• Richardson Garcia

crescendo - Capitulo 1

#Thales Deummond Oliveira

(Rio de Janeiro)


- É uma promessa meu filho, não mudamos até você finalizar seus estudos. – Minha mãe diz na mesa de jantar.

Eu olho para o meu pai, que estava teclando em algo no celular, esperando algumas palavras dele;

- Bento, pode dar um pouco de atenção aqui. – Minha mãe diz, deixando seus talheres.

Ele continua teclando, como se ela não houvesse falado nada, minha mãe, pega o celular de sua mão e joga dentro do copo de Wisky;

- Que isso Melinda?

- Pode dar atenção para seu filho agora Bento?

Ele dá um soco na mesa, seu punho segurava o guardanapos, eu olho assustado e ele fala;

- Será uma curta temporada Thales, não estamos te deixando filho.

- É o que parece. Me enviando para um colégio interno.

- Thales, já conversamos, não é um internato, você só vai ter atividades diárias e noturnas.

- O que é então mãe?

- Bento? – Ela chama ele novamente.

- Só mais esse ano e pronto! Nada de mudanças, vamos estar lá, mas quando quiser pode ir nos visitar, sabe disso.

- Pai não é uma viagem, vocês vão estar fora do pais!

- Thales as vezes precisamos fazer escolhas que nem todos gostam, estamos fazendo isso por você.

- Mas eu não quero isso.

- Meu filho, já conversamos sobre isso.

- Ok.... Com licença. – Falo me levantando.

- Vai ter que baixar os arquivos da nuvem agora que acabou com meu celular (...). – Meu pai fala discutindo com ela.

Com essa quantidade de brigas nem eu sei até onde eles iriam juntos.


#Hugo Barcellos Duarte

(Belo Horizonte)


Minha mãe e meu pai haviam me embarcado há seis horas atrás em Belo Horizonte, a caminho do Rio de Janeiro. Eles colocaram no ônibus o filho mais novo, para sua primeira aventura, uma aventura em outro estado que era a última esperança deles nessa vida.

Quando cheguei no terminal rodoviário no Rio, repeti o caminho de meses atrás, quando fiz a entrevista presencial para esse colégio. De taxi, foi mais uns quarenta minutos.

O Colégio Modelo Juscelino Kubitschek, no Rio de Janeiro era uma instituição privada, que oferecia vagas para alunos do brasil inteiro. Ele recebe doações de empresas privadas, e não possui nenhum vínculo com o governo. Ela tecnicamente não é um colégio particular, mas é procurado como tal, pelas suas altas notas e alunos se destacando nos maiores vestibulares, nacionais e internacionais.

Eu cheguei por volta de nove da manhã, o taxi me deixou na porta, eu sigo entrando até a mesa de identificação.

Muita gente despedindo de familiares, buzinas de carros, ônibus, e até viaturas, ao lado direito havia um lago imenso dentro da propriedade, e o teatro com vidros até em cima, que refletia aquela água escura.

- Oi! Garoto! Seu Tutor? Sabe o nome dele? – Pergunta a moça na bancada.

- Sim, é o Alexandre.

- Só um momento. - Ela dá uma olhada no notebook, e pergunta. – Nome completo.

- Hugo Barcellos D...

- Achei, coloque esse crachá, ele te espera na biblioteca, é naquela direção, o prédio vermelho.

- Sim, obrigado.

Não era perto, eu arrumei minha mala nas costas e continuei andando, no caminho um garoto vem e conversa comigo, ele puxa assunto do nada;

- Oi Sou o Pedro... E você?

- Sou Hugo.

- De Onde veio Hugo?

- Minas Gerais e você?

- Amapá.

- Legal.

- Qual o seu tutor?

- Alexandre, e o seu?

- Ah que sorte, é o melhor dessa escola, eu sai com o capeta em pessoa, a Judith.

- Boa sorte, eu não conheço ele.

- Eu, vou por aqui, seja bem-vindo. – Ele diz saindo.

