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Ele usa, Dólmã - Capitulo 1

Outubro de 2019, noite na cidade de São Paulo. Olá me chamo Stefano, começamos essa história a partir do meu restaurante, o Le’Bianco.

Na noite de sexta-feira, com local relativamente cheio, e quando estamos assim, eu vou de Chef a garçom, para ajudar os meninos do salão. Nesse dia não foi diferente.

Terminei uma leva de pratos, e quando olhei pela bancada o salão cheio;

- Vou ao Salão. – Comunico a cozinha.

Pego a bandeja e confiro os pedidos, seguindo até a mesa 4;

- Boa noite, com licença! Parmegiana com Talharim ao molho sugo, para o senhor! E a senhora Polpetone com Fetutine, ótima escolha.

- Obrigada.

- Bom apetite.

Me retiro indo até o bar;

- Como está aí Leonel?

- Casa cheia Chef.

- Se precisar de ajuda me fala, peço o Atila para vir para o salão. – Falo enquanto ele prepara um pedido.

- Tranquilo.

Bem em uma das mesas de centro, as maiores do salão, a Lorena, que é minha Gerente e “Maítre” do Restaurante, estava pouco alterada, e se afasta me olhando com fogo nos olhos.

Ela se aproxima com um dos garçons;

- Chef não querem ser atendidos pela Lorena, estão agindo com falta de educação com ela. – Ele fala se aproximando.

- Tudo bem? – Falo pegando na mão dela.

- Stefano vai lá, antes que eu jogo um pote de sopa quente naquele babaca. – Lorena bufava de raiva.

- Deixa comigo.

A mesa estava com um cara de terno mais velho, e aparentemente segurança, pelo seu ponto no ouvido, três garotos jovens, de uns 24 a 26 anos, e um senhor, de camisa social que estava mais alterado;

- Boa noite, senhores posso ajudar em algo? – Falo de frente a mesa.

- Sim, não queremos ser atendidos por ela ou ele, não sei o que é, pode arrumar outra pessoa?

- Não, eu não posso senhor. – Respondo a ele que estava sentado mais à direita.

- Sabe com quem está falando? – Ele diz alterado.

O problema de eu não poder me alterar era o salão, cheio de gente, e as pessoas pagam além da comida o ambiente. Então tive que me manter, como sempre;

- Mano fica na sua. – O garoto ao seu lado diz, cutucando ele.

- Sou Mariano Pontes, empresário do melhor jogador do Campeonato Brasileiro, Adrian Raul, e ele por acaso está aqui do meu lado. Chame o gerente.... Ou melhor o Dono desse lugar.

Ele se impõe colocando o guardanapo na mesa, com bastante força;

- O senhor não quer ser atendido pela gerente, e eu sou o dono do estabelecimento. Agora pelo que entendi se caso não queira ser atendido pela Lorena por ela ser travesti ou por ela ser negra, peço que se retire do meu restaurante, por gentileza.

- Vamos vazar desse lugar. – Ele se levantando.

- Porra Mariano, já falei, a gente vai ficar. – Adrian diz puto a ele.

- Ouviu o que ele disse para a gente?

- Se quiser ir, fica à vontade, eu vou ficar. Desculpe, mas vamos fazer os pedidos. – Adrian diz me olhando.

A Lorena se aproxima e eu falo para ela, com o tal Mariano ainda de pé do meu lado;

- Lorena, os senhores irão jantar conosco. Você poderia anotar os pedidos por favor?

- Claro Chef.

- Sejam bem-vindos. – Falo saindo.

Voltei até o Leonel no bar e digo;

- Todas bebidas da mesa 12 são por conta da casa, não precisa lançar no sistema.

- Sim, senhor.

Volto a cozinha, junto a minha bancada falando com os meninos;

- Temos mesa com presença VIP, hoje é a 12. Atenção nos pedidos.

- Sim, CHEF. – Respondem.

O Giovani que trabalha comigo na cozinha se aproxima dizendo;

- Quem está ai Stefano?

- Um tal de Adrian Raul, diz que é jogador. Não reconheci não. – Falo provando um preparativo.

- Caralho, será que é o que foi escalado para a seleção Stefano... – Ele diz olhando pelo vidro da porta. – Podemos pedir foto?

- Não, já tivemos um puta problema na mesa.

Os outros meninos também, chegaram na porta para dar uma olhada.

A Lorena retorna para a cozinha, e vai até a geladeira pegar água;

- Preciso de um aumento Stefano, sério.

- Não pode usar qualquer desculpa para pedir aumento Lorena.

- Que homem podre, ele me fez explicar quase que o cardápio inteiro.

- O Adrian? – Pergunta o Giovani.

- Não, o empresário dele, o garoto é um anjinho.

- Pensei que ele teria ido embora, pois falei que se não quisesse ser atendido por você, que deixasse o restaurante.

- Você disse isso Stefano? - Giovani de olhos arregalados questiona.

