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Ele usa Dólmã - Capitulo 17

#Stefano


Fiquei perto do local onde estavam fazendo curativos no Dante, e examinando ele.

Eu estava apreensivo e nervoso, muito nervoso. Eles terminaram e o Dante sai sem falar comigo.

Bem, querem saber a verdade sobre meu ano novo? Foi na casa da minha irmã, porque pelo que eu tinha visto até então, estava separado, o ano de 2020 me trouxe um divórcio, eu até me via assinando a papelada.

Para me ajudar nessa primeira semana do ano meus pais estavam vindo para São Paulo, antes de viajarem ao exterior, e já devem adivinhar na casa de quem ficariam né?

Lívia quem disse para eu dormir na casa dela, na verdade passar a noite.

Logo pela manhã, sai antes do café, agradeci e peguei um UBER até em casa.

Cheguei por volta de sete da manhã, para pegar o Dante em casa, mas na verdade eu iria preferir nunca ter o encontrado aquela manhã.

Para nossa história esse dia foi o dia decisivo, atitudes tomadas por ambos, respigam até hoje.

Quando cheguei, e subi, ele estava no quarto se vestindo, eu apareci na porta e Dante me olha de lado;

- Já teve sua noite de aventuras com o jogadorzinho?

- Não tenho nada com Adrian, sabe disso. Nunca trai você Dante.

- Me poupe dessa conversa Stefano. – Ele fala andando dentro do closset.

- Está melhor?

- Sim, não graças a você. – Ele sempre respondendo com muita raiva.

- Estávamos somente conversando Dante, não houve nada. – Falo me sentando na cama.

- Olha para mim Stefano, tenho cara de idiota? Eu vi aquele clima entre vocês, isso está rolando e não é de hoje, eu deveria ter desconfiado antes, você e a puta da sua irmã, cheios de rolos. – Ele termina de apertar sua gravata.

E pega a maleta do trabalho;

- Vai trabalhar hoje? É dia primeiro. – Falo com Dante passando por mim.

- Vou porque não quero estar aqui enquanto você tira suas coisas.

- Tirar o que? – Falo realmente sem entender.

- Isso mesmo que ouviu. – Ele fala com muita raiva. – Quero que tire hoje suas coisas dessa casa.

- Essa casa é minha.

- Corta essa Stefano, tem somente hoje e nenhum muito a mais.

- Dante... Amor, por favor, vamos conversar. – Falo segurando em seu braço.

- Me solta Stefano. – Ele me empurra na cama. – Estou com nojo de você, acabou com minha vida, foram anos jogados pelo ralo por causa de você.

Me levanto rápido, e gritando com ele, por me acusar;

- EU NÃO FIZ NADA.

Foi meu último grito com Dante, ele me acertou um tapa muito forte, dessa vez eu não cai na cama, o chão me confortou. O golpe foi forte, pesado, e seco, porem o que doeu não foi a agressão, o que mais me doeu foi a atitude de vinda dele.

- Você me traiu.

Com os gritos, a Silvia entra no quarto, me lembro de ela ficar entre mim e Dante;

- Sai da minha frente. – Ele gritava com ela.

- Sai você daqui. SAI.... Ou quer que eu chame a polícia?

- Não intrometa onde não é chamada sua empregada de quinta.

- Empregada com muito orgulho, agora se não sair eu ligo para polícia.... Ou vai me bater também em seu covarde? SAI DAQUI.

Ela berrava dentro do quarto. Eu sentado no chão e Dante sai bufando de raiva.

Na casa a única coisa que ecoava era meu choro.

Ela me abraça calada, só me aperta, e pergunta;

- Ele te machucou? – Ela pergunta olhando.

Silvia passa a mão tirando o meu cabelo do rosto e olhando;

- Te machucou Stefano?

- Não.

- Quer ir ao hospital?

- Não.

Cara eu estava chorando tanto, mas tanto, que ainda não acreditava no que acabara de passar, dentro da minha própria casa;

- Quer ir para a delegacia? Eu vou com você.

- Não Silvia.... Me traz uma agua por favor.

- Senta aqui na cama, senta, vou buscar para o senhor.

