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Clichê - Terceira Temporada - Cap. 44

Bem eu desci, e no andar do atelier, o Matheus estava na porta, entrei e Julia estava com Kalleb, ele mostrava seus “desenhos” que ele havia feito.

E aos fundos, como o atelier é da minha mãe, há os retratos da família, nem eu nem meu irmão nunca retiramos, e como o local não era utilizado, lá havia, eu, Heitor, minha mãe, meu pai, e até a Raquel.

O Kalleb vê os porta-retratos, e busca um de Heitor, e outro onde tinha eu, ele e minha mãe.

Eu arrumava minha mesa, quando ele e Julia conversavam algo, até então a pergunta que Kalleb faz, e ecoa dentro daquela sala indo direto no meu peito;

- Mãe o tio Heitor também era meu pai?

- Não, porque também?

- O Leandro era meu tio também. – Ele pergunta com a foto em mãos.

- Não meu filho, não é assim... Guto vem aqui. – Ela me olha.

Deixo os papeis e caneta, me aproximo sentando do seu lado;

- Olha para a mamãe, já está na hora de você saber de uma coisa. Você já é um homem.

Ela pega a foto, e coloca de lado, ele estava de pé na nossa frente, com uma mão em minha perna e uma na dela;

- A mamãe já falou, que o Leandro era meu namorado, não era o seu papai de sangue, ele ajudou a criar.

- E meu tio?

- Kalleb, Heitor é o seu tio, e sempre será, tudo bem?

- Tudo.

- Agora a mamãe vai falar algo muito sério, olha para mim.... Meu filho o seu papai é o Augusto, o Tio Guto. – Ela fala e ele me encara tirando a mão da minha perna. – Ele que a vovô Nice falou para você, é filho dela, e irmão do seu tio Heitor. Você entendeu?

Quando ela pergunta ele já estava dentro de suas pernas;

- Sim.

- Você gosta do tio Guto?

- Gosto.

- Agora filho, quando perguntarem na escola do seu pai, ele se chama Augusto, e ele um grande estilista.

- Não mãe, ele costura. – Kalleb fala baixo, meio que com vergonha de mim.

Ai meu Deus, eu consegui sorrir, pois estava com emoção transbordando;

- Kalleb. – Estendo a mão para que ele possa pegar. – O que sua mãe disse e verdade, eu sou o seu pai! Mas escuta, não precisa me chamar assim, e as coisas não vão mudar entre a gente viu, pode dormir comigo, pode vir para trabalhar. Tudo bem?

- Sim.

- Posso te dar um abraço?

- Sim.

Eu ajoelho no chão, apertando aquele tamanho de gente que estava me derrubando ao cada dia;

- Eu te amo ta, muito.

- Tá! – Ele ainda estava meio assustado, mas de primeira foi um passo.

Um passo importantíssimo e valido para o momento. Só aquele abraço para mim era uma remoção de remorso que ainda havia em relação a ele.

Vinte e dois dias depois:

Sexta-feira 30 de Setembro de 2022, São Paulo.

#Augusto

Nossa tínhamos praticamente três andares de um hotel inteiro disponível para equipe, segurança, família e amigos.

A horas do desfile, o arrepio no corpo era inevitável, todos estavam nervosos, o frio na barriga estava sendo compartilhado.

Julia como está com a equipe do desfile já estava no local, minha mãe em um quarto com uma equipe de cabelereiros e maquiadores, e Helena em outro, junto sua mãe, Kleber e Luan.

Eu, Caio e Kalleb terminamos primeiro, pegamos umas bebidas e ficamos conversando no meu quarto, na verdade cuidando do pequeno, para não se sujar.

- Desculpem, senhor estamos prontos. – Camilo entra no quarto.

- Ótimo, chama todos quero falar com eles.

- Augusto são quase vinte seguranças, não posso traze-los aqui.

- Junta no estacionamento, eu desço lá.

- Tudo bem.

- Caio vou descer e já volto.

- Beleza.

Desci com o Camilo no elevador, e estava estralando meus dedos, e ele pergunta;

- Nervoso? Pensei que já estivesse acostumado?

- Eu estou, mas fico receoso com minha mãe, e tem Helena, ela se esforçou demais cara.

- Vai ficar tudo bem, fique tranquilo.

O elevador se abriu e todos estavam nos carros, e conversando, rindo, bem à vontade. Ao me ver ao lado de Camilo, ficaram com uma postura melhor;

- Boa tarde, todos aqui por favor. – Chamo para mais próximo.

