• @richardsongaarcia

Clichê - Terceira Temporada - Cap. 49

Eu sai do banho, e depois de me troquei, o Guto se arrumou, passando perfume, colocando uma das camisetas do jogo apertadas, marcando musculo;

- Vai onde assim?

- Em um estádio ver um jogo do meu amigo Helena, cheio de homens, sem nenhuma mulher por perto. – Ele fala tentando ser irônico.

- Você é gay, o problema é exatamente esse Augusto.

Ele começa a rir por não perceber o seu comentário;

- Você não existe.

- Vou colocar a tropa de seguranças de olho em você. Guto se olhar para o lado a ordem será de jogar lá de cima.

- Aí gente, ela ainda continua com ciúmes. – Ele vem me abraçando.

- Olha isso, essa calça apertada. Guto está usando seu perfume importado viado?

Eu levanto deixando ele no vácuo.

- Todos meus perfumes são importados Helena.

- Fica esperto comigo, senão você muda com seu filho. – Falo saindo do quarto.

- Também te amo. – Ele grita.

Ao descer as escadas vejo a Raquel entrando do deque;

- Oi, dona Nice está lá?

- Sim.

Eu sai indo para a beira da piscina, ela estava deitava em um dos sofás olhando o pôr do sol;

- Meu Deus, está perfeito hoje. – Falo de pé ao seu lado.

- É lindo todos os dias querida.

- A senhora tem razão.

- Ouvi seus gritos lá dentro. – Ela comenta.

Eu fico vermelha, e me sento no sofá a sua frente;

- Homens dona Nice, Guto está indo ver jogo e se arrumou todo, como se estivesse indo a um encontro. – Falo toda brava.

- Filha escuta, aquele garoto sem se alguém estiver pelado na frente dele, esfregando na cara ele faria algo. Augusto está apaixonado, perdidamente apaixonado.

- Eu espero.

- Você vê nos olhos, no toque e na forma como ele fala com você. Quer um concelho?

- Claro.

- Aproveita ao máximo, fica junto, beija, faz amor, e que essa fase não passe, e se passar você vai estar feliz e realizada.

- É como a senhora se sente?

Ela retira os óculos, limpa com seu lenço de algodão rosa;

- Eu estou doente Helena, agora falo com você e quando termino meu banho estou pensando como foi bom a coletiva de imprensa que eu fiz essa manhã, ou um desfile que tenho que fazer amanhã, eu não sinto mais nada.

- Desculpe, não queria magoa-la.

- Mas eu vive querida, fui realizada em meu casamento, ao máximo. Até que eu percebi que costurar era mais interessante que viver para homens. E eu tenho dois príncipes que me orgulham a cada dia. Na verdade a cada dia que eu lembro que eles são meus filhos.

- A senhora é uma gigantesca mulher, tem uma força, é na sua pessoa que me espelho dona Nice, diariamente.

- A vida não é fácil para a gente minha filha, você sempre será criticada e apontada o dedo. Eu fui durante toda a minha vida, mas não reclamo disso, pois moldou quem sou hoje. Sou realizada com meu trabalho, pude mudar vida de pessoas, eu impactei onde passei, pode parecer egocentrismo, mas é só orgulho. Agora aquela Nice Petrini das roupas, dos livros, sapatos, bolsas e desfiles morreu. Ficou a Dona Nice, doente, debilitada, acompanhada de uma baba vinte e quatro horas por dia. – Ela pega seu chá e toma. – E filha essa Dona, essa senhora aqui depois de passar isso tudo está apreendendo, com os filhos, com o neto e com as noras.

- É maravilhoso conversar com a senhora Dona Nice.

- Obrigada linda, eu que agradeço por me ouvirem, por isso que estou escrevendo mais um. – Ela mostra o rascunho de seu livro.

- AI não vejo a hora de ler esse também, é sobre o que?

- Meu maior tesouro, meus filhos.

- Aí eu me arrepiei.

- É uma Crônica, estou gostando, pena que fico poucas vezes “sóbria”, já era para estar na reta final.

- Falta muita coisa?

- Não, um filho se casar e outro se acertar com o amor de sua vida.

Eu não comentei, só abaixei a cabeça, muito emocionada;

- Quer um abraço?

- Sim, por favor. – Falo de joelhos na sua frente.

Aquela velhinha me abraça com sua força, cheirando chá de flores com morango;

- Obrigada por ser tão incrível Nice, obrigada.

Pouco antes do jantar o Kleber chega em casa, eu nesse momento tinha acabado de lavar meu cabelo e fui até seu quarto;

- Oi, amigo pode entrar? – Bato na porta.

- Sim.

Ele estava com algumas malas na cama, e dentro do closet;

- Que é isso Kleber?

