• @richardsongaarcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 18

#Adrian


Quando acordei na manhã seguinte, foi com algumas conversas no andar de baixo, isso acontece quando minha mãe não está.

A Natalia dormiu essa noite na minha casa, e quando sai do meu quarto, ela estava à frente descendo as escadas, somente de camisola.

Eu desço logo atrás e como sempre a Gabriela em casa, ela veio buscar a Natalia para um compromisso;

- Bom dia. – Falo aproximando delas.

As duas estavam sentadas na mesa, a Margarida servindo ambas, e a TV ligada à nossa frente na Globo News;

“- Para você que ligou agora sua televisão, estamos ao vivo mostrando o Economista Dante Monserrano deixando a delegacia de crimes contra a mulher aqui de São Paulo. É uma das primeiras prisões por agressão domestica sendo o seu esposo o Chef do renomado e premiadíssimo Restaurante Le’Bianco. Depois de passar a noite na cadeia, ele foi liberado pagando a fiança de seis mil reais. Só lembrando a você telespectador, que Stefano Le’Bianco é filho do Desembargador Manoel Palmieri Le’Bianco, que já mostramos na reportagem anterior. Carlos agora quais serão os próximos passos para esse processo de agressão, pode explicar para nós? ”

- Ele foi preso? – Pergunto me sentando.

- Foi, e eu sinto que isso não acaba aí. – Gabriela deixa sua xicara.

- Que horror, não basta mulheres, agora até eles. Onde vamos parar. – Margarida comenta.

- Já emite uma nota em seu nome, mas quero que ligue para a família Adrian.

- Eu já liguei Gabriela... Margarida, onde minha mãe foi parar?

- Ela não dormiu em casa, desde a festa de ontem Adrian.

- Ela não saiu com o filho do prefeito da festa? – Natalia, fala de boca cheia.

- Meu Deus esqueci disso.

Gabriela cossa a garganta, chamando a atenção;

- Que foi?

- Com quem falou na ligação?

- Esquece ligação Gabriela. Vou ir visitar ele hoje.

- Não acho uma boa ideia, ele sofreu agressão da pessoa que ele amava, ou ama, não sei. Tem a vida toda exposta em menos de vinte e quatro horas. Marido preso, é muita coisa na cabeça.

- Não, não estou te pedindo, e sim informando.

- Eu acho uma boa ideia. – Natalia diz.

- Não está mais aqui quem falou, terminou Natalia, temos que ir?

- Sim, vou subir e vestir.

A Margarida tirou a mesa, e eu fiquei com minha xicara de café com leite, falando ao Whatsapp.

Me lembrei que Bruno era amigo de Stefano, e como “bom amigo” era dever dele dar suporte e estar com o cara né.

Ele visualizou a mensagem e me ligou;

“- Então sentiu saudades de mim?

- Ai, não! Está em São Paulo?

- Sim.

- Preciso de um favor.

- Quem diria que esse dia chegaria, Adrian Raul me pedindo favor, eu um simples mortal.

- Vai me ajudar ou não?

- Que precisa.

- Falar com Stefano.

- Oi?

- Sim, falar com Stefano, é seu amigo não é?

- É sim, mas o que quer falar com ele?

- Bruno vai me ajudar ou não.

- Bem, acho que consigo sim. Mas vai ter um preço.

- Qual?

- Eu decido quando ver você. ”

Fiquei o dia em casa, desmarquei todos meus compromissos e nada de Bruno falar nada.

Então eu decidi agir por conta própria, pela manhã iria na casa dele, de Stefano.

E assim fiz, no dia seguinte foi bem cedo, a Margarida estava na cozinha quando desci;

- Vai onde essa hora menino? – Ela me pega saindo.

- Vou resolver uma coisa, já volto.

- Juízo Adrian, Juízo.

- Tudo bem, MÃE.

- Não vai comer nada?

- Depois e como.

Pego a chave saindo, não sei quem me disse onde ele morava, se foi o próprio Stefano, ou ouvi de alguém.

O que sei é que parei as sete e meia da manhã em seu condomínio. Na portaria, quando parei o carro o porteiro abre o vidro, e de cara me reconhece;

- Olha quem! Bom dia Senhor.

- Bom dia, tudo bem? – Respondo com um sorriso.

- Tudo ótimo, em que posso ajudar?

- Meu rei, vim visitar um amigo, mas sei que ele mora nesse condomínio, só não qual das casas.

- Qual o nome? – Ele fala olhando no computador, e colocando o teclado no lugar.

- Stefano Le’Bianco.

Ele morde os dentes e responde;

- Olha as visitas do Senhor Stefano estão sendo consultadas, antes de liberar a entrada.

