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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

Ele usa Dólmã - Capitulo 15

#Stefano Le’Bianco


Depois das festividades do natal, vamos de volta ao trabalho né, e quem diria, que esse fim de ano para mim, seria uma avalanche de “novidades” para melhor e claro para pior.

Seguindo minha rotina em casa, cheguei do treino da academia, e subi para tomar meu banho, como eu dei férias a Silva de duas semanas, para ela visitar a família, tinha que preparar o café para o Dante, e para mim é claro.

O dia já estava quente logo cedo, eu não me sequei direito, e coloquei uma roupa de “casa mesmo”, para descer.

Descendo as escadas meu celular desliga, tive que voltar e colocá-lo no carregador, aí sim vou até a cozinha.

Começo a preparar algumas coisas, e olho por cima do balcão, vendo o Dante entrando em casa, ele havia ido buscar o jornal, como a Silvia fazia toda manhã, a tarefa estava com ele.

Sem olhar por onde estava andando, vidrado nas páginas aberta, ele se aproxima;

- Bom dia. – Digo olhando ele.

- Você saiu na terceira página! Quer dizer, o Le’Bianco saiu!

- Que? – Puxo com força.

- Ei.

Era a crítica, me faltou ar na hora que vi o nome do meu restaurante lá.

“Le’Bianco surpreende critico com simplicidade”

Era a manchete da notícia, o crítico escreveu um trecho que dizia o seguinte;

- (...) Sempre me vejo analisando e focando nos pratos principais, em toda a minha carreira, e essa oportunidade que ofereci ao Chef Stefano, foi de me trazer um prato diferente do seu cardápio renomado. O prato assinatura da casa, o Risoto de Camarão ao Queijo Brie, sempre formidável e de sabor acentuado, sinceramente a crítica estava escrita antes mesmo de eu entrar no restaurante naquele dia, como de costume, recebo uma sobremesa de cortesia. E essa cortesia que se resume essa crítica, a uma folha de erva cidreira na verdade, que me mostrou outra perspectiva de sabor (...)

Não consegui terminar de ler, o Dante pega novamente o jornal, e comenta;

- Não me lembro desse Zabaione.

- Você já provou ele amor. – Falo colocando o café no balcão.

- Porque essa crítica positiva então?

- Não foi eu que fiz.

Ele pega uma xicara e fecha o jornal, e me olhando;

- Stefano como assim, você não cozinhou para o Crítico?

- Não, foi o Robson.

- Colocou a sua carreira e o seu negócio na mão de um favelado?

- Eu cortei minha mão no dia, e não conseguiria entregar ambos pedidos, ele me ajudou e mudou a receita.

- Demite ele.

- Não é assim que funciona Dante.

- Stefano, me escuta ele é um funcionário, e desobedeceu a ordem... O que? Mais importante da cozinha?

- Dante, ele errou, e foi para melhor, aconteceu, já conversei com ele, essa história acaba aqui.

- Não, não acaba, você vai demitir esse moleque Stefano. Sabia que com uma testemunha ele pode te processar por essa crítica, tem seu nome aqui, não tem o nome dele, e o cara fala do que ele cozinhou, não você.

- Eu vou resolver isso.

- Que ótimo, não me deixe perder mais ainda a paciência.- Dante fecha o jornal seguindo para a escada.

- Não vai tomar seu café?

- Não. – Ele fala subindo.

Aproveito a deixa de Dante e vou para o trabalho, primeiro tinha que falar com Robson, e segundo, criticas deixam o restaurante lotado.

No caminho eu recebo mensagem da Lívia, um áudio até gritando de tanta alegria. E falando da crítica.

Quando cheguei, os meninos estavam com jornais e tomando café na mesa, ao canto da cozinha, eu olho, cumprimentando e olho procurando o Robson;

- Leu as notícias Stefano? - Lorena pergunta.

- Sim, parabéns pessoal. – Falo deixando o casaco.

- Parabéns a você e o Robson Chef. – Giovanni diz.

Quando ele fala o Robson entra, os meninos todos sentados na mesa, eu e Lorena de pé, todo mundo encarando ele, que ficou imóvel;

- Que foi?

Lorena aproxima entregando o jornal a ele, Robson abre, e começa a ler.