Pessoal do outro lado do lago, um helicóptero foi pousando lentamente, e desceu duas pessoas, como estava distante não tinha uma visão muito boa, mas era aparentemente mais um aluno, com algumas malas, de cor douradas.Na biblioteca, eu pergunto a recepcionista onde estava o tal Alexandre, ela aponta para os sofás, eu vou seguindo até o encontro dele, que estava conversando com uma garota.

- Oi sou o Hugo. – Falo pegando em sua mão.

- Prazer sou o Alexandre, Hugo sente-se, vamos aguardar o restante da minha turma chegar.

- Certo.

Eu me sento do lado da garota, de cabelo ruivo, toda maquiada e produzida, ela estava no celular.

O terceiro foi Thales Deummond Oliveira, acho que é o cara do helicóptero, de olhos claros, cabelo bagunçado, uma calça muito estranha toda rasgada nos joelhos, e um tênis muito massa.

Alexandre pega o celular e liga para alguém, perguntando cadê os outros alunos dele, ele conversa rápido e desliga;

- Bem, vamos as regras, falta alguns ainda da turma de vocês, mas depois converso com eles. Eu sou o Tutor e responsável por vocês aqui dentro, qualquer coisa vocês precisam chegar em mim, eu digo qualquer coisa mesmo. Aqui represento sua família, aqui eu sou responsável com vocês em relação a professores, alunos e pais, sou intermédio deles até vocês. Celular, é proibido dentro de sala de aula. Organização dos quartos é por conta dos alunos. Namoro, temos uma regra aqui nessa escola, não é proibido, desde que você não constranger o próximo...

Ele ficou mais uns cinquenta minutos falando, então mostra o bloco onde ficaríamos, entregou chaves para mim e Alana e acompanhou o Thales. O andar estava vazio, eu ainda escutava a conversa do dele.

Eu fui na frente, ela estava falando ao celular, então paro no quarto 211 e coloco as chaves, ela para do meu lado olhando para a numeração da porta;

- Isso só pode ser brincadeira. – Ela fala olhando na chave. – Aquele idiota me entregou a chave errada.

Alana fala, pois, estávamos no mesmo quarto, ela sai, indo atrás do Alexandre.

Eu entrei, deixei minha mala e mochila, queria muito tirar aquela calça, sentei na cama, tirei o tênis, e me levanto descendo a calça;

- Meu Deus, foi mal! – Alana fala entrando.

Isso eu com a bunda virada para a porta, quase morri de susto;

- Que isso garota?

- É o único quarto livre no andar inteiro, é sábado, e eu não vou ficar sem lugar para guardar minhas coisas, na segunda eu converso na administração. – Ela fala entrando.

Sim, eu iria dividir o quarto com uma garota!

Alana entra deixando as malas na cama a frente e começa a procurar uma tomada, eu pego um short e coloco, afinal ficar de cueca com ela ali no quarto não rolava.

Fui no banheiro e deitei respondendo as mensagens no celular.



#Thales


- Dormitório 307, seja bem-vindo Thales.

- Obrigado Alexandre.

Entro ligando a luz, pego minhas malas que já estavam dentro do quarto e coloco no chão, abro a janela olhando a vista do dormitório.

Enquanto ele fala e explica algumas coisas que nem presto atenção, e saiu sem eu nem vê-lo.

Tirei a camisa e tênis, deito na cama, respondendo as mensagens de minha mãe, quando escuto chaves na porta. Um garoto entra com uma mochila nas costas e puxando outra mala, eu encarei ele que me olha rápido;

- E ai! – Ele fala fechando a porta.

- E ai.

Ele vem e pega em minha mão;

- Lucas, de São Paulo. – Ele diz segurando a mochila com a outra mão.

- Thales, Rio de Janeiro escolhi essa cama, algum problema?

- Não relaxa.

Ele era quase da minha altura, o que mais chama a atenção, o cabelo, um topete parece que feito fio a fio, sobrancelhas feitas, rosto sem nenhuma espinha, aparentava ser bem mais novo;

Ele deixa a mochila, abre a mala, tira a blusa de frio, pega uma camiseta e um boné, o celular, e alguém bate na porta;

- Eu abro. – Lucas fala.

