• @richardsongaarcia

Clichê - Terceira Temporada - FIM

3 meses depois.

#Augusto

Em casa eu desci as escadas com a Helena do meu lado, pois iria sair;

- Não quer mesmo que eu vá com você amor?

- Não Helena, tudo bem, eu tenho que fazer isso sozinho.

Ela me abraça forte, e então sigo para o carro, Matheus aguardando, ele abre a porta, eu entro.

Vou colocando o cinto e escuto;

- Está pronto? – Camilo fala.

- Pensei que estava aposentado. – Abro um sorriso.

- Não irei deixar meu velho amigo em um dia como esse.

- Obrigado cara, obrigado.

Seguimos para o hospital, eu iria encontrar meu irmão lá.

Quando chegamos no estacionamento, o Camilo subiu comigo, até o andar dos quatros, o Heitor estava sentado no sofá;

- Pronto? – Pergunto estendendo a mão.

- Sim, e você?

- Sim.

- Eu fico aqui. – Camilo diz.

Os dois o abraçam, e seguem, Augusto com a mão no ombro do irmão, até o quarto do pai.

O Doutor Gabriel que aguardava eles, explica os procedimentos adotados e como funcionaria e diz;

- É apertar esse botão e pronto, caso não estejam preparados, estarei ao lado de fora do quarto. – Ele mostra, saindo.

Gabriel fecha a porta, e Heitor senta ao lado do pai, segurando sua mão, Guto fica de pé do outro lado da cama;

- Pai... Na última visita eu contei sobre o meu novo projeto, que iria fazer uma apresentação. Mas além de conseguir contrato com a AFAIR, tenho mais duas propostas para a semana que vem. Irei implantar uma política de cuidado com o meio ambiente em muitas empresas de aviações pelo mundo.

- É ele esqueceu o AS-72. – Falo rindo.

- Sim, e a Petrini com total comando do meu irmão, hoje se tornou a Grife de roupas mais valiosa do mundo.

- Pai eu tentei tirar ele e Kleber da AFAIR, mas é impossível! Voltaram como sócios, e é oficial, são teimosos como o senhor.

Heitor estava bem emocionado, com lagrimas nos olhos;

- Seu neto agora só fala de aviões, rsrs, eu pensava que ele seguiria os passos do pai, mas não, vai seguir os passos do tio.

- Do avô. – Eu o corrijo. – Queríamos que a mamãe estivesse aqui, mas ela não estava bem hoje, e não sabíamos se seria bom ela presenciar.

- O senhor está doente, ficou aqui nas partes mais felizes de nossas vidas. Minha e do meu irmão.

- Não sei o que dizer pai, assinar esses papeis, tomar essa decisão. Foi muito.

- Sim, mas concluímos que pode ser melhor para o senhor, esperamos que seja. Procuramos ajudas religiosas e espirituais, para esclarecer tudo, assim como um apoio do doutor.

- Pronto?

- Pronto.

Seguramos nas mãos um do outro e dele, oramos um Pai Nosso, e Heitor falou umas palavras. E então despedimos;

- Me perdoe por não fazer o que o senhor sempre mandou, por não pensar na fábrica de Curitiba, ou brigar sempre que me enviasse para conferencias no Maranhão. Eu tentei pai, tentei. Mas nunca irei ser como o senhor, não tenho sua força, sua determinação. – Heitor diz com o rosto deitado nele.

- Eu nem sei por onde começar.... Fiz tantas merdas, desobedeci, briguei, gritei, o senhor me enviou para longe. Eu voltei e fiz tudo de novo, e de novo, e de novo. Só percebi a falta que o senhor faz, quando o senhor foi para longe, veio para esse quarto, só dei valor quando meu irmão foi para longe. Dizem que só quando se perde que se dá valor, não posso discordar, pois vive isso. Me perdoa por não ser o filho que o senhor queria que eu fosse. Me perdoa por não reconhecer todo seu esforço por mim e nossa família, o senhor tinha seus defeitos, todos nós temos. Mas hoje com meu filho, seu neto eu entendo. Todas as brigas, os gritos e as atitudes extremas, era proteção e cuidado. Eu nunca tive a oportunidade de dizer pai, mas eu te amo.

Heitor olha o botão leva a mão e fecha os olhos;

- Eu não consigo.

Eu dou a volta na cama, e aperto,

Aperto o botão que dá fim a vida do meu próprio pai.

Heitor posta a cabeça em seu corpo chorando, e o segurando.

Eu afasto em passos curtos e encosto na parede, parece que minhas pernas perderam as forças e agacho chorando.

E desde o desaparecimento do meu irmão, um vazio, uma aflição tomou conta de mim. Hoje ela se foi, hoje ela não existia mais. Era como um peso que foi retirado de minhas costas. Peso esse que eu não tinha a vontade de ter retirado.

Na Mansão dos Montanari Petrini, Nice estava a luz do sol, com um amontoado de folhas de papel pardas de seu lado, com um peso sob elas.

Em sua mão um apoio, como uma prancheta, sua caneta de ronda transcreva as últimas palavras de seu extenso livro;

"- (...) Temos o costume de olhar para todos os finais e lembrar como foram bons, lembrar momentos, lembrar cenas e aprendizados, aqui não é diferente, vocês vão terminar de ler relembrando cada emoção sentida, cada sentimento por e com esse livro. Com Machado não foi diferente!

Como se ilustra um vilão? Como se retrata alguém do mal? Mostrando e o expondo, não é verdade?

Então vamos aqui tentar expor meu falecido marido: "João Machado, seu nome de batismo, mostrou da forma mais pura e genuína como se protege os filhos, a esposa e seus interesses. Ensinou da forma mais dura Augusto crescer, virar homem, ter responsabilidade. Foi o tutor de Heitor para que ele soubesse o que fazer cirurgicamente. Ele me protegeu de uma doença que nem ele mesmo sabia que eu poderia ter, talvez ele possa ver o futuro? Talvez sim, talvez não!

Acredito que ele foi desde o início um bom pai, duro, mas um bom pai. Afinal ele mesmo disse que Augusto Iria sofrer mais que ele mesmo, para poder crescer, e que Heitor cuidaria do irmão como cuidasse do "seu próprio filho". A única coisa que Machado não sabia era o final dessa história, desse livro. Ele não poderia prever alguns "anjos", como Caio, Helena e Kleber. Essenciais, mais que meus protagonistas até.

E como eu citei linhas acima, tem o aprendizado, mas qual poderia ser? A força de uma mulher maravilha como a de Helena? Não desistir quando está submerso no poço como Augusto? Ou abandonar a família, e o amor de sua vida para protege-los assim como Heitor? Ser leal, amigo, justo, amar e defender como Caio com seus amigos?

Seja lá qual for o que você colheu creio que foi de bom proveito!

Aqui finalizo essa jornada e a pedido ao meu amado Neto Kalleb Montanari Petrini de Lacerda! O último suspiro de lucidez de sua amada avó (...)"


Nice Petrini Moffato Hon

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