se muda totalmente.

Sobrancelhas se juntam, o sorriso debaixo dos seus lábios desenha seu rosto.

Deitado sob cobertas e TV ligado ele me olha. Eu entro deixando a mochila e sento na cama, percebendo que ele estava sem camisa.

- Como está?

- Precisando de um abraço.

Abraço ele beijando sua bochecha e ficando junto, Adrian puxa a coberta e passa sobre mim, ficando corpo a corpo.

Ele afasta e me beija, eu vou na maior inocência me aproximar mais de Adrian e com a mão em sua cintura, percebo que ele não estava usando nada. Eu paro, e levanto o cobertor;

- Está pelado?

- Sim.

- Porque? – Pergunto rindo.

- Eu iria bater uma.

Cheguei a piscar, e afastar o rosto dele, tipo “Serio? ”.

- Nem olha assim, eu bato uma quando estou nervoso.

- Ah entendi, e já fez o que tinha que fazer?

- Não, você chegou antes de eu começar.

- Serio, não sei como consegue, pensar em algo assim, nessa situação. – Me sento na cama, de frente a ele.

Adrian faz o mesmo segurando minha mão;

- Minha mãe mandou eu tomar um banho, eu fiquei de molho naquela banheira pensando, pensando e pensando. O que eu queria mesmo era nunca mais sair de dentro dessa casa, viver aqui.

- Adrian não pode se esconder do mundo assim. Ainda mais ficar sozinho aqui dentro dessa casa!

- No meu pensamento você ficaria comigo!

- Rsrs, engraçado. – Solto sua mão.

- Pensa comigo... – Exclamo somente um “Ah”, ouvindo Adrian. – Nos casamos, podemos até mudar para uma fazenda, eu você, a Margarida, e a Silvia, e acho que vou ter que levar minha mãe (...).

- Sei.

- A gente vivendo um para o outro, e você cozinhando para mim, levando cerveja enquanto eu assisto futebol. Ah e podemos transar o dia todo, você poderia usar aquelas cuecas “JockStrap”.

- Ah Adrian, levar cerveja eu até faço mas usar essa cueca não, eu acho brochante.

Ele começa a rir e eu interrompo ele;

- Ei, agora deixa de piada e me fala, como está em?

- Péssimo, me sentindo sem rumo! É uma sensação do tipo eu pelado no meio do estádio lotado. E todo mundo viu. Agora tenho que sair de casa e enfrentar todas essas pessoas.

- Vem aqui. – Abraço ele, colocando sua cabeça em meu peito, com Adrian deitado em mim.

- Eu havia acabado de receber a notícia que seria escalado para o próximo jogo, eu estava fazendo o que prometi a você Stefano, que iria focar na minha carreira. Tudo estava bem, tudo estava acontecendo como deveria, e agora isso.

Abaixo beijando sua testa, e deixo ele falar;

- Se eu tivesse uma cabeça mais fraca tinha feito alguma besteira já.... Serio essa pressão tortura (...).

Na minha opinião, as vezes a gente precisa falar, colocar para fora e expulsar de dentro de você o que lhe fere.

Deixei ele falar, fiquei ouvindo e concordando, quando percebo que ele estava, digamos “vazio”, eu falei;

- Eu te entendo perfeitamente. Mas Adrian e agora? O que você vai fazer agora?

Ele respira fundo, fica pensativo e responde;

- Vou treinar, e fazer meu melhor nesse jogo, apesar de tudo eu quero isso.

- Não era isso que eu estava falando! – Deixo ele surpreso.

Adrian me olha;

- Não vai colocar uma roupa não?

- Rsrsrs, eu vou.

Ele sai das cobertas, e vai até o closset que fica a frente;

- Não tinha reparado na sua bunda ainda. – Comento.

- Como não, naquele diz você estava com a mão nela enquanto eu...

- EI, não preciso de detalhes. – Grito com ele.

Margarida bate na porta e ele grita;

- Calma aí.

Adrian não estava excitado mas tinha um volume ali, então não poderia ir abrir, ele fecha a porta do closset, e eu abro a porta para ela;

- Ele ainda está no banho? – Ela pergunta com uma bandeja enorme.

- Está se vestindo.

- Estava fazendo um Strip para o Stefano você me atrapalhou. – Sua voz abafada lá de dentro.

- E isso é hora garoto? Trouxe uma sopa, fiz umas torradas, vem comer. – Ela grita em direção ao closset. – Filho não é igual sua comida de restaurante, mas foi feita com muito amor viu.

- Que isso, olha está com o cheiro muito bom viu.

- Obrigada, olha não vão fazer nada depois que comer, esperem um pouco.

Gente, escutei isso de orelha em pé, aff queria matar o Adrian.

Ela sai eu levanto e tranco a porta. Arrumo a bandeja na mesa que havia em seu quarto;

- Ela acreditou mesmo que estava fazendo isso para você? – Ele abre o closset.

- Sim, que vergonha. – Eu me sirvo.

- Está com fome?

- Sim, quando sua mãe ligou eu estava discutindo com a Lívia.

Ele se senta, puxa a cadeira para perto de mim, colocando a sua perna em meu colo;

- Discutindo?

- Acredita que ela chamou o Bruno, para ser gerente e Maítre do Tropicale?

Ele pausa com a colher me olhando, e questiona, antes de leva-la a boca;

- Está falando sério?

- Sim.

- Aquele Bruno? Aquele filho da puta que me subordinou?

- Sim, o próprio. Ela disse que achava que seria uma surpresa para mim, por causa da nossa amizade.

- Nossa sua irmã também, está pior que eu, não consegue dar uma dentro.

- Sei o que ela tem. Está de rolo com o Giovanni ele é casado, e meus pais estão voltando de viagem. E para piorar eu e você estamos juntos. E Lívia ao invés de pensar nela, pensa no papai.

- Ele vai comer o fígado dela, se for verdade o que está falando.

- Sim.

- Amanhã é meu último dia de folga, antes dos treinos, vamos para qualquer cidade da região novamente?

- Olha, eu queria muito, mas amanhã é o grande dia para o Le’Bianco. – Termino de comer.

- Diz o dia em que irá apresentar o menu aos críticos e jornalistas?

- Sim, estou muito ansioso.

- Vai dar tudo certo. – Ele puxa e beija minha mão.

- Me desculpe não poder passar o dia de amanhã com você.

Ele fica calado, me olhando, seus olhos brilhantes como sempre quando está comigo.

- Eu iria esperar, não sei nem se é a hora, mas me deu uma puta vontade de falar.

- Ah, vem mais uma, que foi Adrian.

Ele pega minha outra mão, e diz, olhando nos meus olhos;

- Eu te amo Stefano. Parece que Deus tirou uns minutos do seu precioso tempo e fez você para mim. Não consigo encontrar um defeito, e cara... – Ele abaixa a cabeça, sua voz muda de tom, como se estivesse emocionado. – Quando estamos juntos não penso em nada, nada é ruim, nada é triste, até o frio se vai. Sabe o porquê sempre quero estar com você? Porque eu me sinto feliz.

O que dizer? Abracei ele todo emocionado, os dois com lagrimas nos olhos.

Bem como eu cheguei do trabalho e tive que vir para casa do Adrian, eu fui tomar um banho, para dormir, pois no dia seguinte tudo teria que ocorrer perfeitamente.

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