• @richardsongaarcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 23

#Adrian Raul



De sorriso bobo, que não se desfaz de forma alguma, olhos brilhando, e coração com batimentos fortes, assim foi minha ida para casa naquela noite.

Com consciência de toda a situação, de toda a história e pessoas envolvidas, mas eu não estava me controlando, não controlava minha mente.

Tive uma excelente noite de sono, como estava precisando me sentir assim, “diferente”.

Pela manhã, eu me arrumei e sai cedo, tínhamos uma gravação de um material para o flamengo, e Gabriela e sua “trupe”, me descolou um comercial para fazer também.

Peguei o carro saindo de casa, por volta de umas sete e meia da manhã, no primeiro estúdio, foi até rápido, as fotos, chegamos eu, ela e o Mariano na produtora ainda por volta de dez da manhã.

Me reservaram um camarim, para me trocar, havia uma mesa imensa de café da manhã, eu comi novamente, e eles também encheram a cara.

Esse sim, demorou, foi um trabalho chato, porque o diretor era um pau no cu. Gravamos “takes” repetidamente, até acertar no que ele queria. Para vocês terem ideia os produtores do cara estavam putos com ele.

Terminamos por volta de seis e meia da tarde, não ficou 100%, ele queria terminar de gravar no dia seguinte.

Mas eu estaria no Rio de Janeiro, pois iria treinar, para o jogo de início do torneio.

Com o transito, cheguei em casa hora depois. Entrei, chamando minha mãe, nem havia aberto toda a porta;

- MÃE. – Olho as escadas e corredores.

- Fala menino. – Vejo seu cabelo na cozinha.

Sigo para a esquerda até vê-la com a Margarida, beijo ambas, pegando umas castanhas que estavam no balcão;

- Que tal jantar fora hoje? – Pergunto com ela fazendo café.

- Que você está querendo em Adrian?

- Nada, mãe, rsrs. – Até Margarida me olha de lado. – Lembra daquele Restaurante Italiano que a senhora comentou, o Le’Bianco? Vamos jantar lá.

- Uh aquele chiquérrimo?

- Sim. – Aceno que sim, rindo.

- Vamos sim. E Você Margarida? Vai também? – Ela intima.

- Não senhora, tenho culto essa noite, não posso faltar.

- Depois te levo lá, me cobra em. – Pisco para ela.

- Sim, filho.

- Vou tomar um banho, e a senhora, vai se arrumar, lá é sempre cheio.

- Aí, eu vou mesmo, tenho um vestido maravilhoso para usar. – Ela deixa a colher que estava na mão com Margarida.

Eu subo as escadas na sua frente, ligando para a Natalia;

- Oi.

- Oi Natalia, Adrian, tudo bem?

- Sim, amor. – Ela responde.

Escuto uma música no fundo, e algo como barulho de esteira, então questiono;

- Na academia?

- Sim.

- Escuta, eu e minha mãe vamos ao Le’Bianco jantar, pode acompanhar a gente?

- Sim, vou sair agora da academia, e você me pega em casa?

- Beleza, até.

- Até.

Eu tomei um banho rápido, entrei no closset e coloco meu celular para carregar antes de me vestir.

Até envio uma mensagem para o Stefano, perguntando se estava no restaurante essa noite, mas chegou, ele não visualizou, eu imaginei que estivesse trabalhando.

Me vesti, uma simples calça jeans, e um moletom amarelo, sequei meu cabelo, passando um dos meus perfumes prediletos. Vou ao quarto da minha mãe apressa-la pois iriamos chegar só para fechar o lugar, até terminar de se arrumar.

Desci tirando o outro carro, enquanto minha mãe saia de casa, e Gabriela liga;

- Ai, que bom que atendeu, tudo bem?

- Sim, porque o desespero?

- Tenho uma festa para você ir, me diga que não está ocupado.

- Ocupado não, estou saindo de casa, vou levar minha mãe para jantar.

- Aí, serio Adrian?

- Sim.

- Ok então, vou desmarcar sua presença então, posso saber onde vão? – Ela pergunta esperando eu ser grosso, pois já conheço a pessoa.

- Gabriela se quer perguntar se vamos ao Le’Bianco, sim, nós vamos.

- Aí, desculpa Adrian, é que eles pagam nosso salário, sabe como é.

- Sei, não precisa me lembrar. – Minha mãe entra no carro. – O cinto mãe.

- Está com segurança?

- Não Gabriela, vou jantar, não para guerra.

- Adrian, o clube pediu que estivesse com segurança, pelo menos essa temporada de crimes em São Paulo, por favor, me ajuda.

- Ai meu Deus, vou parar de atender vocês. Estou indo para casa da Natalia, mande me encontrar lá.

- Obrigada, mesmo, bom jantar.

- Obrigado.

Desligo o celular saindo, minha mãe, conferindo a maquiagem no espelho pergunta;

- Que a aprendiz queria?