Era perceptível que ele estava nervoso e confuso;

- Mas isso é bom, não é? – Questiona ele me olhando.

- É muito bom. Parabéns.

- Obrigado.

- Vem aqui pupilo do Chef. – Lorena abraça ele.

Eu sei bem como é receber uma crítica positiva, é revigorante ter o trabalho reconhecido, ainda mais na idade dele;

- Bem pessoa, sabem o que isso dignifica né? Muito mais trabalho... Robson, preciso conversar com você no fim do expediente.

- Tudo bem.

Com o início dos trabalhos, todos estávamos conversando e contando da noite de natal. Com famílias e amigos. Algo durante a conversa deles me chamou a atenção, foi Giovanni contando, que Lorena passou o dia natalino com ele, junto o Robson.

Não questionamos é claro, da família dos meninos, de Lorena eu tinha conhecimento, mas Robson ainda não.

Bem Giovanni parecia que previa nosso dia de trabalho, pois de dentro da cozinha, era possível, ouvir o telefone sem para de tocar, na recepção.

Robson vai até a Lorena, para informar que iriamos começar as preparações e ela manda ele dizer o seguinte;

- Chef ela mandou dobrar a quantidade de pessoas passada mais cedo. – Robson retorna à cozinha.

Encaro o Giovanni que diz;

- As preparações tem que começar, pelo menos para não atrasar os primeiros pedidos, Jaime, Ângelo e Robson vocês ficam com as Mise en Places, que eu e o Chef vamos aos preparativos.

- Fechado.

Nossa como trabalhamos, pessoal saia arremessas e arremessas de pratos, de dez que a cozinha liberava, cinco era a combinação minha e de Robson falada pelo crítico.

Receitas seguidas à risca, como ele mesmo havia descrito.

Eu mesmo fui comer depois que o “boom” do serviço havia passado, eu e Giovanni revezamos, enquanto um almoça outro comanda a cozinha.

Eu estava sentado com a Lorena na mesa no canto da cozinha, ambos almoçando, e o Dante entra.

Eu olhei estranhamente e ele fala ao Jaime;

- Onde está seu Chef?

- Almoçando... – Ele responde apontando o dedo.

Eu empurro meu prato e pego a taça do vinho, que havia somente mais um gole, viro olhando ele se aproximar.

Lorena se levanta pegando seu prato e fala para ele;

- Não pode entrar aqui sem touca.

- Não falei com você. – Ele responde se aproximando. – Oi.

- Oi. – Respondo estranhamente. – Já almoçou?

- Sim, e você resolveu aquele assunto?

Eu fiquei sinceramente, sem acreditar no que escutei da boca dele.

- Não saiu do seu trabalho para vir aqui, para isso né Dante?

- Resolveu Stefano? – Ele coloca ambas mãos na mesa.

Quando ele fala isso, os meninos na cozinham olham, meio que disfarçado, pois ele estava fazendo uma cena;

- Dante isso é coisa minha.

- ROBSON! Quem é o Robson? – Ele grita dentro da cozinha.

Abaixo a cabeça na mesa, só de pensar na merda se formando;

- Eu. – Ele responde deixando o que estava fazendo.

- Robson, deixa. Dante vamos conversar na minha sala? – Falo me levantando.

A Lorena já conhece, e fica de pé atrás de nós, próximo a porta do salão;

- Pelo jeito seu chef não falou com você. – Dante diz a ele.

- Falou o que? – Robson questiona me olhando.

- Está demitido.

- Dante cala a boca. – Falo com muita raiva.

- Não trabalho para você não moço, sou funcionário do Chef Stefano, eu nem te conheço. – Robson responde. – Se ele quer me demitir, ele mesmo pode falar comigo.

- Viu, isso que dá tratar empregado da forma que você trabalha, não tem respeito de nada. Agora está vendo como é Stefano, essa gente não tem jeito, você não pode ficar dando prato cheio não eles merecem migalhas.

Ele estava muito alterado, e falando alto, então a Lorena interviu;

- Dante peço que saia da cozinha!

- Não gosto de você, não fala comigo beleza... E então Stefano vai colocar ele na rua ou não?

O Felix entra na cozinha, ele é o segurança do restaurante, e por incrível que pareça, é amigo de Dante;

- São meus funcionários, eu trato eles como eu quiser, e eles trabalham para mim, não para você. Dante não pode entrar aqui e mandar, eles não te respeitam, mas você sim tem que respeitar, porque não manda aqui.

