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©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia

  • Richardson Garcia

Ele usa, Dólmã - Capitulo 12

Fico na porta, olhando pelo pequeno vidro eles, mas me lembro da sobremesa;

- ROBSON.

- Oi Chef.

- O Zabaione?

- Quase, o creme está resfriando.

- Como assim, eu não experimentei, como terminou?

Falo indo até a geladeira, pego uma colher e provo, cinto um frescor diferente, e não era limão;

- Que colocou aqui?

- Ovos, açúcar, vinho, creme de leite e erva cidreira.

- De onde tirou erva cidreira? A receita vai raspas de limão Robson.

- A sobremesa do crítico. – Grita a Lorena na cozinha.

- Tem que fazer outra. – Falo puto com ele.

- Chef, não da tempo, ela tem que esfriar. – Jaime intervêm.

- Tem alguma outra pronta? – Questiono os meninos.

- Não.

- Finaliza. – Com as mãos na cintura falo encarando ele.

Robson decora com os morangos, queima o açúcar com o maçarico e libera a sobremesa.

- Isso aqui não é filme, não se pode inventar ou incrementar na minha cozinha sem minha autorização. – Falo em tom de voz alta com ele no meio da cozinha.

- Eu não sabia sua versão da receita.

- Temos três cozinheiros aqui, e auxiliares que conhecem, você não perguntou a ninguém, simplesmente colocou. Meu nome Robson é estampado lá de fora, a próxima vez que fazer algo do tipo, é rua, está me entendendo?

- Sim, chef.

- Stefano. – Lorena chama na porta. – Ele quer falar com o Chef.

De punho fechado, levo a frente da boca, e tiro o avental, arrumo meu chapéu e entro no salão. Vestido de terno, como se tivesse um cabide nos ombros, ele anotava algo, eu me aproximo;

- Quis me ver senhor?

- Sim, Le’Bianco, já nos conhecemos?

- Sim, Jonas, já esteve aqui antes.

- Ah, me recordo.

- O que achou da refeição?

- Expendida como sempre, esse seu risoto, me lembro de ter experimentado algo igual em Roma.

- Obrigado.

- Mas a sobremesa.... Não identifiquei o limão, tem um sabor diferente.

- Me perdoe por ela, foi colocado erva cidreira.

- Hum, interessante. Obrigado Chef. – Ele faz uma anotação.

- Eu que agradeço.

Antes de entrar na cozinha vejo o carro de Dante estacionar na frente do restaurante e ele desce com o Bruno. Fico olhando até entrarem.

Eu ao lado do bar, Dante sem rindo e comentando algo com ele;

- Amor! – Ele me diz segurando minha cintura.

- Oi.

- Amigo, viemos almoçar, e quero que se sente conosco. – Bruno fala pegando em minha mão.

- Ok.

Lorena que não suporta ambos, preparou uma mesa, por mim é claro. Eu avisei a cozinha e me sentei com eles, que estavam no meio de algum assunto;

- (...) tenho só que entender essa diferença, de Fundo imobiliário e Ação... – Bruno fala deixando o celular na mesa.

- Tem os Fundos de Tijolos, de papel e Fundo de fundos. – Dante responde.

- Nossa me dá um tempo Dante, isso é pior que a matemática da escola...

- Desde quando investe Bruno. – Pergunto.

Lorena chega com um vinho e eu pego a garrafa enquanto ele fala;

- Peguei uns trabalhos, e vou receber uma grana, ai pensei, como acabei de voltar de férias, vou investir esse dinheiro. Você sempre me disse que Dante está bem nesse mercado amigo, decide apostar. – Ele responde olhando ao meu marido.

- E apostou no melhor, só no ano passado Stefano fez com ações quase 26% do valor investido, esse ano seria maior, mas ele resolveu apostar na Lívia.

- Lorena pode ser esse, e mande Giovanni ficar de olho em Robson ok.

- Sim, chef.

- Robson? Novato? – Pergunta Bruno.

- Sim, começou essa semana.

- É bonito?

- Não faz meu tipo amigo. – Digo desdenhando.

- Ai, porque aquele Giovanni eu não conseguiria trabalhar com um homem daquele...

Bruno falando e Dante cossa a garganta, interrompendo ele;

- Que é Dante, não acha ele bonito?

- Não, ele é funcionário do meu marido e é hetero.

- Vi essa manha fotos suas com Adrian, de onde conhece ele? – Questiono.

- Ele é mega famoso né Stefano, e sempre está nas notícias, por ser novo e já ter carreira milionária. E sempre está nas festas da vida. Conheci ele em uma delas. Porque?

- Porque a Tropicalle é patrocinadora dele, e temos contato, e nunca comentou de você.

