• Richardson Garcia

Clichê - Terceira Temporada - Cap. 02

#Heitor

Coloco o Kalleb no banco de trás, ajeitando ele na cadeirinha do carro;

- Tio a gente já vai embora?

- Não Kalleb, vou te levar para conhecer uma pessoa.

- Quem?

- Surpresa... E cuidado com esse picolé, se derramar no meu carro, vou colocar seu tio Kleber para limpar!

- Eu não, ele quem pediu. – Kleber fala olhando do bando da frente.

Kalleb abre um sorrisão;

- Você fica rindo né, seu cara lerda! Aqui sua mãe colocou nenhuma frauda sobrando não?

- Não.

- Cuidado, olha está pingando, vai sujar sua roupa nova. Kleber ajuda aqui. – Falo para ele segurar o picolé de Kalleb.

Até eu pegar algo para ele se “sujar”. Abro o porta malas, e tinha uma camisa do Kleber de canto;

- TIO o Kleber está chupando meu picolé!

Voltei com o Kleber chorando de rir;

- Tem que dividir Kalleb.

- Você não dividiu o seu! – Ele diz esticando as mãozinhas pegando.

- Vai, acha que ele é bobo.

- Essa camisa minha é nova Heitor.

- Ninguém mandou você comprar picolé. Limpa aqui filho.

Mano Kalleb passa a mão na blusa passando na boca, já manchando tudo. Eu ajeito ela para que ele não se sujasse muito.

Entrei no carro e o Kleber que estava no volante;

- Para a clínica?

- Sim, estamos quase na hora, não sabia que iria demorar tanto assim no shopping.

Ele vai saindo do estacionamento e escutamos a risada do Kalleb sozinho no banco de trás;

- Olha o que ele está fazendo Heitor. – Kleber me dá um murro.

Eu olho, o picolé caiu na camisa dele, e estava uma bagunça já, com Kalleb rindo com aquela boca mais gostosa;

- Agora você vai com as mãos para cima até lá, para não sujar eu carro em rapazinho! – Aponto o dedo para ele.

- Tio to com fome!

- Kalleb acabamos de comer.

- Mas eu quero comer de novo.

- Tem aquelas bolachas ai no porta luvas. – Kleber me cutuca.

- Quem guarda bolacha no carro Kleber?

- É para suas reuniões de madrugada Heitor, tenho que dar meu jeito.

Peguei o pacote entregando para o Kalleb, e o Kleber vai chegando na clínica onde minha mãe estava;

- Chegar lá, vou falar com a psicóloga e tu leva ele no banheiro para limpar sua boca, e lavar as mãos.

- Tudo bem.

- Caio chega hoje, tem que entregar as coisas dele que estão na sua casa.

- Não vamos demorar.

Ele estacionou já dentro das instalações da clínica, e Kleber antes de abrir o cinto pergunta;

- Amor tem certeza que quer fazer isso? Não vai assustar ele não?

- Eu preciso fazer isso, não me perdoaria se ele não conhecesse esse garoto.

- Tudo bem.

- Chegamos... Meu Deus, tu não manchou meu carro mas fez uma farofa com a bolacha Kalleb... você comeu só o recheio? Não disse que estava com fome? – Vou soltando ele.

- Rsrsrs, essa bolacha é ruim.

- Ah sei, e comeu tudo isso.

Peguei ele no colo, o Kleber fechou o carro e vamos entrando;

- Que isso?

- É uma clínica.

- De que?

- De pessoas muito, muitoooo especiais. Quero que você conheça uma pessoa.

- Quem?

- A minha mamãe.

- Ela é especial?

- Rsrs, sim, muito, quer conhecer ela?

- Hunrum!

- Então vai, o tio Kleber vai te levar para lavar as mãos.

Entrego ele e chego na recepção, as meninas já me levam até a psicóloga;

- Oi Heitor.

- Doutora, então, podemos fazer aquilo mesmo, trouxe ele.

- Claro, é um ótimo dia, ela está no quarto, vamos. – Vou acompanhando ela.

Ela abre a porta, batendo e já vejo minha mãe sentada na poltrona lá na varanda lendo o seu próprio livro.

- Boa tarde, como está em? – A psicóloga vai entrando. – Você não vai imaginar quem veio te visitar hoje.

Ela fecha o livro se levantando;

- Oi mãe! – Falo chegando nela.

- Heitor? – Ela diz de braços abertos.

Pouquíssimas vezes no ano, uma a duas vezes no ano ela tem esses insights de reconhecer a gente, tanto eu quanto a meu irmão.

Nossa e até o abraço era diferente, maravilhoso, era um acalanto, eu me revitalizava por dentro.

- Senta menino, me conta como está a Marcela? – Ela me coloca na poltrona a sua frente.

- Está bem mãe, terminando o estudo, ela mandou lembranças (...).

Doutor Gabriel e a psicóloga amiga dele que cuida da minha mãe, sempre diz para acompanharmos os raciocínios dela.