- Te achei! Seu colega de quarto já está aí? – Uma garota fala abraçando ele.

Ele me olha entrando no quarto. Ruiva, pouco mais alta que ele, um olho lindo, garota gostosa demais para aquele cara;

- Prazer, Alana Monteiro. – Ela fala estendendo a mão.

Eu coloco a camisa sobre o peito, pela ocasião e me recordo, era a garota que ficou no quarto com o Hugo;

- Thales Deummond.... Me desculpa. – Falo mostrando a camisa.

- Tudo bem!

- Conheceu sua colega de quarto? – Lucas pergunta.

- Sim, um garoto acredita, vou falar na administração na segunda.

Bem a noite o Alexandre convocou todos os alunos reunidos para jantarem juntos.

Nos servimos e sentamos, três garotos, Alana e Alexandre. Era uma daquelas mesas redondas e grandes, onde confortavelmente jantaria 6 pessoas. O refeitório estava cheio, e Alexandre estava falando pouco alto com a gente;

- (...). Pessoal última coisa, todos vocês têm que estar inscritos em no mínimo de duas atividades extracurricular, não é opcional a participação, por isso vou deixar as fichas com vocês, irão preencher e entregar amanhã logo no café, eu pego com vocês.

Ele também, explicou a necessidade de todos estarmos juntos, e ajudar uns aos outros. Quando ele saiu, o Lucas, meu colega de quarto pergunta;

- Ei, qual seu nome? Apresenta ai irmão.

- Hugo, 18 anos, vim de Belo Horizonte, tenho um irmão mais velho.

Ao seu lado quem continuou foi Lucas;

- Lucas Valvassori, tenho...

- Você já foi colírio da Capricho? – Eu pergunto, me lembrando de já ter visto ele.

- Sim. – Ele fala envergonhado. – Quer um autografo? – Ele faz cara de idiota.

- Não estou de boa.

- Fala aí Colírio, você é do Rio? – Pergunta o Hugo tirando uma com a cara dele.

- Não, sou de São Paulo, tenho 17 anos, e sim, já fui Colírio Capricho, mas hoje trabalho pelo meu instagram. – Ele diz sorrindo.

- Você passa maquiagem? – Eu pergunto.

- Às vezes. – O Colírio responde confirmando.

- Bem, eu sou a Alana Monteiro, sou de São Paulo, tenho 17 anos, e namoro a um ano com o Lucas. – Ela diz fazendo um carinho na cabeça ele.

- Thales, sou aqui do Rio de Janeiro mesmo, tenho 18 anos.

Lucas e Hugo ficaram conversando sobre futebol e o refeitório foi se esvaziando aos poucos.

Sinto uma mão apertando meu ombro, e olho lentamente para a direita;

- Então é verdade, esse ano temos aqui Thales Deummond? – Um garoto fala do meu lado. – Sou Vitor Simonato, prazer mano. – Ele estranhamente pega em minha mão.

A cara dele não era das mais convidativas, com isso todo mundo ficou olhando sem entender;

- Não sei se falaram com vocês, mas não podem sentar tantos idiotas com uma gata como esta. Prazer delicia. – Ele fala passando a mão no cabelo da Alana.

- Porque está em pé então? – Lucas pergunta encarando ele.

- Olha, esse ano vai ser divertido.... Deixa eu ver, um Caipira, um merda de um ex Colírio, uma gostosa e o playboy do Thales.

- Escuta aqui o Pau no cu. – Lucas fala se levantando. – Tem coisa melhor para fazer não?

O tal Vitor pega em meu braço me levantando, nesse momento os meninos da mesa ficam de pé. Ele olha e fala perto do meu rosto;

- Fala para sua putinha medir as palavras que faço da vida dele e a sua um inferno nesse colégio, ta ligado.

- Está me achando com cara de pombo correio? – Falo empurrando ele. – Encosta em mim de novo, que vou te mostrar o inferno.

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