- Se não sair, irei mandar lhe tirar a força. – Lorena repete.

- Você não está vendo, mas está me perdendo aos poucos. – Ele diz baixo me encarando.

Dante sai da cozinha, acompanhado por Felix;

- Não toca em mim. – Ele fala ao passarem da porta do salão.

Senti um aperto no coração, quando ouvi aquelas palavras de Dante. Podem pensar o que quiserem, mas existe um peso sentimental, e de certa forma me incomodam muito, muito mesmo. A única coisa que eu queria, era que essa “fase” passasse logo.

A cozinha parou com o show dele, assim que saiu, e fiquei imóvel, sem reação, Lorena toma como sempre as rédeas;

- Posso saber o porquê estão parados aí? Tenho cinco sobremesas, quatro entradas e dois pratos principais esperando. Vamos ao trabalho... – Ela grita batendo palmas.

Todos se mexem, até Robson, as palmas de Lorena me acordam, eu entro na minha sala, abrindo a dólmã, ela vem em seguida e fecha a porta;

- Agua? – Lorena pega ao lado.

- Por favor.

Ela entrega uma garrafa de 300ml, eu a viro de uma só vez;

- Posso saber o que aconteceu aqui?

- Dante sutou com a crítica, quando contei para ele que quem fez o prato foi Robson.

- Ciúmes? – Ela pega a garrafa.

- Eu não sei, ele anda muito estranho, as vezes me chama de amor, e as vezes grita comigo.

- A crítica foi positiva, servimos o dobro de pedidos hoje, nem lugar no estacionamento tínhamos. Dante está precisando de férias viu.

- Chama o Felipe para mim, ele tem que estar aqui até as duas da tarde. – Me levanto abotoando a Dólmã.

Lorena fica seria, e me questiona;

- Stefano, por favor, me dê uma razão muito boa para demitir o Robson.

Quando ela fala, eu a encaro, de sobrancelhas em pé;

- Não vou demitir ele, de onde tirou isso?

- Mandou chamar o contador, pensei que era isso.

- Não menina, relaxa.

- Aí que susto. – Lorena coloca a mão no peito.

A cena foi engraçada, de ela questionando, mas me veio uma dúvida;

- Lorena, não me diga que você e ele estão tendo algo?

- NÃO. Está maluco. – Ela abre a porta, fugindo.

- Maluco seria você, já conversamos sobre romance no trabalho, não dá certo, por favor.

- Eu não estou ficando com ninguém não menino, mas gente. – Ela fica brava. – Ta olhando o que Giovanni? – Questiona ao sair da sala.

- Nada, vocês estão todos estranhos hoje. – Ele fala baixo.

- Vou ligar para o Adrian ok. – Lorena fala me olhando.

- Adrian?

- Felipe, Felipe, aff Stefano, me esquece. – Ela entra no salão.

Fiquei com a pulga atrás da orelha, essa história de passarem juntos o natal na casa do Giovanni, as peças se encaixando, pois, ela ficar tão puta com a possível demissão de Robson, não sei, fiquei com isso na cabeça.

Bem os serviços se acabaram, e também fecharam o restaurante. Felipe chegou, e o clima na cozinha era muito estranho, afinal de contas, quando terminamos, sempre havia correria para irem embora.

E todo mundo enrolando, seus afazeres. O Felipe chega, e peço que me espere na minha sala, em seguida, tiro meu chapéu, chamando;

- Robson, preciso falar com você. – Digo quando ele estava com sua roupa de sair.

Giovanni e Jaime que estavam com roupas para irem, aproximam na frente;

- Chef, queremos falar contigo. – Ambos falaram ao mesmo tempo.

A abordagem me pareceu bem intimidadora;

- Sim.

- Sabe que respeitamos muito sua opinião, e suas escolhas, mas pedimos em nome da nossa amizade que não mande o garoto embora. – Jaime fala.

- Ele precisa Stefano, ele realmente precisa desse trabalho. – Giovanni termina.

O Robson na minha frente, os auxiliares atrás, e o Sandro e os outros garçons me olhando.

