• @rgpatrickoficial

Clichê - Terceira Temporada - Cap. 16

#Helena

Sabem aqueles acontecimentos que todos nos lembram?

11 de Setembro de 2001.

Morte de Michael Jackson.

Foram coisas e acontecimentos que marcaram, e você tem lembranças do que estava fazendo no momento.

Eu havia acabado de chegar em casa, e coloco uma agua para ferver, pois queria comer um macarrão, como de costume ligo a TV, e vou para meu quarto.

Tirar essa roupa e ficar mais à vontade, até entrar o plantão da Rede Globo.

Sai do quarto, olhando do fim do corredor a TV;

“- Vinte e quatro de Agosto de 2022, agora a pouco as 17 horas e 30 minutos, a Força Aérea Brasileira confirma o desaparecimento da aeronave modelo AR-1480, que era conduzido pelo então Presidente da AFAIR, que também se encontra desaparecido. Vamos agora ao vivo para Paraty com nossa correspondente Mariana.

- Olá Patrícia bem o centro de controle aqui do heliporto de Ilhabela, informou que Heitor embarcou sozinho, como todos já sabemos, ele é piloto de helicópteros, e a aeronave estava em perfeito estado e era um dos modelos mais caros da empresa, usado para o transporte dele e de sua família. Aqui onde estão vendo, foi de onde ele saiu, no momento o CENIPA que é o órgão da Aeronáutica Brasileira já interviu nas investigações. Heitor estava aqui para uma reunião de negócios, chegou essa manhã, e já estava retornando para o Rio quando desapareceu. Um momento. – A repórter leva a mão no ouvido, ouvido seu ponto eletrônico. – Acabo de receber a informação Patrícia que a AFAIR está disponibilizando, helicópteros de resgate e toda a equipe de inteligência da empresa para ajudar nas buscas.

- Obrigado Mariana... Heitor fazia o percurso de Ilhabela para o Rio, e estava sobrevoando o a costa de São Paulo próximo a Ubatuba, quando a aeronave desapareceu. Heitor pilota desde a adolescência com um grande histórico de horas de voo. Iremos trazer mais informações no Jornal Nacional, logo mais. A qualquer momento voltamos com atualização do ocorrido. ”

Eu estava com a boca tão seca, o coração disparado, procurando desesperadamente meu celular pela casa, ao encontrar procuro o número do Kleber, mas achei melhor não ligar.

Corri para o quarto me trocando e desligo meu fogão, descendo desesperada no elevador.

Pedi um UBER, pois era impossível dirigir naquela situação. E no caminho, comecei a chorar desesperadamente pelo meu amigo, Guto, Nice. Meu Deus.

- Moça tudo bem com você? – O motorista se preocupa.

- Sim, só vai mais rápido por favor.

Gente quando chegamos na casa dos meninos, a rua estava fechada, com polícia em alguns pontos, e um mar de jornalistas.

Depois de me identificar na portaria, autorizam a entrada do carro, mas havia tantos seguranças na frente da residência que era de se assustar.

Gente eu entrei, e desci do carro, vendo ele sair, entrei na casa já ouvindo choro, eu juro.

Parei, respirei bem fundo, para entrar.

Depois do hall principal há a sala de estar, o Camilo estava com um computador e acompanhado de uns guarda costas, e umas pessoas que eu não conhecia, na piscina se via a Dona Nice, e no sofá maior, o Guto sentado aos pratos, abraçado com o Caio que estava de joelhos em sua frente.

Gente que choro mais doído, era possível sentir o sofrimento dele de longe.

- Oi. – Camilo me abraça.

- Como você está? – Pergunto baixo.

- Péssimo.

- E Kleber?

- Lá em cima, Luan levou ele para tentar se acalmar.

Eu me aproximo sentando do lado dos meninos, Guto olha, e me abraça com força, ainda chorando.

Gente ele me derrubou, serio, era horrível.

Eu fiquei sentado, com ele me segurando por longos minutos, e se precisasse ficaria mais, o quão necessário.

O Caio coitado, todo sem jeito, assim como todos, desesperado e com razão.

- Vou ir ver o Kleber. – Digo limpando as lagrimas do Guto.

- Vai, ele precisa mais de você do que eu.

Vou subindo os degraus, limpando as lagrimas, e tentando ficar aparente para meu amigo.

Eu bato na porta e a abro. Kleber e Luan estavam sentados no chão. Frente a cama, um de frente para o outro.

Ele estava com os olhos inchados, e quando me viu voltou a chorar.

Eu me aproximei sentando do seu lado e então Kleber chorou com muita vontade;

- Helena porquê? Amiga porquê?

- Calma Kleber. – Eu apertava ele.

- Amiga que eu faço agora... Meu Deus.... Está doendo demais....

Eu não dizia nada, só apertava ele, tentando absorver um pouco daquela dor, preferia eu sofrer do que ver ele assim.

Luan olhando a gente e chorando, assim como eu é claro.

- Quero ele de volta... Amiga eu quero Heitor de volta, quero abraçar... beijar ele, e dizer o quanto eu o amo.

- Ele sabe Kleber, ele sabe o quanto você o ama. Agora é tentar ser forte.

- Não quero ser forte, quero morrer.

- Calma amigo.

#Caio

- Vou no banheiro. – Guto se levanta.

Eu limpo minhas lagrimas, e Camilo manda um dos caras para ficar de olho nele.

