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Ele usa Dólmã - Capitulo 13

Eu desci indo direto para a cozinha, cara, era um sonho de cozinha.

Todos acabamentos em branco nas paredes, e armários pretos, com uma ilha imensa ao meio com um mármore maravilhoso, o porcelanato do chão era até brilhante de tão limpo;

- Meu Deus, preciso urgentemente de uma cozinha dessa na minha casa. – Falo entrando.

- Já lava as mãos e corta aqueles tomates para mim. – Ela fala.

- Gente que maravilha é essa? – Escuto Lívia entrando.

Conversando sobre esses meses sem se ver, falando da família, e novidades.

O fogão ficava na ilha a minha direita, no corredor com armários, na extremidade a minha esquerda a pia e Lívia sentada do outro lado, minha mãe na pia, uma empregada no fogão auxiliando, eu no balcão atrás dela e minha irmã comendo frutas e com o computador no balcão;

- Já me basta o Dante lá em cima, com isso, você não. – Falo fechando seu computador.

- Stefano! – Ela fala brava.

- Guarda isso dona Lívia Le’Bianco. – Minha mãe aponta o dedo para ela.

E ela a língua para mim fazendo careta.

- Dante está trabalhando hoje? É natal. – Ela fala incrédula.

- Disse que tem que fazer algo para a empresa, não quis discutir, vim só para aproveitar e curtir vocês.

- Filho, não é assim... olha, vira ele desse jeito, quando cozinhar a pele se mistura com o molho entendeu. – Minha mãe me ensinando sua forma de cozinhar.

Lívia solta uma risada olhando para mim e minha mãe fala;

- Do que está rindo garota?

- A senhora ensinando ele a cortar tomate. Stefano tem um dos dez melhores restaurantes de São Paulo e mesmo assim não sabe cozinhar para a senhora.

- E você cozinha o que em? – Minha mãe fala.

- Haha’ vai mexer com quem ta quieto. – Tiro com a cada dela.

Até a moça que ajudava riu conosco, fizemos o almoço, eu minha mãe, e Lívia no canto comendo e falando, era muito a figura do papai, ela.

Finalizando as coisas, a moça colocando a mesa, minha mãe nas panelas e eu ao lado da minha irmã, conversando;

- E o casamento em filho?

- Mãe acho que estamos passando por uma daquelas fases de brigas e desentendimentos, não concordamos com nada, e quando estamos juntos é só treta.

- Já passei por isso com o seu pai! Ainda passo, mas no começo foi mais. Vocês conhecem ele, teimosia em pessoa. Chegávamos a nem dormir juntos.

- Sei bem como é, é natal e ele está la em cima.

- Stefano todo natal aqui na casa da mamãe ele nunca fica conosco. – Lívia diz.

- É fase filho, isso passa. Só não pode deixar ele achar que pode tudo, ainda hoje eu e seu pai discutimos. Ele está naquela fase de se sentir incapaz de tudo por estar no início da aposentadoria, odeia ficar em casa, está odiando tudo ultimamente.

- A mesa está posta senhora. – A moça diz.

- Vou ir chamar o Dante. – Digo saindo.

O Natal se resume ao jantar do dia 24, e como família cabe a nós fazermos o jantar.

Assim como no almoço, cozinhamos juntos, mas diferente de mais cedo, Dante estava na sala com meu pai e Danilo.

Eu estava conferindo o peru que minha mãe me deixou preparar e ela no fogão, quando escutamos minha irmã gritar, assustamos;

- AI MEU DEUS.

Eu estava ajoelhado, olhei rápido, minha mãe ficou brava;

- Que isso menina?

- Stefano não vai acreditar. – Ela diz sapateando perto de mim.

- Que foi?

- Adrian Raul foi anunciado como nova contratação do Flamengo! – Ela fala gritando.

Eu fico tipo, sem reação, por não entender sua excitação;

- Que bom né.

- Ai tem ideia do quão isso é importante?

- Não.

- É mais visibilidade, mais retornos para a Tropicale, meu Deus não to acreditando, está em todos os lugares. – Ela fala teclando no celular.

- Quem é Adrian? – Pergunta minha mãe.

Eu abro um sorriso, e Lívia começa a explicar para ela, afinal de contas, já que não fala de cozinha ela de marketing entende.

- (...) É um fofo mãe, e lindo demais... Ei Stefano tem que ligar e desejar Feliz Natal, e Parabenizar pelo novo contrato! – Ela fala me encarando.

Eu vigiando meu Peru e pergunto;

- Ligar para quem?

- Para o Adrian.

- Não.

- Stefano tem que ligar.

- Eu não, liga você. Se Dante souber disso, me mata.

- É trabalho Stefano, tem que ligar. Eu não tenho o mesmo peso, ele vai pensar, que to ligando porque você mandou, pega liga.

- Não Lívia.

- Eu acho educado você ligar. – Minha mãe comenta do nada.

- Até a senhora?

- Vou ligar. – Lívia disca o número.