Passo a mão no rosto e falo em voz alta;

- Acho que houve um desentendimento hoje, e não esclareci para vocês. Ninguém será mandado embora ok. O que Dante fez hoje, peço desculpas, não vai mais acontecer. Preciso falar com o Robson, por causa da crítica do jornal, só isso, não fiquem apreensivos.

Eles pediram desculpas, e se despediram. De mochila nas mãos Robson entra e se senta todo tímido ao lado de Felipe;

- Felipe, Robson, Robson meu contador e amigo, Felipe.

Eles pegam nas mãos, e Felipe questiona;

- Lorena disse que era urgente.

- Sim. Vou explicar. Robson quando acontece o que ocorreu comigo e você, eu tenho que tomar caminhos judiciais corretos. E Felipe me ajuda com isso.

- Não estou entendendo, Chef.

- A crítica foi pela sobremesa que você fez, mas não consta seu nome lá. E sim do Le’Bianco...

- Mas Stefano eu não quero nada não, só de me dar esse emprego me ajudou muito, me deixando cozinhar com você já é o bastante.

- Rsrsrs. Obrigado, mas isso não é escolha nem para mim e nem para você.

- Para compensar o que fez Robson, eu indico você repartir os lucros do seu “feito”, com o Le’Bianco. – Felipe explica a ele.

- Diz como uma parceria? – Ele questiona.

- Sim, cinquenta por cento para cada, de todos pedidos feitos.

- Não dá nem para acreditar, meu Deus... Mas calma, está de acordo com isso Chef? – Ele fala de olhos brilhando.

- Rsrsrs, sim. Robson isso já aconteceu antes, algumas vezes na verdade com Giovanni, mas claro nunca com um crítico. O que Felipe explicou, é que se houver receitas autorais suas, que queria me mostrar, e caso concorde em comercializar, podemos fazer esse tipo de parcerias. Entendeu?

- Sim... caramba eu só tinha lido sobre isso, não sabia que era realmente possível.

- Então, todos de acordo? – Felipe questiona.

Felipe colhe os dados dele para prosseguir com o acordo, e tudo como sempre faz.

Então, dois dias em casa sem o Dante conversar comigo, ele estava me dando um gelo. Um belo gelo na verdade.

Eu estava também, muito focado no Ano Novo do Le’Bianco, e não estava dando muita bola para ele.

Afinal de contas, já estávamos tão mal, digo o casamento, já estava tão difícil.

No dia trinta e um de dezembro, depois de eu chegar da academia, o Dante resolve abrir a boca comigo.

Eu estava comendo na cozinha e ele, desce com sua pasta;

- Estou pensando em contratar um motorista para você, que acha? – Ele pergunta, entrando e pegando um copo.

- Não tenho carro, não tem necessidade, e vou para o trabalho de UBER, e volto com a Lorena.

Ele se senta na mesa e continua;

- Para você parar de depender das pessoas Stefano, da Lorena, de mim, entende. E bom que sirva de segurança também.

Eu termino minha xicara de café, olhando sem entender;

- Segurança? Porque eu precisaria de um?

- Essa manobra de marketing da Lívia vai atrair muito a atenção para você, e convenhamos que você está sempre na mídia né Stefano. – Dante fala pegando uma torrada e passando geleia.

- Escuta, não vou andar com um segurança me seguindo por ai, um motorista eu posso pensar, agora segurança não.

Ele me olha revirando os olhos;

- Saímos que horas hoje?

- Pra onde?

- Ano novo!

- Desculpe, vou estar desde as seis no restaurante, me arrumo lá.

Dante deixa a torrada já puto, limpa os dedos e pega o guardanapo;

- Não quero brigar de novo! Stefano o Ano Novo do Royal Palace, a festa de gala.

- Esqueci dessa festa.

- Mas estou te lembrando. – Dante serve-se de suco.

- Dante, tenho jantar de Ano novo do restaurante.

- Stefano, você me chama para premiação eu vou, me chama para leilão eu vou, para casa dos seus pais eu estou lá, te fiz um convite, pode pelo menos se importar.

- Desculpe.

- Giovanni é competente para comandar o restaurante quando estiver fora. – Ele volta a comer sua torrada.

- Lorena quem manda quando não estou.

- Nunca irei entender o que você tem com essa garota. Tanto faz, só esteja comigo nessa festa, é extremamente importante.

- Beleza.

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