- Primeiro eu quero agradecer a todos, e decidi não passar as regras ao Camilo e sim vim falar com vocês para compreenderem a situação. Acho que praticamente todos já trabalharam na São Paulo Fashion Week correto?

A maioria confirma;

- Ótimo, então sabem o que nos espera, Camilo quem são sua prioridade 1 que você sempre fala? – O questiono.

- Kalleb, Julia, o senhor, Kleber e Helena, nesta ordem.

- Quero um com Kalleb e Caio, outro comigo e Helena, e com Kleber o resto de vocês, contando você e Matheus estarão com a minha mãe.

- Augusto é muito arriscado. – Matheus diz.

- Escutem, ela está doente, está debilitada, não está em condições de tirar fotos com admiradores, e entrevistas, e conversas, mas não vou privar minha mãe de viver isso. Então a ordem é única, ninguém aproxima, ninguém aponta microfone, e não fala com ela. Estão me ouvindo?

- Tem o momento certo para fotos e entrevista, como não interferimos? – Um dos rapazes questiona.

- Não interferem, com uma distância segura os fotógrafos tiram as fotos e pronto, quero a confirmação de todos, tem mais perguntas?

- Você vai com sua mãe e Helena comigo certo?

- Sim, conversei com os meninos estão tranquilos, podem ir em outro carro sem problema.

- Ótimo.

- Vou subir está quase na hora.

Eu pego na mão de todos, os cumprimentando e ainda prometo um “bônus” no pagamento caso ocorresse tudo de acordo que a gente combinou.

Quando voltei para o nosso andar, o Kleber que decidiu ficar junto a João com a organização, estavam quase carecas.

Caio e Kalleb estavam no corredor jogando bola com uma bolinha feita com papel;

- Mas gente vocês dois não param.

- (...) Sim, vamos deixar isso claro! – Kleber sai do quarto com Luan e João.

- Gente ela está pronta. – Dona Cida aparece, anunciando a filha.

Mano!

De vestido vermelho desenhando todo o seu corpo, com a barra mais aberta e com movimento, a cintura apertada e alças caídas dos combros, um decote gigante, sem colar, sem pulseira, somente um brinco de brilhantes, cabelo em penteado preso com fios da franja soltos de ambos os lados. Maquiagem impecável.

- Então?

- Está maravilhosa, meu Deus. – Chego pegando em sua mão.

Ela dá uma volta e Caio fala;

- Está gostosa.

A gente sorri e eu beijo ela, passando a mão em sua cintura;

- Gostou?

- Está perfeita.

Quando falo isso a Helena abre a boca, fazendo aquele AH! De surpresa.

Sinceramente eu não tive estruturas para o que eu vi;

Minha mãe no seu preto básico, calça e blusa de mangas, com suas pulseiras grandes e seu óculos característico, como o evento entraria pela noite, ela escolheu usar um com lentes mais claras, o seu de grau mesmo, destacando ainda mais seus olhos, com delineado marcante. O toque era um sobretudo extremamente minimalista, com um botão somente, a peça era um rosa bebe de tal perfeita que era impossível era sinais de costura. Seu cabelo com o penteado alto como sempre, imitando um topete com fios brancos. Com um cachecol de algodão nas mãos e o mais importante;

- Mãe, tênis? – Olho para ela.

De tênis branco da Adidas. Era um glamour, uma elegância, quase uma rainha, e ousar dando uma quebra com um tênis, é genial de sua parte;

- É confortável. Gostaram?

- É uma verdadeira obra de arte!

- Gente eu to emocionada, Dona Nice como consegue. Que imaginação mulher.

- Eu também amei, juro, mas estão todos atrasados, vamos começar a descer.

Eu e Helena no elevador ficamos tocando minha mãe, de todos os lados. Era uma coisa de louco.

Quando nos separamos nos carros, para sair o Kalleb fica bravo, ele não queria entrar com os meninos, e com vir conosco;

- Ele quer ir com vocês Guto. – Camilo fala na porta.

- Eu acho perigoso, por causa da minha mãe.

- Mas ele está bem bravo lá.

Eu sai do carro e vou até o outro veículo, com todos tentando convencer ele;

- Que acha Caio?

- Guto, você que sabe.

- Estou com medo, vai ser um alvoroço, queria que ele fosse com vocês, porque já entram direto, é mais seguro.

- Mas eu quero ir com minha avó.

- Vai se comportar?

- Vou.

- Vou levar ele comigo.

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