- Rsrs, não fala assim mãe.... Querem que eu ande com um segurança.

- Ah isso e concordo, mas contrate você, se deixar por conta deles, vai dormir com ele.

- Sim, a senhora tem razão.

A casa da Natalia não era perto da minha, mas a caminho do restaurante.

Quando chego o carro do segurança já estava esperando, eu não desci, ela que saiu e entrou no carro, um dos rapazes, alto e moreno se aproxima e bate no vidro;

- Boa noite senhor, senhoras! Sou Wil, e irei ser seu guarda costas essa noite!

- Obrigado.

Saímos para o restaurante e as duas foram conversando sobre aquela serie “Lúcifer” que havia acabado de sair temporada.

Eu olhando o celular para conferir se Stefano havia respondido, a cada semáforo, uma olhada.

Não era fim de semana, não era feriado, e não tinha eventos no restaurante, mas galera estava tão cheio, que até me assustei.

Sua fachada é imensa, na sua frente tem uma imponente parede de tijolos rustica, trabalhada com uma tinta cor de “terra” o letreiro a esquerda iluminado, uma área alta onde tinha uma espécie de deque, para as pessoas aguardarem, um lugar bem aconchegante com uma passarela com estrutura alta de madeira, e bem iluminada, e a redor a “barricada” era aqueles ferros trabalhados, ao fundo o vidro com visão do interior. E a direita ficava os manobristas e o estacionamento.

Eu parei o carro, e somente assim percebo ser dois seguranças, Wil abre minha porta, e o manobrista abre a porta da minha mãe. Foi estranho, porque os dois estavam me acompanhando. Eu dou meia volta entregando a chave ao rapaz, e pego na mão da Natalia.

Sem essa de entrada especial ou alternativa, com os seguranças, passamos pelas pessoas que estavam esperando no espaço loungue. Na recepção como sempre a Lorena.

Havia um casal a nossa frente e enquanto aguardava minha mãe pergunta;

- Nossa tem evento aqui? Está cheio. – Ela arruma o cabelo.

- Não sei, estranho estar assim, não me lembro de estar tão cheio. Já em fim de semana porem não havia toda essa fila de espera.

O casal sai e a Lorena já olha sorrindo;

- Boa noite família, como vai em Adrian?

- Ótimo, bom te ver. – Cumprimento ela beijando seu rosto.

- Obrigada gato, então?

- Mesa para três por favor.

Ela me olha se entender e fala;

- Ai, por favor me diga que tem reserva?

- Não, porque?

- Menino não sei que aconteceu hoje, estou com algumas esperas, e com reservas até a uma da manhã acredita.

Pego em sua mão e digo;

- Lorena, por favor, me ajuda aí, olha como essas mulheres se vestiram para estarem aqui. – Falo sorrindo.

- Tudo bem, me espere um momento. – Ela entra no salão.

Um garçom se aproxima e serve champanhe para minha mãe e Natalia, eu pego somente uma agua mesmo.

Tirei foto com algumas pessoas da fila enquanto isso, rsrs. Lorena volta e chama a gente afastado das pessoas;

- Olha Adrian sabe que faço tudo por você! Mas não tenho mesa disponível.

- Poxa sério.

- Sim, olha mas consegui algo. Os Le’Bianco estão conosco hoje, Lívia lhes ofereceu sentar com eles, mas fica a seu critério. – Ela fala baixo.

- Que acha mãe? – Pergunto olhando ela.

- Aí filho sentar com quem não conhece, quem está ai moça? – Minha mãe fala com Lorena.

- Temos Lívia, sua mãe Elizabete e o Desembargador Manoel Le’Bianco, a mesa há oito lugares.

- Nós vamos. Amo ficar com gente importante. – Minha mãe fala seguindo na frente.

Vermelho foi como eu fiquei com Lorena rindo dela. Um dos seguranças ficou na entrada, e o outro acompanhou a gente, ficando em um canto do restaurante onde tinha visão de grande parte do salão. Isso me constrangeu muito, porque as pessoas olham quando você anda com dois “armários” de terno.

Em uma mesa redonda de oito lugares, uma das três mesas vips do local, a Lorena puxa a cadeira para minha mãe que senta ao lado de Manoel, e eu puxo a cadeira de Natalia que fica no meio.

Cumprimentamos eles, e já começamos agradecendo por ceder as cadeiras, eu ainda não conhecia os pais do Stefano;

- Irei avisar ao chef. – Lorena diz saindo.

- (...) Não há de que filho, olha me passou muita raiva quando estava no Palmeiras, agora está no lugar certo, falo para meus amigos! Flamengo está em outro nível. – O Manoel gesticula comigo. – Não estou certo?

- Esta sim senhor. Com toda razão.

- Podem deixar o futebol para depois! – Elizabete fala bebendo o vinho. – Meu filho mandou esses queijos selecionados para esperarmos até o jantar iniciar, podem comer, fiquem à vontade. – Ela toda elegante oferece.