- Me ajuda ai irmão

- Não sei se posso senhor.

- Torce para qual time? – Falo quando ele pega o telefone.

- Sou Flamengo porra!

- Ótimo. – Viro pegando uma camiseta no carro. – Tem uma caneta?

Ele me joga a caneta que estava apoiada em sua orelha e eu a assino, autografando para ele;

- Olha que presente, ainda não assinei uma dessa, além de valer muito, é muito simbólica. – Falo entregando a ele.

- Meu Deus! Se eu perder esse serviço minha mulher me mata... – Ele diz abrindo o portão. – Se perguntarem diz que foi ver a casa a venda da rua 9. É a branca com acabamento em mármore e vidros gigantes na esquina, casa 61, porta preta.

- Obrigado, você e o melhor.

- Vai lá.

Sinceramente andando dentro daquele condomínio, eu queria morar ali, que lugar foda.

E a casa de Stefano, se eu estiver na correta é uma das mais fodas. Com pé direito muito alta, ela leva a arquitetura clássica com modernidade a risca, pinheiros altos e um jardim desenhado, com uma porta preta gigantesca, as imensas janelas de vidro com as costinhas fechadas, como ela era de esquina era possível ver a garagem ao dar a volta, porém sem carro algum. Com mármore nas paredes até o teto, e acabamento nas escadas também, ela era toda grandiosa.

Aproximando e olhando a casa, nem percebo ele do outro lado da rua, com uma faixa na cabeça, toalha preta no ombro e uma garrafa nas mãos, esperando meu carro passar para atravessar a rua.

A sua posição era contraria a luz do sol, então a claridade estava direto em seu rosto, e ele não percebeu bem quando eu parei.

Desci do carro e Stefano atravessa a rua, isso em uns quatro metros. Eu fico de pé olhando para ele, que só se liga quem é quando sobe na sua calçada.

Stefano passa a toalha no rosto e segue para entrar, eu dou alguns passos em sua direção e falo;

- Por favor me escuta.

Quando eu falo isso, sinto uma mão me segurar, era um segurança, eu fiquei assustado por não perceber ele se aproximar;

- Se afasta!

- Ei, não estou fazendo nada. – Digo com medo na verdade.

Quando falo ele olha, para e olha. Stefano tira a toalha e fala;

- Augusto pode deixar ele.

- Obrigado. – Agradeço ao cara, depois olho a Stefano. – Só quero conversar com você.

- Não temos nada que falar.

- Por favor.

Ele faz que sim, lentamente com a cabeça, entrando. Eu não entendi o sinal, então o acompanhei entrando.

Ele seguiu para a cozinha onde tinha uma senhora passando com algumas roupas nas mãos, ela me cumprimenta e fala;

- Senhor seu café está pronto.

- Obrigado Silvia. Senta Adrian.

- Obrigado. – Coloco a chave e meu celular na mesa de vidro.

- Augusto, servido? – Stefano pergunta colocando a toalha no balcão.

- Obrigado senhor, já tomei meu café. Vou deixar vocês a sós.

O cara sai, e Stefano se serve de um chá, muito cheiroso, era como se misturasse, morangos e flores, as mais perfumadas da natureza;

- Servido?

- Nossa que é isso?

- Chá de Morango.... Aqui experimente. – Ele me serve.

- Obrigado. – Digo assoprando-o.

- Então, você queria falar.

- Obrigado por me receber. Você está bem?

- Essa pergunta é muito subjetiva! Mas vou tentar te responder com toda sinceridade. Não, eu não estou nada bem.

Deixei a xicara, pois percebi que o que eu dissesse, teria que ser com cuidado, pois ele estava sensível;

- Primeiro de tudo que queria dizer, se eu trouxe alguma dor, ou o que aconteceu foi culpa minha, me perdoa Stefano... Me perdoa, não tive a intenção de que chegasse a esse ponto.

Ele deixa a xicara, que subia o pequeno vapor do chá, e me responde;

- No começo, eu coloquei a culpa em você, mas depois percebi que só estava passando ela de pessoa em pessoa. Você, o Dante. Sendo que sempre foi minha, isso chegou a esse ponto por culpa minha, você de certa forma deu uma ajudinha.

- Desculpe, se eu puder fazer algo. Que eu vá atrás dele, e conte toda a história...

Ele ergue a mão e me interrompe;

- Você pode chegar nele e contar tudo, nada vai mudar o que aconteceu, as vezes as coisas são simplesmente como são. Só não sei se merecia chegar a esse ponto para eu poder acordar.

- Ninguém merece Stefano. – Coloco a mão sobre a sua.

Ele retira em seguida, e diz;

- Ele foi preso. Pode perder o negócio que ele sempre se dedicou. Sua carreira e vida pessoal foi por agua abaixo por minha culpa sabe.

