• @richardsongaarcia

Clichê - Segunda Temporada - Cap. 30

Os meninos saem e ele fala;

- Heitor, seu pai impôs uma condição para que eu estivesse de volta a esse trabalho.

- Qual foi?

- Que me afastasse de você, e que não teríamos mais nada.

Eu sorri, sem acreditar;

- Você não fez isso.

- Eu aceitei.

- Entendo que não temos nada, foi sexo, mas já é uma questão de ética, e ser verdadeiro, e você não foi.

- Eu sei.

- E porque só falou agora?

- Não tive espaço Heitor.

- Claro que teve Kleber, você que não quis. – Me afasto, chegando próximo a janela. – E se ele estivesse aqui? Iria continuar a me evitar? Até quando?

- Não sei se aguentaria.

- Não consigo acreditar.

- Me perdoe. Eu preciso desse trabalho Heitor, sabe disso.

- Isso não é desculpa Kleber.

- Me desculpe!

- Não!

- Heitor por favor.

- Não consigo Kleber, não agora.

Quando falo deixo ele desconfortável, muito.

- Vai me mandar embora por isso?

- Não exagere.

Guto bate na porta abrindo e diz;

- Desculpa atrapalhar, mas vou embora, vai ficar?

- Não, vou com você. – Pego meu celular e fecho meu computador. – Depois conversamos, está dispensado. – Deixo ele na sala.

A gente foi para minha casa, e o Guto tomou um banho e foi dormir, eu peguei uns livros do regulamento das empresas para entender o que poderíamos enfrentar.

Por volta de umas nove e meia da noite meu irmão aparece no quarto, de moletom, cabelo bagunçado e de bermuda, deita deixando o celular de na cama;

- Que está lendo?

- Estava olhando os livros do regulamento da empresa.

- Não seja tão tedioso Heitor.

- Só tentando, pois não consigo concentrar.

- Que foi? Kleber? – Ele se vira me olhando.

- Você parece a mamãe sabia!

- Vocês terminaram?

- Papai subordinou ele, dizendo que devolvia o emprego caso ele se afastasse de mim.

- Serio?

- Sim.

- Que merda em.

- Aí, sim, cara, não sei o que faço agora.

- Dá um gelo nele, depois aceita as desculpas. Ele pediu desculpas né?

- Pediu, mas estou me sentindo um lixo de fazer isso.

- Ele já apreendeu, por pedir desculpas, agora deixa ele também refletindo o que fez, não foi certo.

- Você não volta para Paris, tem que ficar aqui, preciso de você.

- Haha’ que isso se resolva o quanto antes, quero estar bem longe desse pais.

Junto os livros tirando da cama, pois estava ocupando muito espaço, ele até se ajeita, ligando a TV.

- Heitor, você demorou para se aceitar?

Cheguei a derrubar um dos livros;

- Aceitar o que?

- Que é gay!

- Eu não sou gay!

- Haha’ e eu sou uma Paquita da Xuxa então.

- Não é tipo, eu ainda tenho desejo por mulheres sabe. Não fala isso para o Kleber. – Aponto o dedo para ele. – Como se diz?

- Bissexual?

- Acho que sim. Mas acho que ainda to confuso sabe, porque transamos algumas vezes só. – Eu ainda organizava os livros.

- Que achou?

- Do que?

- Do sexo!

- Melhor do mundo, rsrs.

Ele dá uma gargalhada e concorda;

- Aí, é verdade, realmente é gostoso para caralho. Mas porque está confuso?

Volto a sentar na cama, e ele deitado;

- Porque não fui igual a você, sabe desde criança curtir caras e já saber. Eu nunca olhei diferente sabe, e nunca foi de me chamar a atenção.

- Tu curtia ficar com as meninas?

- Sim.

- Mas sempre faltava algo né?

Eu abro um sorriso e respondo;

- Sim, intensidade creio eu.

- Eu sei como é. Heitor normal, tu sentir algo por um cara agora. Pode ser que o seu cara era o Kleber. Porque mano, vocês dois juntos são muito massa, eu gosto dele.

- Eu também, muito.

- E você se aceita assim, sem drama?

