• @richardsongaarcia

Clichê - Terceira Temporada - Cap. 22

Descemos juntos a escadaria. Ele estava sentado na ponta da mesa de costas para a vista, falando ao telefone que estava no viva-voz;

- (...) Ela não sai, não pode trabalhar, o garoto está sem ir para aula e tem pessoas vigiando ela a todo momento.

- Estão vigiando para eu não chegar perto Caio.

- Eu pensei nisso também. Olha eu não posso fazer mais mano, é o máximo.

- Eu vou dar um jeito. – Guto olha a gente chegando. – Posso te ligar mais tarde?

- Vai lá.

- Falou.

Ele desliga o celular, e se levanta pegando na mão de Luan;

- Obrigado por vir tão rápido.

- Não é problema.

- Que está fazendo aqui? – Ele pergunta comigo me sentando.

- Eles me demitiram.

Ele até sorri, sabe um sorriso de lado, por assim como eu não acreditar, mas olha para Luan que estava com a cara séria;

- É verdade isso?

- Sim.

- Eles não podem fazer isso Kleber. – Ele toca minha mão.

- Esse não é o problema agora! Henrique está correndo contra o tempo, para Julia assinar a papelada passando o poder para o concelho! Mas ele está indo mais fundo. Henrique vai manipular ações da Petrini, assim será o maior acionista, mais que ela.

- Estão perseguindo ela, mantendo olheiros na frente de sua casa, ela não trabalha, e o Kalleb não vai mais a aula. Heitor fez isso, ele provocou tudo isso, não é culpando meu irmão. Mas acho que temos compromisso com ela. E mais.... Te chamei aqui para nos dar uma aula, de como mudar isso. – Guto olha para Luan.

- Mudar o que?

- Como eu interfiro no concelho?

- Bem, você poderia entregar uma declaração para Julia assinar, te passando o poder, é o que ela fará para eles. Mas se quiser ser mais incisivo, assuma Kalleb. Dê o nome da sua família para ele. Como pai, e responsável legal, Julia ainda continua soberana, mas o cenário muda.

- Que eu preciso fazer?

- Primeiro dê seu nome ao garoto, é o mais importante, depois entramos com a procuração, ela é bem parecida com a de “Plenos Poderes”.

- Está trabalhando para mim agora Luan, eu irei atrás de Julia, e conversar com ela...

- E Kalleb? – Pergunto.

- Me rendi ao desejo do meu irmão, eu irei tentar me aproximar do garoto.

Abaixo a cabeça na mesa, e fico muito emocionado, ele se levanta e me abraça de lado;

- A morte de Heitor não será em vão, eu e você vamos fazer valer seu nome, posso contar contigo? – Guto me abraça.

- Claro.

- Com licença senhores. – Matheus aparece nas escadas. – Preciso confirmar o comboio de carros dessa tarde!

- Pode vir Matheus.

Hoje aconteceria uma homenagem ao Heitor, essa tarde eu e Guto iriamos sobrevoar o local exato onde perderam o contato com ele e jogar algumas pétalas, depois vamos ao cemitério, onde tem o mausoléu da família.

O Matheus explica para a gente o percurso, tudo que iriamos fazer, e se concordávamos;

- Quero que retire um segurança do helicóptero, será o piloto, e copiloto, eu você, Kleber e minha mãe.

- Quer levar dona Nice?

- Sim.

- Sim, senhor, vou preparar.

Ele sai, e eu olho a Guto;

- Que está pensando?

- É fora de ética com a memória do meu irmão, mas eu estou decidido Kleber, vou socar aquele concelho de tantos lados que vão ficar perdidos em saber o que está acontecendo.

- Mas o que sua mãe tem a ver com isso?

- Tudo. O mundo conspira que ela está morta, nem o concelho sabe com certeza dela. Trazer ela para os holofotes, acende a chama na Grife de uma forma, impossível de imaginar.

- Entendi, quer fazer as pessoas voltar a assimilar as empresas em a vocês.

- Empatia é a palavra Kleber.

Depois de almoçar, nós começamos a nos arrumar, e gente o Guto disse a mãe que era um velório do irmão dele, ela respeitou, mas Dona Nice sempre negava a morte do filho.

No começo doía em mim essa sua expressão, mas o Doutor Gabriel sempre disse que ela não assimilava 100% das coisas, e é normal essa atitude dela.

Desci as escadas, vendo uma deusa sentada naquele sofá, gente vocês não tem ideia de como Nice Petrini estava.