Mano, tem ideia do nosso último contato, era a única coisa que eu não queria ter, era que falar com o Adrian.

- Rosa fica na porta, se o Dante vir avisa a gente. – Minha mãe fala para a empregada.

Lívia me entrega o telefone já chamando, depois de quatro toques uma senhora atende;

- Boa Noite, Residência dos Moraes...

- Oi boa noite, é Stefano, Adrian se encontra? – Eu falo com dedos cruzados para a resposta ser negativa.

- Sim, um momento por favor. – Ela anda com o aparelho.

Eu começo a andar na cozinha, com Lívia atrás de mim, e minha mãe olhando a gente;

- Filho, telefone para você, um moço chamado Stefany. – A empregada entrega o aparelho.

- Alo.

- Adrian, é o Stefano. – Falo.

- Ah, oi! Calma aí. – Ele sai, escuto barulho de porta abrindo e fechando, diminuindo as conversas ao fundo...

Ele sai de dentro de casa, indo para fora;

- Oi Stefano, tudo bem?

- Sim, tudo sim. Estou ligando para desejar Feliz ano novo...

- NATAL, STEFANO, NATAL. - Lívia me empurra.

- Natal Adrian, desculpa, rsrs.

- Tudo bem, obrigado, para você também. Ei, estava pensando em você a pouco sabia.

- Em mim? – Falo todo curioso.

- Sim.

- Não, como assim?

- A Tropicale, o contrato com o Flamengo, é bom para vocês certo?

- Ah sim, ótimo, aproveitando a ligação e parabenizar pelo feito.

- Eu que agradeço a Stefano por confiar. A renovação do contrato com vocês tirou e muito as desconfianças do novo clube, me ajudou muito, não sei como agradecer.

- Estamos aqui para isso.

- Outro beijo. – Ele exclama, era possível ver seu sorriso, ao dizer.

- Que?

- Agradecer o contrato, talvez queira outro beijo, mas em tapa dessa vez. – Ele diz rindo.

- Como ousa... – Eu olho para elas na cozinha olhando desconfiadas, por eu ficar pilhado no telefone. – Boa noite. – Desligo o telefone.

- Porque falou assim com ele? – Lívia pega o celular.

- Porque ele é um cara mimado e intrometido.

- Quem? – Dante fala entrando na cozinha.

- Adrian. – Lívia responde.

- Concordo, e não quero você de papo com esse cara. Já que a Tropicale é da sua irmã, que ela se vira com esses trombadinhas de favela. – Ele sai com um copo na mão.

- Não vou responder.... Vou respeitar a casa da minha mãe. – Lívia fala olhando para mim.

- Mas ele não é rico? – Minha mãe pergunta toda perdida na conversa.

- Mãe, é doido, ignora. – Minha irmã responde.

Vamos ao jantar, três empregados ajudaram a colocar a mesa, que ficou magistral. Eu que não gosto de fotos, tirei algumas do jantar. Próximo à meia noite, sentamos, e eu fiquei mega desconfortável pôr os empregados ainda estarem ali;

- Vocês já podem ir. – Falo aos três que estavam servindo os vinhos.

A Rosa da cozinha, e dois rapazes;

- Oi? – Meu pai pergunta.

- Eles não vão trabalhar essa noite né? – Questiono arrumando o guardanapo.

- Mas e claro que vão, ganham para isso. E ganham muito bem. – Ele responde.

- Stefano tem isso, faz amizade com as classes desfavorecidas, ele se acha o bom samaritano. – Dante fala.

- Não me faça ser mal educado com você na noite de natal. – Encaro ele. – Os três podem ir, tem muita comida na cozinha, Rosa sabe disso, não precisam ficar aqui.

- Quem vai servir a mesa? – Meu pai reclama.

- Eu sirvo. Podem ir. – Digo deixando o guardanapo e me levanto.

- Pensei que você daria um jeito nele Dante, continua do mesmo jeito. – Meu pai fala.

Não respondo ele, pego os vinhos e termino de servir;

- Tem que ver no restaurante Senhor Manoel, ele que cozinha, tem uns trinta funcionários e Stefano está lá com a barriga no fogão. – Dante responde.

- O Le’Bianco não estaria entre os melhores restaurantes do pais se não fosse ele com a barriga no fogão. – Lívia fala.

Sirvo as bebidas, e enquanto eles aguardavam a dar meia noite, eu vou a cozinha, junto com os meninos, ajudo a montar uma mesa para eles. Estavam tão acostumados com meu pai, que ficaram extremamente sem graça de ter eu ali, ajudando. Deixei tudo organizado, arrumei até um vinho para eles, e voltei a mesa.

Servi o jantar de natal, com a ajuda da minha mãe, e pelo menos por média de uma hora e meia seguimos como uma família “normal”. Com assuntos de parentes, trabalhos e novidades de nossas vidas, o espirito do natal estava conosco.

Dentre alguns anos, começamos a trocar os presentes na manhã do dia 25. E almoçamos com meus pais, pois estaríamos de volta em São Paulo naquela tarde.



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