• @richardsongaarcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 19

E liga, deixa o celular no viva voz para meu medo;

- Fala amigo? – Bruno responde.

- Oi, esta onde? Preciso falar com você.

- Se eu falar você não vai acreditar...

- Onde?

- Virando a esquina da ta casa.

- Hum que ótimo.

- Tem café ainda né?

- Tem, claro que tem. – Stefano responde alto.

- Abre a porta do chegando.

Eu com as mãos no rosto já, ele desliga o telefone e falo puto;

- Você é maluco! Eu vim aqui te consolar e você vai me foder.

- Vamos colocar as cartas na mesa Adrian, isso está errado, e vamos... – Antes de ele terminar de falar, a buzina soa.

Eu sentei na mesa, pensando, pronto, FODEU!

Escuto a conversa, e ele entrando, Bruno aparece e me encara, sem surpresa da sua parte, somente exclama;

- Que ele faz aqui? – Aponta para mim.

Que estava sentado, de perna cruzada, com a mão na boca, me tremendo de raiva por dentro, era muita falta de vergonha na cara.

- Senta aí. – Stefano puxa a cadeira.

Eu sentado na ponta da mesa, Bruno se sentou a duas cadeiras de mim;

- Serio amigo, que o Adrian faz aqui? – Ele dessa vez pergunta sério.

- Por isso Bruno.... Desbloqueia para mim. – Stefano pega meu celular.

Não sei se a cena lhes deixou sem graça, mas eu fiquei mega constrangido, pois quando entrego o celular na mão de Stefano, ele encosta na tela deixando meu pau com zoom.

E acham que ele mudou? Não. Esticou o braço na cara do Bruno.

Mas o melhor do dia foi ele, nosso ator da Globo;

- Vai ficar mostrando nossa intimidade para as pessoas agora é Adrian? – Ele me encara, fala bravo comigo.

De orelha e sobrancelha em pé, pensei que ele estava tirando com a minha cara;

- Corta a cena Bruno, ele leu a conversa, já sabe de tudo.

Stefano deixa o celular, que eu pego e bloqueio;

- Bruno tem ideia que isso é crime? Você pode ir para a cadeia.

- Amigo eu fiz sem pensar, e quando vi já tinha gravado. Então mostrei para o Adrian, pensei que ele tinha curtido, pois pareceu assim no dia....

- Eu estava caindo literalmente em overdose, como estaria curtindo? – Interrompo ele, já puto.

Bruno apela e pega nas mãos de Stefano;

- E sabe que não resisto a caras assim, quando ele viu ficou furioso. Eu todo perdido e com medo. – Acreditam que ele estava quase chorando. – Aí ele veio e perguntou o que eu queria, então pedi algo em troca.

- O que? – Ele me pergunta.

- Que eu saísse da festa de casamento do meu ex treinador com ele.

- Eu não fiz por mal.

- Você saiu?

- Claro, ele é louco. – Gesticulo com as mãos.

- Mas foi só isso? – Stefano pergunta a Bruno.

Ele estranhamente fala a verdade, gesticula que não com a cabeça, dizendo não ser só isso.

Eu esperava outra mentira na verdade;

- Só me diga que não pediu dinheiro Bruno.- Stefano se encosta na cadeira.

- Pedi.

- Não to acreditando nisso. – Stefano passa a mão no rosto.

- Cinquenta mil Reais. – Falo, em alto e bom tom, pausadamente para que não sobrasse dúvida.

Stefano se levanta, mais puto que eu;

- QUE? Onde colocou tanto dinheiro Bruno? – Ele grita.

E então vem a surpresa, para todos ali;

- Para o Dante.

- Oi? – Exclamo.

- O que disse?

- Perdão Amigo, a única coisa que eu fiz, foi investir o dinheiro. Eu juro que não iria pedir mais nada para ele, até apaguei as fotos, olha, pode olhar no meu celular.

Stefano volta a sentar, e encarando o Bruno fala;

- Quando chegou de viagem, eu te emprestei cinco mil reais. Semanas depois você voltou e eu entreguei 8 mil reais, você disse que estava precisando para sua família e que um patrocinador iria te depositar. O que o Dante tem a ver com esse dinheiro?

- Eu investi, e logo depois de um tempo iria devolver, tudinho, eu juro. – Ele diz me encarando.

- Ah vai, Bruno você vai devolver tudo pra ele, e com correção, e mais, vai sumir com essas fotos e vídeos e sei la mais o que fez. Somos amigos desde criança, e assim como tem podres do Adrian, eu tenho seus. – Stefano pela primeira vez desde de que o conheci, falou com raiva, a uma pessoa.

- Eu vou, eu vou. – Bruno confirmava com a cabeça para ele e para mim.

Depois do que eu havia assado com esse tal Bruno, não acreditei em uma palavra. E acho que vocês também não.

- Ah! Tenho que ir. – Falo pegando minhas coisas. – Vim só para conversarmos. – Me levanto.

- Te acompanho. – Stefano fala dando a volta na mesa.

- Tchau Adrian. – Bruno diz, mexendo no cabelo.

Eu nem respondo, cara mais estranho.

Saímos, com o sol bem forte já, ainda pela manhã. Eu me viro para despedir de Stefano que estava um degrau acima de mim na escada, protegendo seus olhos do sol;

- Obrigado por... – Gesticulo com a cabeça para dentro.

Ele abre um sorriso e diz;

- Não há de quê.

