• Richardson Garcia

crescendo - Capitulo 23

Entramos em um cômodo que nem eu me lembro o que era na casa;

- A maninha disse que vocês não estão mais juntos.

- É, mas estamos bem, foi só um tempo.

Marcelo se aproxima segurando minha mão;

- Você está muito foda Lucas, o tempo lhe fez bem.

- Valeu.

- Tenho acompanhado seus status, e todo esse tempo fora me fez pensar, pensar na gente. – Ele dizia fazendo carinho em minha mão.

Eu olhei meio estranho, até porque;

- Não existe a gente Marcelo.

- Lucas claro que existe, me escuta, eu não tive escolha... – Quando ele diz isso eu o empurro com força.

- Não venha com esse papo de novela para o meu lado Marcelo, sabe que não acredito. – Digo apontando o dedo na cara dele.

- Lucas, me escuta.

- Me solta Marcelo. – Falo tentando sair dele.

Marcelo ficava pegando em mim e tentando segurar minhas mãos;

- Eu despede da Alana, eu despedi dos meus pais! Marcelo eu fiquei te esperando a noite inteira, e nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Como eu fui idiota, fugir com você para outro lugar! Não sei como eu cai na sua conversa. – Digo com um sorriso sarcástico.

- Eu não pude, e...

- Poupe suas palavras belezas.... Comigo não, não caio mais na sua lábia.

- Foram anos, anos pensando em você, em te ver Lucas. – Marcelo pega a minha mão e coloca em seu peito.

Ele fez isso para se aproximar, depois desce as mãos pelo seu corpo e se aproxima para me beijar, eu viro o rosto e ele me abraça, eu me afasto para sair e Marcelo segurando minha mão.



#Thales



Para voltar ao JK, Lucas me entrega a chaves do carro, e seguimos assim, Lucas, calado, e Hugo sem assunto.

Os dois estavam muito estranhos, tanto que saímos da festa ainda na metade.

O bom de voltar cedo ao JK, era que na manhã seguinte eu e Hugo tínhamos treino de natação.

Não houve nada demais, quando chegamos à noite, comer e dormir.

Logo pela manhã antes do treino a Nubia, psicóloga do JK, se aproxima antes de eu entrar no ginásio;

- Thales, depois pode passar na minha sala?

- Sim, passo sim.

- Ótimo... Bom treino para vocês.

- Obrigado... – Responde Hugo. – Está ainda fazendo seções com ela?

- Sim, mano, tem me ajudado bastante.

- Falei com ela somente depois da treta do Lucas, depois não mais.

Nós treinamos, a professora pegou pesado comigo e Hugo, por estarmos se sobressaindo na turma, enquanto os meninos se aqueciam por dez minutos, nós fazíamos vinte, e eles fazendo umas cinco voltas, nós éramos o dobro.

Saímos da aula e eu só queria um banho, e ficar de pernas para cima, como havia marcado com a Nubia segui para o prédio das secretarias, onde ela ficava, fui rápido, para terminar logo com isso.

Entrei no prédio, subindo pelas escadas, e no começo do corredor já era possível ver o seu consultório aberto, como era fim de semana e tinha quase ninguém por perto, eu chego entrando;

- Com licença.

- Entra Thales, e pode fechar a porta. – Ela diz se levantando de trás da mesa.

Deixo minha mochila e sento na poltrona que havia, ela estica uma pequena Tigela com M&M’s, eu pego uma porção com a mão e me ajeito;

- Disse que queria me ver!

- Marcia Edna comentou que passaram o fim de semana juntos.

- Sim, estávamos em Angra.

- Me lembrei que tinha algumas visitas, e agora que voltei de viagem, podemos continuar nossas “conversas”.

- Tudo bem...

- Então, não houve mais episódios, depois da nossa última conversa?

- Pode falar tentativas de suicídio Doutora. Não tenho mais problemas em falar sobre.

Ela abre um sorriso, e diz;

- Novidades?

- Sim, mas aquela ética de segredo dos pacientes continua certo?

- Sempre Thales.... Pode começar.

- Na verdade não entendo o porquê te perguntar isso, nem eu mesmo sei. O que quero falar é mais recente, e que tem me deixado com a mente mais ocupada.... Na viagem, em que Marcia comentou, eu perdi minha virgindade.

- Sim. – Ela diz anotando algo.

- Sempre pensei, minha adolescência toda, que seria com uma garota, e não, foi com um garoto! Acho que agora posso dizer que sou gay!

- E Porque você acha isso?

- Eu fiquei com outro homem, Nubia, isso me torna gay.

- Você tinha ficado com uma garota antes Thales?

- Não.

- Então, como sabe se gosta somente de garotos?

- É verdade eu não sei! Mas pode ser que não seja somente isso... Me peguei essa semana defendendo ele, como se tivéssemos algo.

- Como você se sente em relação a isso?

- A ele? Confuso, é uma confusão minha cabeça. Ele gosta de uma garota, ele... ele... Ele é o Lucas, Nubia, me entende. Não posso gostar do Lucas, ele ama a Alana e somos de mundo totalmente diferentes.