Elegância personificada em si. O seu cabelo branco com penteado extremamente simples para trás, com mínimo volume formando um topete pequeno, seus óculos grandes e escuros, brincos pequenos e brilhantes, uma roupa preta, calça e blusinha finas, com um sobretudo cheio de volumes com mangas cheias, pulseiras grossas e chamativas, tres a quatro anéis, sem salto, de sapatinha baixa, bem maquiada usando um batom mate perfeito;

- Que Deusa é essa? – Falo descendo as escadas.

- É sempre bom se sentir bem né meu filho?

- Claro, você está demais, vem, dá uma volta. – Pego em sua mão.

- Para Heitor, sabe que fico envergonhada!

Cheguei a respirar fundo com ela me chamando pelo nome dele, foi pesado.

- Hum, vejo que já estão prontos. – Guto desce das escadas.

Puta merda! De camisa preta, terno preto, sem gravata e cabelo alto como ele gosta, Guto desce das escadas;

- Está muito bem. – Falo olhando ele.

- Você também.

- Estamos todos. – Nice pega em nossas mãos.

Meio que abraçamos os três juntos;

- Estamos prontos senhor. – Matheus diz.

Galera muitos esperavam por esse dia, não era possível correr do que havia acontecido, era enfrentar.

Já saindo de casa tinha helicópteros sobrevoando a residência;

- São imprensa.... Todos juntos? – Matheus pergunta.

- Sim. – Nice responde.

Haviam muitos carros, nós entramos em um deles, e seguimos em comboio. Direto para um heliporto próximo, e durante o percurso éramos acompanhados por muitos jornalistas.

No heliporto quando descemos do carro Guto ajudou a Nice, e mesmo longe era possível ouvir os cliques das câmeras, ao lado do helicóptero Camilo.

Ele ajudou os três a subir, e dia a Matheus;

- Me dá essa honra?

- É claro.

Matheus abre mão de estar conosco, e Camilo embarca.

Coisa de quinze minutos, estávamos no local, era possível ver no mar alguns barcos do resgate, um navio de buscas contatado pela AFAIR.

Outros helicópteros de longe, acompanhando.

Jogamos aeronave abaixo muitas pétalas, eu pensei que ficaria mal, porem foi ao contrário, foi bonito.

Voltamos, mas direto para o cemitério, a pouso da aeronave, encontramos nossos amigos.

Luan, Helena, Caio, Raquel, Matheus, amigos da família, e graças a Deus poucos do trabalho.

Fizemos uma pequena caminhada até o mausoléu da família. Guto entrou, com algumas flores, eu entrei, e estranhamente havia uma lapide, uma escrita com nome de Heitor. Deixei uma rosa branca, e ali eu pude chorar.

Fechei os olhos, lembrando de todos momentos e o que ele representou para mim.

Eu sai e Nice, entra fazendo uma homenagem, mesmo sua mente levando em consideração ser um amigo da família era foi extremamente respeitosa.

Enquanto ela estava lá dentro, Guto fala ao Matheus;

- Coloque todos os carros frente aos portões, e prepare a equipe, que irei falar com os jornalistas.

- Eu não recomendo senhor.

- Eu insisto.

Camilo olha de lado dizendo;

- Eu ajudo.

- Obrigado. – Guto sorri.

O caminho de pedras do cemitério tinha uns cem metros até o portão, uma tropa de carros foram colocados em fileira. Eu, Guto e Nice caminhamos até eles, com os convidados atrás.

Um cordão de seguranças frente aos jornalistas e curiosos e outros dois, acompanhando a gente.

Caminhando lentamente com Nice, Guto dá meia volta nos carros, e em uma pequena caixa preta, ele faz o inimaginável.

Uma multidão de jornalistas em nossa frente gritando e muitos flash, muitos mesmo. Três cordões de segurança para proteger, ele e nós, que estávamos atrás de Augusto.

Ele sobe na pequena caixa, tira seus óculos e respira fundo;

- Peço desculpas por não ser o local e não ser a forma mais apropriada para falar a vocês. Mas quero agradecer, em meu nome e de minha mãe. – Ele aponta para trás. – E você é claro Kleber. Nós agradecemos as mensagens, as energias positivas, é muito importante para nós, muito. Quero dizer também que dói.... Dói muito o que estamos passando e mais ainda não poder enterra-lo, é a pior parte, mas que eu esgote os recursos, mas iremos encontra-lo.

- Que acontece agora com as empresas Augusto? – Um deles grita mais alto.

Guto olha a esquerda, direcionando a resposta;

- Meu irmão tomou uma decisão difícil, e a mais linda que eu pude presenciar. AFAIR Airlynes e Nice Petrini sempre foi, é, e continuará sendo da minha família.

0 visualização
Assine para ser o primeiro a receber os capítulos 

Siga a gente:

©2015 por Armário Erótico Todos Direitos Reservados. Criado orgulhosamente com Richardson Garcia