- Oi? – Questiono mais sério.

- Sim, estava levando, empurrando com a barriga algo que não tinha mais jeito. Não tive atitude.

Eu me encosto na cadeira, e resolvo abrir a boca, porque na boa, não rola ouvir isso e calado;

- E você? Quem pensa em você?

Ele fica calado, com os olhos nos meus, eles se vão para a xicara, e depois uma mordida de lábios. Eu poderia concluir;

- Você é igual ao meu pai, nossa se parecem muito. Ele também só pensava nas pessoas, amigos, familiares, minha mãe, mas se perdeu em mim. Ele dedicou a vida dele para mim.

- É seu pai Adrian, é o que fazem. – Stefano se levanta, e dá a meia volta ao balcão.

Eu solto um sorriso sarcástico, pelo seu comentário;

- O câncer matou ele... Ele lutou por toda sua vida, para que eu possa ter o que tenho hoje. Ganhar o que ganho hoje, ter o dinheiro que tenho. Mas para que? Não pude ajudar meu próprio pai, o máximo que fiz, foi atender ao pedido dele de morrer em casa, tem ideia o quão isso dói?

- Meus pêsames, não sabia dessa história. – Ele volta a se aproximar.

- Meu pai se dedicou a mim, como você se dedica ao Dante.

Quando falo ele fica meio confuso;

- Você não se compara ao Dante, você fez sua carreira, a morte de seu pai não foi em vão.

- Sou ex usuário de drogas e álcool. Tive uma recaída a poucos meses. Hoje fiz minha carreira com a morte dele. Dante também está fazendo a dele com suas vitorias.

Ele se cala nesse momento. Se senta e segura um pouco, mas desce umas lagrimas de seus olhos;

- Não consigo odiar ele.

- Não precisa, só aprenda a não ser tão bom com as pessoas, a maioria não merece. – Tiro seu cabelo dos olhos.

Ele usa o guardanapo nos olhos e diz, com a voz tremula;

- Obrigado.

- Se te consola eu confio nas pessoas erradas... – Pego a louça que sujei e levanto, deixando na pia. - Uma delas está até me subordinando.

- Mas isso é crime.

- Eu sei. Mas prefiro pagar do que acabar com minha carreira.

Ele fica todo sério, e me escuta;

- É tão sério assim Adrian?

- Sim, e não. Sim porque ela tem provas, e não porque é meio burra sabe.

- Caso Neymar? – Ele fala.

Eu abro um sorriso, e ligo a torneira respondendo;

- Antes fosse, se eu pudesse dar na cara dele.

- Não precisa lavar, deixa comigo. – Ele se levanta.

- Não, relaxa.

- Então é um cara? – Stefano se senta na minha frente.

Eu lavando a louça que lá estava e conversando com ele;

- Sim, mas não quero falar sobre.

- Por favor, já tenho problemas demais, me distraia de alguma forma, rsrs.

- Isso será somente outro problema para você Stefano.

- Como assim?

- Fui filmado, e fotografado nú. – Desligo a torneira.

- OI?

- Sim.

- E o que isso tem a ver comigo?

- Você conhece a pessoa?

Eu volto a mesa pegando meu celular com ele falando;

- Serio? Calma! A que está lhe subordinando?

- Sim.

- Quem é?

- Se importa de me ver pelado? – Falo procurando o vídeo na conversa.

- Não.

O início do vídeo aparece eu deitado, e claro, completamente nu, o desgraçado filma minha tatuagem e rosto, como se eu estivesse dormindo, mas excitado.

Nesse momento ele até ergue as sobrancelhas, e percebo um pequeno sorriso discreto, então Bruno mostra o rosto, e Stefano de sorridente passa a surpreso, de olhos arregalados e boca aberta.

Me entrega rápido o celular;

- Ele fez isso?

- Sim.

- Mentira!

- Olha a conversa. – Falo entregando o celular, com alguns trechos da ameaça. – Por isso disse que ele é meio idiota.

- Não to acreditando. – Stefano fala lendo. – Ele me disse que estava pegando você. Eu ainda fiquei desesperado quando... – Ele me olha todo sem graça. – Quando você me beijou, fiquei confuso, e puto comigo mesmo. Não to acreditando.

- Você quem me beijou!

- Quer discutir isso agora?

- Foi mal. – Stefano pega seu celular. – Ei que vai fazer?

- Ligar para o Bruno, ele vai ter que esclarecer essa história. Ah mais vai.

- Não ta maluco! – Falo tentando pegar o celular. – Com um clique ele acaba comigo.

- Relaxa Adrian. – Stefano vai dando voltas na mesa.

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