- Vou deixar vocês. – Ela vai saindo. – Quer aquele chá que você ama Nice?

- Não, me traz um café, quero uma coisa forte, tenho muito que conversar com meu filho.

- Pode deixar. – Ela sai.

- Eu queria conversar com você Heitor.... Estava pensando em escrever outro livro, achei esse vago demais no meio. A editora queria vender e o resultado não foi o que eu queria, que você acha? – Ela tocava minha perna.

- Mãe eu amo esse seu livro, é um dos melhores para mim. Mas se a senhora acha, eu não vou questionar.

- Vou ler ele de novo, e fazer uma lista do que falta, e depois faço o mesmo com os outros, assim eu posso escrever um novo como que falta, que você acha?

- Adorei a ideia.

- E seu pai? Heitor tem que cuidar dele não anda com saúde para trabalhar daquele jeito (...).

Ela sentava com as pernas cruzadas, postura ereta e intimidadora, óculos na ponta do nariz, eu e meu irmão dizíamos que era a postura de reuniões dela.

- Mãe nossa, quase que esqueci, trouxe alguém para a senhora ver a senhora.

Graças a Deus consegui falar antes de Kleber chegar.

- Quem? – Ela pergunta.

Ela termina de falar e eles entram, o Kleber estava com o Kalleb nos braços.

Gente minha mãe descruza as pernas, fixa o olhar, tirando os óculos e se levanta, aproximando;

- Aí não acredito. – Ela estica as mãos para pegar ele.

Eu me assustei muito, pois ela fez como se conhecia ele, e então ela diz;

- Eu sabia que iria vir me visitar Augusto.... Você está muito lindo meu filho, nossa que saudade a mamãe estava.

Kalleb vai em seus braços sem problema, e minha mãe abraça e beija ele com muita vontade;

- Augusto mãe? – Falo em tom de brincadeira.

- Sim, ei estava chupando picolé de uva de novo? – Ela fala cheirando ele.

Eu estava muito arrepiado, com ele em seu colo. Kalleb estava tímido, cabecinha baixa, mas abria um sorriso com os beijos e elogios da minha mãe;

- Como sabe? – Pergunto.

- Ele é viciado, se deixar nem almoça, é só picolé... Como você está, meu príncipe?

- Bem. – Ele fala mordendo a boca.

- Estava com saudade desse seu cheirinho querido. – Ela abraça ele de novo.

Ele não responde, fica olhando com aqueles olhinhos para ela;

- Heitor está cuidando bem de você?

- Sim.

A moça entra com xicaras de café, e serve a gente, o Kalleb ficou no colo dela que não saia de forma alguma, eu na poltrona a sua frente e o Kleber sentou no chão, estava pouco calor, e a gente conversando, normalmente, como nos “velhos tempos”.

Me vi em um momento que ela pega o café só estava esfriando, não havia tomado ainda;

- Mãe a senhora não bebeu seu café.

- Estou esfriando para ele.... Coloca mais açúcar, é assim que ele gosta. – Ela empurra a xicara.

Eu olho para o Kleber e pergunto;

- É verdade? – Abaixo a cabeça, fixando o olhar em Kalleb.

- Sim.

Coloquei pouco mais de açúcar então, e ela ajudou ele a beber, ficamos um bom tempo lá, tipo aproximadamente uma hora, todo o momento, ele não havia descido, ficou lá no colo dela.

Kalleb começou a “pescar” de sono, e ela mesma o deita, fazendo ele dormir;

- Mãe já está escurecendo, acho melhor a gente ir, e a senhora também tem que descançar. – Falo me levantando.

- Aqui filho, pega ele, cuidado para não acordar. – Ela entrega Kalleb para o Kleber.

Ele o pega com cuidado e ela beija sua testa. Os dois vão saindo e eu vou me despedir, ela me abraça, aperta bem forte e começa a chorar;

- Que foi mãe? – Coloco a mão em sua cabeça, apoiando.

- Obrigada.... Obrigada por trazer ele. Muito obrigada. Eu sabia que viriam me ver. Eu amo muito vocês, você e seu irmão.

Ela chorava muito, eu não soltei ela, fiquei segurando no abraço;

- Sempre que eu tiver um tempo no trabalho vou trazer ele para a senhora tudo bem.

- Cuida dele meu filho, por favor! Eu te imploro. Ele não tem ninguém.

- Calma mãe.... Calma, ele está bem, e vai ficar mãe. – Volto a abraçar ela.

- Agora vai, coloca ele para dormir, antes que acorda. Sua avó dizia que não devemos acordar criança quando está dormindo assim.

Ela me leva até a porta, se despedindo, e agradecendo novamente.

Eu tentei ir para o carro, mas passei antes no banheiro, nossa como eu chorei dentre poucos minutos. Caramba que foi isso! Era como se eles se conhecessem desde sempre e como ela reconheceu ele, meu Deus.

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