Dante que estava teclando no celular me escuta e já vem dando mini ataques de ciúmes;

- “Stefano ama ser do povão, não pode ver um funcionário que quer sentar e bater uma quentinha”.

- Do que está falando? – Questiono.

- Você e essas amizades suas, escuta já falei, tem que escolher as pessoas com quem anda. Esse jogador ai, é famoso, mas é patrocinado por você, não tem que ficar de conversa com ele.

- Também acho amigo.

- Você não está falando coisa com coisa. – Falo a Dante. – E você Bruno, concorda com o que ele falou? Conheceu o Adrian mesmo?

- Sim, e foi na festa em que ele passou mal. – Ele fala insinuando algo.

Me calei! Dante não sabia do que fizemos, e eu não sabia se Bruno estava ciente do ocorrido, então o assunto morreu aqui.

Dante não gosta das entradas do restaurante, nenhuma delas o agrada, então eu e Bruno começamos, pelas entradas do cardápio, e ele direto ao prato principal.

- Vão passar o natal onde? – Bruno pergunta, abrindo o guardanapo.

- Adivinha? Na casa dos pais de Stefano, fingindo ser o casal perfeito para eles, e eu sendo falso com eles e eles comigo, por ninguém gostar de mim naquela família, e você?

- Deixa de drama Dante, meu Deus. – Faço careta para ele.

- Casa dos meus pais, aqui em São Paulo mesmo. Vai abrir o restaurante no ano novo?

- Sim, Bruno, tenho que organizar as equipes, vem passar aqui?

- Claro, como todo ano.

Bem como disse, Dante termina sua sobremesa e vai embora, antes de terminarmos as refeições.

Eu ainda sentado no salão com o Bruno, com o restaurante bem mais tranquilo, e o Robson sai da cozinha olhando ao redor, ele me olha, pergunta algo e o Sandro no bar aponta, como se autorizasse ele a entrar.

- Desculpe, com licença. – Ele fala com as mãos juntas. – Chef!

- Sim.

- Já terminei as coisas que mandou na cozinha, quero saber se posso sair mais cedo hoje, tenho que res...

- Pode sim.

- Ele é o Robson? – Bruno questiona.

- Robson esse é meu melhor amigo Bruno. Bruno, meu novo auxiliar, Robson.

Ele pega na mão do Robson fazendo um carinho rápido;

- Prazer.

- O prazer é todo meu gato... Gente você é do Rio?

- Não, de São Paulo mesmo.

- Parece muito carioca, essa cor do pecado.

- Bruno por favor. – Falo olhando para ele.

- Obrigado, bem, com licença. Até amanhã Chef.

- Até.

- Amigo não tem vaga nessa cozinha não? Meu Deus que mulato é esse?

Ele fala para o Robson ouvir, eu confesso, ficar sem graça.

- Ele tem uma cara de mal, essas tatuagens... espera ele cozinha?

- Sim, e muito.

- Ai, que perfeição, é meu número Stefano, ele curte?

- Eu não sei, acho que não. É hetero.

- Amigo, dos anos 2000 para cá, não existe hetero mais, a curiosidade já está instigando essa raça, são Bissexuais e olhe lá. Amei ele, serio.

- Para Bruno, deixa o menino.

- Sim, você está certo, estou de olho em outro gatinho aí.

- Quem?

- Não queria falar com o Dante aqui, mas estou pegando o Adrian.

Chego a encostar na cadeira, tipo. OI?

- Adrian Raul?

- Sim.

- Desde quando?

- Está rolando sabe, mas ele é discreto e fora do meio.

- Ele é totalmente fora do meio Bruno.

- Sim, mas como resistir aquela boca, menino aquilo deveria ser patrimônio mundial, rsrs.

- Idiota.

- Stefano, sua irmã no telefone, peço para ligar depois? – Lorena chega na mesa.

- Sim, estamos conversando, pode dar um tempo. – Bruno fala.

- Não, tenho que falar com ela. – Pego o telefone.

Lorena olha rindo para ele e fala;

- Cobra.

- Tenho que tomar um banho de sal grosso, com tanto olho gordo seu garota. – Ele responde.

- Aproveita e lava essa sua cara de pau.

- Ei, para, vocês dois, mas gente.

No dia vinte e três de dezembro, ao fim do expediente todos se arrumando para sair e Lorena sai da minha sala gritando com todos;

- Ninguém vai embora, vamos fazer uma reunião... - Eu somente olhando ela de braços cruzados. - O chef decidiu que iremos trabalhar no Natal, e teremos evento.

