• Richardson Garcia

crescendo - Capitulo 28

Mano eu ouvi do Marcelo como se fosse meu pai, ele falou até o cigarro terminar, e olha que demoramos um bom tempo.

O sol já havia ido embora, nós dois estávamos deitados, ambos com os pés para cima, apoiados no parapeito, olhando para cima, ficamos em silencio por minutos, curtindo a brisa;

- Marcelo!

- Fala viado.

- Ouvi você dizer para Thales que gosta de uma pessoa e que ela não gosta de você.

- Sim.

- Não estava falando de mim né? – Digo olhando para ele.

Gente o Marcelo riu da minha cara, ele chegou a engasgar e teve que se levantar, pois ficou ruim;

- Ai, mano, você fala umas as vezes... Lucas você se acha demais mano... Está certo, tu transa gostoso, é bonito e gente boa, mas não, a pessoa com quem eu estava falando com o Thales não é você.

- Beleza.

- Porque? Ficou triste em saber?

- Não, aliviado.

- Agora minha vez. O que você e Thales tiveram?

- Nada.

- Fala logo Lucas, sei que rolou algo, transaram?

- Tirei o cabaço dele.

- Não to falando sério.

- Eu também.

- Você é muito filho da puta... Sortudo.

- Mas não é assim Marcelo...

- É o que então?

- Com ele foi diferente.

- Que está falando Lucas?

- Foi melhor.

Ele olha estranhamente e faz a comparação;

- Melhor que minha irmã?

Eu somente faço que sim, gesticulando com a cabeça;

- Está apaixonado no Deummond Lucas?

- Não sei.

- Boa sorte, Thales não é qualquer um cara... E outra vai ter que suar para conquistar aquele coração viu mano.

- Não sei se quero algo agora. Preciso de um tempo.

- Meu ovo, tempo. Vocês adolescentes inventam demais, para de frescura. Vai morrer amanhã, vai falar com o cara logo, se joga, aproveita a vida mano, sério quando você vai ter dezoito anos de novo?

- Tenho dezessete Marcelo.

- Eita Lucas, não diz para ninguém que eu te dei maconha.

Começamos a rir igual idiotas, alguém bate na porta e o Marcelo vai na frente;

- Mano não abre. – Digo tentando alcançar ele.

Mas Marcelo abre e vê Hugo parado ao lado de fora, que me olha assustado;

- Estava indo atrás de você... Lucas quer conversar com você. – Marcelo diz puxando ele para dentro.

- Não, mas... – Antes de Hugo dizer, ele fecha a porta.

- Vou ficar aqui de fora, para ninguém atrapalhar vocês.

Hugo olha para trás, e me olha assustado;

- Não vou bater em você. – Digo voltando a sacada.

- Queria falar com você, mas achei melhor aguardar, ontem foi uma loucura. – Ele fala aproximando devagar.

- Foi mal pela sobrancelha. – Digo apontando para seu rosto.

- Vai ficar uma cicatriz animal, rsrs. – Ele diz rindo.

Eu abro um sorriso e então penso no que Marcelo havia me dito!

- Eu fui um idiota com você Hugo e...

- Não fala nada Lucas. Quero dizer que eu fui um péssimo amigo, em esconder isso! Cara não sei se no seu lugar suportaria.

- Não mando na Alana.

- Ela é muito especial.

- Está gostando mesmo dela?

- Sim, como nunca senti por ninguém.

- Cuida dela por mim.... Promete?

- Prometo.

- Viu Thales hoje? – Digo pegando em sua mão.

- Deixei ele na biblioteca agora, estava fazendo um trabalho de Química.

- LUCAS se tocar no Hugo de novo eu que vou pegar você. – Grita a Alana do lado de fora.

Serio eu olhei sem entender e responde;

- Cala a boca garota, nem sabe o que estamos conversando, sua louca. – Falo gritando de volta.

Ela parou feito idiota, sem entender, pois, o Hugo estava rindo do que eu havia dito.

Saímos e descendo as escadas passamos por ela que estava ofegante subindo;

- Hugo. – Alana fala segurando em seu braço.

- Depois falo com você. – Falo descendo rápido.

- Tudo bem. – Ele responde para ela.


#Thales


Estava sentado com o Patrick em uma das últimas mesas da biblioteca, na verdade ele que se sentou e estava conversando com a Alana, mas ela saiu e ele ficou tentando puxar assunto e falar comigo.

Eu estava de cabeça baixa, copiando uma matéria do livro quando sinto uma mão passar pelas minhas costas e alguém puxar a cadeira ao lado;

- Difícil te achar. – Fala Lucas todo ofegante.

- Oi! Está bem? Você sumiu ontem.

- Estou... Oi Patrick, rsrs. – Ele fala todo feliz.

Patrick até apoia o cotovelo na mesa, respondendo Lucas com um sorriso.

Eu abro um sorriso, por ele estão tão feliz, com tudo isso acontecendo;

- Que cara é essa? – Pergunto deixando a caneta.

- Vou beijar você. – Ele diz sorrindo.

Lucas segurou minha nuca, beijando minha boca, aproximando da cadeira e com a outra segurando minhas pernas.

Patrick só soltou um;

- Ahhhhhh!