Ele ainda com a mão alta, eu avanço e abraço Stefano, ele desce lentamente as mãos, uma em minhas costas, e a outra no meu cabelo, acima da nuca, sinto seus dedos entre os fios.

Minhas mãos entrelaçando seu corpo, sei que não é hora para tal comentário, mas eu segurei seu tronco, sentindo sua cintura, e seu cheiro por completo.

- Obrigado por ter vindo, foi inesperado e muito agradável sua visita. – Ele fala aproximando o rosto.

Posso estar enganado, mas Stefano me cheirou aquele dia, assim como eu.

O soltei descendo os degraus, e vou para o meu carro, ele fica lá, parado me olhando, ligar a chave e sair.


#Stefano



O carro de Adrian sumiu de vista no final da rua e eu entro, fechando a porta.

Ainda tinha que falar na cabeça do Bruno. E por falar nele, me vê entrando na cozinha e já vem me enchendo;

- Diz que não está bravo comigo? – Ele fala limpando os dedos, e com a boca cheia.

- Não to bravo, to puto, e morrendo de vergonha. Porra Bruno, serio isso? – Me sento na frente dele novamente.

- Me perdoa Stefano, vou devolver o dinheiro dele, como disse foi no impulso, e também estava com medo, acha que dormi esses dias?

- Dante sabe de onde vem esse dinheiro?

- Não.

- Não diz.

- Tudo bem. Agora me fala você, o que ele fazia aqui? – Bruno se serve de algumas frutas.

- Patrocinamos o Adrian, e acabamos ficando próximos, só isso.

- Amigo, Lívia patrocina ele, você só é o dono da porra toda! E não preciso dizer que ele é um partido e tanto.

- Comentário desnecessário agora Bruno.

- Desculpa. Agora vamos, vai, vai se trocar. – Ele levanta com um kiwi nas mãos.

- Vamos para onde?

- Vou te levar para o restaurante.

- Não vou trabalhar hoje.

- Sua irmã mandou eu te levar, e colocar você dentro daquela cozinha, para gritar com aqueles cozinheiros. Isso distrai sua cabeça e você não fica em casa esperando a decisão do juiz.

- Vou ficar em casa, esperando a decisão sim do Juiz, Bruno.

- Amigo, você só vai sofrer mais. Já sabe que será decidido, vão mandar ele manter uma distância de no mínimo 400 metros de você. E outra, o advogado do seu pai já ligou para ela, dizendo estar na delegacia. Vai me perdoar Stefano, mas Dante vai pagar, e da pior forma.

- Eu sei.

- Ótimo que sabe. Agora vai se trocar, seu restaurante precisa de um Chef. Que eu vou ver se resolvo essa merda que eu fiz. – Ele vem me empurrando para as escadas.

- Ótimo digo eu.

Subo as escadas me trocando, e sim, vamos ao Le’Bianco.

Assim como eu não iria estar lá, eles não estavam me esperando, e quando cheguei, todo mundo me olha de olhos arregalados.

Todos, absolutamente todos me visitaram, desde Lorena a Atila da limpeza e Sandro do bar foram me visitar depois do acontecido, então a surpresa foi que eu não estava planejando voltar a trabalhar hoje.

- Bom dia Chef. – Robson fala arrumando sua praça.

- Bom dia. – Respondo tirando meu boné.

Entro na sala para colocar minha Dólmã, o segurança fica na entrada do restaurante, o Felix, pois não era autorizado ele ficar na cozinha, e a Lorena entra na sala;

- Mas gente, está mesmo aqui. Olha não é querendo te desanimar, mas abre as portas tem fotografo aí de fora atrás de você.

- Como ontem, não tem Chef na cozinha, não irei sair, pode ficar tranquila. – Falo me vestindo.

Chega uma mensagem da Lívia em meu celular;

“- Juiz decidiu que Dante não pode chegar a 500 metros de você. O Dr. Pedro entrou com o processo contra ele.”

Me sentei, respirando fundo;

- Tudo bem?

- Não, nada bem, preciso me destrair.

- Falando como sua amiga, a Lorena! Stefano pega... – Ela entrega meu pano de prato. - E vai fazer a única coisa que você ama mais que eu, rsrs.

- Rsrsrs, só você para me fazer rir. – Digo abraçando ela. – Te amo tanto mulher.

- Adoro que me chama de mulher sabe. Também te amo. – Ela responde no abraço.

Saímos juntos da sala, e ela grita com a cozinha;

- Não temos Chef hoje, estamos entendidos? Bom trabalho para vocês.

Coloco o pano de prato nas costas, Lorena grita a mesma coisa no salão e já vou bravo pra cima dos meninos;

- Para o que está fazendo Robson, desliga essa panela. E arruma essa bagunça, meu Deus, ninguém consegue trabalhar assim. Giovanni, que isso? – Aponto para uma panela de molho que estava de lado.

- Desculpe Chef.

- Jaime... Meu Deus, que corte é esse? – Viro umas carnes na sua mesa.

- Filet mignon Chef.

- Que aconteceu com ele? Não fazemos assim, como montamos o prato com ele desse tamanho... se lembra... olha. – Falo cortando os lados.

Ângelo passava escondido a direita para arrumar a sua praça;

- Fecha a geladeira antes de arrumar sua bagunça Ângelo. – Falo sem olhar.

- É muito bom ter o senhor de volta chef. – Ele grita.

Todos caem na risada, risadas irônicas é claro, rsrs.

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