Gente tudo estava de cabeça para baixo;

- Que acontece agora? – Pergunto ao Camilo.

- Existe um tempo para confirmarem ou não o desaparecimento oficial. Até lá, estamos correndo contra o relógio, para ao menos encontrar vestígios. Por enquanto sigo o protocolo de segurança, que é manter Augusto seguro.

- Você tem esperanças de encontrar ele vivo?

Camilo abaixa a cabeça e gesticula que Não.

- Meu Deus.

A Dona Nice entra, acompanhada, e Guto estava a caminho da sala.

Nos pés das escadas, eles se encontram e ela percebe visivelmente a situação dele, com a cara inchada;

- Vai ficar tudo bem meu filho. – Ela coloca as mãos no rosto do filho.

- Mãe sabe que nunca duvidei da senhora, mas dessa vez não vai ficar não.

- Olha para mim.... Eu já errei alguma vez?

- Não.

- Vem aqui. – Ela abraça o Guto, fazendo carinho no seu cabelo.

- Você, me traz um copo com metade de leite e metade de café, quente por favor. – Ela fala a Raquel.

Nice se senta no sofá com o filho, e a empregada volta com o seu pedido;

- Pega, é para você. – Nice entrega a xicara quente a ele.

Kleber desce as escadas com os meninos, e Guto mais a “sóbrio”.

Camilo se aproxima com a equipe e para ficando em frente a todos;

- Sinto muito informar que o desaparecimento é confirmado e ainda não se há pistas! Tudo foi passado para o órgão responsável. Como amigo da família, eu ofereço meus sentimentos e forças, sabem o quanto eu amo você. Mas a partir dessa confirmação eu não trabalho mais para os senhores. Respondo para a companhia. – Camilo engole seco.

- Confirmado o que? – Guto pergunta.

- Confirmado a morte senhor. Eu passo agora a responder aos executivos da AFAIR. Me perdoem a frieza das palavras, só estou fazendo meu trabalho. – Camilo tira o comunicador, do ouvido e o rádio da cintura. – Matheus segue com vocês. Agora sou somente um amigo da família.

Ele fala com lagrimas nos olhos, entregando o equipamento para o Matheus.

Algumas pessoas também saem e mesmo com o peso de tanta coisa, todos ficamos creio que em choque no sofá;

- Quem morreu? – Nice pergunta.

- O Heitor mãe. – Guto responde segurando a mão dela.

- Quem é Heitor?

- Meu irmão.

Ela fica em silencio, como se estivesse assimilando algo;

- Ele não morreu.

Augusto faz um carinho no rosto dela e ela fala;

- Vai ficar tudo bem, seu irmão está bem.

- Acho que nunca mais as coisas estarão bem mãe.

- Seja forte querido, todos nós precisamos de você agora. – Ela aponta para todos na sala.

- Senhora está na hora do seu remédio. – A enfermeira diz.

- Eu tenho que ir. – Ela se levanta com ajuda.

Nice passa com cuidado e faz um carinho em Guto e beija a testa de Kleber;

- É visível o quanto você ama, nunca deixe esse sentimento sumir, nunca.

- Obrigado dona Nice.

Kleber e Guto receberam o responsável pelas investigações, eles conversaram, bastante sobre o que estava sendo feito. Ambos concordaram em disponibilizar tudo desde equipamentos a pessoas e dinheiro para as buscas.

Kleber mandou ser bloqueado todas as ligações da empresa e trabalho, junto a jornais e revistas.

Raquel preparou algo para comerem, mas ninguém conseguiu comer direito.

Eram três da manhã, todos ainda acordados até onde eu sabia, conversei muito com Kleber e desço indo até o Guto que estava sentado em uma das extremidades da piscina, olhando a vista e fumando, de bermuda e sem calçado.

Me sentei do seu lado, ele estava finalizando mais um cigarro, e ficava olhando a fumaça subir no ar;

- Só queria saber porque ele. – Guto me olha.

- Era a sua hora, você tem que aceitar.

- Você aceitou quando perdeu o Cauã?

- Nunca aceitei, mas eu superei. Assim como eu, você tem uma mãe para cuidar, e um pai.

- Poderia ser eu Caio, mano eu não sirvo para nada, ninguém sentiria falta. Agora meu irmão... Porra está errado, muito errado.

- Agora é você e sua mãe, lutando contra tudo e todos.

- Mano dói demais...

- Eu sei, sei exatamente o que está sentindo. É por isso que eu estou aqui, é por isso que a Helena está aqui, e o Camilo. Para compartilhar ela com você.

Por falar nela, Helena vem sentando no meio de nós;

- Desde quando você fuma?

- Nem sei.

Ela pega o cigarro da mão dele e puxa;

- Helena isso não é maconha. – Eu falo.

- Preciso me acalmar um pouco, me deixa.

Ela diz, e Guto abre um sorriso;

- E Kleber?

- Pegou no sono Guto, ele está mal, muito mal, vim te perguntar se posso pegar umas roupas e ficar uns dois dias aqui com ele?

- Claro, ele está muito mal mesmo.

- E você? – Helena devolve o cigarro.

Guto olha para a gente e fala a pior coisa que eu ouvi até então;

- Mano não quero enterrar um caixão vazio.

- Vão encontrar ele Guto. – Ela o abraça.

Depois de um tempo entramos, e eu dormi na poltrona da sala, Guto e Helena no sofá da minha frente.

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