E começam as conversas, tive que trocar de lugar com minha mãe, sentando ao lado do pai de Stefano, ele era muito bom de conversa, um homem grande e de voz alta e marcante, já sua mãe uma mulher pequena de elegância invejável.

- (...) Adrian eu falei com o Stefano, ele ainda não me respondeu, mas em breve será aberto, aqui na Avenida Paulista, o projeto foi aprovado, e eu pensei em uma campanha na Televisão. – Lívia conversando comigo.

- Olha vocês que mandam, envia o projeto, será um comercial certo?

- Sim.

- Envia para a Gabriela, que irei pedir ela para consultar o clube, pois até entender tudo como eles trabalham, vai um mês, aproximadamente. Mas é só agendarmos, isso vai uns meses?

- Eu queria o mais rápido possível, mas entende como está a situação né. – Ela gesticula para a cozinha, se referindo a Stefano.

- Sei sim, sem problemas.

Minha mãe, falando sobre casas para comprar com o Manoel, não me perguntem como chegaram a esse assunto, e quando fui entender o que Natalia e Dona Elizabete estavam conversando, as portas da cozinha se abrem, e vem Stefano a frente, mais dois garçons com os pratos da mesa, seguidos de Lorena com mais uma garrafa do vinho.

Ele se aproxima, e muda a feição quando me olha, de sorriso discreto, ele serve seu pai primeiro, como um profissional;

- Uh chegou a melhor hora. – Manoel coloca o guardanapo.

- Com licença, a entrada, é uma Panzanella. – Ele coloca o prato ao seu pai, os garçons, servem o resto da mesa.

Minha mãe começa o seu show na noite;

- Que é isso menino? – Ela olha para Stefano com os talheres em mãos.

Ele abre um sorriso e responde ao meu lado;

- É uma salada italiana Dona Edite. – Ela começa a comer, enquanto ele ainda falava. – Bem é composta por tomates, cebolas roxas, rabanetes, miolo de alface, um buque de manjericão, vinho tinto, temperos e claro o pão genuíno italiano...

Ele ainda falava quando ela interrompe novamente;

- Meu Deus, que isso.... É maravilhosa.

Ele nem gosta de elogios e fica todo se achando;

- Obrigado.

- Nossa filho, a cada vez que venho aqui, só melhora esse tempero... esse pão, meu Deus. Me senti na casa da sua avó.

- Obrigado mãe.

- Não gosto de salada. – Manoel exclama.

Sai como uma crítica ou reclamação, porem ele é quem comia mais rápido da mesa.

- Está perfeita, parabéns. – Falo olhando para ele que estava a minha direita.

- Obrigado. E desculpem por não ter mais mesas disponíveis, estamos com a casa cheia hoje. É sempre bom te ver Adrian. – Ele aperta meu ombro.

Eu me derreto naquela cadeira, serio, fiquei todo mole.

Lorena segue servindo as taças, e cara vocês não fazem ideia do sabor daquele pão, pois ele parece macio no prato, mas é crocante, e muito saboroso, temperado, eu não sei explicar, ela é de uma leveza e sabor sem igual.

Terminamos o prato, e a Elizabete pede que Lorena fale a Stefano para ele jantar conosco, ela sai e não volta.

Os garçons retiram as taças e trocam o vinho. E novamente o serviço, dessa vez o prato principal.

Eu como não conheço, e Stefano me serviu desta vez, me vi diante de uma obra de arte.

O prato branco, e a comida tinha só tons brancos, era formada por uma “linha”, em um prato oval e com uma altura de algo que se parecia com camarões, mas ao olhar e ficar perdido, questiono;

- Pode explicar por favor?

Ele se senta ao meu lado, com Natalia tirando foto do prato, Stefano diz;

- Bem esse é um “Risoto Bianko”, ou Risoto Branco. É um considerado um monumento da alta cozinha italiana, foi replicado somente duas vezes aqui no Le’Bianco. Temos aspargos, Mussarela, Fumê de peixe, vieiras, lulas, linguado, limão e vinho branco.

Sem comentários, todos boquiabertos na verdade, serio, acho que nunca comi algo tão lindo, e caro;

- Desculpa, mas tenho que perguntar, quanto seria um prato desse? – Natalia diz. – Desculpem, mas a curiosidade é maior que meu glamour. – Ela tira sorrisos nossos.

- Olha, aproximadamente R$ 309,00. – Stefano responde a ela.

- Trezentos? Gente vou mandar no grupo da família, rsrs. – Minha mãe quase grita.

A mesa inteira cai na risada com o comentário dela. Mas ela tinha razão, aqui não há palavras para descrever o que eu comi, aquele prato era de delicadeza, e supera qualquer culinária até então que conheci.

- Acho que nunca fiquei emocionado comendo alguma comida. Stefano está divino. – Falo encarando ele.

- Obrigado Adrian. Pai? – Ele o chama.

- Parabéns. – Manoel diz mastigando.

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