- Sim, ele tem que respeitar ela. E acredita que não me lembro dele, do jogador. – Falo deixando a faca.

- Aquele dos pênaltis do Palmeniras, transmitimos o jogo aqui no Le’Bianco. – Fala Giovani. – Ele estava de cabelo branco na época, joga no Palmeiras.

- Ah, acho que me lembro.

- Sim, o garoto é educado, humilde, e lindo para a cassete... Só estou atendendo aquela mesa por ele.

- Ah, sei, não foi porque eu pedi não? – Falo rindo.

- Sim, meu Chef preferido. – Ela diz jogando o pano em meu peito.

- Mesa Lorena. – Fala o Leonel chamando-a na porta.

Os pedidos da mesa 12, chegaram e com a correria da cozinha eu mesmo os preparei, com ajuda é claro, entradas, pratos principais e sobremesas.

Com o salão ficando mais “tranquilo”, eu pude ir em algumas mesas e falar com alguns clientes, faço isso todas as noites, é tradição desde que abri meu restaurante.

A Lorena chega em mim, próximo ao caixa, com uma comanda em mãos dizendo;

- Leonel disse que as bebidas “da 12”, são cortesia?

- Sim.

- Stefano, eles pediram um “Château”. – Ela fala chacoalhando a comanda.

- O “Bordeaux” de Cento e quarenta reais?

- O “La Fleur”, de quatro mil.

- Putz, dê um desconto de uns 30% na comanda, diz que é para voltarem sempre, aquela conversinha que você sabe.

- Ok.

Depois de sair umas duas mesas, eu estava no bar organizando-o com o Leonel quando percebo um alvoroço do lado de fora, alguns flash de câmeras, uma movimentação maior de pessoas;

- Que é aquilo? – Comento.

- Deve ser paparazzi né Stefano, estão sempre aqui de olho.

- Ah, por causa do tal jogador né.

- Sim, com certeza.

Adrian se levanta da mesa, indo até o banheiro e o segurança dele, se aproxima de nós;

- Boa noite, senhores possui alguma saída aos fundos, onde posso retirar eles, tem alguns fãs e estou sem reforço. – Ele diz bem educadamente.

- Sim, claro, na cozinha. – Falo confirmando.

- Obrigado.

O Adrian sai do banheiro, e vindo no corredor o seu segurança fala;

- Vamos pegar o carro, você leva ele por favor? – Ele fala e me questiona.

- Sim.

Com a mão nas costas de Adrian o conduzo para a cozinha, ao passar das portas;

- Não acredito que trouxe ele para gente conhecer? – Grita o Giovani.

Ele estava limpando sua bancada, e vem secando as mãos;

- Não, não, não é o que está pensando. – Falo cortando a onda dele.

- Tudo bem, tudo bem, quer uma foto? – Adrian pergunta a ele.

- Sim, foto, autografo, cara sou muito seu fã. – Giovani fala tirando o celular do bolso.

Eu tive que tirar foto para ele, e todo mundo da cozinha, somos em 2 cozinheiros, 2 auxiliares e 2 responsáveis pela limpeza e o Chef, que sou eu. No salão, é Lorena, 3 garçons, 1 barman, 1 caixa, e mais 1 segurança.

Então, depois de tirar as fotos, sigo com ele até a entrada de funcionários, ficamos de frente a porta, aguardando o carro e ele comenta;

- Não vai querer foto também?

- Não, obrigado.

- Você nem me conhece né? – Ele diz sorrindo.

- Desculpe, não.

- Relaxa, e peço desculpas pelo comportamento do meu empresário lá dentro.

- Tudo bem, você não tem que se desculpar pela merda das pessoas.

- O jantar foi um dos melhores da minha vida, melhor ainda foi o desconto, rsrs.

- Obrigado.

O carro aparece no estacionamento, e o seu segurança abre a porta do carro e eu abro a da cozinha para ele sair;

- Obrigado de novo. – Adrian diz com a mão em meu ombro.

Eu respondo somente com um sorriso. A saída alternativa dele não foi muito boa, pois tinha fotógrafos ali também, registrando o momento.

Bem, quando retorno ajudou os meninos a finalizar as atividades da cozinha, e sempre o pessoal do salão terminam primeiro.

Trancaram a porta principal, e Lorena entra na minha sala e abre o cofre;

- Pronto? Podemos ir? - Ela fala colocando o malote.

- Sim, vamos que quero ver o Dante.

- Hum, aproveitar que fechamos mais cedo ne.

- Claro. - Falo fechando a porta.

O Giovani era o último na cozinha;

- Só falta os lixos. - Ele fala arrastando os sacos.

- Ficou de tiete para cima do Adrian, e atrasou seu trabalho né!

Falo rindo junto a Lorena.

Trancamos tudo e saímos, eu mesmo com idade não dirijo, não tenho nem carteira de motorista.

- Jovem, com carreira e negócio próprio, e não sabe dirigir.

- Lorena faz três anos que você fala a mesma coisa, já sabe minha resposta né?