- Lucas é Gay?

- Ele se diz, Bissexual.

- Você acha que tem algo de errado com essas pessoas?

- Não, gay? De forma nenhuma... Nem Bissexuais.

- O que seria esses mundos diferentes?

- Acho que me interpretei mal, ele tem mais experiências que eu, não sei se daria certo, e como disse, ele ama a Alana.

- Thales, o que faz você acreditar que não tem qualidades para ficar com o Lucas?

Nossa fiquei uns segundos calado;

- Não são qualidades, é ele, a Alana, todo esse cenário... Eu acho que se ele realmente amasse ela, não ficaria com outra pessoa, ou eu possa estar errado, viu! Todo confuso. Me desculpe.

- Ei, tudo bem Thales, estamos progredindo. Quando foi a última vez que sentiu algo similar por alguém?

- Não posso dizer similar, mas era uma garota, do meu último colégio, rsrs, eu gostava do cheiro do seu cabelo, de estar com ela... mas era diferente... Percebo que quanto mais fico próximo a Lucas, mais isso vai crescendo dentro de mim.

- Thales, se você tivesse um amigo nessa mesma situação, o que você diria?

Eu pensei rápido para responder, e digo, olhando para a minha mão, onde os doces, haviam acabado;

- Eu diria para ele ir com calma.

- Isso se aplicaria a você?

- Sim, seria melhor.

- Sim, seria interessante ir com calma nesse início até para você entender melhor o que sente, e a situação como um todo. Você acha que consegue? Caso essa relação não vá para a frente, o que você acredita que poderia justificar?

- Não sei te responder Nubia.

- Fique com essas questões, para a próxima seção, tudo bem?

- Tudo bem.

“Hoje, me lembrando destes episódios, e escrevendo para vocês, falo tranquilo, mas na cena acima, eu não tinha como saber que gostar da pessoa errada seria erros a se apreender”.

Eu fui para o meu quarto, me trocar e tomar um banho do treino, sempre fico incomodado com aquele cloro da agua.


#Lucas


Escolhas erradas, ações erradas! Nesse ano eu fui do meu auge até o fundo do poço. Mas não acabou aí.

Na tarde do domingo, eu estava comendo no refeitório com a Alana, e galera, estávamos juntos. Eu sentado com uma das pernas para fora do banco e outro para dentro, e a Alana sentada na minha frente, minha mão fazendo carinho em seu cabelo, e de cotovelo na mesa, conversando com a Samantha.

Foi uma ocasião horrível, e uma sensação semelhante. Eu meio que olho para trás, e meus olhos como imãs na direção de Thales, que estava vindo em nossa direção.

Ele para, meio que se assusta ao me ver com Alana, e passa a mão na boca disfarçando, se vira saindo.

Meu coração acelera na hora;

- Ei, meninas licença, beleza. – Digo me levantando.

- Vai onde Lucas?

- Falar com o Thales, Alana.

Ele sobe as escadas em direção as salas, eu sigo ele, mas só o vejo entrando no banheiro masculino.

Quando entro Thales está com as mãos na pia, e de rosto molhado.

- E aí mano, tudo bem? – Pergunto.

- Você estava namorando a Alana quando transamos Lucas? – Ele pergunta na lata.

- Não, Thales.

- Ótimo.

- Escuta.... Ei olha para mim. – Falo pegando em seu braço.

Thales sempre foi muito caricato, ele se expressava muito pelo olhar, pelo rosto, muito mesmo. E o jeito que me olhou, estava com raiva misturado arrependimento;

- Me desculpa cara, mas eu gosto dela, e....

- Não estou pedindo explicações suas Lucas.

- Mas eu quero, o que fizemos, foi o melhor de todos para mim... mas tente me entender Thales.

- Nem você se entende Lucas.... Dá licença cara. – Ele me empurra saindo.

Eu que lavei o rosto dessa vez. Tinha que me desculpar com Thales de todo jeito, mas falar com ele de cabeça quente, não seria cômodo para nenhum dos lados. Eu só não sabia que Thales iria tão longe. Imaginei que seria como os outros, ou pessoas com quem eu tinha ficado.

Como forma de “comemorar”, dormi com a Alana aquela noite, matar a saudade e sair da seca. O Hugo fez o favor de dormir com Thales.

Pela manhã eu me troquei, e nenhum deles estava no quarto, eu tinha uma primeira aula de Português e a tarde futebol, iriamos ter treino todos os dias dessa semana.

A aula foi com o Hugo, e quando saímos, ele me acompanhou, para deixar as coisas e almoçar;

- (...) Ele estava puto ontem.

- É eu fiz merda, depois quero falar com Thales.

- Ouvi até ele falar com os pais Lucas, o que fez deixou ele muito grilado, é melhor falar o quanto antes.

- Não vi ele essa manhã, acho que está no refeitório.

Entramos e subimos até os quartos, quando abro a porta, nem colchão tinha na cama de Thales, entrei super assustado, e todas as coisas dele haviam sumido.

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