- Lucas você ficou maluco? – Digo empurrando ele.

- Não, só apaixonado. – Ele diz com uma cara idiota.

Isso eu olho algumas pessoas nos olhando, eu queria enfiar uma caneta daquelas nos olhos dele.

- De onde tirou isso? – Pergunto baixo.

Mas me lembro de ter uma “vizinha fofoqueira” na nossa frente.

- Vamos sair daqui é melhor. – Digo fechando meu caderno e o livro.

Ele me ajuda, e saímos da biblioteca;

- Resolvi seguir meu coração Thales!

- Lucas seu coração não tem vergonha não?

- Não.

- Eu tenho Lucas.

- Vem falar que não gostou.

- Cara você está muito diferente.

- Está bravo comigo?

- Claro, você entra na biblioteca me beija na frente do Patrick, porque não faz isso no refeitório, quando está todo mundo? Ele agora vai espalhar isso para o colégio todo.

- Não estou nem aí.

- Ah, novidade.

- THALES. – Grita o Alexandre do prédio da secretaria.

Eu olho e ele somente gesticula com os dedos para eu ir até ele.

- Depois a gente conversa. – Digo pegando minha mochila que estava com Lucas.

- Relaxa te acompanho lá.

Nós entramos e seguimos as escadas, o Alexandre estava com a Marcia Edna, e quando entramos na sala, o Marcelo estava lá, sentado à mesa de reuniões;

- Thales, sente-se. – Ela diz.

Eu já achei estranho o jeito que ela falou, aparentemente estava brava, o Marcelo calado. Lucas ficou de pé ao lado da porta com a mochila.

Pessoal quando me sentei, o Alexandre pega o notebook que estava na mesa e vira para mim.

Era o vídeo da portaria do JK, comigo e Marcelo saindo no carro de Vitor, no dia em que “roubamos” ele.

O Lucas se aproximou devagar olhando as imagens, e comenta;

- Nossa vocês são muito burros, era só ter abaixado o quebra-sol que não pegava o rosto de vocês.

- Calado Lucas.... Aliás, o que faz aqui? – Marcia pergunta.

- Acompanhando o Thales.

- Espere lá de fora por favor... O que tem a dizer Thales? – Ela me pergunta cruzando os dedos sob a mesa.

- Não tem o que dizer, está tudo aí. – Digo apontando para o computador.

- Agora acredita em mim Marcia. Até o Thales o Lucas e Marcelo conseguiram converter... A escola tinha que ter um seguro para alunos como eles.... Eu já pedi ao conselho, essa turma tem que ter tutor para todos.

- Quieto Alexandre.... Então, sabem que é caso de polícia certo?

- Não houve crime, ou dano, o veículo foi devolvido horas após desaparecer, não estamos negando nada. Perante a polícia só dizer que foi uma trolagem de colégio, mesmo sendo maiores de idade, nada que possa levar ou sustentar isso a frente. – Marcelo fala para Marcia.

- Você está certo! Em partes. Pois aqui tem outras regras, e aqui dentro do meu colégio vocês são puníveis. Bem, com a última semana de aulas, provas e as férias próximas, acho que nada irá punir mais que três dias de suspensão, para ambos.

- EU QUERO eles presos, esses criminosos, bando de animais... – Vitor entra gritando na sala.

Gente que cara mais chato.

- Senhor Simonato, queira aguardar ao lado de fora, por favor. – Marcia diz passando a mão no rosto. – Alexandre chame o Lucas por favor.

O Vitor ainda, fica reclamando e tals, e o Lucas entra todo feliz, por ele estar puto.

- Eu mesma irei falar com os pais de cada um de vocês... Graças aos três esse colégio nunca teve tantas ocorrências em seis meses em toda minha carreira de diretora. Estão de parabéns.

- Talvez isso valha a pena, pelos valores doados mensais pelos nossos pais né. – Lucas diz, sendo irônico.

- Podem ir.

Era obvio que iria ouvir e muito dos meus pais, que não iriam deixar passar de forma alguma isso em branco.

Mas Vitor ficou uma fera conosco, por não ter conseguido nos expulsar.

E para completar minha vida, pegaram o vídeo meu e de Lucas na biblioteca, e postaram usando a Hashtag do JK, e praticamente todos viram, mais um mico para minha agenda que estava “lotada”.

Acreditem, minha vida, nestes seis meses virou de cabeça para baixo, e a dos meus amigos também... é engraçado o quanto as pessoas te mudam, o quanto seus amigos mais próximos tem influência nas suas atitudes.

Hugo e Alana não assumiram nada, não público, mas entre a gente, sabíamos estar rolando algo. E eu, esquecem, pois não estava levando esse papo do Lucas a sério.

Tínhamos a última semana de aulas, e provas no JK, eu tinha campeonato de natação no sábado e domingo Lucas e Hugo, jogavam o último jogo da temporada do colégio, com um acordo junto a direção, a vitória eles iriam ganhar uma festa em comemoração, que Luas chamava de "abertura das férias”.

Manhã de quarta-feira, (prova de Matemática), todos tensos e preocupados, essa semana estávamos com tempo maior para o café, pois não tínhamos aulas após as provas, os horários estavam mais flexíveis.

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