• @richardsongaarcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 22

Ligo na portaria autorizando a sua entrada, e me viro com o Bruno dormindo no sofá, ou fingindo;

- BRUNO, cria vergonha, levanta, ele chegou. – Falo empurrando ele.

- Estou repensando você como amigo Stefano.

- Lava esse rosto vai. – Falo puxando a sobrancelha que ele estava abraçado.

Ele seguiu para o lavabo, e eu vejo o farol do carro, sigo para abrir a porta.

Adrian desce do carro com um sorriso de orelha a orelha, de calça jeans normal, camiseta preta e uma jaqueta discreta.

Mas o destaque é para a “Ferrari GTC4 T”, que ele estava pilotando, com uma frente baixa e característica da empresa, rodas muito fodas, em um carro baixo. De cor cinza metálico.

Ele vem com uma pequena caixinha nas mãos;

- Oi!

- E aí. – Falo dando espaço para ele entrar.

- Para você. – Adrian estende a mão com a caixa.

Sem embalagem de presente, era um relógio, um Apple Wacht, para ser mais especifico;

- Para mim? – Pergunto deixando ele sem graça.

- Sim, abre vê se vai curtir. – Ele fala ansioso.

- Tudo bem, mas como sabia que uso Iphone?

- Eu já vi e nunca vi você com um desses, achei que iria gostar.... Eu seguro. – Adrian me ajuda com a embalagem.

- Nossa adorei, muito lindo, mas não precisava.... Obrigado.

- Eu ganhei do time, e como já tenho dois, lembrei de você.

- Hum que bom que fiquei com o que sobrou. – Falo rindo.

- Não. Não é isso, rsrs. Aquele dia vi que pratica exercícios, e ele vai te ajudar. – Ele sorri sem graça.

- Relaxa, eu adorei, muito obrigado. – Falo de olhos brilhando. – Entra, Bruno está te esperando.

- Com licença.

Ele já muda totalmente seu semblante, entra, e coloco a caixa com o relógio de lado.

Adrian se senta no braço da poltrona, e o Bruno aparece da copa;

- Boa Noite.

Adrian tenta um sorriso. Bruno abre sua mochila e tira o envelope pardo;

- Cinquenta mil, setecentos e vinte e um reais. – Ele fala entregando.

- Obrigado. – Adrian pega o pacote.

- Me desculpe. – Bruno estende a mão.

Adrian o cumprimenta com um sorriso bem sem graça.

- Não vai contar? – Bruno pergunta.

- Confio em você. – Adrian responde.

Bruno fica todo sem jeito;

- Adrian um vinho, suco, agua? – Pergunto seguindo para a cozinha.

- Vinho.

- Bruno?

- Não, amigo, vou embora, estava esperando somente o Adrian chegar mesmo. – Ele coloca a mochila nas costas.

- Calma aí, eu te acompanho... Fica à vontade Adrian. – Passo colocando a mão em seu ombro.

- Beleza.

Agradeço e despeço de Bruno, quando eu volto o Adrian não estava na poltrona;

- Adrian? – Chamo baixo.

- No banheiro. – Ele responde de longe.

Para ir a adega se passa em frente ao banheiro, onde ele estava de porta aberta, e de costas para mim, é automático olhar.

Desço pegando um vinho do Porto, um mais fraco que eu tinha na adega.

Ao retornar pela pequena escada escuto ele com a torneira aberta, dou meia volta entrando na cozinha, pegando as taças e abrindo o vinho.

Eu fiz isso com tanta naturalidade, abrir, sentir o aroma e depois degustar antes de servir, que nem percebi ele ali;

- Nossa degusta todos vinhos que bebe? – Ele diz se aproximando.

- Experimenta. – Entrego – lhe a taça.

Adrian assim como eu, faz a degustação, e me deixa rindo de sua cara;

- Para de olhar, fico sem graça, com você me julgando.

- Não! Está certo! Se não der certo no Flamengo eu abro uma vaga de Sommelier no Le’Bianco para você. – Digo me servindo.

- Engraçadinho Você. Já paguei caro em garrafas que não tinham esse aroma.

- Bom né.

Adrian entra pegando a garrafa;

- Sim, muito.

Ele olha o rotulo da garrafa. Mas os irrigadores do jardim chamam sua atenção, na verdade a nossa, pois ligaram todos de uma só vez;

- Que foi isso? – Adrian pergunta de olhos arregalados.

- Rsrs, os irrigadores.

- Você tem jardim? – Ele segue para a porta.

- Tenho.

Adrian abre a porta, mas por estar tarde, as luzes estavam apagadas;

- Pode ligar? – Ele pergunta ainda na porta.

- Sim, estou procurando. – Falo procurando os interruptores certos.

- Não sabe como liga as luzes do próprio jardim? – Ele sorri.

- Cala a boca! Achei.