Ela me ajuda a subir, e eu deito na cama. Ela sai na verdade correndo pelos corredores.

Acho que Deus age em alguns momentos na vida das pessoas, que na verdade desconfiamos.

Silvia grita lá de baixo que iria trancar a casa, afinal ela é mulher, eu não sei me defender ainda, e estávamos com medo. Mas ela sobe com Lívia.

Minha irmã não diz nada, entra no quarto incrédula, ela me olha chorando e a primeira coisa que pergunta;

- Ele te machucou?

- Não. – Respondo pegando o copo.

- Tira a camisa eu quero ver. – Lívia fala puta, pegando o copo de volta.

- Só acertou meu rosto. – Respondo sem olhar para ela.

Ela afasta, respira fundo olha para o corredor e volta o olhar, isso foi um segundo;

- Coloca um sapato, vamos para a delegacia.

- Eu não quero ir.

- Não estou perguntando, não quero saber, coloca a porra do tênis. Silvia me ajuda pelo amor de Deus, to tremendo de raiva. – Isso Lívia fala gritando e bebendo a minha agua. – Mulher pega sua bolsa, vai comigo também.

Na hora você fica tão perdido com o acontecido, por ser vítima, que não pensa em si, que foi o meu caso.

- Não quero que a mamãe saiba. – Falo no caminho.

- Pode não saber agora Stefano, mas pode ter certeza que isso vai vazar, e vai me desculpar a única coisa que estou preocupada agora é com você.

- Não diga nada agora então.

- Certo.

Logo que chegamos e entramos, eu fiquei sentado, e a Lívia falou com uma moça na recepção, pegou meu documento, e se sentou.

Pensava eu que seria feito um boletim de ocorrência e depois viraria um processo que necessitaria de mim para isso dar continuidade. Mal sabia eu.

Registramos sob um artigo de “Lesão Corporal Leve”, onde está na lei “Maria da Penha”, que se encaixa aos homens e homossexuais. E também no artigo 18 desta lei, onde o Juiz tem até 48 horas para o Juiz deferir a medida protetiva de urgência.

Na parte judicial, o procedimento não importa o que eu faça, o processo irá “andar”, por ser agressão doméstica, eu não sei explicar bem.

Depois de fazer os exames, vem a merda jogada no ventilador, policiais saem com uma ordem de prisão a Dante.

Confesso ter ficado em choque quando fiquei sabendo disso;

- Meu Deus, isso vai além do que imaginei. – Falo entrando no carro da Lívia.

- Olha não sabia que iriam com mandato atrás dele, ainda mais na empresa. – Ela responde.

- Ele merece, homem que faz isso, não é homem, tem que pagar pelo que faz. – Silvia comenta.

Depois de tudo, da bagunça, do desentendimento, e da delegacia a Lívia começa a chorar, ela entrou em crise dentro do estacionamento, no carro;

- (...) Eu queria estar lá pra te proteger... Me perdoa... Eu te amo tanto.

- Ai gente, calma, eu estou bem Lívia.

Abraço ela que estava aos prantos, depois de se recompor saímos indo para casa dela.

Bem próximo, no caminho eu pergunto;

- Lívia, como isso irá repercutir?

- Não sei, realmente não sei.

- Tem a Tropicale né?

- Stefano, eu penso em você primeiro, depois nas consequências de algo assim.

O tempo de chegarmos, foi aproximadamente cinquenta minutos, foi o tempo de prenderem o Dante.

E uma hora e meia depois, a notícia estava em todos veículos de fofoca.

Meu Deus, como viralizou rápido. Depois de a história chegar na mídia, que meus pais ficaram sabendo.

Falei com minha mãe e meu pai ao telefone, foi um dos poucos que atendi ligações;

- (...) Ai quando chegamos recebemos a notícia mãe.

- Vou ver se consigo ir antes da data para São Paulo, seu pai vai ligar aqui, mas você está mesmo bem filho?

- Sim, mãe.

- Assim que ele me falar, te aviso, tudo bem.

- Tudo bem mãe.

- Calma seu pai quer falar algo... Fica com Deus, eu te amo Filho.

- Também mãe.

- Stefano!

- Oi pai!