Ninguém fala nada, só se encarando, porque seria ruim demais pra ser verdade, rsrs, eu não aguentei e começo a rir, entregando tudo, ela fica brava;

- Aí Stefano... Gente Feliz Natal, a vocês e a família de vocês, esse ano não tivemos tempo de comprar presentes. - Ela passa seu braço pelo meu pescoço.

- Então decidimos pegar o valor dos presentes e dividir entre vocês, então... Giovanni, Feliz Natal...

Distribuímos os envelopes com uma quantia simbólica a eles, até porque todos os benefícios dos funcionários já haviam sido pagos.

- Pessoal Feliz Natal a todos, as famílias e amigos nos vemos agora dia vinte e seis. - Falo abraçando os meninos.

Cumprimento todos e despedimos liberando minha segunda família para irem para suas casas.

O meu natal sempre foi comemorado na casa dos meus pais, com minha irmã, Dante e o Danilo, filho dele.

Pois dia seguinte eu e Dante saímos cedo, meus pais moram em Brasília e pegamos o primeiro vôo no dia 24, média de uma hora e quarenta minutos estávamos pousando na capital do pais.

Como Lívia estava em Fortaleza e chegou antes de nós, aguardava com o carro alugado no estacionamento.

Levamos as malas cumprimentando eles e Feliz Natal pra cá, Feliz Natal pra lá.

Entrando no condomínio de meus pais, percebemos a grandeza do lugar onde estavam morando;

- Pelo menos os pais de vocês têm bom gosto. – Exclama Dante, percebendo as casas.

Meu pai se aposentou este ano pelo governo, ele atuava como Desembargador, a casa onde moram é um daqueles benefícios oferecidos pelo cargo, minha mãe, passou sua vida inteira como dona de casa. Aliás vai aí uma curiosidade, ela quem me iniciou na cozinha, ela quem me ajudou a descobrir minha vocação.

- É essa aqui, de esquina, de acordo com a localização que a mamãe mandou. – Lívia fala parando o carro.

A casa de dois andares, com acabamento em madeiras e tijolos a mostra, com uma sacada muito linda, um jardim desenhado para o lugar, o padrão correto do condomínio Alphaville de Brasilia.

O carro foi parando e minha mãe saindo, ela desce as escadas toda feliz, e emocionada.

Vou correndo abraçar ela, apertando e sentindo aquele calor e amor só no toque familiar;

- Ai que saudades. – Diz ela me segurando.

- Que bom abraçar a senhora.

- Mãe. – Lívia entra no meio.

Ficamos os três ali uns segundos, se curtindo;

- Cadê o papai? – Pergunto, arrumando o cabelo dela.

- Lá dentro, futebol, conhece seu pai Stefano.

Vou entrando na frente;

- Bom dia dona Elizabete, Feliz Natal. - Dante a cumprimenta.

- Feliz Natal querido, vamos Entre todos...

Ele estava lá, sentado na sua imensa poltrona, assistindo um programa de comentário de futebol. Abraço ele que se levanta para cumprimentar, tanto eu, como Lívia, e os meninos.

- Pai essa casa é imensa só para o senhor e para a mamãe. – Lívia se senta no sofá a esquerda tirando a bolsa.

- Eu achei “boazinha”, mas esse governo é tão ingrato, dei minha vida pelo pais e me retribuem com isso. – Ele gesticula com as mãos.

- Adorei... Filhos tem regalias como esta? Alphaville é longe do meu trabalho em São Paulo, mas moraria em uma casa assim. – Dante intromete na conversa.

Meu pai sorri, e eu pergunto outra coisa, antes de ele ir nas ideias do Dante;

- Mas tem a aposentadoria né pai?

- Sim, mas mal dá para as contas.

- Para de ser exagerado Manoel. É mentira dele o dinheiro dá e sobra, até demais, não precisamos disso tudo...

Ele resmunga algo olhando para ela. Um dos funcionários aparece nas escadas e fala a minha mãe;

- As malas estão nos quartos senhora.

- Ah, que bom, subam e se trocam, quero a ajuda de vocês na cozinha. – Ela fala.

Eu e Dante subimos, um rapaz mostrou onde ficaríamos, e eu me troco, tiro aquela calça e o sapato, ele deita na cama com seu computador;

- Vai trabalhar? - Questiono.

- Tenho que fazer um apanhado do ano inteiro, termino rápido.

Ele procura uma tomada. E eu saio, dando de cara com o Danilo;

- Ai você está ai, vou me trocar, sua mãe deixou eu entrar na piscina. – Ele diz todo excitado.

- Vai lá. – Fecho a porta.

- Viu onde colocaram minha mochila? Não está no carro.

- Danilo olha nestas portas ao lado.

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