- Puta que pariu! – Adrian desce os degraus. – Mano que foda.

- Cuidado aí, vai se molhar.

- Quem projetou ele?

- Minha mãe, era um robe da dona de casa.

Adrian vai seguindo o Deque molhado dos respingos de agua. A madeira iluminada com algumas luzes, em uma passarela de quatro metros, um espelho de agua a esquerda, também com iluminação especial, e um degrau levando a um Lounge, com um banco de madeira extremamente rustico ao meio servindo também de mesa de centro, e outro atrás com almofadas bem aconchegante, um sofá na verdade, ao lado direito um portal formado por quadro estruturas de madeiras finas dando assim o sentido de altura ao local.

No fundo pequenas palmeiras com folhas bem verdes completando a paisagem interrompida pela casa do vizinho.

Adrian vai seguindo e falando até poder se sentar, como o sofá com as almofadas ficava ao “relento”, a Silvia tinha que fazer sempre a limpeza.

Ele nem perguntou se estavam limpas, tirou os sapatos se sentando;

- Nossa nem perguntei se poderia.

- Tudo bem, fica à vontade... Nossa você bebeu quase toda a taça em dois minutos? – Aponto para sua bebida.

- O vinho é maravilhoso.

Coloco a garrafa no banco a frente e me sento, deixando o chinelo de dedos e me encosto nas almofadas;

- Vem sempre aqui? – Ele deita também, se acomodando.

- Eu perdido com as luzes não te respondeu?

- Haha, verdade. Desperdício ter um paraíso desse em casa e não contemplar Stefano, mancada da sua parte.

- Dante fazia isso todos os dias. O meu paraíso inclui um fogão e panelas de teflon.

- Rsrs. Eu vi sobre ele na TV, está passando por um péssimo período. – Adrian se apoia em um dos braços me olhando.

- Sim, e as coisas só vão piorar, meu advogado vai entrar com processo de indenização.

- E você não quer? Acertei? – Ele olha com aquele sorriso indiscreto.

- Não, porque nossa separação, coloca, a casa, o restaurante a Tropicale e a corretora, todos em mesa para serem divididos.

- O Restaurante. – Adrian aperta os lábios, erguendo as sobrancelhas.

- Vamos vender a casa e fazer a proposta de eu abrir mão da corretora, talvez assim ele me deixa com o restaurante.

Adrian se senta, servindo mais vinho para ele;

- Sabe que isso não vai acontecer né? – Ele exclama.

- Sim, eu sei.

Segurando minha mão com a taça ele me serve mais um pouco;

- Sorte a sua que não é ligado em redes sociais Stefano.

- É Lívia me conta sobre a quantidade de pessoas que estão falando.

- Virou discussão Stefano. As pessoas estão falando sobre isso, você, ele. Não é o primeiro a registrar agressão doméstica, mas o primeiro a vir a mídia.

- No restaurante eu tenho que literalmente me esconder na cozinha, chego mais cedo e saio mais tarde, por causa dos fotógrafos. Recebi notificação do condomínio de estarem atormentando os vizinhos. Telefones da casa a Silvia tirou do gancho, e celulares com bloqueios de chamadas. Lorena está louca, pois o telefone do restaurante não chama mais para reservas, a quantidade de jornalistas é imensa.

- Eu te entendo completamente. – Ele se senta novamente.

- Não consigo, é muita exposição.

- Você se acostuma.

- Não, eu acho que não.... Me fala você, como foi no Rio? – Encosto em seu braço.

- Realizei um dos sonhos do meu velho, precisava passar por aquilo. – Adrian diz segurando a taça com ambas as mãos.

- Não assiste, mas era o assunto dos meus cozinheiros hoje, rsrs.

- Todos heteros seus funcionários? – Ele pergunta com a cara lerda.

- Sim, não, tem a Lorena, mas que tipo de pergunta é essa?

- Queria saber ué, então lá não tem ninguém que dê em cima do Chef.

- Não, há respeito.

- Desculpe.

- Não, tudo bem. Na verdade eu vou demorar e muito para ter alguém. – Movimento a taça com o restante do vinho. – Sinceramente não quero mais ninguém.

- Você está errado.

- Como assim estou errado? – Me sento rápido.

Isso faz com que o pouco que tomei do vinho, suba direto para a “cabeça”, me deixando zonzo por um momento.

- Precisamos de companhia, alguém para confiar. Sorrir, conversar, estar junto sabe.

- Tenho amigos que são tudo isso. – Falo provocando ele.

Adrian vai direto no ponto fraco;

- Amigos como o Bruno?

Eu demoro para responder, e então aperto seu braço;

- Como você.

- Me considera um amigo? – Adrian apoia o rosto na mão direita, passando nos cabelos, e me encarando com aquele olhar fixo.

- Sim, você não?

- Eu... Sim... Sim. – Ele responde sem “firmeza”, sem “força” nas palavras.