- Mano, é você longe, mamãe, o papai, trabalho, sabe bem como o trabalho me deixa. Eu me senti estranho, mas ele me deixou confortável sabe.

- Ele parece mesmo, ser bem especial.

- Ele é.

- Amanhã quando a poeira abaixar eu vou falar com ele, e tu perdoa o garoto.

- Pode deixar. E você em?

- Que tem eu Heitor?

- Sempre tive inveja da sua confiança sabe.

- Falam que sou arrogante, mas isso puxei do papai.

- Sim, nossa é irritante, mas acho foda. Você nunca foi de importar com a opinião das pessoas, vive do seu jeito.

- Heitor, acho que foi Paris me ajudou nisso. Lá todos estão no botão do “Foda-se”. Se tu andar com uma melancia na cabeça ou com a cara pintada de verde. E tem nossa posição que não pode ser ignorada.

- Como assim?

- Ah Heitor, você sabe! Quando se tem dinheiro, não tem preconceito, acredite a gente não sofre nada não é 0,01% do que acontece por aí.

- É você tem razão.

- Ya!

- Aff, falando em Francês agora? – Ele sorri. – Bom ter você aqui.

- É bom estar com você também.

Ele passou por todos canais da TV fechada e nada, então a gente foi para a sala jogar vídeo game, comendo pipoca e bebendo refrigerante.

Nenhum dos dois se preocupou em dormir, para o dia seguinte que seria pior que os anteriores.

Acordei e fui tomar um banho demorado, estava começando a digerir tudo que estava acontecendo. Me troquei e na cozinha escuto conversas de Guto e Camilo, quando vou chegando eles estavam tomando café;

- Precisa urgentemente de uma empregada, serio meu café ficou horrível. – Guto fala.

- Bom dia para você também. Kleber não veio? – Olho para Camilo.

- Disse encontrar a gente na empresa.

- Tudo bem. – Me sirvo do café. – Meu Deus, é muito ruim.

- Isso é para você se virar e conseguir logo uma empregada.

- Cala a Boca! Camilo como ficou hoje?

- Olha, Kleber me passou que temos que estar lá as nove.

- Tudo bem, vai assim Guto?

- Sim.

- Você gosta né?

- Caro, deixar eles mais apavorados que estão.

Ele estava de tênis, calça e jaqueta jeans, em uma camiseta branca, bem despojado, isso porque no dia anterior ele estava de blazer.

Ele terminou de tomar seu café, eu comi umas torradas mesmo, e então saímos.

- Bora matar mais um leão. – Guto entra no elevador.

Hoje com mais organização quando chegamos na empresa, seguimos com mais tranquilidade para a minha sala, eu e meu irmão conversando;

- (...) Eu não confio, mas tenho que respeitar Guto.

- É sim, filho da puta, tem que colocar ele no lugar dele.

- O cara é um senhor e pastor.

- FODA-SE. Não importa.

- Tu me coloca em cada uma.

- Bom dia senhores. – Kleber fala na porta de minha sala.

- Senhores? – Pergunto.

- Viu, é assim que se faz, pode falar Kleber, eu que te intimidei certo? – Guto passa a mão em seu ombro entrando.

- Não, mas vocês têm cinco minutos. Estão todos aguardando.

- Ótimo vamos descer. – Falo voltando.

- Não! Relaxa, calma. – Guto me segura. – Vem precisamos beber algo.

- Guto não vou beber álcool essas horas.

- Vai Heitor, pega, me ajuda, Camilo! Cadê o Camilo grita ele aí.

Kleber o chama, e o meu irmão chega com um copo e uma dose de Wisky.

- Augusto não vou beber.

- Tem ideia do que vamos enfrenta agora! Se não estiver pouco relaxado aí pular pela janela desse prédio. BEBE. – Pego o copo olhando para os meninos. – Camilo o seu e o seu Kleber.

- Estou trabalhando Guto, agora não. – Camilo recusa.

- Meu irmão não vai te mandar embora, se virar esse copo. Ele está com medo, porque comigo ele enchia a cara.

Camilo empurra o Guto, para se calar e pega o copo;

- Só para você se calar.

Já Kleber bebe se dizer nada;

- Agora podemos? – Pergunto.

- Sim.

Ai meu Deus, que aflição.

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