- Meu advogado chega em duas horas em São Paulo, vai ficar por conta de você ai...

- Pai não precisa...

- Escuta! Eu pago ele para defender essa família, e pago muito bem! Já falei com sua irmã, ele vai fazer tudo que mandarem, está entendendo?

- Sim, pai.

- Vou ligar, ver se consigo adiar minha viagem, e sua mãe avisa.

- Vou ficar esperando.

- Tudo bem, fica com Deus.

- Amem.

Dante pagando fiança levaria por volta de 6 horas para sair da delegacia, mesmo com um bom advogado.

Para evitar encontros, fui em casa, pegar algumas coisas, e arrumar outras.

Quando volto para a casa da Lívia, Lorena me liga, querendo ir me ver. Explico para ela onde estava e tals.

E adivinhem? Me aparece a turma toda do restaurante, foram uns fofos, se mostraram dispostos a ajudar, caso precisasse, e aproveitei, para deixar o Giovanni preparado, pois eu iria ter que passar alguns dias fora.

Amigos vieram também, outros ligaram. Como Adrian, pois é.

Lívia estava na cozinha quando vem com o celular na mão;

- Adrian está na linha, perguntando se pode vir aqui em casa. – Ela fala escondendo o fone do celular.

- Não.

- Porque?

- Eu não quero ver ele.

- Que eu falo?

- Que estou mal, e não quero ver ninguém.

- Adrian, ele está mal ainda, não está recebendo ninguém.... Tudo bem! Ok.. Obrigada.

Ela desliga e fala;

- Ele disse que quando estiver melhor, para eu ligar, ele quer vir aqui te ver.

- Eu não quero ver ele, ver ninguém na verdade.

Foi terminar de falar e Bruno chega. Conversamos muito, eu fiz janta para a gente.

Pois cozinhar me acalma, e era a única coisa que queria fazer, cozinhar e dormir.

O advogado do papai chega, nos sentamos e ele explicou tudo que queria e teria que fazer.

- (...) acho demais isso! – Exclamo.

- Não é não, ele tem que pagar Stefano, continua Dr. Pedro. – Lívia cutuca ele.

- Como estava dizendo, vou entrar com uma indenização moral contra ele, pedir acho que uma indenização de uns 15%. Quanto ele tem no banco, sabe me dizer?

- Creio que uns dez, vinte mil reais!

- Como assim? – Bruno exclama todo assustado.

- Serio? – Lívia faz o mesmo.

- Patrimônio dele está todo na empresa, Dante é obcecado por investimentos, e para ele a reserva de emergência ficava com o Le’Bianco. – Respondo eles.

- Por isso ele ficou tão puto com a abertura da Tropicale. Porque estava usando o dinheiro do Le’Bianco.

- Sim Lívia, foi quando começou toda essa nossa crise.

- Certo, e o patrimônio da empresa sabe me dizer? – O Advogado pergunta.

- Mais de dez milhões de reais. – Digo gesticulando com a cabeça. - Fizemos uma avaliação para a abertura da Tropicale, e ela iria entrar como garantia.

- Ótimo quero indenização de 15% sobre esse valor.

- Oi? – Exclamo.

O cara era mais louco que meu pai;

- Não abro mão. Caso contrário irei penhorar a corretora e vender para que possa ser paga a indenização.

- O que o senhor disse? – Falo boquiaberto.

- Eu gostei dele. – Lívia fala rindo.

- Gente, não quero que chega a esse ponto, vamos com calma. – Gesticulo com as mãos.

- E como funciona a separação doutor? – Ela pergunta.

- Calma, não, espera ai! Separação Livia? – Eu me levanto muito bravo.

- Sim, vai continuar casado com ele por acaso?

- Fui agredido pela pessoa que eu amava, perdi minha casa, ele está na cadeia agora, e quer que eu pense em separação? Indenização? Eu não quero dinheiro, nunca quis.

Literalmente grito com todos. Deixei eles que pareciam um bando de urubus e saio no corredor, até o quarto onde estava, a única coisa que se ouviu foi o bater da porta.

Eu tenho consciência que ele tem que pagar, que foi errado o que fez, mas não queria pensar nisso, não agora.

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