- Nossa que “Sim”, mais sem graça.

- É que para mim, você está a passos de ser somente um amigo.

Coloco a taça na mesa e passo os dedos nos olhos, fixando o olhar, ele sabia que eu iria brigar;

- Adrian escuta, tem que tirar isso da sua cabeça, não vai rolar nada entre a gente. Nunca.

- Nunca é uma palavra muito forte Stefano. – Ele coloca sua taça ao lado da minha.

- Forte ou não é a palavra certa, é a palavra para que não haja esperanças da sua parte. E outra você namora, não pode trair a confiança de uma pessoa assim por aventuras.

Ele sorri, dessa vez, um sorriso sarcástico;

- Entendo que não queria nada comigo. Mas está um julgando errado.

- São mais de meia noite, e você está comigo, ao invés de estar com ela.

- Natalia foi contratada, ela é o que chamam de “Escort”, no brasil chamamos de acompanhante de luxo. Ela é paga para ser minha namorada para as câmeras na verdade.

- E isso funciona?

- Creio que sim, pois você acaba de me julgar infiel por causa dela, não é verdade?

- Você que não me disse. – Empurro ele. – Mas isso não muda nada.

- Em que não muda? – Adrian bebe o resto de vinho de sua taça.

- Nas suas fantasias, não se faça de besta.

Eu estava com uma das pernas no sofá e outra no chão, ele com ambas no chão, bem próximos e ele e me olhando.

Foi a primeira vez que vi ele tentando seduzir, era como automático, seu pescoço deixando sua cabeça mais ereta e queixo alto, dentes e língua a mostra, se confundindo um e outro;

- Acho que esse vinho foi o mais forte que bebi. – Ele sorri.

- Porque? – Minha boca mal se fecha e ele me dá um selinho. – ADRIAN.

Eu falo, com ele ainda de dentes e língua a mostra. Adrian avança sobre mim, deitando sobre as almofadas, para me prender ele coloca seu corpo sobre o meu.

Eu fazendo “não” com a cabeça, e ele se abaixa, meio que cheirando meu pescoço. Seus braços descem me envolvendo. E sinto seu rosto no meu. Me forçando a cheirar seu perfume.

Sua mão esquerda desce pela minha perna que se encaixa nele, que deixa seu rosto no meu, me encarando, sentindo o calor da sua respiração e a força do seu corpo. Minha mão estava meio que afastando seu corpo, com o cotovelo apoiado no sofá e a mão aberta em seu peito.

Ele me beija novamente, dessa vez sinto sua língua, e sua respiração alta e forte, minha mão sente o seu coração acelerar.

Seus lábios com gosto de uva muito forte, se afastam e de olhos fechados ele fala;

- Não consigo. Não me controlo perto de você, foi mal. – Quando as duas últimas palavras saem ele abre os olhos.

Eu tinha consciência de dar um passo, o mais “curto” possível nessa direção era irrevogável. Um erro.

Minha mão o solta, mas Adrian não aproxima, ele estava se segurando também. Então beijo sua boca, eu tenho que me aproximar um pouco, e ele sem se mover responde com seus lábios.

Então seus braços envolvem mesmo meu corpo, me pegando com força, sinto todo o seu corpo no meu, suas coxas, seu membro, os músculos se seu braço próximo ao meu rosto.

Isso no beijo mais profundo que tivemos, pois senti toda sua língua, sua boca, dentes, suas mordidas em meus lábios, descendo até meu queixo, indo até a orelha, me fazendo me contorcer de desejo, e descendo até meu pescoço.

Só assim para eu “acordar”, meio que meu corpo se fecha para o que ele estava fazendo, coloco as mãos nele falando;

- Adrian! – Chamo sua atenção.

- Que foi? Te machuquei? – Ele olha de cabelo bagunçado.

- Não. É que.... Não dá.

- Tudo bem. – Ele fica de joelhos, arrumando a blusa.

Eu me sento arrumando meu cabelo, e ele ajeita sua calça, até porque estava excitado;

- Me desculpe.

- Não tem que se desculpas Adrian.

- Quer que eu vá embora?

Não respondo verbalmente, mas sim acenando com a cabeça.

Ele passa a mão no meu cabelo que estava ainda desarrumado e se levanta.

Fico ali, sentado vendo ele ir embora, Adrian liga seu carro o escuto saindo, e então braço uma almofada.

Me culpando pelo que eu havia feito. Ultimamente eu tinha muito isso, me julgava por pequenas atitudes, como se eu fosse o culpado sempre, em todas as vezes. E por tudo em que eu vivia.

Já era quase uma rotina minha chorar, por coisas que eu não poderia prever, ou controlar.

Fui para o meu quarto dormir, pois meus pais chegariam na manhã seguinte, e eu tinha que deixar pouco do psicológico para suportar eles falando na minha cabeça.

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