- Falei com o Guto, vou me mudar amiga, não quero ficar aqui depois que se casarem. – Ele fala pegando os cabides de roupas.

Fico calada olhando para ele, estava com pena;

- Que cara é essa Helena?

- Só vai ficar bem depois de parar e ouvir o Heitor, e falar o que sente na cara dele.

Kleber deixa as roupas na mala, me olhando com olhos brilhando ele fala;

- Eu ainda amo ele, nunca deixei de amar.

- Pois então.

- Helena só você sabe o que eu passei, como eu sofri e noites em claro, e nem tive tempo de parar para sofrer, porque eu estava ajudando o Guto a concertar o tamanho da merda que ele deixou para trás.

Ele gritou comigo, eu só tive a atitude de me levantar e abraçar ele. Quando aperto o Kleber ele começa a chorar;

- Eu só quero parar de sofrer, só isso amiga.

Fico com ele muito emocionado ainda e só depois eu falo;

- Acredito que ele voltou por uma razão, e você está entre elas Kleber. Ir embora daqui por ele, não muda muita coisa.

- Mas não dá para ficar no mesmo teto que ele.

- Amigo, senta com ele e fala tudo que sente, tudo, coloca para fora, não é bom você viver com isso.

- Tudo bem.

- Vou te ajudar com isso... – Falo indo ao closet. – Mas está pensando em voltar para o apartamento em Realengo?

- Não, eu comprei um no fim do ano passado mulher, te falei, o de Realengo deixei para minha mãe.

- Rsrs, sorte a sua, a minha mãe não gosta de prédio, comprei uma casa, e aluguei o apartamento, assim passo a grana para ela.

- Ah, mas hoje você ganha bem Helena.

- Kleber sabe que trinta por cento do meu salário é para a Casa 1.

- Sei sim, mas no mês passado Guto mandou aumentar o meu e seu salário amiga.

- Sim, ele conversou com Luan sobre.

- Tenho que falar com Luan.

- Está bravo com ele também né amigo?

- Sim, e muito.

- Com licença, Helena seu vestido está passado. – Raquel bate na porta.

- Aí querida, coloca no meu closet por favor.

- Tudo bem.

- Obrigada.

- Vai onde assim? – Kleber pergunta.

- Vou dar uma entrevista pela manhã, e almoçar com o Guto.

- Ele viu esse vestido?

- Não, vai ser surpresa.

- Sabe que ele vai ficar bravo né?

- Sei, rsrs.

Depois do jantar, eu fiquei no meu quarto com o Kleber, ele me ajudou com a escolha do local para casar.

Eu pensei em esperar o Guto mas fui dormir, ainda escutei ele chegando, todo cuidadoso para não fazer barulho, gente deitada eu sabia que ele tinha bebido.

Quando acordo na manhã seguinte ele já havia descido, então me arrumei, deixei o cabelo meio que pronto na noite passada, me maquiei e me troquei descendo.

Depois das escadas seguindo a direita, todos estavam na mesa, só o lugar da Dona Nice estava vazio.

Todo mundo parou me olhando, o último foi Guto, ele estava com a xicara sendo levada a boca;

- Aí merda. – Ele se queima com o café.

- Bom dia gente. – Falo me sentando.

- Vai onde assim? – Ele pergunta.

- Está matando com essa fenda desse vestido em Helena. – Kleber comenta.

Era um vestido longo, roxo, com uma fenda na perna esquerda bem grande, de costas abertas, alças e decote na frente.

- Tenho uma entrevista e depois vou almoçar com o Guto.

- Vai dar uma entrevista vestida assim?

- Esse vestido nem foi lançado ainda, é uma exclusividade nossa, estou na verdade trabalhando.

- Amor eu to vendo tudo, e isso que estou deste lado. – Ele fala baixo.

- Gostou Guto?

- Sim, Helena eu gostei.

- Hum, que bom. – Me sirvo de café.

- Está fazendo para provocar porque eu sai ontem né? – Ele fala baixo.

- Não, foi por você ter bebido.

Ele só vira os olhos.

- Cadê sua mãe?

- Tem consultas hoje, foi para São Paulo.

Kalleb termina de tomar café e fala;

- Vou pegar minha mochila mãe.

- Filho o Guto que vai te deixar no colégio hoje tudo bem. – Ela diz com o guardanapo em mãos.

- Tá.

- Kleber não vou participar da reunião hoje, vou acompanhar Helena. – Guto fala com ele. – Camilo prepare um carro somente, eu vou levar eles.

- Acompanho senhor?

- Sim.

Eu nem comento, ele com ciúmes é todo chato. Ele sobe para colocar um paletó e eu grito;

- Amor pega minha bolsa, está na cama.

- Ok.

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