- Você não vai ter eu para o resto da sua vida.

- Haha', pareceu minha mãe agora.

Chegando no condomínio, vou andando até em casa, e já entro chamando;

- Amor? Amor eu cheguei. - Falo indo à cozinha.

E nada, subi no andar superior e nada, peguei o celular então ligando para ele;

- Oi... Alô! - Ele grita ao telefone.

Estava um barulho muito alto, muito mesmo, eu tentei e nada, pois não conseguia me ouvir.

Era um som tipo de boate, sei lá. Desliguei o telefone, peguei um vinho na adega, e liguei a TV assistindo um programa qualquer.

Eu peguei no sono ali mesmo, cansado do trabalho.

Na manhã seguinte eu acordei com a Sílvia, fechando a cortina da sala, onde entrava claridade;

- Bom dia. - Falo espreguiçando.

- Desculpe Stefano, não queria te acordar.

- Tudo bem.

Eu me levanto e subo para tomar um banho, quando entro no quarto, Dante deitado atravessado na cama, de roupa e sapato ainda.

Tomei meu banho, e desço para tomar café.

Silvia estava passando o café quando entro na cozinha;

- Omelete senhor?

- Sim, pois eu já desiste de replicar a sua receita, não sei como Silvia, tenho um restaurante e não consigo fazer omelete igual a você.

- Mas eu faço um omelete, o senhor faz todo um cardápio.

Pego um mamão o limpando e comendo enquanto ela cozinhava.

Logo mais eu lavando a louça o Dante desce as escadas, vindo na cozinha;

- Paga empregada para que em? Se você tem que lavar a louça Stefano?

- Estou lavando porque eu quero Dante.

- Fica na cozinha o dia todo naquele restaurante e chega em casa e não sai daqui. - Ele fala vindo me beijar na bochecha.

Eu desvio e ele fica bravo. A Sílvia arrumando algo atrás e ele fala;

- Que eu fiz agora?

- Nada, Dante.

- Fala logo Stefano.

- Quando consigo sair mais cedo do trabalho, para ficar com meu marido ele está bebendo na noite.

- Agora a culpa é minha? Você que vive por aquele restaurante, foi abrir aquilo e não fica mais em casa.

- Dante. Você bebê dia sim e outro também, nem temos mais ficado juntos. Você chega no dia seguinte fingindo estar tudo bem, quando não está.

- Não vou ficar ouvindo você falar na minha cabeça. Tenho uma reunião importante, e não vou ficar de cabeça quente com você.

Ele fala saindo, descendo a garagem. Desligo a torneira, enxugando minhas mãos, e respirando fundo, Dante me tirava muito do sério ultimamente, quando voltou a beber, isso depois de muito tempo, sem álcool.

- Quer um calmante senhor? - Silvia coloca a mão em minhas costas.

- Obrigado. Vou treinar, só academia e cozinha me esfria a cabeça. Termina para mim? - Aponto para a pia com as louças.

- Claro, pode ir.

Com a decadência do meu casamento, as minhas válvulas de escape eram sempre academia e cozinha. Eu treinava pela manhã, tinha sempre alguns compromissos, e logo após trabalho.

Meu restaurante é novo em São Paulo, comecei a 6 anos com um Bistrô, logo após eu ter me formado. Passei três anos me especializando e desde então estamos em ascensão.

Vim fazendo parcerias aproveitando essa geração de influencers, Youtubers, artistas, trabalhando com permutas e parcerias, eu me dei muito bem com parcerias, de amigos e conhecidos, criei minha rede de contatos.

Perdi e abri mão de lucro no início, era só trabalho por trabalho, hoje tenho meu retorno de várias formas, como o projeto “Tropicale”, em parceria com minha irmã, Lívia. Mas ele explico logo mais.

Sábado, e domingo entro mais cedo no restaurante por causa do movimento frenético de clientes.

No domingo eu tinha um evento beneficente a noite, então, deixaria o restaurante nas mãos de Lorena no salão e de Giovani na cozinha.

Marquei com o Dante de me pegar no Le’ Bianco, pois ele sairia mais tarde do trabalho. Eu me arrumei e fui para o restaurante.

Ajudei no que conseguia, adiantamos a “Mice Place”. Passei mais ordens e o restaurante abre. Fico no salão atendendo as mesas quando o Dante chega.

Ele segue para o bar, eu entrego uns pedidos e me aproximo;

- Leonel um Wisky para mim.... Vai querer Stefano?

- Não, vou só no banheiro, a Lívia enviou mensagem, está esperando por nós. – Falo entrando na cozinha. – Pessoal estou indo, sabem que podem me ligar a hora que quiserem. Boa noite e ótimo trabalho.

- Tchau Chef. – Todos gritam.

Peguei meu casaco saindo. O Dante foi dirigindo, e eu procurando o endereço no telefone;

- Poxa Stefano, vai sair e nem sabe onde é?

- Não me enche hoje Dante, já estou uma pilha.

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